Uma mudança no meio do caminho

Não faço uma aula de ballet em um estúdio de dança há três anos e meio. Já falei sobre estudar em casa, contei como organizo meus estudos e escrevi sobre o estudo solitário. Mesmo assim, sempre vi isso como um complemento e não como um substituto às aulas com a orientação de uma professora ou de um professor.

Por essa razão, era hora de voltar. Foram alguns meses atrás de aulas de ballet clássico. Encontrava o lugar, mas e o preço da mensalidade? A mensalidade era razoável, mas e a formação da professora? O local e a mensalidade eram bons, mas turma de iniciante? O local, a mensalidade, a turma, tudo ótimo, mas aulas à noite?

Insisto somente no ballet há anos, mas uma hora a gente cansa. Talvez fosse o momento de mais uma dança surgir na minha vida.

Pesquisei vários lugares e apenas um foi compatível em tudo. “Vamos marcar uma aula experimental?” Sim, e lá fui eu. O que aconteceu? Saí da escola matriculada.

Agora, eu faço flamenco.

Semana que vem, publicarei um texto contando sobre as danças que conheci, de curso regular a aula experimental. Em todas elas, em algum momento eu me senti deslocada. Preciso dizer sobre o ballet clássico? Nem blog, nem três estúdios, nem três espetáculos, nem quatro coreografias, nem livro, essa sensação nunca passou. O ballet e eu sempre tivemos uma profunda relação de amor não correspondido.

Eu sempre quis fazer flamenco, e contei neste post, mas nunca havia dado certo. Finalmente, nos encontramos. Pela primeira vez, não me senti deslocada em uma aula de dança. E esses anos de dedicação se fizeram presentes: o meu corpo é um corpo que dança e se sente confortável com isso. Eu queria, mas nunca esperei que isso fosse acontecer. Além disso, o flamenco é uma dança popular e agregadora, faz uma imensa diferença sentir-se parte desde o começo.

Daqui em diante, a minha atenção será dividida entre a descoberta do flamenco e a continuação do ballet clássico. Nada mudará no blog, no máximo, escreverei sobre os momentos em que ambos se encontram. A minha alma é bailarina, mas também será bailaora. Afinal, quem disse que preciso escolher?

* * *

Curta-metragem “Flamenco at 5:15”, dirigido por Cynthia Scott. Alunos do National Ballet School of Canada têm aula de flamenco com dois grandes professores da Espanha.

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8 comentários sobre “Uma mudança no meio do caminho

  1. Eu penso as modalidades de dança da seguinte forma: quanto mais, melhor! Uma modalidade não exclui a outra, pelo contrário, acho que elas se complementam. E flamenco é bem diferente (: que bom que você está feliz nessa sua nova jornada!

    1. Sarah, sem dúvida, uma modalidade não exclui a outra. O bom é que quanto mais danças conhecemos, nossa visão sobre a dança só se amplia. =] Grande beijo.

  2. Infelizmente acho que no Ballet quem começou tarde como eu nunca alcança as altas expectativas que esta arte traz consigo. É um amor não correspondido mesmo. Mas uma certeza é que o Ballet aparece onde vc menos espera, como por exemplo quando dançamos outra dança. Acho que Ballet é mais que arte, é base, é alicerce. E a dança é o amor maior, hoje meu coração de bailarina tem muitas paixões, e o Ballet Clássico me faz mais pronta. E continuo amando o Ballet, vou voltar para as aulas, mas tb voltar a estudar algumas das outras danças que me encantaram também. Um amor não diminui o outro. Desejo toda sorte do mundo nessa nova paixão! Beijos!

    1. Marinéa, faz tempo que quero escrever sobre isso, sabia? Como lidar com essa sensação ruim de jamais alcançarmos as expectativas do ballet. Mesmo que a gente saiba que nunca teremos a técnica das profissionais, às vezes não alcançamos o patamar do dançar minimamente bem. É difícil, não é? Escreverei sobre isso em breve, prometo! Sabe o legal de estudar outras danças? Essa frustração com o ballet diminui um pouquinho, especialmente se você fizer alguma modalidade que você dança bem. O ballet continua sendo nosso amor, mas essa sensação ruim não fica tão pesada de carregar. Grande beijo.

  3. Como eu te disse esses dias Cássia: o ballet está em você! Você só o está executando sobre um prisma diferente… A própria Inês Bogéa, diretora da São Paulo Companhia de Dança, diz que sempre devemos encontrar novas maneiras de dançar, e parece que o Baryshnikov já sabia disso!
    Ele diz assim: “O Ballet Clássico é a dança dos jovens. Na Dança Contemporânea, podemos dançar a nossa própria idade”. Ele encontrou uma nova maneira de dançar no Contemporâneo, e você no Flamenco. Olé!

    E não se esqueça: Todas as danças espanholas que existem nos ballets estão esperando você de braços abertos!

    1. Ju, o ballet é o meu grande amor, só encontrei mais uma maneira de dançar. Pode deixar, não esquecerei que todas as danças espanholas dos ballets estão esperando por mim! Obrigada, querida. Imenso beijo.

  4. Uma bailarina é uma pessoa que baila, qualquer dança! Seja feliz na sua nova escolha! Fiz ballet clássico na infância e depois, na adolescência e na fase adulta, sempre quis voltar, mas me achava velha. Tenho 31 anos e não existia essa história de ballet adulto. Nesse meio tempo sem aulas sempre flertei com o flamenco, mas nunca concretizei isso. Tenho muitas amigas descendentes de galegos que fazem/dão aulas de dança espanhola (que compreende o flamenco e outras danças típicas) e sempre achei muito interessante, mas nunca comecei. Ano passado voltei ao ballet clássico e estou adorando, o meu amor pelo ballet é correspondido, mas não descarto um futuro affair com a dança espanhola. ;) Em resumo, assim como na vida, não precisamos ter apenas um amor! Seja feliz com seu novo romance!

    1. Clara, é mesmo, ballet adulto só passou a existir de uns anos para cá. E que bom que finalmente você voltou às aulas e o seu amor pelo ballet é correspondido! Achei sensacional suas amigas descendentes de galegos fazerem e darem aula de dança espanhola, é fácil achar quem dê aula de flamenco, mas das outras danças espanholas é bem mais difícil. E quem sabe um dia você faz flamenco? Não precisamos mesmo ter apenas um amor! <3 Grande beijo.

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