Uma brevíssima história do ballet

O New York City Ballet apresentará 43 ballets, de 22 coreógrafos diferentes, para montar um panorama da história da ballet. É o festival Here/Now e vocês podem ver o programa completo aqui.

Neste vídeo de apenas dois minutos, temos uma prévia, mas é possível ver o tamanho da mudança ao longo dos séculos e décadas. Eu sou século 19, não tem jeito. E vocês?

Trailer de Here/Now, New York City Ballet.

O canal da Julimel

Dentre os presentes que o blog me deu nos últimos anos, o mais precioso foram as amizades. Ganhei amigas para a vida inteira, que fazem parte da minha vida e do meu dia a dia.

Uma delas é a Julimel, do Vídeos de Ballet Clássico. Tenho o privilégio de receber seus áudios cheios de explicações sobre montagens de repertórios de várias companhias e recorro a ela quando não encontro informações precisas.

Pois bem, agora todos poderão usufruir do seu conhecimento, ela criou um canal no YouTube. Ainda há poucos vídeos, mas a atualização será constante.

Para publicar, escolhi o primeiro da série sobre O lago dos cisnes. Há várias coisas que eu sequer imaginava! Para assistir aos outros vídeos e se inscrever no canal, cliquem aqui.

Boa sorte, Ju!

Cinco textos para quem quer estudar e questionar

Para compensar tanto tempo sem postagens, eu selecionei vários links que mantenho no meu arquivo. Os textos estão em inglês ou francês, mas quem não lê nesses idiomas não precisa se preocupar, basta acessar um tradutor online. Selecionei dois para facilitar: Google Tradutor e Bing Tradutor. Os textos não terão a mesma fluência, mas é uma maneira de estudar e se informar.

Vamos lá!

What Happened to Our Ballets?
Nas primeiras apresentações de O lago dos cisnes, Odile era uma feiticeira; Enrico Cechetti foi o primeiro a dançar o papel de “O pássaro azul”, em A Bela Adormecida. Várias curiosidades sobre os primórdios de alguns ballets de repertório.
Para ler o texto completo, aqui.

Defining “Ballerina”
Para divulgar esse texto, a revista Pointe escreveu no Twitter, “What makes a ballet dancer a ballerina?”, algo como “O que faz uma dançarina de ballet ser uma bailarina?”. Em suma, seria um “O que faz uma bailarina ser uma artista?”. Infelizmente, não conseguimos em português o mesmo significado da frase com tamanha sutileza, mas o texto continua sendo muito importante. Afinal, o que define uma artista na dança? O que significa ter aquele “brilho” no palco que ninguém consegue definir o que é?
Para ler o texto completo, aqui.

10 of the best dance films
Em seu site, o Royal Ballet publicou uma lista com os dez melhores filmes de dança, segundo a companhia, com direito a trechos de todos eles. É muito bacana!
Para ver a lista completa, aqui.

Beyond Perfect: A Manifesto
Sarah Kay, bailarina do Semperoper Dresden Ballett e protagonista da minissérie Flesh and Bone, escreveu esse texto sobre os problemas que ela enfrentou no ballet por ter um corpo “fora do padrão” e questiona a exigência de um “corpo perfeito”. Não nos esqueçamos, para ser “fora do padrão” no ballet basta ter seios grandes ou ser levemente curvilínea. É um texto bastante relevante sobre essa questão.
Para ler o texto completo, aqui.

Les grandes interprètes de Giselle à travers les âges
O Danses avec la plume elaborou uma lista das bailarinas que foram as grandes intérpretes do papel de Giselle. Para quem ama tanto esse repertório, é um presente. A minha Giselle preferida, a Carla Fracci, consta na lista.
Para ler o texto completo, aqui.

BÔNUS

Livros esquecidos
O Forgotten Books publica livros antigos, tanto de ficção quanto de não ficção, e é possível ler online, baixar ou comprar impresso. São quase 300 mil títulos! Eu selecionei, adivinhem?, os livros de dança.
Para acessar o link, aqui.

Há bastante informação interessante nessa lista, divirtam-se!

Figurinos em ordem cronológica

Ainda no momento “mudanças históricas no ballet clássico”, prestem atenção neste incrível infográfico feito por Ciera Shaver. São 40 ballets e seus respectivos figurinos dispostos em ordem cronológica, de 1869 a 2011. Cada ilustração tem o título do ballet, o nome do coreógrafo, o ano e o local de estreia.

Talvez vocês se surpreendam como eu me surpreendi: o tutu prato (também conhecido como tutu bandeja) não é tão onipresente assim.

Eu publiquei apenas a imagem com todas as ilustrações reunidas, mas quem quiser vê-las uma por uma, em tamanho maior, aqui.

Ballet Costumes: A Chronological Infografic, Ciera Shaver.
Fonte: Ciera Shaver.

Observação:

Em “Bolero”, a autora misturou o figurino da criação de Maurice Béjart, de 1961, com a estreia da obra de Bronislava Nijinska, de 1928. Se eu encontrar mais alguma incongruência, eu volto para explicar.

Nos comentários, a Juliana apontou outros dois erros: em “Le sacre du printemps”, a coreografia referente a esse figurino é de Vaslav Nijinsky; a música sim foi composta por Igor Stravinsky. Em “Alice’s Adventures in Wonderland”, a coreografia referente a esse figurino é de Christopher Wheeldon; a música sim foi composta por Joby Talbot. Além disso, a estreia foi em Londres, Inglaterra.

Como a aula de ballet mudou ao longo dos séculos

O Royal Ballet realiza uma excelente série sobre a história do ballet clássico, o Ballet Evolved. (Falei sobre isso em 2013, aqui.) Um dos episódios mais recentes é sobre as mudanças nas aulas de ballet ao longo do tempo.

Há diversas explicações, feitas pela maestra Ursula Hageli, todas em inglês. Sendo assim, eu traduzi o vídeo e separei por minutos para ninguém se perder entre o texto e as imagens.

Eu não sou tradutora, por isso, posso ter cometido uma série de incongruências e erros. Se alguém encontrar alguma coisa, por favor, me avise nos comentários que eu corrijo.

Boa aula!

“Ballet Evolved: How ballet class has changed over the centuries”, Royal Opera House/Royal Ballet.

Há legendas em inglês, quem quiser ativá-las, clique no primeiro ícone à direita.

Início
Hoje eu tenho conosco Yasmine Naghdi e Donald Thom. Eles parecem os típicos bailarinos de hoje no início do dia, eles vêm agasalhados em roupas de aquecimento, eles têm  consigo todos os tipos de instrumentos de tortura. Eles usam todos esses aparelhos para aquecer seus músculos e deixá-los prontos para começar a aula de ballet. Então nós temos a Era Clássica quando todos esses belos tutus de ballet passaram a existir. Nós temos conosco Fumi Kaneko e Tomas Mock. Como vocês podem ver nós não tínhamos qualquer instrumento de tortura naquela época, eles traziam somente eles mesmos, eles se mantinham bem e aquecidos porque naquela época eles não tinham lycra ou vestuário que realmente esticava, então às vezes eles ainda usavam roupas de baixo, eles usavam uma anágua e a escondiam em suas calças para que pudéssemos ver melhor as pernas e

1′
eles começavam o aquecimento se alongando de uma maneira mais suave. Como vocês podem ver a Yasmine lá. O que você está fazendo, o que eles estão fazendo aí, Yasmine? Por que você está fazendo isso? [Yasmine] Eu estou rolando em meus músculos para fazer a circulação sanguínea ir para as minhas pernas. [Ursula] Vocês podem ver? Eu gostaria que eles tivessem existido na minha época, manter seus pés bem e aquecidos. E então nos temos, da Era de Blasis, para representar aquela era nós temos Gemma Pitchley-Gale e Marcelino Sambé. Vocês perceberam que eles chegaram e fizeram uma reverência para mim? Não é adorável? E era isso o que eles costumavam fazer, eles costumavam chegar e reconhecer o professor antes deles irem para a sua barra. Vocês podem me mostrar a primeira posição? Segunda posição. Terceira, quarta, quinta e sexta. Então o que mudou daqui é que o en dehors

2′
aumentou de 45 graus para 90 graus, o que na verdade é algo muito difícil de fazer porque nós temos de sustentar os músculos na parte superior da perna. No entanto, quando esse en dehors começou, isso não foi tão bem pensado, então eles tinham o vício de girar os pés o que, claro, deve ter sido extremamente doloroso, mas hoje em dia nós trabalhamos as coisas e eles são capazes de rotar a partir da parte superior da perna. Nós vamos começar agora mostrando a vocês o primeiro exercício a ser feito, o plié, o joelho dobrado, o mais importante e nós veremos lado a lado como eles eram muito mais sutis e o movimento tornou-se maior, vamos dar uma olhada. [legenda: Plié. 1820, 1880, dias atuais]

3′
Vocês podem ver esses coitados aqui, eles fizeram apenas dois pliés nos últimos dezesseis tempos cada e claro eles terão de continuar assim em todas as posições e depois virar e fazer isso do outro lado. Então os exercícios tinham de ser mais curtos. Agora nós vamos fazer os battements. Os battements são movimentos de uma perna enquanto mantemos a outra [perna de base]. Nós temos grand battement, nós temos petit battement,

4′
nós temos todos os tipos de battement diferentes. [legenda: Battement tendu. 1820, 1880, dias atuais] “Dois vira três, quatro, sim, tah, fecha, e atrás continua e o sete e o oito, frente, fecha…” Eles estão quase terminando, mas o exercício era realmente muito mais longo. Agora eles estão fazendo-os realmente rápido, um em cada posição.

5′
“Quinta”. Obrigada. Como vocês se sentiram? [Gemma] Longo! [Ursula] Longo? Mas você se sentiu bem? [Marcelino] Parece que você se aquece muito rápido, sim, é bom. [Gemma] É agradável e extenso porque você tem tempo para pensar a respeito, tipo… [Ursula] OK. E onde tudo está colocado. E o que é realmente interessante é que você disse que isso fez você se aquecer rapidamente; a barra era utilizada por apenas quinze minutos porque eles faziam apenas dois ou três exercícios e só. Enquanto tudo isso era muito mais rápido. Eles fazem mais exercícios, mas com uma duração menor. Agora vamos continuar com o grand battement e ver o que acontece. [legenda: Grand battement. 1820, 1880, dias atuais]

6′
Eles já terminaram, olha! Agora eles estão na meia-ponta, eles foram realmente alto. E eles só foram para o lado (a la seconde) agora. Eles iriam agora para trás (derrière). Nós temos o petit battement sur le cou-de-pied. Na verdade, isso é uma pequena batida em volta do tornozelo. Agora isso mudou bastante também, vocês querem ver? Isso é uma volta baixa no tornozelo e, a propósito, isso era muito decente naquela época porque, como as pernas subiram, nós viemos da Era Barroca em que tínhamos a saia até o chão, de repente nós temos isso. Bem, se a perna sobe,

7′
possivelmente nós não podemos ver as pernas, então nós tivemos as ceroulas. Agora isso abre a partir do joelho, para os lados, e auxilia em todos os tipos de pequenos passos que nós veremos mais adiante. Conforme o tempo passa eles começam fazendo em meia-ponta e envolvem o pé em torno do tornozelo e então como fazemos agora nós temos um pé totalmente na ponta e podemos tê-lo na frente (devant), petit battement du vent, é isso. Agora nós podemos ir para o alongamento. Eles faziam o alongamento com a perna na barra. Nos tempos de Blasis, eles não faziam nenhum alongamento porque eles faziam somente as chamadas poses plásticas. O que são poses plásticas? Bem, nós temos um retrato de poses plásticas. Gemma, você poderia simplesmente fazer uma pose feminina para mim? Sim, e Marcelino. Ok. Eles fariam… Obrigada.

8′
Eles faziam isso por três ou quatro minutos e em seguida eles praticavam várias poses, eles faziam juntos pequenas sequências de mímica. Eu vou dizer: Marcelino, você poderia dizer à Gemma, “Eu, você, amor”? E, Gemma, você pode reagir. Então, eu deixarei ao Marcelino o que você pode fazer, ok? Vamos lá, vamos praticar um pouco. Muito obrigada. Muito bem!