O momento mágico do movimento perfeito

Há tempos não escrevo um texto pessoal, contando algo relacionado ao meu desenvolvimento na dança, mas hoje isso caberá no contexto.

Quando publiquei “Por que as pessoas fazem ballet clássico?”, eu disse que “[…] essa busca incessante pela perfeição talvez seja para encontrar aquele momento mágico em que um movimento perfeito simplesmente acontece”.

Vocês sabem qual é? Não é aquele momento em que conseguimos fazer um movimento difícil. Não é aquele momento em que nos sentimos felizes ao dançar. Não é aquele momento em que nos sentimos verdadeiramente bailarinas. Nada disso. É o momento do eclipse, quando tudo se alinha perfeitamente. É difícil explicar, mas fácil entender. O movimento é limpo do começo ao fim e realizado sem o menor esforço. Ele simplesmente acontece.

Comigo aconteceu duas vezes.

A primeira, eu estava na aula de ballet. Era uma sequência simples na diagonal, tour piqué en dehors. Quando terminei, duas colegas de turma, que estavam no ponto onde eu terminaria o movimento, disseram ao mesmo tempo: “Nossa, certinho!”. Senti que havia realizado tudo perfeitamente, mas nem adianta me pedir para repetir, não sairá do mesmo jeito.

A segunda é o meu momento mágico até agora. Contei algumas vezes que demorei quatro anos para aprender pirueta. Quatro. Ainda escreverei um post explicando todo o longo processo, mas o importante é que aprendi como ela funciona. Eu já estava desiludida, sem fazer aulas, sem conseguir girar e pensando que jamais conseguiria.

Comprei o livro Physics and the Art of Dance com o intuito de melhorar a minha técnica de uma maneira geral. Não preciso dizer que fui direto ao capítulo dos giros. Explicação da pirueta. Li atentamente, fui ao centro do meu quarto e fiz o movimento conforme as recomendações do autor. Não dá para explicar: a pirueta saiu perfeita. Eu senti isso no meu corpo, porque eu havia buscado esse momento por anos. Dali em diante, quando a pirueta não acontece, eu sei por quê. Mas nunca mais me senti mal por isso, porque eu aprendi a lição.

E qual foi o momento de vocês?

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8 comentários sobre “O momento mágico do movimento perfeito

  1. Acho que meu momento mágico foi quando consegui fazer um arabesque. Eu estava muito focada e repetia para mim mesma mentalmente: A perna vai subir! A perna vai subir!
    E a perna subiu! :)

  2. Eu tenho essa sensação às vezes mas a mais recente foi mês passado, em uma apresentação, eu conseguia fazer a pirueta, mas três semanas antes d eparesnetar tudo travou, e eu continuei nesse lenga-lenga até o dia que eu fui apresentar e bem na hora a pirueta saiu perfeita, e a menina que fazia a pirueta mais perfeita tropeçou na hora…. Coitada….

  3. Cássia, sei exatamente do que você está falando! Tive dois momentos desses e um deles foi com piruetas também. :)

    A primeira vez foi numa sequência de barra simples de battement tendu. Coisa boba. Mas eu estava tão encaixada, tão concentrada, tão coordenada, que na hora que acabou eu senti que tinha feito tudo perfeito. Tudo estava em seu devido lugar: os pés passando pela meia ponta até chegar na ponta, o quadril alinhado, os braços leves e suaves, a cabeça coordenada com os braços (mas naquele delay leve, que dá a sensação que estamos flutuando). Foi mágico. E ninguém nem reparou. hahahahaha

    A segunda vez foi com uma pirueta dupla en dehors. Sempre tive dificuldade com giros, mas sempre me esforcei pra aprender, treinando em casa e vendo vídeos com dicas. Sentia que estava melhorando, mas com dificuldade. Até que ano passado dançamos um coreografia de ballet moderno que era cheia de giros. No começo, fiquei apavorada. Mas o que mais me deixava apreensiva era uma pirueta dupla en dehors. Até que um dia, num ensaio, eu fiz uma pirueta maravilhosa. Foi perfeita. Eixo, cabeça, tudo. Fiquei tão assustada com o que tinha acontecido que até parei de dançar. Minha professora parou, também olhando pra mim, e disse: “Uau!”. Daí em diante ganhei mais confiança e consigo fazer piruetas duplas en dehors (pra direita, né? hahaha). Mas nenhuma foi igual aquela. Foi o movimento perfeito.

    :)

  4. Olá! Sempre leio mas hoje também quero comentar! Há 4 anos atrás eu estava procurando um esporte e li o seu blog sem querer… enfim, eu tinha 25 anos e pensei em fazer balé também. Adoro, cada dia mais! E adorei que você escreveu sobre a pirueta, pq é a minha grande dificuldade, também fico triste que não saí de jeito nenhum!! Tomara que chegue meu grande dia… e fiquei super curiosa por esse capítulo do livro!rs Beijos!

  5. Nossa, que lindo,deve ter sido muito emocionante… E o melhor: vc aprendeu sozinha (interpretou sozinha o que o livro dizia, coisa que alguns achariam impossível… ) Se puder me responder essa duvida: quando uma pessoa treina sozinha, será que ela pode tentar ir direto pra um nível mais alto quando voltar a fzer aulas?
    bjs e parabéns pelo belo texto…

  6. Tive esse momento em sala, algumas vezes. No palco estou sempre tremendo demais, não sei se conseguiria, mas de vez em quando (MUITO de vez em quando) alguma coisa se alinha – os planetas, meu corpo, a música, sei lá – e tudo sai perfeito. Esses momentos dão um gás tremendo pra continuar =D

    Beijos, Cássia! Muito linda a sua história!

  7. Meu momento mágico foi uma variação do método da Royal que eu amava. Nem pensava. A música começava e eu ja tava dançando.
    Cássia, olhei esse livro em varias livrarias mas está muito caro! Vc poderia pubricar, aqui ou no grupo no facebook, um resumo do que esse livro fala sobre as piruetas? Tenho anos treinando não sei fazer nenhuma pirueta q saia realmente boa.
    Beijos!

  8. O momento em que tudo se encaixou perfeitamente e eu consegui fazer 5 piruetas en dehors. Não é sempre que eu consigo uma proeza dessas, ao contrário dos talentosos naturais. Mas na primeira vez que consegui (e uma das poucas) me senti incrível, como se eu pudesse fazer quantos giros mais eu quisesse. Foi perfeito!! As tentativas seguintes não tiveram o mesmo efeito mas continuarei meu treino em busca de domínio de momentos como esse!

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