Variação de Fanny Cerrito

Sabe quando o tempo passa e não nos damos conta? Foi o que aconteceu. Minha cabeça anda tão ocupada com outras coisas que só hoje percebi como o blog está desatualizado.

Como estamos oficialmente no período “festas de fim de ano”, escrever textos longos ou tratar de assuntos mais importantes é sempre complicado, pois corre-se o risco dos posts passarem batidos. Sendo assim, nos últimos dias de 2014 falarei sobre um assunto para pensarmos bem, o restante ficará para o próximo ano.

Hoje será apenas um vídeo antigo. Uma das minhas bailarinas mais amadas, a Carla Fracci, dançando a “Variação de Fanny Cerrito”, do Pas de Quatre. Talvez por ser um especial para a televisão, houve uma pequena adaptação, ela começa dançando uma passagem que originalmente é dançada por duas bailarinas; a variação em si começa em 1’50”.

Dá vontade de vestir um tutu romântico e sair dançando por aí.

Wayne McGregor: O processo criativo de um coreógrafo em tempo real

Renomado coreógrafo inglês, Wayne McGregor não é um nome estranho para aqueles que acompanham o Royal Ballet: ele é coreógrafo residente da companhia. Talvez vocês já tenham assistido a trechos de um dos seus trabalhos mais conhecidos, Chroma.

Eu o conhecia apenas de nome, até assistir à sua palestra no TED. Em 15 minutos, ele criou uma coreografia no palco. Ele vai explicando o seu processo e dois excelentes bailarinos vão construindo essas passagens. É uma aula de composição coreográfica.

“O que pensei que poderíamos fazer um pouco hoje é explorar essa ideia de pensamento físico, e somos todos especialistas no pensamento físico. Isso! Todos vocês têm um corpo, certo? E nós todos sabemos como é um corpo no mundo real, então um dos aspectos do pensamento físico sobre o qual pensamos muito é essa noção de propriocepção, a consciência de meu próprio corpo no espaço no mundo real. Assim, todos nós sabemos como é saber onde estão as pontas dos nossos dedos quando esticamos os braços, não é mesmo? Sem dúvida vocês têm essa noção quando vão pegar uma xícara ou aquela xícara se move e é preciso redirecionar o movimento. Portanto já somos peritos no pensamento físico. Apenas não pensamos muito sobre nosso corpo. Só pensamos nele quando algo está errado, quando quebramos o braço ou quando temos um ataque cardíaco, então a gente fica bastante consciente dos nossos corpos. Mas como seria se pudéssemos começar a pensar sobre usar o pensamento coreográfico, a inteligência cinestésica, para sustentar as maneiras nas quais pensamos sobre as coisas de uma forma mais geral?” (Wayne McGregor no TED “A choreographer’s creative process in real time”)

A transcrição da palestra, em português, aqui.
A palestra, legendada em português, a seguir.

Primeira variação de “Esmeraldas”

Se vocês me perguntassem quais são os meus cinco ballets preferidos, sem dúvida alguma, Jewels estaria na lista. Perdi as contas de quantas vezes eu o assisti e não canso nunca.

Para quem não conhece esse ballet, ele é dividido em três partes, em três pedras preciosas: Esmeraldas, Rubis e Diamantes. Cada uma delas representa um estilo − francês, americano e russo − e possui características bem definidas. As músicas, as coreografias, os figurinos. Além de belíssimo, Jewels é uma aula completa de ballet clássico. Eu já comentei sobre ele diversas vezes e todos os posts estão aqui.

Trailer de Jewels, Pacific Northwest Ballet

Quando eu o assisti pela primeira vez, me apaixonei pelos Rubis. Durante bastante tempo, sonhei em dançá-lo, mesmo não tendo as habilidades necessárias para isso, porque sou baixa e larga e não sou hiperflexível. Em algum momento, me encantei pelas Esmeraldas e ao descobrir que elas representam o estilo francês, meus olhos brilharam. Passei a olhar essa parte de outra maneira e me apaixonei perdidamente. Não só, dançá-la não era algo impossível. Gosto de tudo nas Esmeraldas, mas o meu amor é da primeira variação.

Ontem, a querida Cyndi compartilhou comigo um vídeo do Pacific Northwest Ballet com um trecho de um ensaio dessa variação. A ensaiadora é justamente uma bailarina que era do elenco original. Ela fala sobre os braços, como eles devem fluir, como eles são praticamente independentes da bailarina. Amei ainda mais.

Achei que seria bacana publicar dois vídeos na sequência. Primeiro, esse ensaio do Pacific Northwest Ballet com a ensaiadora Violette Verdy. Depois, a Olesya Novikova, solista do Mariinsky Ballet, dançando essa variação.

Trecho do ensaio da primeira variação de “Esmeraldas”, Jewels, com Violette Verdy, Pacific Northwest Ballet.

Primeira variação de “Esmeraldas”, Jewels, Olesya Novikova, Mariinsky Ballet.

Variação de Medora

O Mariinsky Ballet está no Brasil. Depois do Rio de Janeiro, agora ele está em São Paulo e o repertório que está sendo apresentado é O corsário. Eu publiquei sobre a vinda da companhia aqui.

Eu sigo a Jurgita Dronina, primeira-bailarina do Het Nationale Ballet/Dutch National Ballet, no Twitter. Qual vídeo ela acabou de publicar? Ela mesma dançando a “Variação de Medora”.

Para todas nós entrarmos no clima de O corsário.

“Variação de Medora”, O corsário, gala do Het Nationale Ballet, Jurgita Dronina.

Fonte: @JurgitaDronina