Saias longas

Um dos primeiros posts do blog foi sobre o uso de uniforme nas aulas de ballet. Naquela época, eu achava estranho a maneira levemente desleixada das bailarinas profissionais; hoje eu gosto demais.

No meu tempo de uniforme, eu usava a saia curta, um pouco mais comprida atrás, semelhante a esta:

Kathryn Morgan. Foto: Erin Baiano.

Confesso, nunca gostei muito de usá-la. Tenho a minha em bom estado, mesmo depois de tantos anos, mas não penso em retirá-la da gaveta. Em compensação, desenvolvi um grande amor pelas saias longas. Para mim, é uma mistura de aula e ensaio, elas dançam enquanto treinamos.

Quero todas, uma de cada cor!

Sarah Hay, Dresden Semperoper Ballett. Foto: Pointe Magazine.

Madison Sugg, Pacific Northwest Ballet. Foto: Nathaniel Solis.

Alice Renavand, Ópera de Paris. Foto: Laurent Philippe.

A história de Michaela DePrince

A Cyndi e eu sempre trocamos informações sobre ballet e, assim, chegamos a uma palestra da Michaela DePrince, bailarina do Het Nationale Ballet/Dutch National Ballet, realizada no TEDxAmsterdam.

Escrevi sobre ela uma única vez, no post “As bailarinas negras e o ballet clássico”. Agora, ela própria conta a sua história sem medir as palavras. Só direi uma coisa: assistam. São doze minutos em que o nosso coração vem parar na palma da mão, mas abrimos um sorriso no final.

  • Aviso: Michaela DePrince descreve cenas de brutal violência.

Para ativar as legendas em português, comece a assistir ao vídeo, depois clique no primeiro ícone à direita.

“From ‘devil’s childto star ballerina”, Michaela DePrince, TEDxAmsterdam, 2014.

A Esmeralda original

De quem é a coreografia original de Esmeralda? Jules Perrot. A primeira apresentação foi em 1844, em Londres, com Carlotta Grisi no papel principal. Desde então, esse ballet foi revisto, recortado e remexido. Não apenas ele; geralmente, os repertórios são verdadeiros Frankensteins e guardam muito pouco da sua criação original.

Vocês imaginavam que o grand pas de deux de Esmeralda era assim?

“The romantic era”, 1980, 90min. Grand pas de deux, Esmeralda, de Jules Perrot. Bailarinos: Eva Evdokimova e Peter Schaufuss. Reconstrução e coreografia: John Gilpin.

Tirinhas: Estica a Ponta

A Raquel é bailarina, designer e criadora do Estica a Ponta, um blog de tirinhas sobre o mundo do ballet. É uma mais legal do que a outra! Confesso, já ri sozinha várias vezes, além de ser impossível não se identificar.

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“Anatomia de uma bailarina”, Estica a Ponta.

Pela alegria de dançar

O ballet clássico é uma ode ao sofrimento. Horas e horas de aulas e ensaios. Dores pelo corpo todo. Pés machucados, com direito a unhas roxas prestes a cair. Lágrimas dia sim, outro também. Obsessão pelo movimento perfeito. Angústia desmedida por nunca atingir o apogeu. As tragédias gregas são mais tranquilas que a vida de uma bailarina.

É assim mesmo ou nós exageramos um pouco? Convenhamos, a menos que uma pessoa seja masoquista em um nível patológico, ninguém conseguiria viver assim. Mesmo para as bailarinas e os bailarinos profissionais, há um limite para o sofrimento. Ballet é difícil? Muito, como tantas outras coisas na vida.

Mas existe a alegria de dançar, a satisfação em ver o resultado de tanta dedicação, a plenitude de sentir-se finalmente uma bailarina. Por que isso não faz tanto sucesso? Porque o sofrimento é visto como sinônimo de luta: se sentimos dor, então nos dedicamos arduamente por alguma coisa.

A dor vale mais do que a alegria? Eu danço porque dançar me faz feliz. Há um punhado de tristezas? Sim, mas são poucas. O dia em que o ballet me fizer chorar encolhida na cama, eu procurarei outro amor na vida.

Por isso, em 2016, eu quero uma ode à alegria. É esse sorriso no rosto do Carlos Acosta e da Marianela Nuñez que desejarei a nós neste novo ano. E um pouco dessa doçura e delicadeza de La fille mal gardée não fará mal a ninguém.

Pas de ruban, La fille mal gardée, Royal Ballet. Carlos Acosta e Marianela Nuñez.