Quinze minutos

Não é segredo para ninguém que estudo ballet em casa. Contei como organizo meus estudos de maneira geral, como estudo em casa e qual a minha visão sobre estudar por conta própria.

Tenho receio de me aprofundar, alguém tentar fazer também e sofrer uma lesão, mas partirei do princípio que vocês são responsáveis, certo? Por isso, compartilharei algumas coisas da minha rotina. O objetivo não é incentivar ninguém a treinar sozinha igual a mim, mas acrescentar um estudo a mais na formação de vocês. Hoje será o mais simples de realizar.

Tempo: Reserve 15 minutos do seu dia. Pode ser diariamente ou em dias alternados, mas a regularidade é importante. Não adianta treinar hoje e daqui 20 dias. O ballet exige rotina.

Local: Escolha um espaço em que você poderá se movimentar sem bater ou esbarrar em nada.

Aquecimento: Faça uma breve repetição de elevés, eu costumo repetir múltiplos de oito. Não há qualquer motivo especial para isso, é por causa dos oito tempos mesmo.

Treino: Escolha um passo. Pode ser barra ou centro; não aconselho diagonal por causa da segurança. Repita o passo escolhido diversas vezes, ou combine-o com outro (por exemplo, plié e cambré). Você também pode treinar só balance, ou só arabesque, ou só attitude, ou alguma sequência das suas aulas.

O importante é ter foco, escolha um movimento ou habilidade e mantenha. Sem pressão, sem angústia. Aproveite o momento como nem sempre aproveitamos na aula. Não haverá espelho, tampouco professor ou professora, então a correção virá da sua própria consciência corporal. Não tente ir além, você não está em uma competição. O objetivo é melhorar a sua técnica, compreender o movimento, deixá-lo fazer parte de você.

Vale com música, vale sem música, vale pensar em uma música, tanto faz. Só não vale ter preguiça.

Antes de terminar, eu sempre me alongo um pouco, para aproveitar que estou aquecida.

Os 15 minutos não são fixos, o tempo pode ser maior ou menor que isso. O importante é existir esse momento entre você e o ballet.

Aniversário do blog: sete anos

No dia primeiro de fevereiro de 2009, abri este lugar com um texto de Santo Agostinho, Eu louvo a dança. Não expliquei o que era, apenas comecei. Ao completar um ano, pensei em uma gala fictícia, em que as leitoras escolheram o quê e com quem queriam dançar.

No ano seguinte, a comemoração foi pessoal, eu e meus questionamentos se sou ou não uma bailarina. Depois, três pas de trois para comemorar três anos. Em 2013, foi a vez de questionar por que o blog existe. No aniversário de cinco anos, cinco leitoras-amigas contaram suas histórias com o Dos passos da bailarina. Por fim, no ano passado eu respondi a uma série de perguntas de vocês.

Chegamos aos sete anos. Para termos uma noção de tempo, quando o blog surgiu: alunas e alunos do baby class ainda não eram nascidos; as redes sociais não tinham tanta força e alcance; não existiam os youtubers e seus canais com milhões de assinantes; não questionavam a inexistência da diversidade nas companhias de dança; alunas adultas eram sempre vistas como bailarinas frustradas; não tínhamos acesso aos bastidores, aulas, ensaios e espetáculos das grandes companhias; era difícil conseguir informações e material de estudo sobre dança.

O tempo passou e, ainda bem!, trouxe mil possibilidades. Por essa razão, nem sempre consigo enxergar neste espaço uma função clara, a não ser compartilhar a minha visão do ballet clássico. Então, por favor, gostaria que vocês respondessem nos comentários a duas perguntas: O que vocês sentem falta de ver no blog? Na visão de vocês, o que só existe neste blog?

Muito obrigada a quem sempre acompanhou o Dos passos da bailarina, não importa o tempo. Ele só existe por causa de vocês.

Por fim, vamos comemorar dançando um pas de sept?

“Dança russa”, O lago dos cisnes, Bolshoi Ballet.

Saias longas

Um dos primeiros posts do blog foi sobre o uso de uniforme nas aulas de ballet. Naquela época, eu achava estranho a maneira levemente desleixada das bailarinas profissionais; hoje eu gosto demais.

No meu tempo de uniforme, eu usava a saia curta, um pouco mais comprida atrás, semelhante a esta:

Kathryn Morgan. Foto: Erin Baiano.

Confesso, nunca gostei muito de usá-la. Tenho a minha em bom estado, mesmo depois de tantos anos, mas não penso em retirá-la da gaveta. Em compensação, desenvolvi um grande amor pelas saias longas. Para mim, é uma mistura de aula e ensaio, elas dançam enquanto treinamos.

Quero todas, uma de cada cor!

Sarah Hay, Dresden Semperoper Ballett. Foto: Pointe Magazine.

Madison Sugg, Pacific Northwest Ballet. Foto: Nathaniel Solis.

Alice Renavand, Ópera de Paris. Foto: Laurent Philippe.

A história de Michaela DePrince

A Cyndi e eu sempre trocamos informações sobre ballet e, assim, chegamos a uma palestra da Michaela DePrince, bailarina do Het Nationale Ballet/Dutch National Ballet, realizada no TEDxAmsterdam.

Escrevi sobre ela uma única vez, no post “As bailarinas negras e o ballet clássico”. Agora, ela própria conta a sua história sem medir as palavras. Só direi uma coisa: assistam. São doze minutos em que o nosso coração vem parar na palma da mão, mas abrimos um sorriso no final.

  • Aviso: Michaela DePrince descreve cenas de brutal violência.

Para ativar as legendas em português, comece a assistir ao vídeo, depois clique no primeiro ícone à direita.

“From ‘devil’s childto star ballerina”, Michaela DePrince, TEDxAmsterdam, 2014.

A Esmeralda original

De quem é a coreografia original de Esmeralda? Jules Perrot. A primeira apresentação foi em 1844, em Londres, com Carlotta Grisi no papel principal. Desde então, esse ballet foi revisto, recortado e remexido. Não apenas ele; geralmente, os repertórios são verdadeiros Frankensteins e guardam muito pouco da sua criação original.

Vocês imaginavam que o grand pas de deux de Esmeralda era assim?

“The romantic era”, 1980, 90min. Grand pas de deux, Esmeralda, de Jules Perrot. Bailarinos: Eva Evdokimova e Peter Schaufuss. Reconstrução e coreografia: John Gilpin.