O estereótipo

Vocês já pensaram sobre esse assunto, o estereótipo da bailarina? Eu poderia atribui-lo à linda música de Chico Buarque e Edu Lobo, “Ciranda da bailarina”, a colocando como um ser perfeito, mas eles só reproduziram uma ideia preexistente. Essa história de bailarina ser doce e impecável e o ballet ser delicado e intocável vem de muito tempo. As obras de Degas não me deixam mentir.

A delicadeza existe nas fadas de A Bela Adormecida, na própria Aurora e em Cinderella; a doçura reside em Swanilda, Lise e Giselle, mas o ballet clássico não se resume a elas. Temos Odile, Gamzatti, Myrtha, Kitri, Esmeralda, Carmen, Nikyia, Manon e tantas outras que são bem diferentes.

Para além das personagens, falemos das pessoas. Só quem nunca viu uma aula ou ensaio de uma companhia pensa que as bailarinas são fofetes. Mas nem eu, quando estou largada em casa, me visto daquela maneira. Nos estúdios de dança, talvez acontecesse a mesma coisa se muitos não exigissem o uso do uniforme.

Basta pensar também nas personalidades das bailarinas. Marianela Nuñez, Alina Cojocaru e Evgenia Obraztsova são delicadas, mas assim seriam mesmo que fossem engenheiras, professoras ou fotógrafas. Algumas demonstram ser mais altivas, como Tamara Rojo, Natalia Osipova e Paloma Herrera. E a Sylvie Guillem?

O rosa, a cor fofa por excelência, impera? Eu achava isso, mas me enganei totalmente. Ele aparece nas meias-calças e nas sapatilhas, em uma ou outra bolsa, em algumas blusas e só. À medida que as bailarinas vão ficando mais velhas, o preto impera e as outras cores caminham lado a lado com o rosa. Aliás, há bailarinas que não o suportam.

No fim das contas, a bailarina de porcelana só existe no imaginário de quem não é bailarina. Nós sabemos como a realidade é outra coisa. E, embora tenha fama de segregador, ainda bem que o ballet clássico acolhe pessoas e personagens tão diferentes entre si.

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16 comentários sobre “O estereótipo

  1. Adorei o post, Cassinha!!! Eu sempre passo por delicada e meiga, mas quem me conhece sabe que sou mais trapalhona e bem ogrinha… O engraçado é que, mesmo não sendo delicada, acabo sempre me expressando dessa forma quando danço e até mesmo no circo. Incorporei o estereótipo… o desafio agora é desconstruir! =o)

    Bjs.

    Rachel.

  2. CHICO BUARQUE QUIS DIZER NA MÚSICA QUE TODOS TEM PROBLEMAS INCLUINDO A BAILARINA, ASSIM COMO VOCÊ ELE RETRATOU DE MANEIRA UM POUCO IMPLICITA TALVEZ UMA BAILARINA DIFERENTE DA DO PALCO…NÃO O ESTERIÓTIPO!!!MAS CONCORDO COM O ROSA…

  3. concordo,eu por exemplo,não suporto rosa,sou delicada,me identifico com giselle,swanilda….mas tbm me identifico com odile e kitri,as pessoas que conheço,principalmente amigos,acham que o ballet é facil,um dia desses meu amigo disse que ballet é facil e que outras danças exigem mais do que o ballet,o que as pessoas não sabem é que nosso treino chega a ser mais duro do que jogadores de futebol,atletas…ja li que foi comprovado que nosso treino e esforço fisico são ainda mais pesados do que lutadores….espero que um dia as pessoas que acham que sabem como é o ballet,caiam na real e vejam o quanto nos esforçamos…bjs.

  4. Oi, Cássia! Não sei se você vai se lembrar de mim, pois eu dei uma sumida do blog por um tempo :( Mas foi um momento de um pouco de tristeza com a dança, vamos deixar para lá, rs. A gente chegou a trocar alguns e-mails há um tempo.
    Achei interessante esse post sobre os estereótipos. Eu já ouvi muita gente dizendo: “ah, aula de balé deve ser relaxante, toda delicada”, “se não estiver bem para dançar algo pesado, faz balé clássico, que é suave”… Quer dizer, nem o esforço físico é reconhecido como algo forte, trabalhoso. Não, a bailarina é sempre aquele ser etéreo que vive flutuando no ar.
    Olha, conheço várias bailarinas e vou dizer que uma das poucas que se encaixa nesse estereótipo… sou eu, hahahaha. Eu sou meio assim mesmo, mas conheço muitas (a maioria) que as pessoas de fora nunca diriam que fazem balé, se balé é ser cor de rosa e delicada.
    É mesmo a visão de quem não conhece. E, infelizmente, muitas pessoas acabam nem chegando perto do balé por achar que vai ser algo frufru e enjoadinho. E perdem uma grande oportunidade…

    Bjos!!!

  5. Quando falo pra alguns amigos que faço ballet o que vem na mente deles é aquelas garotinhas vestidas com tutu rosa fazendo um plié desajeitado e girando em quinta. Isso porque poucos deles tiveram oportunidade ou interesse de assistir uma apresentação profissional e ver o quão difícil é dançar ballet e o quanta força, habilidade, precisão deve ter um bailarino.
    Adoro seu blog!

  6. Cássia, acho que a delicadeza exigida nos palcos é que acaba dando às pessoas essa impressão de “fofura”. E eu não sei se todo mundo é assim, mas eu acabo transportando, mesmo sem intenção, um pouco dessa delicadeza pra minha vida ‘normal’. Como alguém aí em cima disse, eu gosto do uniforme todo combinando, e não sou nenhuma fã de meia-calça rasgada, mas não é a impossibilidade de estar sempre bonitinha e arrumada que vai me impedir de dançar. Minha única exigência 100% é um coque bem feito. Não uso gel nem spray pra coque de aula, mas se não estiver bem preso eu desfaço quantas vezes for necessário! Gosto de estar à vontade pra dançar, e aquele coque despencando me proporciona exatamente o contrário.
    Você falou sobre o rosa, e veja só que coisa: lá na academia onde eu faço ballet, muitas crianças (não digo nível baby class, mas não são muito maiores que elas não) já preferem collant e sala pretos! Não é engraçado?
    PS: A título de curiosidade, além do preto eu também uso vermelho :3

  7. “Como vc é delicada” cresci ouvindo isso, e ainda hj eu escuto essa frase, mas na hora que coloco as minhas pontas e dou as piruetas, as pessoas ficam de boca aberta perguntando:como ela consegue fazer isso?
    Eu não me importo com q as pessoas falam ou pensam, muitas vezes me veem como a boneca de porcelana q com um tombo pode se quebrar. Nunca me preocupei com isso, porque quanto mais eu danço,mais eu quero dançar, e nunca ninguém me perguntou de qual esforço eu preciso fazer pra conseguir isso ou aquilo, parece mesmo que as pessoas querem ver aquelas bailarinas delicadas no palco fazendo muitas vezes o impossível.Acho q a cor mesmo em si não tem nada a ver, vc pode estar de rosa, branco, preto e roxo q a beleza do ballet ainda será a delicadeza.

  8. Minha primeira roupa de ballet foi toda preta. TO-DA! A moça da loja que me vendeu ficou chocada!

    Quando ganhamos fotos profissionais, escolhi vestir preto. O resultado? https://fbcdn-sphotos-g-a.akamaihd.net/hphotos-ak-frc1/1000941_537493759649006_1177879755_n.jpg

    Essa sou eu Cássia, na foto que meus amigos – e eu – apelidamos de Cisne Negro. Sou mesmo meio Odille, quando se trata de roupas, e não tenho personalidade de Odette, definitivamente… preciso de um cisne cinza pra ser minha representação exata, afinal, sou assim, como qualquer mulher e ser humano: sei ser doce, se quero, se é o caso. Mas a verdade é que também sou temperamental, explosiva, pavio curto. Passo longe do esteriótipo de bailarina, mas gosto da bailarina que há em mim!

    Beijos!

    1. Marina,

      De fato, ao ver sua foto eu tive a impressão de ver Odile, do filme Cisne Negro. Sua descrição de si porém demonstrou uma linda artista por trás da bela jovem que dança! A arte edifica estereótipos no corpo e na imagem que a executa. Somos cada vez mais, indiscutivelmente, “homo aestheticus”.

      Alexandre.

    2. Que foto linda Marina!!!!! Lembra a Odile mesmo, mas qual é o problema nisso? Se a gente for parar pra pensar, se não fosse por ela (e Von Rothbart) O Lago dos Cisnes não existiria! :)

    3. Puxa gente, obrigada! Não imaginei que vocês fossem ver, achei que só a Cássia (e eu) líamos os comentários! Obrigada pela gentileza, e, afinal, despertemos a Odille em nós! =)

    4. Marina, deixei para responder com calma, você voltou e parece que não dei atenção. Desculpa! Quando abri o link da sua foto, eu soltei um: “Nossa, que lindaaaaaaa!”. Amei a foto, você está mesmo uma perfeita Odile! Já dançou a Variação de Odile? Queremos te ver. =] Aliás, você me deu uma ideia: qualquer dia organizarei um painel no blog com fotos das leitoras. Já guardei a sua por aqui e, se você deixar, publicarei. E achei lindo você dizer: “Passo longe do esteriótipo de bailarina, mas gosto da bailarina que há em mim!”. Imenso beijo e muito obrigada por compartilhar a foto com a gente.

    5. Nossa Cássia, fiquei emocionada! Pode publicar sim, claro!

      Nunca dancei a variação de Odile, quem me dera! Quem sabe quando for mais avançada? Se bem que no estúdio em que faço aulas, a chance de isso acontecer são nulas mesmo quando eu chegar ao nível em que dê conta, infelizmente!

      E o que eu disse é verdade, eu realmente não pareço bailarina pelo que as pessoas imaginam que uma bailarina deve ser: sou barulhenta, espalhafatosa e desastrada, mas a barra é minha casa!

      Não sou de fazer isso, acho feio, mas queria te convidar pra conhecer a página do meu blog no facebook! O motivo é simples: publiquei um poeminha que escrevi hoje, em homenagem ao dia da bailarina. É bobo, nem é bom, mas é de coração, e eu queria que você visse! Está aqui, ó: https://www.facebook.com/OMundoDaMarina

      Um beijo enorme! =)

  9. No início, eu fiquei é feliz por ver que o rosa não domina no ballet. Nunca curti muito, mas desde que comecei a fazer aulas e a conhecer mais sobre, passei a ver essa cor de uma forma diferente. Assim como o estereótipo do ballet é errôneo, há uma certa generalização sobre o rosa também – cor delicada, de menina, frufru, mimimi (hahahahah). Mas quando a gente vê que o ballet não é nada disso, bem pelo contrário (ô coisa difícil e dolorida!), passamos a ver tudo sobre outra ótica. Pelo menos foi o que aconteceu comigo. Agora aceito o rosa sem tanto preconceito :)

  10. Amo a delicadeza do ballet e assim que comecei as aulas fiquei um tanto chocada com o “desleixo” de algumas… Meia rasgada? Para mim isso era um horror, já que comprei três cores de meia-ponta diferentes, para combinarem direitinho com as meias e colants que comprei para as aulas.
    No fim das contas, ví que a única alienígena alí era EU e o quanto se tornou cansativo tentar estar sempre perfeita.
    Nunca vou deixar de ser organizada e de achar lindo o uniforme combinandinho e tentar colocar isso em prática todos os dias, faz parte de mim.
    Mas nunca vou deixar de ir para aula se descobrir que não tenho meias limpas, vou lembrar com alegria da rasgada lá no fundo da gaveta. :)

  11. Realmente, esse esteriótipo é super toscão. Eu mesma não curto rosa. Prefiro sapatilha salmão e se puder, uso meia calça preta com collant preto. hahahaha E eu sou largadona também: uso meia rasgada, minha sapatilha meia ponta é toda surradinha, coitada, e não fico perdendo muito tempo pra fazer coque não, viu. Do jeito que saiu, tá bom. Pra mim o importante é mesmo a aula e prefiro me sentir confortável do que ficar toda bonitinha com alguma coisa me incomodando. Além disso tem o fator grana, né? Quem é que tem bolso pra comprar meia nova toda vez que uma rasga?

    Conheço bailarinas que fazem artes marciais e escalada, outras que gastam horas em frente ao computador porque são super nerds. Sei lá. Tem gente de todo tipo no ballet. E isso é bom.

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