Por aí #2

Para quem está chegando agora, mês passado eu tornei fixo algo que eu fazia esporadicamente, compartilhar links, matérias e informações sobre ballet clássico e dança em geral que encontro aqui e ali. O nome é “Por aí” e todos os posts ficarão reunidos aqui.

Para quem não sabe inglês ou francês, há o Google Tradutor e o Bing Tradutor. Não é a mesma coisa, mas ajuda bastante.

Uma nova maneira de costurar elástico e fitas na sapatilha de ponta
Nesse vídeo, a bailarina Priscilla Yokoi ensina uma nova maneira de costurar o elástico e as fita na sapatilha de ponta. Parece bem interessante, deu vontade de testar!
Para assistir ao vídeo, em português, aqui.

How to Nip 6 Common Classroom Management Issues in the Bud
Esse texto propõe soluções para seis problemas comuns nas escolas de dança, seja nas aulas, na relação com alunas e alunos ou no trato com seus responsáveis.
O texto completo, em inglês, aqui.

EcoleS de Danse – Le cinq positions
Nós conhecemos as cinco posições e elas são sempre as mesmas em qualquer lugar, certo? Errado! Elas mudam de acordo com a escola: Francesa, Bournonville, Cecchetti (italiana), Vaganova (russa), Inglesa e Balanchine (americana). Nesse texto, conhecemos as diferenças de cada posição entre as escolas, com ilustrações e explicações detalhadas. Uma aula sobre a primeira coisa que aprendemos no ballet clássico.
O texto completo, em francês, aqui.

Com balé, clube sueco vai da 4ª divisão para a elite em 7 anos
Quem disse que a dança e o futebol não podem coexistir? O clube sueco Östersund fazia parte da quarta divisão do futebol e um treinador inglês mudou o time de patamar, não apenas com treinamentos, mas com uma outra visão, inserindo atividades culturais no dia a dia dos jogadores. Não, não como espectadores, mas como artistas amadores. (Para quem não entende ou não acompanha futebol, imagine que o clube era uma companhia pequena, que só se apresentava no bairro, e depois de sete anos conquistou a chance de se apresentar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.)
O texto completo, em português, aqui.

Bolshoi Confidential review – where scandals waits in the wings
Lançado em 2016, o livro “Bolshoi Confidential” (no Brasil, “Bolshoi confidencial”, Editora Record) conta os bastidores da companhia, não os detalhes dos ensaios e dos repertórios, mas as histórias desconhecidas, os jogos de poder e toda a política que envolve essa companhia tão importante. Esse texto é uma resenha a respeito do livro feita por uma colunista do jornal The Guardian.
O texto completo, em inglês, aqui.

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O Natal já passou, mas…

Eu gosto muito da Iana Salenko, primeira-bailarina do Staatsballett Berlin e bailarina convidada do Royal Ballet. Há tempos quero publicar o grand pas de deux do terceiro ato de A Bela Adormecida, da montagem de Nacho Duato, dançado por ela e pelo Leonid Sarafanov, mas eu assisti no Facebook e sempre procuro no YouTube para trazer para cá. Esse vídeo eu nunca encontro, mas novos vídeos dela aparecem volta e meia.

Assim, acabei de assistir à Iana Salenko dançando a “Variação da Fada Açucarada” com o figurino mais açúcar que eu já vi. É lindo que só!

“Variação da Fada Açucarada”, Quebra-Nozes, Staatsballett Berlin, Iana Salenko.

Uma brasileira no Prix de Lausanne 2018

O Prix de Lausanne 2018 aconteceu entre os dias 28 de janeiro e 4 de fevereiro. Eu sigo a competição em várias redes sociais, mas a última vez que acompanhei com afinco, de assistir à final ao vivo, foi em 2014. De lá para cá, eu via apenas o resultado de relance, se muito.

Quando saiu a lista dos finalistas desta edição, vi as fotos no Facebook e achei tudo bem acrobático, não me animei nem um pouco para assistir. Depois do resultado, soube que uma brasileira foi uma das vencedoras, mas não fui atrás para saber mais.

Parece desdém? Pois olhem a lição que levei.

Nas atualizações do YouTube, apareceu o vídeo da Carolyne Galvão, a bailarina brasileira que ganhou a sétima bolsa de estudos. “Vou assistir, o que custa?”. Abri o link, fui fazer outra coisa e deixei para lá. Hoje, não sei por qual motivo, voltei para assistir.

Como ela é incrível! A sua qualidade técnica, os movimentos limpos parecem fluir do corpo da Carolyne sem o menor esforço. E a musicalidade? Resolvi procurar a lista de vencedores e assisti às apresentações clássicas de todos eles.

Eu dormi esse tempo todo? Ninguém ali parecia estudante de dança: quase não houve exagero, perna na altura certa quando era preciso, domínio do próprio corpo, pontuaram na música sem titubear. O primeiro colocado já pode sair dali facilmente para uma companhia. Também gostei muito da oitava colocada, graciosa e musical. Nem preciso comentar sobre a qualidade técnica de todos… Olha, como eu fiquei feliz por estar tão enganada!

A lista de vencedores e vencedoras está aqui.
Quem quiser ver as apresentações, separadas por coreografias clássicas e contemporâneas, aqui. A lista está em ordem de classificação.

Além da sétima bolsa de estudo, a Carolyne Galvão também recebeu o prêmio de preferida do público. Não é difícil entender o motivo. Estou só o amor por ela!

Carolyne Galvão, Prize Winner, Prix de Lausanne 2018.
A coreografia contemporânea, aqui.

 

Svetlana Zakharova fala sobre “A dama das camélias”

Um dos ballets desta temporada do Bolshoi é A dama das camélias e em março ele será transmitido nos cinemas do Brasil. Quem quiser assistir ao trailer, aqui.

Além disso, eu reconheço que muitas bailarinas e bailarinos amam a Svetlana Zakharova, talvez ela seja uma das mais amadas do nosso tempo. Por isso, ao assisti-la falando sobre o papel de Marguerite e analisando algumas cenas, logo pensei em trazer para cá.

O vídeo está em russo, com legendas em inglês e tem três minutos. Eu traduzi porque ela fala algumas coisas muito importantes a respeito desse ballet e da sua relação com a obra. Eu separei por minutos para facilitar caso alguém procure um trecho específico.

Sim, eu confesso, um lado meu gosta bastante dela, especialmente nos grandes papéis.

Svetlana Zakharova fala sobre A dama das camélias, Bolshoi Ballet.

Começo do vídeo: Este ballet deve ser um dos mais excepcionais que eu já dancei, o papel de Marguerite é muito especial e sim todos conhecem a história dessa mulher e muitos a condenam. Mas no final acontece que as pessoas sentem pena dela, e eu mesma sinto muito por ela. E claro essa cena quando Monsieur Duval chega e pede a ela para deixar seu filho, sabe, eu choro durante essa cena, a realidade de ter de deixar a pessoa que você ama é provavelmente a pior coisa que uma mulher poderia sentir.

Um minuto: e ela toma essa decisão para não prejudicar Armand, para que o amor de sua vida possa seguir e possa existir sem alguém apontar o dedo para ele. Então em um sentido ela é a vítima aqui. A primeira vez em que Marguerite vê Manon se apresentar no teatro, ela faz essas associações com ela (Manon), mas eu acho que ela constantemente tenta afastá-las, ela não acredita que seja igual à Manon, ela é completamente diferente, talvez por isso ela se permita se apaixonar, algo que ela não permitiria a si mesma antes. Manon é o laço que corre paralelamente a ela e constantemente a relembra quem ela realmente é, ela sempre está de alguma maneira puxando Marguerite de volta.

Dois minutos: Apesar de estar livre, vivendo feliz, apaixonada, Manon é a sua consciência e a puxa de volta para o seu lugar, e quando eu danço a cena com Manon, no segundo ato, eu a odeio nesse momento, sim, é muito carregado em sentimentos, sentimentos assustadores, que exigem as perguntas “O que você está fazendo aqui?”, “Eu não sou igual a você, Manon, eu sou completamente diferente”, “Por que você está aqui? Por que eu devo estar ligada a você?”, eu continuo a afastando de mim. John (Neumeier, coreógrafo de A dama das camélias) encontrou tantos momentos emotivos femininos delicados, que possivelmente não poderia deixá-lo indiferente, não apenas a plateia, mas os artistas também, da maneira que acontece no palco, e claro a música genial, é um dos ballets mais geniais que eu já dancei.

***

ATUALIZAÇÃO: A Julimel me informou nos comentários que transmitirão nos cinemas a montagem de 2015. No blog dela, aqui.

Comentários: Vem, gente!

O post é bem curtinho. Enquanto estou traduzindo um vídeo que postarei até amanhã ou depois, passei para avisar que respondi todos os comentários pendentes, coisa que eu não fazia desde junho do ano passado!

(Demorou, eu sei, eu sei, erro meu…)

Então, se você fez algum comentário nos últimos oito meses, está respondido. Corre lá!