O oitavo aniversário

Era começo de 2009, eu tinha 29 anos, um ano e meio de ballet, estudava na minha segunda escola e continuava me sentindo da mesma maneira: um peixe fora d’água. Sempre o sentimento de inadequação, a sensação de que eu não estava no meu lugar. Eu já mantinha blogs desde 2003, por que não criar um sobre ballet? Lembro de fazer uma lista de nomes e cortar um por um. No fim das contas, sobrou este: “Dos passos da bailarina”.

Chegou o primeiro aniversário, em 2010, e os anos foram passando: 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016… Oito anos escrevendo sobre ballet clássico, 857 posts, mais de dois milhões de visitas e um livro depois, cá estamos nós em 2017.

O retorno do meu trabalho teve momentos bem distintos. Nos primeiros anos, havia quem compartilhava comigo a própria história e havia quem me agredia. Os hoje tão conhecidos “haters” já existiam, mas aqui eles usavam tule e fitas de cetim. Foi por essa razão que a página e o grupo de discussão no Facebook foram apagados, porque algumas coisas eram bem pesadas e eu não sabia lidar com isso.

Depois do auge dos blogs e sua queda para dar lugar a outros meios, como as redes sociais e os canais no YouTube, isso acabou. Só recebo comentários bacanas, uma troca de histórias e informações, e as críticas são fundamentadas, ninguém me agride, xinga ou deprecia a minha história. Não acho que as coisas mudaram no mundo, porque o ódio está mais presente do que nunca, mas neste espaço as pessoas começaram a se desarmar. O motivo? Eu não sei, mas fico feliz que seja assim.

O foco dos textos e das publicações também mudou. Antes eu escrevia sobre o meu caminho no ballet clássico, hoje eu escrevo a minha visão sobre a dança clássica. Não uso mais o termo “bailarina adulta”, mas “bailarina amadora”, e não falo mais “ballet adulto”. Alguém já notou essa mudança? Qualquer dia eu conto o motivo. Além disso, publico muito mais informações sobre ballet e dança, talvez por ter aprendido os caminhos do estudo sobre esse assunto.

Reconheço, os tempos mudaram. Há trabalhos muito bons pela internet afora, vi vários deles surgirem e o “Dos passos da bailarina” se tornou aquela tia legal que as sobrinhas visitam de vez em quando para aprender um pouco mais. Por enquanto, não tenho vontade ou interesse de seguir esses novos rumos, nas redes sociais mantenho apenas meus perfis pessoais ‒ Twitter, Instagram, Facebook e Pinterest ‒ e só faço divulgação daquilo que gosto, sem ganhar nada por isso (seja brinde, pagamento ou algo semelhante). Não significa que é o melhor caminho, respeito imensamente quem trabalha de outra maneira, esse é apenas o meu jeito de preservar o que construí com tanto esmero.

Em resumo, o “Dos passos da bailarina” se tornou um casamento entre o ballet clássico, a palavra e o movimento. E enquanto houver bailarinas e bailarinos dançando por essas linhas, eu continuarei a escrever.

Obrigada pelos oitos anos, de coração.

* * *

Vocês achavam que a comemoração terminaria sem dança? Escolhi a “Variação de Aurora” do segundo ato de A Bela Adormecida, da linda montagem do Het Nationale Ballet/Dutch National Ballet. Como eu gosto dessa variação!

“Variação de Aurora”, segundo ato, A Bela Adormecida, Het Nationale Ballet/Dutch National Ballet, Megan Zimny Kaftira.

Há três anos… 

Eu lançava o meu primeiro livro, Dos passos da bailarina, uma compilação de textos publicados neste espaço entre 2009 e 2013. Já contei como surgiu a ideia? Depois de fazer backup do blog, me surpreendi com a quantidade de material escrito, será que daria um livro? Além disso, naquela época, eu pensava em encerrar o blog e um livro seria uma boa maneira de fazer isso.

No fim das contas, o livro saiu, o blog continuou, outros dois livros vieram – Primeira frase de um livro não escrito e Virgínia –, estou escrevendo outros dois, e o ballet clássico passou a ter outro significado na minha vida. Antes eu era mais deslumbrada e apaixonada, hoje sou mais realista. Virou amor.

O livro remonta o meu encontro com o ballet clássico e como eu me descobri bailarina. Quem sabe um dia eu escreva sobre a minha relação com a dança depois desse período. Quem sabe.

Para comprar:
O livro existe apenas em versão digital. A diferença de valores entre as lojas é por causa do reajuste do preço de acordo com a cotação do dólar.

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Redes sociais

Para conhecer a opinião e as críticas a respeito do livro.
Skoob
Goodreads

Capa do livro Dos passos da bailarina.

Problemas técnicos

Quase um mês sem publicações e sem aprovação de comentários. Dessa vez, não foram as mil coisas para fazer ou dedicação a outros assuntos, mas problemas técnicos. Por algum motivo que desconheço, mesmo tendo acesso a internet, eu não conseguia acessar alguns sites. Dentre eles, o WordPress e todos os blogs ligados a ele, nem o aplicativo no celular eu conseguia usar.

Finalmente, hoje deu certo. Não sei como será nos próximos dias, mas o blog não acabou, há muita coisa para ser publicada. Em breve, tudo voltará ao normal.

Aniversário do blog: sete anos

No dia primeiro de fevereiro de 2009, abri este lugar com um texto de Santo Agostinho, Eu louvo a dança. Não expliquei o que era, apenas comecei. Ao completar um ano, pensei em uma gala fictícia, em que as leitoras escolheram o quê e com quem queriam dançar.

No ano seguinte, a comemoração foi pessoal, eu e meus questionamentos se sou ou não uma bailarina. Depois, três pas de trois para comemorar três anos. Em 2013, foi a vez de questionar por que o blog existe. No aniversário de cinco anos, cinco leitoras-amigas contaram suas histórias com o Dos passos da bailarina. Por fim, no ano passado eu respondi a uma série de perguntas de vocês.

Chegamos aos sete anos. Para termos uma noção de tempo, quando o blog surgiu: alunas e alunos do baby class ainda não eram nascidos; as redes sociais não tinham tanta força e alcance; não existiam os youtubers e seus canais com milhões de assinantes; não questionavam a inexistência da diversidade nas companhias de dança; alunas adultas eram sempre vistas como bailarinas frustradas; não tínhamos acesso aos bastidores, aulas, ensaios e espetáculos das grandes companhias; era difícil conseguir informações e material de estudo sobre dança.

O tempo passou e, ainda bem!, trouxe mil possibilidades. Por essa razão, nem sempre consigo enxergar neste espaço uma função clara, a não ser compartilhar a minha visão do ballet clássico. Então, por favor, gostaria que vocês respondessem nos comentários a duas perguntas: O que vocês sentem falta de ver no blog? Na visão de vocês, o que só existe neste blog?

Muito obrigada a quem sempre acompanhou o Dos passos da bailarina, não importa o tempo. Ele só existe por causa de vocês.

Por fim, vamos comemorar dançando um pas de sept?

“Dança russa”, O lago dos cisnes, Bolshoi Ballet.