Mariinsky Ballet no Brasil

Estava eu pesquisando no Google e um link simplesmente surgiu para mim. Alguém sabia que o Mariinsky se apresentará em São Paulo em novembro?

Todo ano, o Teatro Alfa apresenta a sua Temporada de Dança, programa que reúne companhias do Brasil e do exterior com apresentações no segundo semestre. Quem quiser conhecer a programação de 2014, aqui.

Em novembro, será a vez do Mariinsky Ballet apresentar O corsário. Serão cinco dias, de 19 a 23 de novembro, sendo que dois deles são destinados aos assinantes da temporada; ou melhor, aos assinantes que optaram por esse espetáculo opcional. Essas informações estão aqui.

As assinaturas funcionam da seguinte maneira: por um determinado valor, o espectador adquire ingressos para um espetáculo de cada companhia. Pelo valor adicional, também do Mariinsky. Para saber mais, aqui. Eu não sei como funciona a compra avulsa, ou seja, quem quiser assistir a apenas uma das companhias.

Em todo caso, o aviso está dado. Quem não quiser perder a oportunidade, há quatro meses para se informar e se preparar para assistir.

Para mais informações, acesse www.teatroalfa.com.br/temporada2014.

Este é o trailer com cenas de todas as companhias da temporada. Gostei muito dessa combinação entre dança contemporânea, flamenco e ballet clássico, muito mesmo!

Swanilda e suas amigas (2)

Ano passado, eu publiquei o vídeo de Swanilda e suas amigas, de Coppélia, de uma montagem do Bolshoi. Domingo foi Dia do Amigo e a querida Julimel, do Vídeos de Ballet Clássico, publicou em sua página do Facebook a mesma coreografia de uma antiga montagem do Australian Ballet.

Gostei tanto que pedi a ela para republicar no blog. Tão lindo, tão delicado, tão encantador, como imagino o momento de Swanilda e suas amigas.

“Swanilda e suas amigas”, Coppélia, Australian Ballet, 1990.

Ballet Meets Robotics: Francesca da Rimini

Sem querer, me deparei com um vídeo dos bailarinos Maria Kochetkova e Joan Boada. Logo no começo, descobrimos que se trata de um experimento: a sincronia entre os movimentos da coreografia e de uma câmera robótica (controlada por computador).

Sendo o blog de ballet clássico, acredito que vocês se interessem mais pela coreografia belíssima! Basta assistir ao vídeo em seguida ou clicar aqui para assisti-lo em tamanho maior.

Quem quiser conhecer o experimento e entender como tudo foi realizado, assista ao vídeo, em inglês e sem legendas, aqui.

ATUALIZAÇÃO: Os links para os dois vídeos − curta-metragem e making of − são do perfil oficial do projeto e, sabe lá o motivo, apagaram justamente o curta. Para o post não ficar sem seu ponto principal, resolvi publicar o making of, assim vocês têm uma ideia do projeto. Quando voltarem a publicar o que eu queria mostrar, troco novamente.

Making of de Ballet Meets Robotics: Francesca da Rimini.
Direção: Tarik Abdel-Gawad
Bailarinos: Maria Kochetkova e Joan Boada
Coreografia: Yuri Possokhov

Do que é nosso

Às vezes, um determinado assunto começa a aparecer na minha frente de várias maneiras. Recebo um e-mail, depois surge um comentário no blog, alguém diz algo no Twitter e percebo que talvez seja o momento de falar sobre isso.

O assunto da vez é a ausência de apoio das pessoas próximas quando começamos a fazer ballet clássico já adulta. Não só, quando a indiferença dá lugar à depreciação. “Ballet clássico? Não seja ridícula, olha a sua idade!” É possível trocar idade por peso, altura, habilidade para dançar, flexibilidade e por aí vai.

Nunca tive esse problema na minha família, por exemplo, mas também não tive torcida organizada quando comecei. Com o tempo, meus pais e meu irmão perceberam como o ballet clássico é importante para mim e me ajudam no que for necessário. Porém, já sofri depreciação pesada de pessoas bem próximas.

É comum ouvirmos “Está fazendo ballet para quê?” e essa frase vem carregada de julgamentos. Implicitamente, é uma pergunta autorrespondida: Oras, se você é mais velha, se você nunca será profissional, fazer ballet é algo inútil. Você está perdendo tempo. Dedicar-se à dança simplesmente pela satisfação pessoal não é uma alternativa.

De acordo com o manual da autoajuda, o normal seria dizer para não nos preocuparmos com isso. Problema dos outros, vamos seguir nosso caminho. Fechar os ouvidos para estranhos é fácil, mas para alguém importante para nós é complicado. Ser depreciada por quem amamos dói: além de não termos apoio, a nossa autoestima diminui um pouco a cada dia.

O que fazer? Pensar naquilo que queremos alcançar.

No texto “O ballet clássico e o tempo”, eu disse que gosto de caminhar. A minha satisfação na dança reside muito mais no caminho percorrido para dançar do que em alcançar determinado feito, mas nem sempre foi assim.

Eu também quis dançar na infância, depois na adolescência, no começo da juventude e não pude. Só consegui aos 27 anos. Pisei em um palco para dançar ballet clássico pela primeira vez aos 28 anos. Na plateia, estavam seis pessoas da minha família, incluindo meus pais. No agradecimento geral, meu pai virou para a minha mãe e comentou: “A Cássia disse que ia dançar ballet. E dançou mesmo”.

Eu quis dançar, eu comecei a dançar, eu queria me apresentar e assim foi. Não importa o que os outros digam a esse respeito: eu dancei. Qualquer depreciação, crítica ou ofensa não tirará o meu mérito. Porque eu dancei.

O que é nosso ninguém tira, nem com toda a vontade do mundo.

O pai fez piada, a mãe soltou uma ofensa, a tia chamou de gorda? Dance. O namorado te chamou de ridícula? Largue o namorado − ele não te respeita − e dance. A colega de trabalho riu da sua cara? Dance. É fácil? Nem um pouco.

Sempre fico chateada quando recebo histórias de corações magoados porque alguém fez pouco caso do sonho de outra pessoa. Mas não existe satisfação maior do que conquistarmos o que tanto sonhamos. Dar a essas pessoas o direito de acabar com isso é injusto conosco, com o que nos dedicamos tanto para conseguir.

Em “O lago dos cisnes”, a Odile não acabou com a Odette; em “A Bela Adormecida”, a Carbosse não acabou com a Aurora; em “Giselle”, nem a traição acabou com a doce camponesa. Todas continuaram dançando. Porque é assim que as bailarinas seguem na vida.

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