Gala Lucila

Lucila Munaretto é bailarina do Coastal City Ballet e ex-aluna da Escola Bolshoi no Brasil. Em agosto, ela sofreu um grave acidente no Canadá, ficou em coma e passou mais de um mês internada. Ela está fora de perigo, graças!, mas ainda precisa de muitos cuidados para a sua reabilitação.

Assim, a Escola Bolshoi realizará o Gala Lucila, toda a renda da bilheteria será revertida para o seu tratamento. Assistir à apresentação será duplamente belo, pela ajuda e pelo espetáculo.

Infelizmente, não poderei ir por causa da distância, mas quem puder, compareça.

O Gala Lucila acontecerá no dia 19 de novembro, às 20h, no Teatro Cnec, em Joinville. Os ingressos custam R$ 50 e R$ 80 e podem ser adquiridos no site TicketCenter (aqui), na recepção da Escola Bolshoi ou na bilheteria do Teatro Cnec.

Fique bem, Lucila, e que você melhore mais a cada dia.

Para quem gosta de sapatilhas vermelhas

Quando eu mantinha a página do blog no Facebook, era comum ver o fascínio que algumas bailarinas têm por sapatilha vermelha de ponta. Será por causa do filme Sob a luz da fama? Eu nunca fui uma fã, porque corta as linhas do corpo, mas dessa vez até eu me apaixonei.

O coreógrafo Donald Garverick criou especialmente para a bailarina Kathryn Morgan a variação The Red Shoes, inspirada no conto de fadas Os sapatinhos vermelhos, de Hans Christian Andersen. (Há um filme inspirado nesse conto, quem quiser ler o post sobre ele, aqui). Hoje ela publicou esta foto.

Kathryn Morgan. Foto: Alexis Ziemski.

Como as fitas não são vermelhas, achei lindo! Quem quiser vê-la dançando, ela já publicou alguns vídeos de ensaio no seu Instagram, aqui.

Remar o meu próprio barco

A minha relação com o ballet clássico oscila entre o amor e a indiferença. Há períodos em que organizo a minha vida em torno dele, em outros, alguns passos realizados no quarto diariamente já dão conta do recado.

Sem dúvida, essa oscilação se reflete no blog. Nem eu tenho vontade de aparecer por aqui às vezes, que dirá vocês.

Hoje eu compreendi o motivo: estou perdendo o meu tempo com um ballet que não me interessa, não enche os meus olhos, não me encanta, não me diz nada.

O ballet mudou, as bailarinas e os bailarinos possuem um grau de exigência física e técnica incrivelmente maior. Não à toa, a aposentadoria tem acontecido mais cedo, não há corpo que aguente tanta sobrecarga.

Com isso, existe uma supervalorização da forma, as possibilidades do corpo se tornaram a arte em si. Do ponto de vista histórico, isso não é novidade, o ballet já passou por períodos em que se criticava, justamente, a valorização da forma. Estamos em um momento semelhante.

No fim do ano passado, eu escrevi o post “Nadar contra ou a favor da maré?” em que me questionei por gostar muito mais do ballet de antigamente. Cheguei a dizer: “Na dança, eu olho para trás”. Assim, resolvi olhar para a frente e prestar mais atenção no ballet realizado no nosso tempo.

Um novo ano chegou trazendo uma série de acontecimentos: a aposentadoria da Aurélie Dupont, o falecimento da Maya Plisetskaya, eu assistir ao Bolshoi ao vivo dançando Giselle, algumas mudanças na Ópera de Paris, a aposentadoria da Paloma Herrera. Parece bobagem, mas tudo isso mexeu comigo.

Uma era do ballet havia chegado ao fim, mais um sinal para abraçar o futuro. O que aconteceu? Quanto mais eu entrava em contato com o ideal de bailarina do século 21, mais eu me distanciava do ballet clássico.

Onde estava o meu coração? Giselle. O Bolshoi me mostrou claramente qual ballet clássico eu quero na minha vida. Ele ainda existe.

Excelência técnica, alta capacidade física, hiperflexibilidade. Reconheço a importância disso tudo nos dias de hoje, mas, sinto muito, a minha alma é de uma bailarina do século 19. É para o passado que eu devo olhar.

* * *

ATUALIZAÇÃO: Por erro meu, não deixei claro qual é o problema. Há anos, por causa do blog, eu acompanho o mundo da dança em diversas fontes. De uns tempos para cá, esse excesso de informações tem me atrapalhado, porque acompanho muitas coisas que não me interessam ou não me dizem nada. Eu não estou matriculada em nenhum estúdio, eu estudo sozinha, aí sim minhas fontes de estudo remetem ao ballet no qual eu me encontro. Não vou parar de dançar, tampouco acabarei com o blog, podem ficar tranquilas. O texto foi apenas um desabafo sobre os rumos do ballet.

Trecho de “Theme and Variations”

Theme and Variations é uma das grandes obras de Balanchine. Há três anos, publiquei o ballet completo dançado pelo American Ballet Theatre em 1978, com Gelsey Kirkland e Mikhail Baryshnikov como solistas. Quem quiser assistir, aqui.

Dia desses, assisti à coda desse ballet, minha parte preferida, dançada pela Ópera de Paris. Mesmo com todas as mudanças feitas pelo Benjamin Millepied na companhia nos últimos meses – há um toque americano demais nas suas escolhas – foi lindo ver que o estilo francês pelo qual me apaixonei continua firme e forte.

Suspirem comigo!

Trecho de Theme and Variations, Ópera de Paris, 2015.
Fonte: Je pense que je vais etre un tannante.

Livro “Métodos do balé clássico: história e consolidação”

Você estuda por qual método? Geralmente, estudantes dos cursos regulares trazem a resposta na ponta da língua: no Brasil, os mais comuns são Royal e Vaganova. Nos cursos livres, aí vira uma mistura: é um pouco do russo com o italiano, tem alguma coisa do francês, parece que é Royal.

Afinal, o que caracteriza cada um deles?

O livro “Métodos do balé clássico: história e consolidação” é fruto do mestrado da Caroline Konzen, realizado no Cefet/MG no ano passado. Ela pesquisou sobre o processo de consolidação dos quatro métodos mais utilizados no Brasil e no mundo: italiano (Cecchetti), francês (Escola Francesa), russo (Vaganova) e inglês (RAD).

O objetivo não é ensinar os métodos, mas compreender os aspectos sociais, culturais e políticos de cada um deles. Esse é um livro para quem deseja se aprofundar no estudo teórico, mas também é importante para quem quer conhecer melhor o que estuda em sala de aula.

Para comprar:
Editora CRV, aqui.

* * *

Observação: Este não é um publieditorial.