O arabesque perfeito em movimento

Dia desses, publiquei uma foto da bailarina Bianca Scudamore e seu arabesque perfeito na final do Prix de Lausanne 2015. Agora, assistam ao vídeo da sua apresentação, ela dançou a “Variação da Fada Lilás”, de A Bela Adormecida.

O seu arabesque não foi perfeito uma vez, ela faz toda uma sequência de perfeição. Depois, ela só baixa um pouquinho o braço direito nos arabesques, mas não atrapalha em nada. Sua qualidade técnica e artística não se resume a isso, ela é belíssima! Em tempos de ballet acrobático, assistir a uma bailarina tão nova dançando dessa maneira me deu até um afago no peito.

“Variação da Fada Lilás”, Bianca Scudamore, Prix de Lausanne 2015.

Variação de Aurora

Há três anos, escrevi o post “Eu presto atenção nos pés” em que contei como aprendi com uma colega de turma a observar os pés durante a execução dos passos.

Ao reassistir a este vídeo, me lembrei disso. A linda Olesya Novikova, primeira solista do Mariinsky Ballet, dançando a “Variação de Aurora”, do terceiro ato de A Bela Adormecida. A qualidade da imagem não está muito boa, mas há vários closes dos pés.

A propósito, os pés da Olesya Novikova representam o meu pé ideal. Nada daqueles arcos absurdos, acho lindo assim, nem lá nem cá, mas na medida.

“Variação de Aurora”, terceiro ato, A Bela Adormecida, Olesya Novikova.

Um dos mais belos adágios

Eu amo a Carla Fracci. Ainda não assisti a algo dela que eu não gostasse, não me emocionasse ou não me dissesse nada. Se eu tivesse de escolher uma bailarina na vida, seria ela.

Eu adoro o grand pas de deux de A Bela Adormecida. Esse não é o meu repertório preferido, mas esse grand pas é perfeito.

Richard Cragun é um dos grandes nomes da história do ballet clássico e, juntamente com Marcia Haydèe, formou uma das maiores parcerias da dança.

Agora reúna tudo isso e temos esta raridade.

Adágio, A Bela Adormecida, Carla Fracci e Richard Cragun, programa “The Ballerinas”, 1987.

Os meus dois lados

Em 2014, o blog fará cinco anos. Não só, completarei sete anos de dedicação ao ballet clássico. Parece pouco, mas é tempo suficiente para descobrir qual dança nos move na vida. Não falo de modalidade, mas de outra coisa.

Desde o começo eu bato na mesma tecla, eu acredito em uma dança possível. Gosto de olhar para as bailarinas e me encontrar, me reconhecer, me descobrir. Quando assisto a um ballet e penso: “Eu também sou bailarina”, ou “Eu também danço”, sinto que estou no caminho certo.

O virtuosismo, a hiperextensão, o sobre-humano me jogam para longe dessa identificação. Sinceramente, cansei desse ballet clássico. Ele continuará existindo, ele continuará dominando a cena da dança. Mas, neste lugar, não precisa ser assim.

Vou compartilhar apenas o ballet clássico que eu acredito. Vídeos, informações, os meus estudos, falarei sobre esse ballet clássico tão difícil de encontrar. Preciso, limpo, técnica clássica como meio e não fim, 90 graus, três piruetas em vez de dez. Querem um exemplo? A “Variação da Fada Lilás”, de A Bela Adormecida, montagem da Ópera de Paris. Perfeito! Este é o ballet clássico que quero para mim.

“Variação da Fada Lilás”, A Bela Adormecida, Ópera de Paris, Eve Grinsztajn, 2013.

Além disso, publicarei obras de dança contemporânea pelas quais eu me apaixonei, e explicarei os meus motivos. Dança contemporânea não é “qualquer coisa” e mostrarei isso a vocês.

O blog sempre foi mais abrangente e, muitas vezes, isso demandava uma grande pesquisa da minha parte. Daqui em diante, falarei sobre a dança dos meus dias, aquela a qual eu me dedico. Depois de cinco anos, estava na hora de ser assim.

Bem-vindo, 2014. Que seja um ano de muita dança para nós.

Variação da Fada Lilás

Uma semana sem novas publicações e eu sequer notei que passou tão rápido. Há novos textos a caminho e logo eles serão publicados. Enquanto isso, uma variação para o dia ficar mais bonito.

Essa noite, eu sonhei que dançaria a Fada Lilás. Não seria apenas a variação, mas alguns trechos de A Bela Adormecida. Acordei antes de estar pronta para entrar no palco. Quem sabe um dia isso aconteça.

Por essa razão, vamos a ela! A minha Fada Lilás preferida é, sem dúvidas, a Marianela Nuñez e comentei isso aqui. Mas para não repetir vídeos no blog, escolhi uma outra versão dessa variação, parte da reconstrução de A Bela Adormecida realizada pelo Mariinsky Ballet (o Kirov). É uma graça, e mais tranquila de dançar.

“Variação da Fada Lilás”, A Bela Adormecida, Mariinsky Ballet, Daria Pavlenko, 2006.