Mais duas primeiras-bailarinas negras

Para quem não se lembra ou para quem chegou agora, vou recapitular: em fevereiro do ano passado, eu escrevi o post “As bailarinas negras e o ballet clássico“. Falei brevemente sobre o racismo na dança e contei que não havia uma única primeira-bailarina negra nas grandes companhias de dança. Nenhuma.

Quatro meses depois, tivemos a grande notícia da promoção de Misty Copeland à primeira-bailarina do American Ballet Theatre. Sua nomeação era esperada, e muito cobrada, mas nem por isso deixou de ser comemorada. Aliás, é importante ressaltar, ela é uma das bailarinas mais famosas da atualidade, ou a mais famosa, como destacou a Dance Magazine.

Pois bem, ela abriu o caminho. Neste ano, outras duas bailarinas negras foram promovidas ao posto de primeira-bailarina.

Em junho, chegou a vez de Francesca Hayward no Royal Ballet. Quem quiser saber mais sobre ela, acesse seu Instagram e a matéria de capa da Pointe Magazine. Quer vê-la dançar? Clique aqui.

Francesca Hayward, As aventuras de Alice no País das Maravilhas, The Royal Ballet. Foto: Bill Cooper, 2014.

Em julho, foi a vez de Céline Gittens no Birmingham Royal Ballet. Quem quiser saber mais sobre ela, acesse seu Facebook, seu Twitter e seu Instagram. Quer vê-la dançar? Clique aqui.

Céline Gittens, O lago dos cisnes, Birmingham Royal Ballet. Foto: Roy Smiljanic.

A Cyndi e eu conversamos bastante sobre o espaço das bailarinas negras no ballet clássico e dia desses levantamos uma questão: até que ponto essas promoções são por motivos artísticos. “Vocês duas já estão vendo problema?” De maneira alguma! É notório que Misty Copeland, Francesca Hayward e Céline Gittens são bailarinas incríveis e cada uma delas mereceu chegar onde chegou; o nosso questionamento é outro. As companhias realmente acreditam no talento dessas bailarinas? Se acreditam, o racismo tão presente na estrutura do ballet clássico está diminuindo a ponto de sumir de vez? A sociedade está mudando, graças!, a visibilidade das minorias cresce a cada dia, e quem não acompanha ficará para trás. Assim, há quem abrace a diversidade para não ser criticado ou malvisto. O racismo não desaparece de uma hora para outra, por isso devemos continuar a questioná-lo.

Esperamos, sinceramente, que todas essas promoções tenham sido pelos motivos certos e será fácil comprovar: acompanhemos as apresentações das três nas próximas temporadas. Só promover é pouco, queremos vê-las dançando em vários papéis principais.

Mas pelo menos uma coisa é certa, esse é apenas o começo.

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6 comentários sobre “Mais duas primeiras-bailarinas negras

  1. Fico muito feliz de ver essas moças dançando como bailarinas principais, são lindas e muito talentosas!
    Mas, vou ficar realmente feliz quando ver uma bailarina principal daquelas que são tão escuras que mal podemos ver sem a luz, isso sim vai significar que o mundo do ballet está evoluindo de sua forma racista. Por que realmente duvido que não existam bailarinas super hiper mega negras que não tenha excelente tecnica,corpo e paixão para serem as principais bailarinas. De todo modo é um começo e fico feliz por isso.

    1. M.U, sem dúvida, há grandes bailarinas de pele mais escura que sequer chegam ao corpo de baile por causa do racismo no ballet. Mas uma delas vem se destacando, a Michaela DePrince, e ela está a um degrau de ser primeira-bailarina. Sendo assim, se prepare, porque você ficará realmente feliz muito em breve! :) Imenso beijo.

  2. Só começou, e a gente tá, ó, de olho!

    Estou felicíssima com essas promoções! Mas, ao mesmo tempo, estou meio triste, porque primeiras bailarinas negras são raras. Tanto que a gente comemora horrores quando aparece uma. a gente comemora até corpo de baile!

    Para mim, não dá pra nãão pensar em estratégia quando vejo isso.
    A Misty levou um público novo pro ballet; o ballet tá meio decaído; empoderamento tá muito em alta esse ano (que bom!). Não sei se eu gosto da ideia das empresas/publicidade/marketing/sei lá usar empoderamento pra vender mais, mas… de um jeito ou de outro, tá divulgando a ideia da diversidade e do amor-próprio.

    Mas é como você disse, não adianta só promover, dá os papéis pras moces!
    vai ter cisne negra sim, e se reclamar vai ter três

    Beijocas! o/

  3. Espero que a nomeação dessas duas bailarinas seja mais merecida que a da Misty Copeland!

    Desculpa eu fugir do assunto, eu sei que você Cássia não é fã do Bolshoi nem das bailarinas produzidas na Vaganova mas eu pensei que talvez alguns leitores gostassem da notícia, o Bolshoi tem uma nova prima ballerina, nome dela é Yulia Stepanova. Eu sou suspeita pq sempre fui fã dela desde seus tempos como solista no Kirov…
    Variação de Myrtha

    Variação de Odile

    Morte de Nikiya

    1. Bianca, eu nunca disse que não sou fã do Bolshoi ou das bailarinas formadas pela Vaganova. Aliás, o meu livro de cabeceira de estudo de técnica clássica é justamente o da Vaganova. Ao longo desses anos, fiz várias postagens com vídeos e informações do Bolshoi e assisti à companhia em São Paulo com o coração na boca de emoção. O que eu questiono é o uso indiscriminado da perna alta, não importa onde, e aqui mesmo já elogiei o Bolshoi por manter a perna baixa nos grandes repertórios. Sobre os vídeos, eu os assistirei, pode deixar! Beijos!

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