Aulas de companhias de dança

Uma aula de ballet clássico segue, basicamente, a mesma estrutura: barra, centro e diagonal. Além dos métodos, a diferença reside apenas na organização do conteúdo; os passos, sequências e combinações vão ficando mais difíceis na medida que o estudo avança.

No começo do blog, expliquei a diferença entre curso regular e curso livre. No primeiro caso, as aulas são estruturadas de maneira absolutamente didática e há um determinado número de passos a serem aprendidos. Não importa se você é excelente em saltos, não aprenderá um mais difícil até mudar de ano. No segundo, há uma mobilidade maior, os professores podem ir adiante se a turma corresponder devidamente.

Em ambos os casos, é possível chegar ao limite do aprendizado. E dali em diante, como funciona?

Todos sabemos que bailarinos profissionais fazem aulas de ballet clássico todo santo dia. Mas eles não têm mais nada para aprender, certo? Eles mantêm e aperfeiçoam o que aprenderam. Ballet é rotina, e para o resto da vida.

Por isso, uma aula para bailarinos profissionais é um pouco diferente. Como não há as limitações de aprendizado (anos ou níveis) é possível fazer quaisquer combinações. Não por acaso, essas aulas se assemelham a muitas coreografias que conhecemos. Parece que, enfim, o estudo é voltado não para a execução dos passos, mas para o dançar.

Eu fiz aulas tanto no curso regular quanto no livre; tive três professoras e um professor. Gostei das aulas de todos, mas gostava especialmente das aulas do professor. Não entendia por que a aula dele era diferente, até o momento em que assisti a uma aula de uma companhia de dança. Estava explicado: ele é bailarino profissional e trazia para as aulas a sua própria experiência.

Na época, eu estava no nível intermediário. O professor mantinha os passos e sequências próprias para esse nível, mas as combinações eram diferentes. Eu sentia que realmente estava dançando. Só sinto por não ter acompanhado as aulas como deveria; saía muito cedo de casa, atravessava a cidade para chegar ao estúdio, morria de sono na aula porque virava a noite trabalhando, mas tudo bem. Aprendi muito e sou grata por isso. Desde então, o meu amor pelas aulas das companhias de dança só cresceu.

Escrevi o texto para publicar esta aula do Bolshoi Ballet realizada em uma das salas do Royal Opera House, em agosto de 2013. Que delícia de aula! Quisera eu estar lá.

P.S. Não sou professora de ballet, tampouco bailarina profissional. Se houver qualquer bobagem ou incongruência no texto, por favor, não hesitem em me corrigir.

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5 comentários sobre “Aulas de companhias de dança

  1. Eu adoro assistir aulas de companhias, e gosto de aulas em que possa efetivamente dançar, mas é pouco comum onde estudo. Minha professora até recomenda que dancemos independente da quantidade de passos combinados, mas me sinto mais dentro de uma coreografia quando a sequência não é só aquela repetitiva de três passos…

    Excelente texto, Cássia! Beijos! =)

  2. Eu também adoro aulas em que a gente pode realmente dançar. Até hoje só tive uma professora, então não posso comparar estilos, mas gosto bastante quando ela passa uma sequência no centro em que a gente combina passos bem diferentes (giros, saltos, valsas…) e tem a sensação de estar mesmo dançando.

    Também adoro assistir vídeos de aulas em companhias. Gosto de como eles ficam elegantes mesmo com aquelas roupas horríveis. rs

  3. Olá, eu sou professora de ballet, dou aula em um bairro pobre da minha cidade, cobro pouco porque sei q muitas não conseguem pagar, e se não fosse eu jamais teriam acesso ao ballet, mas não me sinto profissional, eu precisava fazer mais cursos, eu amo dançar, e vou fazer isso até morrer, mas com o pouco q ganho não consigo fazer nenhum curso, já q cursos são caros, me esforço ao máximo, pego todas as dicas e sigo tudo que vc coloca aqui no blog, e assim vou seguindo.

    O que eu não suporto é q mesmo com todo o meu esforço, ainda tem gente que fala mal, me critica e me condena.
    Não queria q fosse assim, mas fazer o quê, mas não vou desistir jamais.

    1. Não se importe com isso, Vivi. tenha apenas consciência de o que vc faz é muito importante para as crianças do seu bairro. vc será para elas um grande exemplo, e estará em seus corações!!

      Leila

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