O livro do blog por R$ 1,99

Não, vocês não leram errado.

Graças ao Black Friday, a Amazon colocou o meu livro em promoção: até o dia 27 de novembro, o preço do livro passará de R$ 10,50 a R$ 1,99. Aposto que esse valor não é sequer a passagem de ônibus na sua cidade.

Importante: o livro existe apenas em versão digital, não em papel.

“Cássia, eu não tenho Kindle, como posso comprar?”

Não tem problema, você pode ler no seu celular, tablet ou computador. Como?

  • Baixe o aplicativo aqui, ou na App Store, Google Play ou Windows Store.
  • Faça o seu cadastro na Amazon.
  • Compre o livro.
  • Baixe-o no aplicativo e leia feliz.

Quer aproveitar? Compre o livro AQUI.

Anúncios

Coreografia gravada na memória

Há algumas coreografias de repertórios que ficam tão marcadas em nós, que não conseguimos dissociar música e passos. Ao ouvirmos a música, lembramos dos movimentos. Se virmos os movimentos sem áudio, a música já começa a tocar em nossa mente. Sendo assim, assistir a uma outra coreografia com a mesma música sempre causará estranhamento.

Geralmente, eu gosto de algumas inovações. Por exemplo, essa coregrafia para “O adágio da rosa”, de A Bela Adormecida, criada por Matthew Bourne. Mas hoje eu assisti a uma novidade que estranhei demais! Olhando friamente, gostei bastante, mas é impossível me desapegar da versão mais conhecida. É a coda do sonho de Dom Quixote. Em dado momento, já esperei os vários grand jetés da Dulcinea e da Rainha das Dríades, sem falar na ausência do Cupido.

A coreografia que a maioria conhece é esta. Essa outra é da nova montagem de Dom Quixote, do Semperoper Ballett, com coreografia de Aaron S. Watkin. Além disso, o nome mudou para “O reino de Doña Dulcinea”. É ou não é estranho de assistir?

“O reino de Doña Dulcinea” (The Kingdom of Doña Dulcinea), Dom Quixote, Semperoper Ballett.

Pés machucados para todo mundo ver

Vocês sabem o que é gastura? É uma sensação de mal-estar, náusea, aflição provocada por alguma coisa. É o que eu sinto ao ver fotos de pés machucados de bailarinas.

Há tempos quero escrever a respeito dessa ode ao sofrimento, dessa valorização do corpo maltratado em prol de uma técnica clássica impecável. Outro dia escreverei com calma, mas agora há dois pontos importantes: primeiro, isso não é privilégio de bailarina. O carteiro do meu bairro comentou comigo uma vez o que ele faz ao chegar em casa depois de um dia inteiro caminhando, porque os seus pés ficam estourados. Ele não faz ballet clássico. Segundo, alguém acha que as bailarinas serão mais valorizadas como artistas porque o pé está sangrando? Na minha primeira aula de ponta, realizada sem ponteira, uma parte do meu dedinho do pé direito praticamente saiu de mim. Isso significou que danço ballet? Não, eu mal sabia me equilibrar!

Pés machucados só querem dizer isso, que eles sofreram alguma pressão, atrito ou excesso de treino. Mais nada.

Antes, os pés machucados ficavam restritos às salas de aulas, aos camarins e às coxias. Já vi dedos quebrados,  band-aid tentando esconder pus, e muita gente se gabando por isso. Agora, em tempos de redes sociais, perdi as contas das bolhas estouradas, das gazes ensopadas, dos sangramentos que passaram pelos meus olhos sem que eu pedisse. Ontem mesmo vi uma foto que até agora não saiu da minha cabeça. E isso vem de todos os lados: bailarinas profissionais, estudantes de ballet, editoriais, existe até um livro de fotografias.

Será que não falta um mínimo de bom senso?

Cada qual carrega os seus troféus como quiser. Se há bailarinas que veem nas bolhas estouradas e nos pés sangrando uma vitória, é uma escolha. Mas eu não encaro assim quando é no meu corpo, tampouco gosto de ver isso no corpo alheio. Porém, em qualquer um dos casos, respeito vale para todos e não é necessário que esses troféus sejam esfregados na cara dos outros, especialmente de quem não pediu para vê-los.

Ao contrário do que parece, bolhas e sangramentos não são medidas para uma boa bailarina. Talento e técnica, sim.

Uma aula de ballet em “O corsário”

Agora sim, posso dizer que o ballet clássico voltou aos meus dias. Preciso escrever textos, eu sei, mas tudo bem se hoje eu compartilhar dois vídeos?

As duas coreografias já apareceram no blog, a primeira dançada pela Jurgita Dronina, na época no Het Nationale Ballet/Dutch National Ballet (hoje ela está no The National Ballet of Canada e também dança no English National Ballet) e a outra pela Nina Kaptsova, no Bolshoi Ballet. Hoje, as variações são dançadas em uma montagem do American Ballet Theatre, por duas de suas maiores bailarinas, hoje aposentadas da companhia: Julie Kent (diretora artística do The Washington Ballet) e Paloma Herrera (diretora artística do Balé Estável do Teatro Colón).

Não gosto de dois vídeos na sequência para não deixar a página “pesada”, mas compreendam, é um deleite assisti-los na sequência. Talento, domínio técnico, pernas mais baixas, presença de palco… Dá até um afago no peito, o ballet persiste.

Julie Kent, “Variação de Medora”, O corsário, American Ballet Theatre.
Para assistir com a Jurgita Dronina, aqui.

Paloma Herrera, “Variação de Gulnara”, O corsário, American Ballet Theatre.
Para assistir com a Nina Kaptsova, aqui.

Variação de Effie

Eu gosto de tudo nessa variação: o figurino, a música, a coreografia, a delicadeza. E esse trabalho de pontas? Quem não tem um pleno domínio das pontas, jamais conseguirá dançar bem essa coreografia.

Há algo muito mais importante do que um belo colo de pé: saber o que fazer com ele.

“Variação de Effie”, La sylphide, Ópera de Paris, Melanie Hurel, 2004.