Um vídeo antes de dois textos

Há dias estou matutando dois textos para escrever. Enquanto pensava na estrutura de ambos, esbarrei com um vídeo da Maria Alexandrova. Seria apenas um detalhe se não fosse pelo seguinte: ele agrega exemplos dos dois assuntos que quero tratar.

Sendo assim, achei melhor primeiro mostrá-lo, apontar algumas características para vocês prestarem atenção e, depois, publicar os textos. Quem quiser entrar na brincadeira, será uma maneira de estudarmos juntas.

O vídeo é o grand pas de deux do cisne negro, de O lago dos cisnes, em uma montagem do Bolshoi Ballet em 2011. Ele é quase igual à versão mais conhecida, salvo pela variação feminina, com música utilizada na coreografia de Vladimir Bourmeister. Quem quiser entender melhor essa história, falei sobre isso um em post antigo do blog, aqui.

Eu não contarei agora sobre quais assuntos falarei nos textos, para não induzir qualquer conclusão. Só pedirei para vocês prestarem atenção em dois pontos:

1. Nos seguintes passos: arabesque, attitude derrière e developpé à la seconde presentes na coreografia. Quem não os conhece, clique em cada nome que abrirá uma foto ou um vídeo como demonstração.

2. No corpo da Maria Alexandrova: o tronco mais largo, as pernas mais grossas e a sua altura.

Divirtam-se!

“Grand pas de deux do cisne negro”, O lago dos cisnes, Bolshoi Ballet, 2011.

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13 comentários sobre “Um vídeo antes de dois textos

  1. Cássia, além da Evgenia e da Maria que fogem do ” padrão Bolshoi “, há também a Nina Kaptsova. Procure alguns vídeos dela, eu a acho simplesmente fantástica e não usa as pernas altas só por uma boa aparência :D

    1. Maria, eu não conhecia a Nina Kaptsova e fui atrás de vídeos depois do seu comentário, e eu a adorei! Tão precisa, sem exageros, um encanto no palco. Muito obrigada pela indicação! Imenso beijo.

  2. Cássia, espero que isso algum dia venha a mudar, mas eu não sou muito fã do Bolshoi. Parece que me falta algo. Sabe, eu vejo as bailarinas fazendo 50 pirouettes e terminando na quinta posição cravadinha, vejo todo mundo com a perna no nariz, na orelha, no coque… E a emoção, cadê? Não sei. Me parece mais ginástica e competição pro Guinness Book do que arte.
    Me surpreendeu a Maria Alexandrova. Estrutura corporal grande, de um modo geral (não disse nada sobre peso e quem achar que ela está gorda precisa de óculos!), arabesques e attitudes perfeitos a 90 graus e a expressão dela ao mesmo tempo tem a inocência da Odette com quem o Sigfried acha que está dançando e a ousadia e a sedução da Odile. Bravo!
    (A título de curiosidade, minha versão preferida do Cisne Negro é a do Royal Ballet, com a Marianela Nuñez e o Thiago Soares.)

    1. Sarah, eu também tive essa visão do Bolshoi durante bastante tempo, mas depois que a Evgenia Obraztsova foi contratada como primeira-bailarina, passei a olhar a companhia de outra maneira. Depois, passei a notar a Maria Alexandrova e então mudei minha visão completamente. O meu amor é da Ópera de Paris, mas o Bolshoi tem conquistado o meu coração. Sobre a sua versão preferida, acredita que nunca assisti a essa montagem do Royal? Só vi trechos, mas gosto demais da Marianela Nuñez como Odile. Aliás, ainda não descobri um papel que ela não tenha feito superbem! Imenso beijo.

  3. Melissa e Marina, continuem trocando impressões sobre a Odile o quanto quiserem, mas só para deixar claro para quem aparecer depois: eu não discutirei a Odile da Maria Alexandrova. A questão não é a personagem, tampouco a interpretação da bailarina. Eu poderia ter colocado outros vídeos da Alexandrova, mas a coreografia cabe no primeiro assunto que abordarei (e alguém já matou a charada por aqui!). Particularmente, eu tenho outra visão sobre a Odile, mas como eu percebi que esse assunto dá pano para manga, farei um post semelhante ao que fiz sobre a Odette, quando perguntei sobre as duas possibilidades da personagem. Depois de publicar os textos que prometi, falarei sobre o cisne negro (que nem era um cisne quando o repertório foi criado, era uma feiticeira).

    Imenso beijo.

  4. Para mim, a Alexandrova é um avanço em termos russos. Passa longe de ter o corpo esguio e delicado das estrelas de Bolshoi. E isso, em se tratando de uma escola que escolhe suas alunas pelo biotipo (vide documentário Baillerina), é uma mudança e tanto. E ainda assim, com toda essa altura e todos esses músculos, ela consegue passar leveza.

    Outra observação é a oposição que ela faz à “moda” da bailarina contorcionista (Zakhanovas da vida). Ela não sai levantando a pena até o coque só porque pode. Ela mantém os membros das alturas da dança clássica, mantendo a beleza do movimentos e o enfoque na interpretação (embora eu reconheça que ela está longe de ser uma bailarina das mais expressivas).

    1. Mônica, perfeito o seu comentário! Aliás, o Bolshoi está indo na contramão do mundo: a Maria Alexandrova e a Evgenia Obraztsova são bem diferentes do “padrão da bailarina” e são artistas incríveis. E pelo pouco que percebo nos vídeos, elas são adoradas pela plateia russa. Eu jamais imaginaria que seria lá que as coisas começariam a mudar. Beijo imenso.

  5. oi cássia, tanto tempo que não comento aqui,mas sempre passo pra visitar, bom sobre o vídeo, eu assisti tudo e prestei sim atenção em tudo que vc pediu, e estou super curiosa pelos textos, não sei se é exatamente sobre o que essas meninas disseram aí em baixo, se é mesmo o peso de Alexandrova, acho que não porque pelo pouco tempo que conheço esse lugar aqui, sei q vc e a maioria das bailarinas não ligam muito se está acima ou abaixo de peso, e eu sei q o peso nem é tão importante pra fazer passos com perfeição e delicadeza e sim a doçura e a graça de quem os executa.

    1. Vivi, você conhece mesmo o blog, hein?! Eu jamais diria que a Alexandrova está acima do peso ou criticaria algo do gênero. Falarei sobre o corpo, mas sob outro ponto de vista. De certa forma, você entendeu (e não direi mais para não entregar o assunto!). Imenso beijo.

  6. Oi Cássia! Não vou comentar sobre o que você nos pediu para observar porque quero esperar os seus textos, mas pensei já em algumas coisas a respeito.

    Sobre o vídeo em si, infelizmente, fiquei decepcionada! Já tinha visto essa bailarina dançar Gamzati e tinha adorado, mas, pra mim, ela estragou Odille, minha personagem preferida! Não gostei da coreografia no geral, também. Acho que combinando esses dois fatores, Odille ficou meio seca, sem a sensualidade que a personagem requer. Pena, pois deve ser um ponto marcante para uma bailarina profissional poder dançar “O Lago dos Cisnes”…

    Um beijo! =)

    1. Não achei que a Odille ficou seca, só achei que a coreografia não ficou muito legal. Particularmente não gosto quando a música acaba nos 32 fuettés. Gosto mais quando tudo é emendado e o príncipe a pede em casamento logo depois. Achei que algumas mudanças criaram combinações infelizes, mas gostei da expressão da bailarina. Acho que ela conseguiu fazer o possível em meio a algumas combinações estranhas.

  7. Quando comecei o vídeo a primeira coisa que pensei foi: “como ela é grande!”. Depois vi que ela não era grande, mas sim que eu estava acostumada a ver vídeos com bailarinas incrivelmente magras. Aos poucos meus olhos foram se “acostumando” (olha só o que o “padrão” não faz com a gente) e posso dizer que gostei bastante. Notei que todos os movimentos são feitos a 90 graus (se não menos), mas não achei que isso foi falta de virtuosismo nem nada. Na verdade, gostei bastante da Alexandrova.

    Prova de que pra ficar bonito não é necessário pesar menos que 45kg.

    1. Ainda acho que ela ficou muito seca, não tem a sensualidade necessária para o papel. Nem pensei no peso dela, achei, inclusive, muito normal. Acho que os padrões não estão marcados comigo, pq a única coisa que notei foi que não gostei do pas de deux, mas a bailarina é excelente.

      Não acho que os 32 fuettés sejam a prova máxima do virtuosismo de uma bailarina, mas nessa coreografia não só acho que eles se encaixam perfeitamente como são essenciais, e os achei esquisitíssimos…

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