Um outro “adágio da rosa”

Quem assistiu ao filme Billy Elliot provavelmente se lembra da bela cena final. Aquela coreografia não foi uma criação para o filme, ela faz parte da versão de Matthew Bourne para O lago dos cisnes.

Coreógrafo de dança contemporânea e teatro-dança, ele também recriou A Bela Adormecida e a inspiração para Aurora foi ninguém menos que Isadora Duncan. Há várias diferenças em relação à original – as seis fadas são três bailarinas e três bailarinos, a Carabosse tem um filho, o príncipe é plebeu –, mas se não compararmos as versões clássica e contemporânea, há grandes chances de nos encantarmos.

Disse isso para chegar a “O adágio da rosa”. Pesquisando sobre a coreografia clássica, me deparei com o duo da montagem de Matthew Bourne. Assistam com outros olhos: é muito diferente, mas é lindo!

“O adágio da rosa”, A Bela Adormecida, de Matthew Bourne, Hannah Vassallo e Dominic North.

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Breve compêndio para pequenas felicidades e satisfações diminutas

“O que traz a felicidade?” Partindo dessa premissa, o Núcleo de Pesquisa Mercearia de Ideais construiu o seu novo espetáculo.

Segundo Luiz Fernando Bongiovanni, diretor do grupo, “Optamos por fazer uma reflexão que não parte do senso comum sobre a felicidade geral, associada, na maior parte do tempo, ao amor, à saúde, aos bens materiais, mas um outro tipo de felicidade, aquela que cada pessoa descobre individualmente e nutre ao longo da vida. A felicidade que habita os instantes, as frestas, as passagens”.

Ensaio de “Breve compêndio para pequenas felicidades e satisfações diminutas”, Núcleo de Pesquisa Mercearia de Ideias. Foto: Clarissa Lambert.

A individualidade dos sete bailarinos e bailarinas permeia toda a obra, afinal, não existe apenas um olhar sobre a felicidade.

Ontem foi a estreia e o espetáculo ficará em cartaz ao longo de todo o mês de março, em três diferentes teatros de São Paulo. As apresentações são gratuitas.

SERVIÇO:

“Breve compêndio para pequenas felicidades e satisfações diminutas”, de Luiz Fernando Bongiovanni, com o Núcleo de Pesquisa Mercearia de Ideias.

De 3 a 13 de março, na Sala Paissandu – Galeria Olido (Avenida São João, 473, Centro), quintas, sextas e sábados, às 20h e domingos, às 19h.

De 18 a 20 de março, no Teatro Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1770, Santana), sexta e sábado, às 21h e domingo, às 19h.

De 25 a 27 de março, no Teatro Flavio Império (Rua Professor Alves Pedroso, 600, Cangaíba), sexta e sábado, às 20h e domingo, às 19h.

Todos os espetáculos têm entrada gratuita.

A reconstrução de “O lago dos cisnes”

No antigo Dicionário de Repertório, eu expliquei o significado da palavra repertório no ballet clássico. No post A Esmeralda original, comentei brevemente que os repertórios passaram por diversas mudanças ao longo dos anos.

É impossível não existir a grande curiosidade: Como eram as obras originais? Assim surgiram as reconstruções, montagens muito próximas das ideias de seus criadores. Para isso, pesquisam-se notações coreográficas, documentos históricos e demais materiais que ajudem a recompor o repertório.

Vários ballets já foram reconstruídos, como O corsário, Giselle, Paquita, A Bela Adormecida, mas faltava uma a altura do mais emblemático, conhecido e amado de todos: O lago dos cisnes.

O responsável pela proeza foi Alexei Ratmansky, coreógrafo e ex-diretor do Bolshoi Ballet. Não é a sua primeira reconstrução, mas, provavelmente, é a mais esperada.

A estreia aconteceu neste mês, com o ballet da Ópera de Zurique. A minha intenção era aproveitar a oportunidade e fazer um longo texto explicando sobre repertórios, mudanças ao longo do tempo e reconstruções, mas a minha ansiedade em compartilhar o vídeo venceu. Por isso, escreverei outro dia.

Fiquem com o mais próximo da ideia original de Marius Petipa e Lev Ivanov para O lago dos cisnes. Eu fiquei muito emocionada, esse é o ballet que me encanta perdidamente.

Para mais informações:
Alexeï Ratmansky reconstruit le Lac des Cygnes à Zürich, Danses avec la plume, aqui.
Time Has Told Me: Reconstructing Ballet, The Ballet Bag, aqui.

Trailer de O lago dos cisnes, reconstrução de Alexei Ratmansky da obra de Marius Petipa e Lev Ivanov, ballet da Ópera de Zurique, 2015.

*

Observação: Quem notou que a Odile não era um cisne?

De pas de deux a pas de six

A coreografia começa com um pas de deux e depois se transforma em um pas de six. Essa delicadeza faz parte da linda obra Dances at a Gathering, de Jerome Robbins.

“Chopin Mazurka, Op. 6 nº 2″, Dances at Gathering, Ópera de Paris, 2014.
Amandine Albisson, Joshua Hoffalt, Ludmila Pagliero, Karl Paquette, Charline Giezendanner, Christophe Duquenne.

Quinze minutos

Não é segredo para ninguém que estudo ballet em casa. Contei como organizo meus estudos de maneira geral, como estudo em casa e qual a minha visão sobre estudar por conta própria.

Tenho receio de me aprofundar, alguém tentar fazer também e sofrer uma lesão, mas partirei do princípio que vocês são responsáveis, certo? Por isso, compartilharei algumas coisas da minha rotina. O objetivo não é incentivar ninguém a treinar sozinha igual a mim, mas acrescentar um estudo a mais na formação de vocês. Hoje será o mais simples de realizar.

Tempo: Reserve 15 minutos do seu dia. Pode ser diariamente ou em dias alternados, mas a regularidade é importante. Não adianta treinar hoje e daqui 20 dias. O ballet exige rotina.

Local: Escolha um espaço em que você poderá se movimentar sem bater ou esbarrar em nada.

Aquecimento: Faça uma breve repetição de elevés, eu costumo repetir múltiplos de oito. Não há qualquer motivo especial para isso, é por causa dos oito tempos mesmo.

Treino: Escolha um passo. Pode ser barra ou centro; não aconselho diagonal por causa da segurança. Repita o passo escolhido diversas vezes, ou combine-o com outro (por exemplo, plié e cambré). Você também pode treinar só balance, ou só arabesque, ou só attitude, ou alguma sequência das suas aulas.

O importante é ter foco, escolha um movimento ou habilidade e mantenha. Sem pressão, sem angústia. Aproveite o momento como nem sempre aproveitamos na aula. Não haverá espelho, tampouco professor ou professora, então a correção virá da sua própria consciência corporal. Não tente ir além, você não está em uma competição. O objetivo é melhorar a sua técnica, compreender o movimento, deixá-lo fazer parte de você.

Vale com música, vale sem música, vale pensar em uma música, tanto faz. Só não vale ter preguiça.

Antes de terminar, eu sempre me alongo um pouco, para aproveitar que estou aquecida.

Os 15 minutos não são fixos, o tempo pode ser maior ou menor que isso. O importante é existir esse momento entre você e o ballet.