Cinco anos

Parece que foi ontem a publicação do primeiro post do blog. Cinco anos, centenas de posts, milhares de comentários e mais de um milhão de visitas depois, cá estamos nós.

Eu sempre comemoro de alguma maneira e assim foi em 2010, 2011, 2012 e 2013. Desta vez, eu quis fazer diferente. Escolhi cinco queridas leitoras com as quais mantenho contato. Pedi a cada uma delas para contar um pouco sobre a dança na sua vida e onde o blog entra nessa história. São relatos bem diferentes, todos lindos, que me emocionaram imensamente.

Acomodem-se, abram o coração, leiam atentamente e se reconheçam. Sintam-se à vontade para contar nos comentários as histórias de vocês. Afinal, na dança, estamos todas juntas.

Swanilda e suas amigas, Coppélia, Ópera de Paris. Foto: Sébastian Mathé.

* * *

Andréia, 20 anos, leitora há quase três anos.

A dança nunca foi vista por mim como uma possível profissão. Meu sonho sempre foi cursar medicina e é esse sonho que eu estou perseguindo. Mas com todo o estresse de cursinho e vestibulares, o ballet e o jazz são a minha válvula de escape e são o que me mantém sã. Sem essas aulas, eu fico extremamente ansiosa e as coisas começam a desandar.

Eu sou leitora do blog “Dos passos da bailarina” desde 2011 e esse blog se tornou muito importante para mim. A Cássia levanta discussões, expõe seu ponto de vista e suas reflexões sobre o mundo do ballet, e da dança, de forma que muitas das minhas preocupações, como tipo físico, peso, tempo e tudo mais, pesem menos nos meus ombros. O blog e a Cássia me fizeram entender que eu danço para mim, que aquele momento é meu e merece ser vivido da melhor maneira possível. Assim, antes que a dança virasse mais uma preocupação na minha vida, eu percebi que o ballet e o jazz já haviam me aceitado e que a minha única preocupação era dançar o meu máximo, não para os outros, mas para mim mesma.

* * *

Camila Jasmim, 20 anos, leitora há mais ou menos dois anos e meio.

Meu primeiro contato com o ballet foi em 1998. Eu tinha 5 anos e fui levada à apresentação da minha irmã, um espetáculo baseado em O Quebra-Nozes. Não é preciso dizer que me apaixonei, é? Minha excitação foi tão grande que meu pai precisou levantar e assistir no corredor comigo no colo, para que eu pudesse ver o palco melhor e me aquietasse. Eu não me lembro de todos os detalhes sobre essa noite, mas lembro do meu deslumbramento quando a fada açucarada entrou no palco para dançar o pas de deux. Foi nesse momento que eu decidi ser uma bailarina. Um ano depois comecei a fazer aulas, e no outro tive que parar. Voltei na adolescência, dancei por quase cinco anos, tive professores bons, outros melhores ainda e infelizmente, professores ruins também. Por causa de um deles decidi que nunca mais colocaria sapatilhas nos pés novamente. Já estava sem dançar há dois anos quando conheci o “Dos passos da bailarina”. A vontade de voltar, que já existia, ficou maior. As histórias compartilhadas pela Cássia e por outras pessoas que comentavam os posts do blog me encorajaram.  Logo no início do ano seguinte me matriculei na dança contemporânea. E foi no contemporâneo que eu me encontrei. Mas o ballet nunca ficou − nem ficará − de lado na minha vida, logo logo pretendo quebrar aquela promessa de não calçar mais sapatilhas.

* * *

Cyndi Oliveira, 18 anos, leitora há mais de três anos.

Eu sempre fui do tipo nerdona que gostava de saber de tudo um pouco, até achar alguma coisa que realmente gostasse e focasse nela. Com o ballet não foi diferente, e foi pesquisando sobre meia-ponta, lembro bem, que eu achei o blog mais lindão do mundo!

Eu comecei aos 15 anos. A gente sabe, 15 anos para o ballet é velha. E mesmo sendo ainda adolescente, eu me identificava (me identifico, ainda!) muito com os textos daqui. A Cássia sabe expressar direitinho a alegria de fazer aulas, a frustração de não acertar, a decepção/raiva de o professor te tratar diferente porque você não será profissional, além de achar vídeos, fotos, histórias, que são absurdidades de lindeza. Ela, com certeza!, tem o que chamam de “dom da palavra”. Eu concordo! Ela também é uma amiga linda, gentil e especial. Ount!

Eu fiquei louca e li tudinho em alguns dias. Sério.

E, aqui, eu aprendi a questionar, a não aceitar meias explicações. Ora, gente, eu estou trabalhando o corpo e só tenho um, não posso ficar gastando-o à toa. Eu queria saber por que tal passo é feito assim, por que meu pé fazia assado, por que meus joelhos faziam frito, e se eu estava fazendo da maneira correta, de modo que não me prejudicasse.

Certeza de que eu aprendi aqui! Onde mais seria? No ballet te ensinam a aceitar, porque sempre foi assim. Aqui a gente vê que não.

* * *

Hanna Mendes, 21 anos, leitora há mais ou menos quatro anos.

Comecei a dançar porque não me encontrava em esporte algum e sempre me senti muito desengonçada, queria ser mais graciosa. Então veio a dança do ventre. Gostava de assistir a vídeos de apresentações e tinha minhas bailarinas preferidas. Todas elas com um ponto em comum: eram bailarinas clássicas formadas. A partir daí meu interesse pelo ballet só aumentou, somada a uma vontade que carrego desde criança, até que decidi me matricular. E nesse mesmo período, procurando por informações, que encontrei o “Dos passos da bailarina”. Sabe quando você encontra uma amiga e a convida para tomar uma xícara de café com bolo e conversar sobre a vida? Assim que me sinto lendo os posts do blog, desde sempre. Conversas. E acima de tudo, muito amor por essa dança. O blog e a bailarina que o escreve se tornaram muito queridos para mim. Agradeço imensamente o acolhimento, não só no blog, mas fora dele também. É maravilhoso poder contar com quem se dispõe a conhecer e a enxergar o ballet como uma dança possível. Acredito sinceramente que as pessoas veem o que está ao seu redor de maneira diferente depois de começar a dançar. Comigo foi assim. Aprendi a observar, a tomar consciência do próprio corpo, a entender que pausas se fazem necessárias às vezes, mesmo sem querer, mas que nem por isso nos distanciamos do ballet. Depois de uma pausa para tratar dos joelhos (um problema que descobri nas aulas), voltei a dançar. E que seja assim por muito tempo. Cássia, desejo que o blog tenha muitos anos de vida e continue com esse jeitinho que o torna tão único. Que este seja um ano de muito aprendizado, para nós e para todas as bailarinas que o acompanham. Beijo imenso.

* * *

Ilka Wirti, 40 anos, leitora há três anos.

Foi amor à primeira vista na infância. Entre paradas e recomeços, dancei balé e jazz até os 17 anos, quando parei de vez. Recomecei aos 35. Além das dificuldades do dia a dia (dois filhos, marido, trabalho) ainda tem mil e uma dúvidas sobre técnica, métodos etc. Às vezes, volto da aula com o corpo quebrado mas com o coração pleno de alegria; às vezes, meio chateada por não ter conseguido fazer algum passo. Mas dançar faz meus dias melhores, dia de aula, então, é dia de festa! Pesquisando sobre sapatilhas de ponta encontrei o blog. Me achei naqueles textos repletos de reflexões e informações! Moro no Japão e ler algo em português fazia falta. O tempo foi passando, muitas vezes eu o abria e estava escrito o que eu estava pensando, ou coincidia com o momento que eu estava passando. Faz três anos que acompanho o blog, e até hoje é assim, chega a ser místico. Se tornou uma das minhas referências, um meio de estudo. Parabéns ao blog e que tenha vida muito longa!

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10 comentários sobre “Cinco anos

  1. Bem,sou leitora nova (: estou amando o blog! (achei o seu blog pesquisando essas semanas sobre a questão do peso das bailarinas , estava focada demais em emagrecer e virando uma louquinha :p kkk , e ler a sua opnião sobre o assunto realmente me fez mudar de ponto de vista) e estou comentando esse post pra me apresentar como nova leitora haha , faço ballet a 10 anos (tenho 13) ,é realmente minha paixão !!! <3 eu gostaria de ter conhecido o blog a mais tempo ): agr que estou vendo que ele completou 5 anos, tipo…"POR QUE eu não achei ele antes" haha

    eu comento posts pra realmente me expressar, então me desculpe se acharem estranho o meu modo decontraído :p (x kkk

  2. Parabéns,Cássia!!! Quem achou seu blog foi meu namorado. Isso por que estava enjoado de me ver reclamar que era horrível no ballet. Amei os posts. Depois de alguns, não me sentia mais tão perdida. Redescobri aquela amor reprimido por professores ruins e pela falta de estudo meu. Obrigada por compartilhar seu conhecimento. Espero que ele ajude mais pessoas a despertar para esse mundo maravilhoso: A dança em geral….
    Beijos
    P.s.: Primeira vez que escrevo um comentário :$ Perdoem qualquer coisa.

  3. Parabéns pelo aniversário do blog Cássia <3 Com toda certeza é um cantinho muito especial. A forma que você escreve , não tem como explicar , parece que já nos conhecemos há anos , Que venham muitosss outros anos :))

  4. Parabéns Cássia! Conheci seu livro primeiro e através dele o blog. Nunca mais deixei de ler e tem sido muito útil para mim. Obrigada por dividir suas experiências conosco.

  5. Cássia, esse blog é realmente um cantinho especial. :)

    Parabéns por todo seu trabalho sério. E você escreve bem demais, menina. Seus posts não são apenas posts, eles têm qualidade jornalística e literária.

  6. Nossa,que maneira incrível de comemorar o aniversário do blog.. nada melhor que ouvir da boca das próprias leitoras a importância que esse espaço tem no nosso coração… Que venham mais histórias de superação de medos e sonhos realizados!

  7. Parabéns Cássia! Seu blog e livro são maravilhosos, muito inspiradores! Quando eu comecei no ballet ano passado uma amiga me apresentou seu blog e virei fã! Não imaginava que poderia ser bailarina aos 27 anos. Seu blog é uma das razões de seguir a diante com meu sonho. Obrigada por compartilhar com a gente seu estudo e seus escritos!!! Mais uma vez parabéns!

Os comentários refletem a opinião das leitoras e dos leitores e não correspondem, necessariamente, à opinião da editora do blog.

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