Publicado por: Cássia Pires | Novembro 11, 2009

Nos dias de frio

Mesmo neste calor absurdo dos últimos dias em São Paulo, olho para a foto e só penso que queria ensaiar Giselle e me vestir assim.

Aurélie Dupont, perfil em Point de Vue

Publicado por: Cássia Pires | Novembro 6, 2009

A diferença entre a sala de aula e o palco

Eu vou completar dois anos e meio de ballet no fim do ano. Três professoras diferentes, três escolas diferentes. Mas acho que só agora eu entendi porque mudei tanto.

Nos últimos dias, ouvi uma porção de vezes os trechos que dançarei. A apresentação será daqui praticamente um mês. Pensando sobre isso, cheguei a uma conclusão que, por enquanto, é como eu me sinto.

Eu gosto mais de fazer aula do que de me apresentar.

Fonte: for the love of ballet

Por favor, sem tomates. Tampouco confisquem a minha carteirinha da associação das bailarinas.

Comigo acontece o seguinte: eu fico feliz nas aulas, até a apresentação. Quando ela acontece, eu não aproveito. Eu me sinto um peixe fora d’água.

Eu já me senti plena no palco: quando fazia teatro e quando me apresentei com dança do ventre e jazz. No ballet, não sei o que acontece, parece que estou no lugar errado e ninguém me avisou.

Já as aulas, eu adoro. Fiz aulas de manhã, à tarde e à noite, mas o meu horário preferido é cedinho. Inexplicavelmente, o horário em que mal funciono. Ano passado, tive aulas aos sábados das 8h às 9h30 por meses. Eu amava. Para mim, era todo um ritual acordar bem cedo, vestir meu uniforme, fazer meu coque, tomar meu café e ir para a aula. Quando terminava, eu sentia que o meu sábado seria muito mais bonito, não importa o que acontecesse no resto do dia. Uma vez, fui me sentindo muito mal, depois de chorar de dor nos ouvidos e na garganta. Dali fui ao médico e passei dois dias de cama. Mas fiz a minha aula.

Já nas apresentações, não sei. Parece que estou indo para a forca. Acho tudo lindo: a música, a coreografia, os figurinos, as coroas. Danço. Parece uma eternidade. Depois encontro mil defeitos e quando assisto ao vídeo tenho um surto interno silencioso. Tempo, ensaios, dinheiro gasto em teatro e figurino, a música tocando direto na cabeça, coreografia passada em qualquer brecha do dia. E cadê o encanto? Quando tudo passa, a sensação de inadequação continua. Talvez eu tenha mudado de escola mais de uma vez por isso, para essa sensação ruim desaparecer. Freud não explica.

Eu me sinto bailarina na aula.
Eu não me sinto bailarina no palco.

Espero que um dia isso passe.

Publicado por: Cássia Pires | Novembro 1, 2009

A lista da bailarina

Outro dia pensei o seguinte: o que antes não fazia a menor diferença na minha vida e hoje se tornou indispensável? Não falo daquilo que é essencial para bailarinas – por exemplo, sapatilha não entra na lista –, mas daqueles itens que existem por aí, as pessoas usam normalmente em outros momentos, mas para nós passaram a fazer parte do ballet.

A minha lista consiste em:

Coque
O clássico dos penteados, especialmente para noivas. Não adianta, para mim, coque é sinônimo de ballet. E nem me peçam para fazer um para ir à alguma festa. Fiz uma vez e só conseguia enxergar a bailarina.

Redinha de cabelo
Eu achava normal para comissárias de bordo, atendentes de lanchonete e funcionárias de laboratório. Eu olhava e achava muito feio. Paguei a língua, tenho várias redinhas e uso para segurar o coque. Usava quando tinha cabelão e acostumei, mas agora também uso porque tenho os cabelos acima dos ombros, então só ela consegue segurar.

Grampos
Eu não usava nem para deixar o cabelo mais estiloso. Para mim, grampos eram amigos dos bobes. Hoje, não vivo sem minha caixinha e já os levei para a vida fora do ballet. O cabelo está estranho e sem graça? Alguns grampos fazem toda a diferença.

Base de unha
Eu mesma faço as minhas unhas, mas não costumo passar base antes, mas ela sempre esteve lá entre os esmaltes todos. Agora, uso base nas fitas de cetim para não desfiar, nas meias-calças quando desfiam, nos elásticos antes de costurá-los nas sapatilhas. A base virou minha amiga e companheira.

Base de rosto
Só me tornei fã de maquiagem de uns tempos para cá. Antes de usá-la volta e meia, aprendi a usar nas alças do figurino. É só passar no elástico branco, assim ele fica da cor da pele e não aparece no palco. Encontrei uma exatamente no meu tom e ela mora junto com as minhas bases usadas na maquiagem.

Laquê
Para segurar o coque? Não, para segurar a fita da sapatilha no lugar certo. Depois de amarrar, fazer o nó e escondê-lo embaixo da fita, basta espirrar um pouco de laquê. Foi um dos primeiros truques que aprendi no ballet.

Meia-calça
Voltou à moda, mas já foi considerada coisa de tia-avó. Eu usava, no máximo, a de fio 40. Descobri que meia-calça de suplex é uma das grandes amigas da bailarina, segura tudo e é muito confortável. É mais cara, mas a sua vida útil é bem maior.

Talco
Há quem use aqueles talcos para os pés, para inibir o odor comumente conhecido como chulé. Eu nunca usei, tampouco gosto do cheiro. Quando comecei a usar sapatilhas de ponta, soube da importância do talco para a conservação das ponteiras de silicone. Comprei o clássico talco para bebê. Cheirinho bom e ponteiras felizes.

Linha e agulha
Salvo nos casos de bailarina costureira ou formada em moda, ambas só surgem quando temos de fazer algum conserto de emergência. Isto é, quando não pedimos para a mãe ou a avó fazerem o serviço. Minha mãe quem costurava para mim, mas percebi que não poderia pedir a vida inteira. Agora, quem costura as fitas e os elásticos sou eu. No começo, é normal espetar o dedo, costurar torto, mas depois é supertranquilo. Gosto de colocar as sapatilhas quando termino de costurar e saber que teve a minha mão ali.

Publicado por: Cássia Pires | Outubro 23, 2009

A primeira vez na sapatilha de ponta: a foto

Eu contei aqui como foi a minha experiência na ponta pela primeira vez, mas não publiquei a foto. Agora sim.

Há várias, mas essa é a minha preferida: a Karen ajeitando os meus pés. A professora guiando os passos da aluna. Uma foto e um punhado de significados.

Publicado por: Cássia Pires | Outubro 20, 2009

Ronaldo Fraga e São Paulo Companhia de Dança

No blog Estilo Quem, da jornalista Denise Dahdah, foi publicado um post sobre os figurinos criados por Ronaldo Fraga para Passanoite, a nova coreografia da São Paulo Companhia de Dança. Ele também foi o responsável pelos figurinos de Santagustin, do Grupo Corpo.

As bailarinas que adoram tutus estilizados e sapatilhas pretas ficarão encantadas. Para ver, clique aqui.

E quem quiser ver pessoalmente, Passanoite ficará em cartaz dos dias 22 a 25 de outubro, no Teatro Alfa, em São Paulo. Mais informações, aqui.

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