As minhas sapatilhas de ponta

De maneira geral, encontrar a sapatilha de ponta ideal é um trabalho árduo. Há quem demore anos passando de uma marca para outra, de um modelo ao outro, sem conseguir encontrar uma para chamar de sua. Porém, existem as pessoas sortudas que a encontram rapidamente. Outras, são encontradas por ela. Foi o meu caso.

Há alguns anos, escrevi dois textos sobre pontas, “Quebrar a sapatilha. Será?” e “O pé ideal“, eles são complementares e quem não os conhece talvez se interesse. Hoje não falarei a respeito dos passos para encontrar a boa sapatilha ‒ prometo falar sobre o assunto em breve. Este texto será pessoal.

Há duas sapatilhas de ponta com as quais me dou bem: Capezio Partner Estudante e Grishko 2007 Pro Flex. As duas eu ganhei de presente de grandes amigas. Tive outras três, indicadas por alguém ou escolhidas por mim, e todas foram um desastre.

A Capezio eu ganhei em 2009 da minha amiga Emanuelle. Nós fazíamos aulas de ballet juntas e criamos um grande laço de amizade. Quando pensei em sair da escola, ela quis que a minha primeira sapatilha de ponta fosse um presente seu. Pelo que me lembro, ela disse na loja quais eram as minhas características físicas e a vendedora indicou esse modelo. Deu supercerto! Eu preciso de palmilha macia e a Estudante serviu muito bem no começo. Até hoje não sei porque cismei em comprar outras sapatilhas se eu me acertava com ela. Talvez tenha sido a pressão por modelos mais renomados, a Estudante sempre passa a ideia de iniciante. Uma bobagem! Sapatilha boa é sua aliada, de nada adianta a mais famosa se você não consegue dançar com ela nos seus pés.

Ela foi minha companheira por anos. A caixa era um pouquinho apertada para mim, e a técnica de pisar em cima para amaciá-la não deu certo. Fora isso, não tinha dificuldades para subir nas pontas, mas não me sentia tão segura no balance. Talvez fosse mais um receio meu do que algo relacionado à sapatilha. Não a uso mais porque ela está muito molenga, mas a mantenho guardada de recordação.

Quem quiser ver a sapatilha nos meus pés, aqui.
Quem quiser vê-la no site da Capezio, aqui.

A Grishko eu ganhei em 2014 da minha amiga Ilka. Nós nos conhecemos graças ao blog e somos grandes amigas desde então: ela no Japão e eu no Brasil. Enquanto muitas bailarinas sonham com uma Gaynor, eu sonhava com uma Grishko. Por saber disso, ela resolveu me dar esse presente: pediu as medidas do meu pé, sabia das minhas características na dança de tanto que conversamos a respeito e, além disso, teve auxílio da vendedora. O resultado? A minha relação com essa sapatilha é de amor profundo e sincero.

A caixa é um pouco dura, mas a palmilha é perfeita, macia na medida certa. Não sinto a menor dificuldade tanto na subida quanto na descida, eu tenho controle dos movimentos nas passagens entre pé plano no chão, meia-ponta, ponta, meia-ponta, pé plano no chão (pied-plat, demi-pointe, pointe, demi-pointe, pied-plat) e também tenho estabilidade no balance. Sem falar que ela é linda. Só existe um porém: o seu preço é alto no Brasil. Gosto tanto dela, mas tanto, que tenho dó de usar, mas prometi para mim que não vou prejudicar meu trabalho de pontas por causa disso. Eu uso, mas queria conservá-la boa sempre.

Quem quiser ver a sapatilha nos meus pés, aqui.
Quem quiser vê-la no site da Grishko, aqui.

Quais as chances de dois presentes darem certo? Eu tive uma imensa sorte de ter amigas tão gentis comigo. Quem não as tem, como faz? Em um próximo texto, escreverei a respeito das características dos pés e como reconhecer as suas para escolher uma boa sapatilha de ponta para você.

O despertar de Flora

Sei que estou devendo textos mais aprofundados, não dá para o blog viver à base de vídeos de repertórios, mas como não compartilhar a Olesya Novikova dançando a variação de O despertar de Flora?

Publiquei a mesma variação há quatro anos, dançada pela Evgenia Obraztsova, em um texto sobre perfeição. Confesso, gostei mais da delicadeza da Olesya.

Aliás, já contei que para mim é ela quem tem a ponta mais bonita de todas?

The Awakening of Flora (O despertar de Flora), Mariinsky Ballet, Olesya Novikova.

Prêmio Notáveis NY 2016

Filha de pais brasileiros, nascida nos Estados Unidos, a Lara Galinari tem 13 anos, estuda no The School of American Ballet, escola oficial do New York City Ballet,  e além de aluna também participa de várias montagens da companhia. A sua mãe, Mônika Galinari, é leitora do blog desde os seus primeiros passos no ballet clássico e, graças a esse contato, eu acompanho a sua trajetória na dança desde então.

Pois a Lara Galinari está concorrendo ao prêmio “Notáveis NY 2016”, promovido pelo Brazilian Heritage Foundation. A votação é feita pela internet e está em seus últimos dias. Vamos votar? Para isso, cliquem aqui.

Quem quiser saber um pouco mais a seu respeito, leiam a entrevista concedida ao Brazilian Times, em português, aqui.

Fiquei imensamente feliz em ver a ascensão da Lara, o quanto ela já conquistou sendo tão nova e o quanto ainda conseguirá pela frente. Torço demais por ela e, tomara!, ainda vamos vê-la bailarina profissional brilhando nos palcos pelo mundo afora.

A bailarina Lara Galinari.

Um punhado de cores

A quarta-feira é de cinzas, mas vamos encher esta página de cores. Que coisa mais linda é esse figurino, pena que assistimos a apenas um trechinho.

Saias rodadas e coloridas estão na minha lista de combinações preferidas em figurinos de dança.

Her Door to the Sky, de Jessica Lang, Pacific Northwest Ballet.