Palavras de Maurice Béjart

Um dos meus livros de dança mais queridos é o Dançar a vida, de Roger Garaudy. Eu o citei no post “Os meus livros de cabeceira“, mas preciso falar com mais profundidade. Talvez um outro dia.

Hoje, relendo algumas passagens, me fixei nesta parte do prefácio escrito por Maurice Béjart. Para ler, reler e pensar a respeito.

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“A dança não é apenas um espetáculo, e o entusiasmo de um público novo e fervoroso não levará a parte alguma se uma profunda revolução não lhe devolver seu lugar no seio de uma sociedade que busca definição.

“Dançar é tão importante para uma criança quanto falar, contar ou aprender geografia. É essencial para a criança, que nasce dançando, não desaprender essa linguagem pela influência de uma educação repressiva e frustrante. É preciso que cada um de nós, ao sair de um espetáculo de dança que o tenha entusiasmado, se debruce sobre esse problema e o encare ao nível da existência e não apenas no do espetáculo, transpondo desse modo a satisfação interior para o plano da participação duradoura.

“O lugar da dança é nas casas, nas ruas, na vida.”

Maurice Béjart, trechos do prefácio de Dançar a vida, de Roger Garaudy.

Mais duas primeiras-bailarinas negras

Para quem não se lembra ou para quem chegou agora, vou recapitular: em fevereiro do ano passado, eu escrevi o post “As bailarinas negras e o ballet clássico“. Falei brevemente sobre o racismo na dança e contei que não havia uma única primeira-bailarina negra nas grandes companhias de dança. Nenhuma.

Quatro meses depois, tivemos a grande notícia da promoção de Misty Copeland à primeira-bailarina do American Ballet Theatre. Sua nomeação era esperada, e muito cobrada, mas nem por isso deixou de ser comemorada. Aliás, é importante ressaltar, ela é uma das bailarinas mais famosas da atualidade, ou a mais famosa, como destacou a Dance Magazine.

Pois bem, ela abriu o caminho. Neste ano, outras duas bailarinas negras foram promovidas ao posto de primeira-bailarina.

Em junho, chegou a vez de Francesca Hayward no Royal Ballet. Quem quiser saber mais sobre ela, acesse seu Instagram e a matéria de capa da Pointe Magazine. Quer vê-la dançar? Clique aqui.

Francesca Hayward, As aventuras de Alice no País das Maravilhas, The Royal Ballet. Foto: Bill Cooper, 2014.

Em julho, foi a vez de Céline Gittens no Birmingham Royal Ballet. Quem quiser saber mais sobre ela, acesse seu Facebook, seu Twitter e seu Instagram. Quer vê-la dançar? Clique aqui.

Céline Gittens, O lago dos cisnes, Birmingham Royal Ballet. Foto: Roy Smiljanic.

A Cyndi e eu conversamos bastante sobre o espaço das bailarinas negras no ballet clássico e dia desses levantamos uma questão: até que ponto essas promoções são por motivos artísticos. “Vocês duas já estão vendo problema?” De maneira alguma! É notório que Misty Copeland, Francesca Hayward e Céline Gittens são bailarinas incríveis e cada uma delas mereceu chegar onde chegou; o nosso questionamento é outro. As companhias realmente acreditam no talento dessas bailarinas? Se acreditam, o racismo tão presente na estrutura do ballet clássico está diminuindo a ponto de sumir de vez? A sociedade está mudando, graças!, a visibilidade das minorias cresce a cada dia, e quem não acompanha ficará para trás. Assim, há quem abrace a diversidade para não ser criticado ou malvisto. O racismo não desaparece de uma hora para outra, por isso devemos continuar a questioná-lo.

Esperamos, sinceramente, que todas essas promoções tenham sido pelos motivos certos e será fácil comprovar: acompanhemos as apresentações das três nas próximas temporadas. Só promover é pouco, queremos vê-las dançando em vários papéis principais.

Mas pelo menos uma coisa é certa, esse é apenas o começo.

Variação do Diamante

Lembram quando publiquei sobre a reconstrução de O lago dos cisnes realizada pelo Alexei Ratmansky? Ele também reconstruiu A Bela Adormecida. Há tempos procuro “O adágio da rosa” e o “Pas de deux do Pássaro Azul” para trazer para cá, mas não os encontro como gostaria. Enquanto isso, vamos de variação?

Esta é a “Variação do Diamante”, na apresentação do American Ballet Theatre como companhia convidada da Ópera de Paris. É uma graça!

Bônus: Quem quiser assistir a um trecho da sequência do sonho de A Bela Adormecida, na mesma apresentação, aqui.

“Variação do Diamante”, A Bela Adormecida, American Ballet Theatre.

Há três anos… 

Eu lançava o meu primeiro livro, Dos passos da bailarina, uma compilação de textos publicados neste espaço entre 2009 e 2013. Já contei como surgiu a ideia? Depois de fazer backup do blog, me surpreendi com a quantidade de material escrito, será que daria um livro? Além disso, naquela época, eu pensava em encerrar o blog e um livro seria uma boa maneira de fazer isso.

No fim das contas, o livro saiu, o blog continuou, outros dois livros vieram – Primeira frase de um livro não escrito e Virgínia –, estou escrevendo outros dois, e o ballet clássico passou a ter outro significado na minha vida. Antes eu era mais deslumbrada e apaixonada, hoje sou mais realista. Virou amor.

O livro remonta o meu encontro com o ballet clássico e como eu me descobri bailarina. Quem sabe um dia eu escreva sobre a minha relação com a dança depois desse período. Quem sabe.

Para comprar:
O livro existe apenas em versão digital. A diferença de valores entre as lojas é por causa do reajuste do preço de acordo com a cotação do dólar.

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No Clube de Autores e no agBook, o arquivo é PDF. Para baixar o Adobe Acrobat Reader, aqui.

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Para conhecer a opinião e as críticas a respeito do livro.
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Capa do livro Dos passos da bailarina.

Uma aula de musicalidade

Houve um tempo em que eu escrevia textos sobre outras danças, com o objetivo de aprendermos um pouco além do ballet clássico. Engraçado, nunca escrevi sobre sapateado, mesmo sendo uma das minhas danças preferidas.

Dia desses, esbarrei neste vídeo da companhia Syncopated Ladies. Uma das grandes diferenças do sapateado em relação ao ballet clássico é que, se errarmos o tempo da música, todo mundo percebe. Por essa razão, fiquei impressionada com o grupo: prestem atenção na sincronia entre elas e na musicalidade de cada uma. Essa aula de dança também vale para as bailarinas clássicas.

“When you doves cry”, Syncopated Ladies.