Um dos mais belos adágios

Eu amo a Carla Fracci. Ainda não assisti a algo dela que eu não gostasse, não me emocionasse ou não me dissesse nada. Se eu tivesse de escolher uma bailarina na vida, seria ela.

Eu adoro o grand pas de deux de A Bela Adormecida. Esse não é o meu repertório preferido, mas esse grand pas é perfeito.

Richard Cragun é um dos grandes nomes da história do ballet clássico e, juntamente com Marcia Haydèe, formou uma das maiores parcerias da dança.

Agora reúna tudo isso e temos esta raridade.

Adágio, A Bela Adormecida, Carla Fracci e Richard Cragun, programa “The Ballerinas”, 1987.

Pelo direito de dançar

Todo ano é a mesma coisa: no dia 29 de abril, lá vamos nós celebrar a arte que nos move. Também faço parte dessa turma, e assim publiquei em 2010, 2011, 2012 e 2013.

Mas hoje não celebrarei nada. Não farei ode à dança. Não falarei de todos os seus aspectos na minha vida. Não vou dizer que ela é importante para todos nós. Nada disso.

Porque todo ano vejo sempre as mesmas coisas: uma celebração dos bailarinos, amadores, estudantes, professores, maestros, ensaiadores, coreógrafos. Hoje não é o dia de quem dança.

Para celebrar a dança é necessário reconhecer que ela é tão antiga quanto a humanidade. Ela nasce conosco, porque antes mesmo de andar e falar, nós nos movemos. O nosso corpo fala antes que possamos esboçar as palavras. Dançamos sem saber que é isso o que estamos fazendo.

Mas crescemos. E, em algum momento, tentam nos tirar esse direito. Porque existem as danças, os métodos, as formas, as técnicas, os dogmas, os preconceitos, os detentores do saber. Cada qual reivindicando para si o domínio sobre essa arte.

Não adianta fazer isso, meus caros. A arte é do ser humano. Ela é de todos nós. Ela é de cada um de nós.

É isso o que eu quero: que todos nós possamos dançar. Não apenas na sala de casa, no meio da rua, em pleno parque, mas escolher a dança que nos chama, nos dedicarmos a ela sem receio. E sem ninguém fazendo elucubrações, questionamentos ou, pior, cerceando quem quer seguir o caminho que lhe chama o coração.

Dançar é um direito.

Pelo menos no Dia Internacional da Dança, não nos esqueçamos disso.

Tzigane

Tzigane é um dos ballets de George Balanchine. Curtinha, de apenas nove minutos, é uma coreografia inspirada no estilo da dança cigana.

Este vídeo é duplamente importante: além da obra completa, mostra Suzanne Farrell, uma das grandes bailarinas de Balanchine, e Peter Martins, hoje diretor do New York City Ballet. Foram eles que dançaram Tzigane pela primeira vez.

Mais informações:
Tzigane, The George Balanchine Trust, aqui.

Tzigane, New York City Ballet, 1977.

Fonte do vídeo: Dances avec la plume.

Uma aula em 1920

Tamara Karsavina é um dos grandes nomes da história do ballet clássico mundial: primeira-bailarina do Mariinsky Ballet, bailarina do Ballets Russes, uma das fundadoras do Royal Academy of Dancing, treinou Margot Fonteyn e Rudolf Nureyev, teve como seu grande partner ninguém menos que Vaslav Nijinsky.

Por isso, é fascinante assisti-la durante uma aula de ballet em 1920. Os passos estão ali, mas no geral é bem diferente do que estamos acostumadas a ver. Mas só conseguimos entender o ballet clássico de hoje se olharmos, com respeito e reverência, o que veio muito antes de nós.