Ballet Meets Robotics: Francesca da Rimini

Sem querer, me deparei com um vídeo dos bailarinos Maria Kochetkova e Joan Boada. Logo no começo, descobrimos que se trata de um experimento: a sincronia entre os movimentos da coreografia e de uma câmera robótica (controlada por computador).

Sendo o blog de ballet clássico, acredito que vocês se interessem mais pela coreografia belíssima! Basta assistir ao vídeo em seguida ou clicar aqui para assisti-lo em tamanho maior.

Quem quiser conhecer o experimento e entender como tudo foi realizado, assista ao vídeo, em inglês e sem legendas, aqui.

Para assistir em tamanho maior, aqui.

Ballet Meets Robotics: Francesca da Rimini
Direção: Tarik Abdel-Gawad
Bailarinos: Maria Kochetkova e Joan Boada
Coreografia: Yuri Possokhov

Do que é nosso

Às vezes, um determinado assunto começa a aparecer na minha frente de várias maneiras. Recebo um e-mail, depois surge um comentário no blog, alguém diz algo no Twitter e percebo que talvez seja o momento de falar sobre isso.

O assunto da vez é a ausência de apoio das pessoas próximas quando começamos a fazer ballet clássico já adulta. Não só, quando a indiferença dá lugar à depreciação. “Ballet clássico? Não seja ridícula, olha a sua idade!” É possível trocar idade por peso, altura, habilidade para dançar, flexibilidade e por aí vai.

Nunca tive esse problema na minha família, por exemplo, mas também não tive torcida organizada quando comecei. Com o tempo, meus pais e meu irmão perceberam como o ballet clássico é importante para mim e me ajudam no que for necessário. Porém, já sofri depreciação pesada de pessoas bem próximas.

É comum ouvirmos “Está fazendo ballet para quê?” e essa frase vem carregada de julgamentos. Implicitamente, é uma pergunta autorrespondida: Oras, se você é mais velha, se você nunca será profissional, fazer ballet é algo inútil. Você está perdendo tempo. Dedicar-se à dança simplesmente pela satisfação pessoal não é uma alternativa.

De acordo com o manual da autoajuda, o normal seria dizer para não nos preocuparmos com isso. Problema dos outros, vamos seguir nosso caminho. Fechar os ouvidos para estranhos é fácil, mas para alguém importante para nós é complicado. Ser depreciada por quem amamos dói: além de não termos apoio, a nossa autoestima diminui um pouco a cada dia.

O que fazer? Pensar naquilo que queremos alcançar.

No texto “O ballet clássico e o tempo”, eu disse que gosto de caminhar. A minha satisfação na dança reside muito mais no caminho percorrido para dançar do que em alcançar determinado feito, mas nem sempre foi assim.

Eu também quis dançar na infância, depois na adolescência, no começo da juventude e não pude. Só consegui aos 27 anos. Pisei em um palco para dançar ballet clássico pela primeira vez aos 28 anos. Na plateia, estavam seis pessoas da minha família, incluindo meus pais. No agradecimento geral, meu pai virou para a minha mãe e comentou: “A Cássia disse que ia dançar ballet. E dançou mesmo”.

Eu quis dançar, eu comecei a dançar, eu queria me apresentar e assim foi. Não importa o que os outros digam a esse respeito: eu dancei. Qualquer depreciação, crítica ou ofensa não tirará o meu mérito. Porque eu dancei.

O que é nosso ninguém tira, nem com toda a vontade do mundo.

O pai fez piada, a mãe soltou uma ofensa, a tia chamou de gorda? Dance. O namorado te chamou de ridícula? Largue o namorado − ele não te respeita − e dance. A colega de trabalho riu da sua cara? Dance. É fácil? Nem um pouco.

Sempre fico chateada quando recebo histórias de corações magoados porque alguém fez pouco caso do sonho de outra pessoa. Mas não existe satisfação maior do que conquistarmos o que tanto sonhamos. Dar a essas pessoas o direito de acabar com isso é injusto conosco, com o que nos dedicamos tanto para conseguir.

Em “O lago dos cisnes”, a Odile não acabou com a Odette; em “A Bela Adormecida”, a Carbosse não acabou com a Aurora; em “Giselle”, nem a traição acabou com a doce camponesa. Todas continuaram dançando. Porque é assim que as bailarinas seguem na vida.

Os 35 anos da bailarina

Quem acompanha o blog há bastante tempo, sabe que no meu aniversário eu me dou um presente. Às vezes, penso em deixar para lá, mas logo mudo de ideia. Assim, já me presenteei seis vezes e todas elas podem ser vistas aqui.

Neste ano, começarei contando algo importante. Vocês sabem quando a Agrippina Vaganova nasceu? No dia 26 de junho de 1879. Eu nasci no dia 26 de junho de 1979. Cem anos separam os nossos nascimentos. Engraçado, mesmo preferindo o método francês, são os ensinamentos da Vaganova que me acompanham. É ela quem me guia no ballet clássico.

Agora, vamos comemorar a data?

Eu escolhi uma coreografia possível. Além de poder dançá-la sem medo, ela reúne várias coisas que me encantam: arabesque a 90 graus, developpé mais baixo, um lindo tutu de manguinha, corpo de baile encantador, música que desmancha o meu coração. É o adágio do grand pas de deux de Paquita.

Sim, eu contei que prefiro o corpo de baile desse repertório, mas esse adágio mexe comigo de uma maneira difícil de explicar. Eu me encontro nele. É como se eu me visse bailarina.

Quem quiser comemorar comigo, sinta-se à vontade para ser do corpo de baile. Façamos de conta que dançaremos juntas. No dia do aniversário, podemos ser o que quisermos ser.

Adágio do grand pas de deux, Paquita, Ópera de Paris, Alice Renavand e Florian Magnenet, 2013.

Primeira frase de um livro não escrito

Há alguns dias, eu contei que estava preparando o meu novo livro. Dessa vez, não é sobre dança, tudo bem? O meu livro sobre ballet clássico, com textos selecionados do blog, foi lançado ano passado e quem não o conhece pode saber mais aqui.

Agora, é literatura. Sei que nosso assunto neste espaço é outro, mas como não compartilhar sobre o meu livro em todos os canais que mantenho?

“Criei o meu primeiro blog em 2003, o Olhos caramelos, título de uma música da extinta banda Penélope. Em 2007, mudei para o Carambolas azuis, que hoje tem outro propósito. Por fim, o Cássia Pires surgiu em 2010 porque resolvi escrever em meu próprio nome, mas o interrompi três anos e meio depois. Eu cansava e apagava o blog, ou mudava a ideia, ou criava outra coisa. Consequentemente, os textos publicados ao longo desses dez anos foram apagados.”

Esse é um trecho do prefácio. Eu apaguei os meus textos da Internet, mas eles continuaram comigo. Resolvi retirá-los da gaveta, selecionei os meus preferidos e assim surgiu o Primeira frase de um livro não escrito.

Eu o lancei apenas em versão digital e para comprá-lo:
Na Amazon.com.br, aqui.
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É um livro pequeno, pouco mais de 100 páginas, mas que guarda anos de escritos e memórias. Daqui em diante, escreverei especialmente para publicar e espero que seja apenas o começo.

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