“A bailarina” na Netflix

Vocês lembram do filme A bailarina (Ballerina, 2016), que estreou no Brasil em janeiro? Pois ele acabou de entrar no catálogo da Netflix!

Foi-se o tempo em que esperávamos tanto entre a estreia nos cinemas, o lançamento em VHS nas locadoras (isso não é do tempo da maioria de vocês!) e  passar na televisão. Ainda bem!

As opções de dublagem são português, inglês e espanhol. Sou só eu ou alguém aí também queria em francês? (Não, eu não sou fluente em francês, mas queria mesmo assim.)

Divirtam-se!

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Sobre a criação artística

Queridas leitoras e queridos leitores, sei o quanto estou em dívida com este espaço. Não publico o quanto deveria, tampouco questiono o que poderia. Enfim, não há desculpas, mas este espaço continua, sempre.

Há tempos quero compartilhar com vocês uma palestra da escritora Elizabeth Gilbert, mesmo não sendo especificamente sobre dança ou ballet clássico, mas porque suas palavras foram um divisor de águas para mim. Ela me abriu um largo horizonte, não apenas a respeito da minha escrita, mas da minha própria relação com a arte.

A base da palestra é a criação artística; o enfoque é a literatura, mas há uma belíssima passagem sobre a dança. Confiem em mim, vale cada palavra.

O vídeo está legendado em português. As legendas  que aparecem automaticamente são de Portugal, mas se elas não aparecerem, basta ativá-las no quadradinho do canto direito; para mudar para o português do Brasil, clique na florzinha e selecione o idioma em “legendas/CC”. Para assistir diretamente no TED, aqui.

Elizabeth Gilbert, Your elusive creative genius, TED, fev. 2009.

Filme: “A bailarina”

Félicie é uma menina órfã que tem um sonho: ser uma grande bailarina. Ela foge para Paris e finge ser outra pessoa para ingressar na Ópera. Essa é a sinopse do filme A bailarina.

Quem acompanha o blog sabe do meu profundo amor pela Ópera de Paris. Se eu tivesse começado a fazer ballet na infância, não tenho dúvidas que ser uma étoile seria o meu sonho, o meu objetivo, o que eu gostaria de conseguir na vida. Sendo assim, como não olhar para a Félicie e não sentir uma imensa identificação?

No fundo, nós somos essa menina ruiva sonhadora.

A bailarina está em exibição nos cinemas.

ballerina-poster

“À bout portés”, Clémence Poésy

À bout portés é um curta-metragem de Clémence Poésy pelo projeto 3e Scène, da Ópera de Paris. Eu não havia assistido, foi uma indicação da leitora Ana.

Poucas vezes eu vi uma expressão tão clara do esforço e dedicação de bailarinas e bailarinos. Os rostos, as expressões, a respiração, a narração, o som do piano ao fundo. Assistam, é uma grandeza!

A narração é feita em francês e há legendas em inglês. Como ninguém tem obrigação de conhecer outros idiomas, eu traduzi o texto. Como há longas pausas entre um trecho e outro, eu os separei pelo tempo do vídeo. Qualquer erro de tradução, por favor, me avisem e eu corrijo.

“À bout portés”

0’32”
Você não precisa estourar as suas costelas desse jeito para saltar. Você pula um centímetro mais alto e você terá um colapso. Obrigado!

0’57”
Eu acho que nós dançamos para escapar de alguma coisa.

1’15”
Quando você começa a dominar o seu próprio corpo, é como se algo começasse a cristalizar.

1’50”
Dançar é experimentar uma divisão dentro de si mesmo. Metade da bailarina segura as rédeas enquanto a outra metade é livre e só quer “ir”. Mas para onde? Esse é o mistério, e é um mistério que estamos sempre perseguindo.

2’23”
E então, há outra parte da bailarina que vem e colore tudo isso, que acrescenta emoção à técnica. Não é algo que possa ser controlado.

2’54”
O que as pessoas chamam de “graça” é um estado de espírito. Não pode ser aprendido. A graça vem unicamente da mente, como nos relacionamos com os outros. No palco, é a alma da personagem se tornando viva, isso que é a graça, eu acho.

4’26”
Isso! Como você está se sentindo?

5’03”
Quando você dança você deve ser um vampiro. Use seus partners, use a força deles. Não apenas para se alimentar, mas como um catalisador para algo maior.

6’59”
Eu acho que nós dançamos para escapar de alguma coisa… Ser alguém por um momento.

À bout portés, Clémence Poésy, 3e Scène, Ópera de Paris.

Balter

Em inglês, o verbo balter significa “dançar graciosamente, sem arte ou habilidade específicas, mas talvez com algum prazer”.

Aquele momento em que nos permitimos dançar pelo simples prazer de dançar. Às vezes, nos esquecemos que esses momentos também devem existir.

Fonte: Pacific Northwest Ballet, Facebook.