No ar

Eu sou apaixonada pelo pas de deux “O abandono”, do ballet Le parc, e já falei dele aqui e aqui. A Olesya Novikova, solista do Mariinsky Ballet, é uma das minhas bailarinas preferidas e já apareceu no blog diversas vezes.

Sendo assim, como não trazer esta fotografia para cá? Linda linda linda.

Olesya Novikova e Vladimir Shklyarov, Le parc, Mariinsky Ballet, 2013. Foto: Sasha Gouliaev.

ATUALIZAÇÃO: A querida leitora Erika Camargo compartilhou nos comentários um vídeo da Olesya Novikova e do Vladimir Shklyarov dançando juntos esse pas de deux. Não podia deixá-lo escondido e resolvi publicar no post. Muito obrigada, Erika!

Dois passos para frente, um para trás

Há dois anos, eu tive um problema de saúde e isso refletiu diretamente na minha relação com a dança. Quem lê o blog há mais tempo, talvez se lembre dos posts “Um passo para frente, dois para trás” e “A importância de conhecer o próprio corpo”.

Em um deles, eu prometi contar como voltei a dançar depois de tanto tempo com o corpo debilitado. Não o fiz por uma razão: responsabilidade. Por mais que tenha dado resultado, vocês poderiam se machucar. Eu dou conta do que faço comigo, mas não posso responder por vocês.

Até que, dia desses, a bailarina Kathryn Morgan publicou no YouTube uma sequência de barra feita especialmente para quem está voltando a dançar depois de uma lesão, um problema de saúde ou por ter ficado muito tempo parado. Não é muito diferente do que fiz. Pronto, a preocupação passou, havia o respaldo de uma especialista no assunto. Ela própria parou de dançar por um período depois de um sério problema de saúde.

Sendo assim, reunirei os dois. Vou explicar como foi o meu processo e depois falarei sobre o vídeo da Kathryn Morgan.

1. O MEU PROCESSO

Vamos começar do começo. Antes de voltar, é preciso ter a liberação do seu médico ou fisioterapeuta, não tem desculpa. Querer acelerar o processo só piorará as coisas. Esperar é para o seu bem.

Foi liberada para dançar? Agora é o momento de se ouvir. Se o médico disse sim, você sentiu que não, a resposta é não. Falo com conhecimento de causa: o meu problema é alergia respiratória e resolvi fazer uma sequência completa na barra fixa − eu tenho uma no meu quarto. Não consegui chegar aos 10 minutos, tive uma falta de ar absurda e passei mal. Prometi para mim que esperaria o tempo que fosse. Eu voltaria do meu jeito.

Parada há tanto tempo, o melhor seria voltar aos poucos. Planejei uma etapa por vez, até meu corpo se acostumar.

Primeira etapa: exercícios com a faixa elástica. Escolhi a faixa mais leve e fazia esta sequência aqui. Comecei com 20 repetições e aumentei 10 por dia até chegar às 50.

Segunda etapa: barra fixa para fazer somente meia-ponta e pé no chão, alternando os pés. Foram dias só nisso, aumentando o número de repetições.

Terceira etapa: hora da técnica clássica. Ao lado da minha barra fixa, tenho a sequência proposta por Agrippina Vaganova, no livro “Princípios básicos do ballet clássico”, no capítulo “Introdução: plano de estudo”. Olha ela aqui. Essa foi a minha base. Excluí os pequenos saltos da lista, porque não era a hora. Fiz todos os outros, acrescentando um por dia:

Dia 1: plié
Dia 2: plié + tendu
Dia 3: plié + tendu + rond de jambe par terre
Dia 4: plié + tendu + rond de jambe par terre + fondu
Dia 5: plié + tendu + rond de jambe par terre + fondu + frappé
Dia 6: plié + tendu + rond de jambe par terre + fondu + frappé + rond de jambe en l’air
Dia 7: plié + tendu + rond de jambe par terre + fondu + frappé + rond de jambe en l’air + développé
Dia 8: plié + tendu + rond de jambe par terre + fondu + frappé + rond de jambe en l’air + développé + grand battement

Nada de combinações complicadas, apenas duas ou três repetições simples, en croix ou en dehors/en dedans, dependendo do caso. Por exemplo: 2x tendu devant, 2x tendu à la seconde, 2x tendu derrière, 2x tendu à la seconde, outro lado; 3x rond de jambe par terre en dehors, 3x rond de jambe par terre en dedans, outro lado. Parece muito fácil, mas o corpo precisa de tempo.

Segui a risca e o que aconteceu? Consegui fazer a barra completa, sem sentir falta de ar, sem passar mal, sem sentir dores no corpo. Depois acrescentei umas sequências de centro. Só bem depois passei para combinações nos exercícios da barra.

De qualquer forma, sempre ouça o seu corpo. Sentiu dor, pare. Sentiu que está puxado, pare. Sentiu que é melhor alternar os dias, alterne. O corpo sempre sabe, quem se engana somos nós.

Talvez alguém pergunte: Por que você fez isso sozinha e não em uma escola de dança? Eu estava em uma situação delicada, não aguentaria uma aula completa com barra, centro e diagonal. Tampouco poderia pagar aulas particulares. No entanto, eu estudo técnica clássica por conta própria desde o meu começo no ballet, há sete anos, e tenho um bom material de aula, especialmente em vídeo. Eu sabia o que estava fazendo. Mas se você puder escolher, fique com a orientação de uma boa professora ou de um bom professor.

2. O VÍDEO DA KATHRYN MORGAN

Eu falei sobre a Kathryn Morgan e suas publicações neste post. De uns tempos para cá, ela tem publicado vários vídeos de barra fixa, um melhor do que o outro. Pelo menos dois deles fazem parte da minha rotina de estudos.

Um deles é uma sequência completa bem tranquila, boa para quem está parada há um bom tempo, seja pelo motivo que for. O vídeo foi feito especialmente para fazermos junto com ela. Antes de cada exercício, tudo é bem explicado e mesmo quem não sabe inglês consegue entender.

Se você já fez, aprendeu e não quer ouvi-la explicar novamente, a versão editada do vídeo apenas com as sequências, aqui.

*

Alguma dúvida? Querem acrescentar alguma coisa? Espero que ajude quem está passando por esse momento tão delicado da vida.

O que acontece no corpo da bailarina enquanto ela dança?

Se há uma coisa na qual eu acredito é que o mundo caminha para frente. Por isso, sou uma entusiasta das pesquisas, das descobertas, do estudo. Quem acompanha o blog sabe bem disso.

Eu recebi um e-mail da Debora, pesquisadora da área de biomecânica, e o assunto da sua tese de doutorado é o ballet clássico. É claro que fiquei muito feliz em divulgar.

Ela precisa de bailarinas − não é necessário que sejam profissionais − de 7 a 30 anos de idade, que façam aulas de ballet regularmente. As avaliações acontecerão no laboratório de biomecânica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Não seria sensacional participar de uma pesquisa que estuda os movimentos das bailarinas? Não tenho dúvidas de que esse estudo fará uma imensa diferença para o ballet clássico.

Abaixo, o flyer que ela me mandou. Também digitei as mesmas informações, caso alguém tenha algum problema com a imagem. Vamos participar?

O que acontece no corpo da bailarina enquanto ela dança?

Até pequenos gestos geram grandes forças no corpo da bailarina. Se você tem entre 7 e 30 anos e dança ballet clássico regularmente, venha ser avaliada. Entre em contato!

Telefone: 3091-8426 ou 98290-1012 (Andreja, Débora ou Carolina)
E-mail: andbio@usp.br

As avaliações acontecem no laboratório de biomecânica da Faculdade de Mediciona da USP
Rua Ciopotânea, 51, Cidade Universitária
www.usp.br/labimph

Preparando as coisas

Sei que estou devendo posts, mas não gosto quando vários vídeos se concentram na página principal. Sendo assim, hoje teremos apenas uma fotografia e amanhã um novo texto chegará. Palavra de bailarina.

Esta fotografia do San Francisco Ballet era o topo do nosso antigo grupo de discussão. Não sei por que, mas é uma das minhas preferidas.

Comercial Listerine

Volta e meia eu via a chamada desse comercial, mas só fui assisti-lo outro dia. Três vivas tanto para quem criou quanto para quem aprovou o anúncio. Não é sempre que vemos a perfeita combinação entre delicadeza e força.

Aliás, pensei que só eu fizesse a piada “Não me deixe brava, senão dou um grand battement na sua cara!”.

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