Paquita no segundo ato

Está faltando um pouco de ballet clássico neste lugar. Vamos resolver isso?

Esta variação é do grand pas de deux do segundo ato de Paquita, o entrance e o adágio já foram vistos aqui. É linda e delicada, para iluminar até o dia mais cinzento. Sem falar que é dançada por quem? A minha sempre querida Aurélie Dupont.

“Variação de Paquita”, segundo ato, Paquita, Ópera de Paris, Aurélie Dupont.

Um apanhado de links

Há dias não escrevo um post e estou enrolada com uma série de coisas. Inclusive, estou devendo a pesquisa sobre a opinião de vocês a respeito das escolas de dança. Ela virá em breve, prometo!, mas não posso deixar o blog sem nada novo por tantos dias.

Para não publicar um “vídeo tapa-buraco”, separei alguns posts interessantes sobre dança.

Danses avec la plume: Une histoire du (néo)classique en 10 ballets
Uma das grandes dúvidas entre estudantes de dança, nem sempre conseguimos distinguir o ballet clássico do neoclássico. Confesso, eu me perco às vezes. A única maneira de compreender as diferenças é assistindo a ballets. Nessa lista, há 10 obras neoclássicas listadas em ordem cronológica. Os títulos das obras estão no original, mas vale a pena ler o texto completo. Não sabe francês? Qualquer tradutor online dará conta do recado.
Para acessar o link, aqui.

Deu baile: Veja as fotos mais incríveis do Bolshoi no Brasil
Para quem não conseguiu assistir ao Bolshoi, para quem assistiu e quer relembrar, as belas fotos de Clarissa Lambert farão todo mundo suspirar.
Para acessar o link, aqui.

Razões para acreditar: Jovem de 20 anos com autismo severo se recupera com ajuda do balé
Aos três anos, Philip Martin-Nielson não falava, não fazia contato visual e não permitia que o tocassem. Depois de começar a fazer terapia, ginástica e esportes, ele adquiriu a habilidade de falar e pediu para dançar. Aos seis anos, ele fez sua primeira aula de ballet. Hoje, ele é bailarino do Les Ballets Trockadero de Monte Carlo. A dança tem um poder transformador muito maior do que imaginamos.
Para acessar o link, aqui.

Razões para acreditar: Escola italiana proporciona experiências sensoriais enquanto ensina crianças a pintar e dançar
Não é ballet, mas como não compartilhar este encanto: um laboratório de dança-desenho para crianças em que elas pintam enquanto estão presas a pêndulos de tecido. Assistimos ao vídeo e morremos de vontade de fazer igual!
Para acessar o link, aqui.

Palavra Cantada

A música “Balé”, da Palavra Cantada, é uma graça! A gente ouve uma vez e cantarola por dias seguidos.

* * *

Pisar no chão com a ponta do pé
Tocar o céu com a palma da mão
Manter ereta a postura
Amolecer a cintura
Balé precisa de dedicação

O bê-a-bá é o pas de bourrée
Depois vem o pas de deux, dois plié
Nasci pra ser bailarina
É só por a sapatilha
Já sinto bater o meu coração

Papai um dia me deu um conselho
Treinar sozinha na frente do espelho
Às vezes sonho que estou dando um salto
E caio bem no meio de um palco

Tocar o céu com a ponta do pé
Pisar no chão com a palma da mão
Com longos alongamentos
O corpo é um instrumento
Balé precisa de dedicação

“Balé”, Pé com Pé, da Palavra Cantada.

Uma coisa em detrimento da outra

Há alguns anos, em uma aula de ballet, uma das alunas reclamou de dor porque havia ensaiado muitas horas no dia anterior. Eu olhei para ela e disse: “Quer moleza, faça meditação”. Todas riram, virou piada até o fim do ano.

Anos depois, eu li “Comer, rezar, amar”, de Elizabeth Gilbert. Não torçam o nariz, o livro é incrível. Ao contar sobre o seu período na Índia, a autora fala sobre as suas experiências na prática de meditação. Um dia, resolvi tentar. Não deu cinco minutos, o meu pensamento estava a léguas de distância.

Não aprendi a meditar, mas uma coisa eu aprendi: o tamanho da minha ignorância. Por que menosprezar a meditação para enaltecer o ballet clássico?

Em primeiro lugar, o ballet não é a mais difícil das práticas. Podem desfazer essa testa franzida. Alguém já viu uma pessoa talentosa em sala de aula? Já assisti a bailarinas iniciantes dando baile em alunas que estudavam há anos. A Tamara Rojo fez fouettés tranquilamente aos 8 anos de idade. Bailarinas e bailarinos profissionais fazem com facilidade o que muitos jamais conseguirão fazer. E, mesmo que não fosse assim, não é preciso diminuir qualquer outra atividade.

Quer facilidade faça ___________ (Insira o que quiser). Sério mesmo?

“Ah, mas canso de ouvir o inverso, ‘Quer facilidade faça ballet!'”. Só porque há pessoas estúpidas no mundo não significa que você precise ser mais uma.

Talvez alguém se lembre deste post em que falei para mostrarmos um vídeo a qualquer menção de que ballet é fácil. Sim, eu sei que não é. Não sou talentosa, preciso de anos para conseguir fazer um passo minimamente bem-feito, mas não sou especial por isso. Se um dia eu conseguir bater 32 fouettés, o mundo continuará como sempre foi.

Não acredito que um maior reconhecimento do ballet clássico passe pelo conhecimento de sua dificuldade e sua necessidade de uma vida inteira de dedicação. Ninguém paga ingresso para assistir a preciosismo técnico ou porque bailarinas e bailarinos passam anos treinando. Ao ver o Bolshoi ao vivo, mesmo sabendo disso tudo, em momento algum eu lembrei desses poréns. Eu chorei porque a dança estava plena a minha frente. Aposto um cacho do meu cabelo que as outras pessoas da plateia sentiram a mesma coisa.

Em vez de desmerecer os outros, vamos mostrar quão incrível é o ballet clássico. Ele não é único e pode existir lado a lado com todas as outras coisas interessantes da vida.