Os meus dois lados

Em 2014, o blog fará cinco anos. Não só, completarei sete anos de dedicação ao ballet clássico. Parece pouco, mas é tempo suficiente para descobrir qual dança nos move na vida. Não falo de modalidade, mas de outra coisa.

Desde o começo eu bato na mesma tecla, eu acredito em uma dança possível. Gosto de olhar para as bailarinas e me encontrar, me reconhecer, me descobrir. Quando assisto a um ballet e penso: “Eu também sou bailarina”, ou “Eu também danço”, sinto que estou no caminho certo.

O virtuosismo, a hiperextensão, o sobre-humano me jogam para longe dessa identificação. Sinceramente, cansei desse ballet clássico. Ele continuará existindo, ele continuará dominando a cena da dança. Mas, neste lugar, não precisa ser assim.

Vou compartilhar apenas o ballet clássico que eu acredito. Vídeos, informações, os meus estudos, falarei sobre esse ballet clássico tão difícil de encontrar. Preciso, limpo, técnica clássica como meio e não fim, 90 graus, três piruetas em vez de dez. Querem um exemplo? A “Variação da Fada Lilás”, de A Bela Adormecida, montagem da Ópera de Paris. Perfeito! Este é o ballet clássico que quero para mim.

“Variação da Fada Lilás”, A Bela Adormecida, Ópera de Paris, Eve Grinsztajn, 2013.

Além disso, publicarei obras de dança contemporânea pelas quais eu me apaixonei, e explicarei os meus motivos. Dança contemporânea não é “qualquer coisa” e mostrarei isso a vocês.

O blog sempre foi mais abrangente e, muitas vezes, isso demandava uma grande pesquisa da minha parte. Daqui em diante, falarei sobre a dança dos meus dias, aquela a qual eu me dedico. Depois de cinco anos, estava na hora de ser assim.

Bem-vindo, 2014. Que seja um ano de muita dança para nós.

Anúncios

8 comentários sobre “Os meus dois lados

  1. Oi Cássia! Que linda variação! Concordo com a sua visão e me sinto mais bailarina quando penso que é humanamente possível eu tentar uma variação dessas algum dia, sem precisar estagiar no Cirque du Soleil antes! rsrsrs.
    Para fins de aprendizado também acho esse tipo de apresentação muito mais interessante, pois consigo analisar melhor os movimentos de forma que eu consiga absorver algum ensinamento e tentar executar (não como uma profissional, claro, mas de forma aceitável e bonita).
    Também acho muito bacana você estabelecer rumos para o seu blog e seguir a linha de pensamento que você acredita. Isso evidencia sua preocupação com o conteúdo que você publica e o seu respeito por nós que acompanhamos o blog. Suas leitoras agradecem!!! ;)

  2. Oi Cássia! olha só eu aqui de novo…descobri que vc tinha razão, não devemos ser tão radical em nossas escolhas… Concordo em numero e grau com tudo o que vc escreveu sobre essa faceta do clássico nesses dias: padrões demais, a ponto de impedir a criatividade, a individualidade.. O que se recusa a renovar acaba envelhecendo né?.. Mas isso não se aplica a técnica pura o ao conceito original do ballet que não perde sua magia nem por conta desses erros todos e as bailarinas sempre podem esperar (ou trabalhar por ) um futuro melhor né?
    Feliz Ano Novo, estarei ansiosa pelos novos posts, adorei a premissa “mais abrangente” de 2014 ;)
    Boa Sorte e Paz

  3. Oi Cássia, feliz ano novo!

    Adorei essa variação, tão linda, tão bem dançada… é meu ballet preferido, sabia? Adorei você ter escolhido uma variação dele pra ilustrar como será a nova fase do blog – que, por sinal, eu fico feliz de ver! Como disse a Melissa ali em cima, também acho que, um dia, poderei dançar essa variação!

    Mil beijos e um 2014 lindamente dançante pra nós!

    P.S.: mal posso esperar por essa variação de Esmeralda com a Fracci! Estou muito curiosa! =)

    1. Marina, feliz ano novo para você também! Não sabia que “A Bela Adormecida” é o seu repertório preferido. É um repertório lindo demais. =) E se você não se aguentar de curiosidade, é facinho de encontrar no YouTube a Carla Fracci dançando Esmeralda. É bem diferente do que estamos acostumadas, a perna dela não sobe mais do que 90 graus e é linda mesmo assim.

      Grande beijo.

  4. Entendi perfeitamente o que você quis dizer. Uma variação linda, técnica, e factível por nós, que não somos profissionais. Continue nos estimulando positivamente desse jeito, Cássia. Apesar de ser um bebê de 5 meses no ballet, seu blog tem me inspirado a fazer cada vez mais e mais. Um ano de muitos pliés para todas nós!

    1. Não só as variações, Ana Carolina, mas falarei de um ballet realizado desde o começo dos tempos, com outra visão da arte e da técnica. E cinco meses parece pouco, mas você verá como logo logo serão cinco anos. =) Imenso beijo.

  5. Cássia, que variação mais linda! Eu fiquei muito emocionada e acho que foi porque vendo esse vídeo eu pensei: eu poderia dançar assim um dia. Não, não estou falando em ser profissional ou ter uma técnica tão limpa, mas estou falando que se eu continuar meus estudos de ballet, eu conseguiria dançar “A Variação da Fada Lilás” nesses moldes: sem pernas super altas, sem arabesques no coque. Eu poderia aprender essa variação e executá-la porque ela não seria automaticamente tirada de mim por causa do jeito que meu corpo é.

    Não sei se você entende o que estou falando… mas é porque tem algumas variações que temos na cabeça que nunca poderíamos dançar: por exemplo, no meu caso, Esmeralda. Eu não tenho perna alta, então na minha cabeça nunca poderia dançar Esmeralda. Não porque não conseguiria aprender a coreografia, mas porque não tenho perna alta, hiper extensão, nunca vou ter. Então essa seria uma variação impossível pra mim. Mas talvez não existam variações impossíveis. Talvez seja só uma questão de deixar pra lá o tal “sobre-humano” que você falou. Deixar as variações mais humanas, mais perto de nós.

    Okay, tem a questão do tempo de estudo e a aquisição de técnica. Obviamente eu .levaria mais uns aninhos aí pra ter a segurança necessária para dançar essa Fada Lilás nos moldes do vídeo, mas eu pelo menos saberia que é possível. Que não seria impedida pelo meu corpo.

    Nossa, isso realmente me impactou. Me fez sentir mais bailarina. :)

    1. Melissa, você acertou em cheio e entendeu exatamente o que quero passar. =) Na verdade, as variações de repertório são possíveis na maior parte das vezes, elas foram mudando ao longo do tempo. Ainda mostrarei Carla Fracci dançando “Esmeralda” com perna a 90 graus. É lindo e é possível. Quem sabe assim nos sentiremos muito mais bailarinas daqui em diante.

      Beijo imenso.

Os comentários refletem a opinião das leitoras e dos leitores e não correspondem, necessariamente, à opinião da editora do blog.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s