O meu atual objetivo

Há pouco tempo, o Ballerina Project publicou uma série de fotos e vídeos da Isabella Boylston, primeira-bailarina do American Ballet Theatre. Um vídeo bem curtinho, de 20 segundos, mostrava claramente o seu trabalho de pontas, e esse se tornou o meu objetivo do momento.

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Isabella Boylston, imagem de vídeo do Ballerina Project.

Tentei de todas as maneiras publicar o vídeo diretamente nesta página, mas não consegui. Sendo assim, para assisti-lo, escolha qualquer um destes links:

Instagram, aqui.
Facebook, aqui.
Twitter, aqui.

Esse se tornou o meu objetivo de bailarina. Quero dançar nas pontas dessa maneira, com essa leveza e segurança.

A segunda odalisca

O “Pas de Trois das Odaliscas”, de O corsário, é bastante conhecido e eu o publiquei algumas vezes (aqui, aqui e aqui).

De tanto assistir ao pas de trois completo – entrance, variações e coda – nem sempre damos a cada variação o devido cuidado. Eu mesma só notei algumas nuances ao assisti-las separadamente.

Assim, escolhi a minha preferida, a segunda variação. Quem quiser assistir às outras: a primeira e a terceira. Quem quiser assistir ao pas de trois completo dessa montagem, aqui.

Segunda variação do “Pas de Trois das Odaliscas”, O corsário, Bolshoi Ballet, Anna Okuneva.

O oitavo aniversário

Era começo de 2009, eu tinha 29 anos, um ano e meio de ballet, estudava na minha segunda escola e continuava me sentindo da mesma maneira: um peixe fora d’água. Sempre o sentimento de inadequação, a sensação de que eu não estava no meu lugar. Eu já mantinha blogs desde 2003, por que não criar um sobre ballet? Lembro de fazer uma lista de nomes e cortar um por um. No fim das contas, sobrou este: “Dos passos da bailarina”.

Chegou o primeiro aniversário, em 2010, e os anos foram passando: 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016… Oito anos escrevendo sobre ballet clássico, 857 posts, mais de dois milhões de visitas e um livro depois, cá estamos nós em 2017.

O retorno do meu trabalho teve momentos bem distintos. Nos primeiros anos, havia quem compartilhava comigo a própria história e havia quem me agredia. Os hoje tão conhecidos “haters” já existiam, mas aqui eles usavam tule e fitas de cetim. Foi por essa razão que a página e o grupo de discussão no Facebook foram apagados, porque algumas coisas eram bem pesadas e eu não sabia lidar com isso.

Depois do auge dos blogs e sua queda para dar lugar a outros meios, como as redes sociais e os canais no YouTube, isso acabou. Só recebo comentários bacanas, uma troca de histórias e informações, e as críticas são fundamentadas, ninguém me agride, xinga ou deprecia a minha história. Não acho que as coisas mudaram no mundo, porque o ódio está mais presente do que nunca, mas neste espaço as pessoas começaram a se desarmar. O motivo? Eu não sei, mas fico feliz que seja assim.

O foco dos textos e das publicações também mudou. Antes eu escrevia sobre o meu caminho no ballet clássico, hoje eu escrevo a minha visão sobre a dança clássica. Não uso mais o termo “bailarina adulta”, mas “bailarina amadora”, e não falo mais “ballet adulto”. Alguém já notou essa mudança? Qualquer dia eu conto o motivo. Além disso, publico muito mais informações sobre ballet e dança, talvez por ter aprendido os caminhos do estudo sobre esse assunto.

Reconheço, os tempos mudaram. Há trabalhos muito bons pela internet afora, vi vários deles surgirem e o “Dos passos da bailarina” se tornou aquela tia legal que as sobrinhas visitam de vez em quando para aprender um pouco mais. Por enquanto, não tenho vontade ou interesse de seguir esses novos rumos, nas redes sociais mantenho apenas meus perfis pessoais ‒ Twitter, Instagram, Facebook e Pinterest ‒ e só faço divulgação daquilo que gosto, sem ganhar nada por isso (seja brinde, pagamento ou algo semelhante). Não significa que é o melhor caminho, respeito imensamente quem trabalha de outra maneira, esse é apenas o meu jeito de preservar o que construí com tanto esmero.

Em resumo, o “Dos passos da bailarina” se tornou um casamento entre o ballet clássico, a palavra e o movimento. E enquanto houver bailarinas e bailarinos dançando por essas linhas, eu continuarei a escrever.

Obrigada pelos oitos anos, de coração.

* * *

Vocês achavam que a comemoração terminaria sem dança? Escolhi a “Variação de Aurora” do segundo ato de A Bela Adormecida, da linda montagem do Het Nationale Ballet/Dutch National Ballet. Como eu gosto dessa variação!

“Variação de Aurora”, segundo ato, A Bela Adormecida, Het Nationale Ballet/Dutch National Ballet, Megan Zimny Kaftira.

Filme: “A bailarina”

Félicie é uma menina órfã que tem um sonho: ser uma grande bailarina. Ela foge para Paris e finge ser outra pessoa para ingressar na Ópera. Essa é a sinopse do filme A bailarina.

Quem acompanha o blog sabe do meu profundo amor pela Ópera de Paris. Se eu tivesse começado a fazer ballet na infância, não tenho dúvidas que ser uma étoile seria o meu sonho, o meu objetivo, o que eu gostaria de conseguir na vida. Sendo assim, como não olhar para a Félicie e não sentir uma imensa identificação?

No fundo, nós somos essa menina ruiva sonhadora.

A bailarina está em exibição nos cinemas.

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“À bout portés”, Clémence Poésy

À bout portés é um curta-metragem de Clémence Poésy pelo projeto 3e Scène, da Ópera de Paris. Eu não havia assistido, foi uma indicação da leitora Ana.

Poucas vezes eu vi uma expressão tão clara do esforço e dedicação de bailarinas e bailarinos. Os rostos, as expressões, a respiração, a narração, o som do piano ao fundo. Assistam, é uma grandeza!

A narração é feita em francês e há legendas em inglês. Como ninguém tem obrigação de conhecer outros idiomas, eu traduzi o texto. Como há longas pausas entre um trecho e outro, eu os separei pelo tempo do vídeo. Qualquer erro de tradução, por favor, me avisem e eu corrijo.

“À bout portés”

0’32”
Você não precisa estourar as suas costelas desse jeito para saltar. Você pula um centímetro mais alto e você terá um colapso. Obrigado!

0’57”
Eu acho que nós dançamos para escapar de alguma coisa.

1’15”
Quando você começa a dominar o seu próprio corpo, é como se algo começasse a cristalizar.

1’50”
Dançar é experimentar uma divisão dentro de si mesmo. Metade da bailarina segura as rédeas enquanto a outra metade é livre e só quer “ir”. Mas para onde? Esse é o mistério, e é um mistério que estamos sempre perseguindo.

2’23”
E então, há outra parte da bailarina que vem e colore tudo isso, que acrescenta emoção à técnica. Não é algo que possa ser controlado.

2’54”
O que as pessoas chamam de “graça” é um estado de espírito. Não pode ser aprendido. A graça vem unicamente da mente, como nos relacionamos com os outros. No palco, é a alma da personagem se tornando viva, isso que é a graça, eu acho.

4’26”
Isso! Como você está se sentindo?

5’03”
Quando você dança você deve ser um vampiro. Use seus partners, use a força deles. Não apenas para se alimentar, mas como um catalisador para algo maior.

6’59”
Eu acho que nós dançamos para escapar de alguma coisa… Ser alguém por um momento.

À bout portés, Clémence Poésy, 3e Scène, Ópera de Paris.