“A bailarina” na Netflix

Vocês lembram do filme A bailarina (Ballerina, 2016), que estreou no Brasil em janeiro? Pois ele acabou de entrar no catálogo da Netflix!

Foi-se o tempo em que esperávamos tanto entre a estreia nos cinemas, o lançamento em VHS nas locadoras (isso não é do tempo da maioria de vocês!) e  passar na televisão. Ainda bem!

As opções de dublagem são português, inglês e espanhol. Sou só eu ou alguém aí também queria em francês? (Não, eu não sou fluente em francês, mas queria mesmo assim.)

Divirtam-se!

Filme: “A bailarina”

Félicie é uma menina órfã que tem um sonho: ser uma grande bailarina. Ela foge para Paris e finge ser outra pessoa para ingressar na Ópera. Essa é a sinopse do filme A bailarina.

Quem acompanha o blog sabe do meu profundo amor pela Ópera de Paris. Se eu tivesse começado a fazer ballet na infância, não tenho dúvidas que ser uma étoile seria o meu sonho, o meu objetivo, o que eu gostaria de conseguir na vida. Sendo assim, como não olhar para a Félicie e não sentir uma imensa identificação?

No fundo, nós somos essa menina ruiva sonhadora.

A bailarina está em exibição nos cinemas.

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Em três atos

Dirigido por Lucia Murat, o filme Em três atos passeia entre a ficção e a não ficção, entre a dança e os textos de Simone de Beauvoir. Além das atrizes Andréa Beltrão e Nathalia Timberg, há a participação das bailarinas Maria Alice Poppe e (a grandiosa) Angel Vianna.

O trailer é de uma imensa delicadeza. Talvez o filme atinja mais profundamente as almas antigas, porque fala do envelhecimento e do passar do tempo.

Em três atos está em cartaz nos cinemas brasileiros.

Trailer do filme Em três atos, de Lucia Murat.

Whatever Lola Wants

“Não sou capaz. Nunca serei.”
“Desista então.”
“Por que não me mostra como se faz?”
“Porque não somos iguais. Lola, eu não posso te ensinar a ser você mesma. […] Dance para você, não para eles. […] Veja toda a energia que você está desperdiçando. Pegue essa energia e use-a. Use tudo o que está vivendo. Não fuja dos seus sentimentos. […] Use o seu corpo. Seja o seu próprio instrumento. Mostre-me o seu interior.”

Ismahan para Lola, no filme Whatever Lola Wants.

Eu soube deste filme por conta da minha ex-professora de dança do ventre. Ela publicou o link no Facebook e eu resolvi guardá-lo para assistir quando tivesse tempo. E ele me tocou de tal maneira que resolvi compartilhar com vocês.

Lola trabalha nos correios de Nova York e faz aulas de ballet clássico. Ela é muito dedicada e sonha em ser profissional, mas se vê obrigada a trabalhar em algo que não gosta. Além disso, está com 25 anos, “tarde demais” para vislumbrar algo além. Graças ao seu amigo, ela descobre a história de Ismahan, uma grande bailarina egípcia.

Em Nova York, ela se apaixona por um egípcio que acaba voltando para o seu país. Lola resolve ir atrás dele no Egito e, bem… Para conhecer o restante da história, vocês terão de assistir.

“Whatever Lola Wants” nos mostra o poder transformador da dança. Não importa qual seja ela, quando a dança é algo genuíno em nós, ela nos move. Mesmo que a sua dança não seja a do ventre, é impossível não se ver na história da Lola.

Quem quiser ter uma ideia, assista ao trailer.

O filme completo, legendado em português, pode ser visto no YouTube, aqui.

Ganhei meu domingo, minha semana, meu mês, meu ano por conta do que acabei de assistir…

Qual o papel da dança na sua vida?

Provavelmente, a maioria de vocês conhece o maestro João Carlos Martins. Falei sobre ele em um post, aqui. Engraçado que eu divaguei sobre o fato dele ter escolhido outro caminho na música, porque aceitou que não poderia mais tocar.

Há poucos dias, ele passou por uma cirurgia para voltar a movimentar os braços. Não conseguiu “apenas” isso, ele voltou a abrir as mãos depois de dez anos. Ele é um pianista.

“[…] Mas, no momento em que minha mão abriu na operação, já comecei a sonhar: ‘Vou continuar a reger. E quem sabe volto a tocar piano também’. Porque, no fundo, eu não me conformo de não poder tocar. É uma dor. É como um cadáver enterrado lá dentro.”

Para ler a entrevista completa, concedida à jornalista Mônica Bergamo, aqui.

E no Dia Internacional da Dança, por que eu falo de um músico? Porque João Carlos Martins não é apenas um músico. Aos 71 anos, ele passou por cima do próprio medo para que a música não saísse de sua vida. Aliás, é o que ele tem feito: ir contra a maré para a música continuar.

E na dança? Há um excesso de lágrimas, paixão e reclamação. Em contrapartida, pouco estudo e dedicação. Afinal, o que é mais importante, ser vista como bailarina ou dançar?

Sim, há uma diferença. Falarei especificamente do ballet clássico: é algo que dá status. Você vira a bailarina da turma, da família, do bairro. As pessoas a reconhecem na rua por conta do porte e do coque. Você coloca fotos de si mesma no Facebook e as pessoas curtem. Você conta no Twitter que está indo para a aula de ballet. Você se comporta como a namorada apaixonada e diz que a dança é a sua vida. Além disso, se acha mais especial que os demais mortais, afinal, você é bailarina!

Agora, digamos que a vida lhe imponha uma condição: para continuar no ballet clássico, ninguém poderia saber disso. As pessoas só descobririam sentadas na plateia, no momento em que as cortinas se abrissem e você começasse a dançar. Terminado o espetáculo, elas não te reconheceriam lá fora. Você voltaria a ser como todas as outras pessoas que não dançam.

O que você faria?

Ficou em dúvida? Então talvez você precise repensar a dança na sua vida.

Voltando ao João Carlos Martins, hoje ele quer uma coisa: sentar novamente diante de um piano e voltar a tocar. Porque essa é a sua pulsão de vida. Ele é pianista na sua essência. Ele é famoso, criou uma orquestra, é reconhecido no mundo por toda a sua história. E qual é o seu sonho? Tocar novamente um piano.

Qual é o papel da dança na sua vida? Essa resposta é pessoal, íntima e reservada. Não importa qual seja. Só não vale ser incoerente. Porque o que define uma bailarina em qualquer lugar do mundo é uma única coisa: ela realmente se dedica a dançar. O resto é firula e divagação.