Pas des Déesses

Com música de John Field e coreografia de Robert Joffrey, Pas des Déesses é um ballet de 1956 que satiriza a rivalidade existente entre as bailarinas Luciele Grahn, Fanny Cerrito e Marie Taglioni.

Três das grandes estrelas da dança no Período Romântico, elas foram responsáveis, juntamente com Carlotta Grisi, por uma grande mudança na história do ballet clássico. Como isso aconteceu? Assunto para outro dia.

Este é um trecho de Pas des Déesses. Delicado que só!

Trecho de Pas des Déesses, Joffrey Ballet.
Bailarinos: Maia Wilkins, Jennifer Goodman, Suzanne Lopez e Michael Levine.

Bailarinos, envelheçam!

O primeiro repertório que assisti completo foi Dom Quixote com a Ópera de Paris. O Basílio era feito pelo Manuel Legris. A primeira vez que assisti a La bayadère também foi com a Ópera de Paris e a Nikyia era a Isabelle Guérin. Não à toa, esses foram meus repertórios preferidos durante um bom tempo. Depois vieram Giselle, O lago dos cisnes, Raymonda, mas a minha admiração por esses dois bailarinos continuou. Ambos estão na minha base de formação no ballet e, sem dúvida, contribuíram para o meu amor público e confesso pela Ópera de Paris.

Hoje, Isabelle Guérin tem 53 anos e Manuel Legris, 50. Ambos continuaram na dança depois de se aposentarem na companhia. Eu a sigo no Instagram e me surpreendi ao ver esta foto.

Isabelle Guérin e Manuel Legris, ensaio de The Farewell Waltz.
Foto: Chen Wen. Fonte: instagram.com/isaguerin.

Ela foi tirada há um mês e ambos estavam ensaiando, em Xangai, a obra The Farewell Waltz, de Patrick de Bana. Há outras três que podem ser vista no seu perfil, aqui.

Compreendo todo o virtuosismo, vitalidade e potência física exigidos na dança. Mas nunca uma criança ou uma adolescente me levaram às lágrimas ao vê-las dançar. Em compensação, quanto mais os bailarinos envelhecem, menos eu percebo o corpo e mais eu enxergo o artista. Porque até a alma precisa de tempo para se manifestar.

ATUALIZAÇÃO:

Um dia depois deste post, vi no Twitter do The Guardian sobre bailarinos com mais de 70 anos que voltaram a dançar. Era para divulgar o Elixir Festival, que entre os dias 12 e 15 de setembro, em Londres, terá apresentações desses bailarinos mais velhos. Senti uma imensa alegria ao saber disso! Quem sabe espetáculos assim se tornem regra no mundo da dança.

Para ler a matéria, em inglês, aqui.
Para saber mais sobre o Elixir Festival, aqui.
Fotos desses bailarinos (lindos!) ensaiando no palco, aqui.

O cérebro e o movimento

Há mais de uma semana, o programa Bem Estar falou sobre as habilidades do cérebro em relação ao movimento. Nem preciso dizer como vale perfeitamente para quem dança.

É possível assistir pela internet ao programa completo e colocarei os links no fim do post. Mas para adiantar o assunto para vocês, há dois pontos muito importantes que devemos prestar atenção.

Olhar e prestar atenção

Vocês sabiam que apenas de olhar um movimento o nosso cérebro realiza 1/3 da ação? Nesse momento, o corpo começa a se preparar para realizá-lo. Por isso é tão importante prestar atenção na explicação da aula ou do vídeo antes de sair se mexendo. Não só, agora vocês sabem que passar horas assistindo aos vídeos no YouTube não é importante apenas para o conhecimento teórico, o corpo também está aprendendo.

A diferença entre talento e habilidade

Quando se fala em talento, sempre surge a história da bailarina dedicada que atingiu um alto nível técnico. Quando se fala em dedicação, sempre surge a história da bailarina talentosa que praticamente nasceu dançando. A questão é: não adianta rebater um com o outro, pois ambos são verdadeiros. Há os talentosos que possuem uma grande facilidade para realizar alguma coisa e há os habilidosos, que pelo treino atingiram um alto nível nessa mesma coisa.

Nasceu talentosa? Se não estudar dança, não fará diferença. É dedicada? Quanto mais estudar, melhor será. Não adianta sofrer ou reclamar, aceite em qual turma você se encaixa e siga em frente.

O programa pode ser assistido integralmente aqui e aqui.
Para assistir apenas à explicação sobre talentos e habilidades, aqui.

Comemoração

Não sei vocês, mas eu gosto muito de futebol. Passei bastante tempo sem acompanhar os campeonatos, por falta de paciência com encheção de torcedores, mas voltei a fazer isso depois da Copa do Mundo. Não acompanho apenas o meu time, mas o que está acontecendo no futebol.

Sendo assim, eu ri de chorar com este vídeo do Porta dos Fundos que reúne dança e futebol. Quem já fez alguns exercícios de composição coreográfica em aulas de dança contemporânea, ou criação de cenas no teatro, vai entender melhor a piada.

Por favor, não é para ninguém se ofender, hein?! Se eu tivesse achado pejorativo, não publicaria, é engraçado mesmo. E aproveitei o dia de amistoso da seleção brasileira para já entrarmos no clima.

Divirtam-se!

Comemoração, Porta dos Fundos.

Dia da Bailarina

Ando tão desconectada do blog e dos assuntos sobre ballet clássico que não sejam técnica clássica, que simplesmente esqueci do Dia da Bailarina. Fui lembrada pelos parabéns de uma querida amiga bailarina. Até me dar conta, foram alguns segundos olhando para a mensagem.

O “me dar conta” não foi apenas pela data, mas também por mim, uma bailarina adulta amadora. Logo imaginei a bailarina com tutu bandeja, coroa e ar angelical. Mereço os parabéns? Na visão da maioria das pessoas, o ballet clássico ainda é uma prática para crianças. Ninguém percebe que o ballet profissional é feito, em sua imensa maioria, por adultos?  Se nem as bailarinas profissionais são vistas como mulheres, que dirá nós.

No imaginário coletivo, uma bailarina clássica ainda tem um ar infantil, como se fosse criança eternamente. Mas não, somos mulheres e nem sempre queremos ser fadas e princesas. Às vezes, queremos dançar as mulheres que somos.

Tanto no Facebook quanto no Twitter, eu compartilhei um vídeo já publicado no blog, Manon em A dama das camélias. Sendo assim, escolhi um outro que há tempos penso em publicar: um trecho de Sylvia, na versão de John Neumeier.

Parabéns para nós, bailarinas, e também aos bailarinos. Vamos aproveitar nosso dia dançando.

Trecho de Sylvia, de John Neumeier, Ópera de Paris, 2005.

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