Como escolher um estúdio de dança (1)

Quando decidimos dançar, talvez o passo mais complicado seja escolher onde fazer aulas. Parece simples, mas muitas vezes encontrar esse lugar é bem demorado. Neste primeiro post, falarei para quem é adolescente ou adulta e deseja fazer aulas livres de ballet clássico. Em outro texto, prometo falar para quem quer ser profissional.

1) Pesquisar escolas de dança
Sites de busca, indicação de amigas e outras pessoas, enfim, pesquise o quanto puder. Em posse disso, visite o site da escola, a página no Facebook, veja fotos e assista aos vídeos dos espetáculos. Todas essas informações dão claros indícios de como a escola funciona. Depois de criar uma lista, vem o próximo passo.

2) Triagem
O estúdio possui em sua grade aulas de ballet para adultos? Ele menciona essa possibilidade, de dançar mais velha? Se em momento algum o estúdio fala sobre o assunto, repense. Sabe por quê? Podem até aceitar você como aluna, mas veem o ballet para adultos como atividade de velhas frustradas que querem resgatar o sonho de infância. Não perca o seu tempo com lugares assim.

Depois de separar apenas estúdios que ministram aulas para adultos, agora vem a segunda parte. Como o assunto é tratado: atividade física, lazer ou dança para valer? Você não é mais uma criança, não tem perspectivas profissionais, mas nem por isso precisa ter aulas de qualquer maneira. A base das aulas de ballet clássico é técnica clássica, isso é indiscutível. Se começarem a misturar yoga, pilates ou outras coisas, e não deixarem isso claro para você, FUJA!

3) Contato
Tanto faz pedir informações por e-mail ou por telefone, mas uma coisa é importante: sempre diga a sua idade. Parece bobagem, mas nessa hora você saberá se esse papo “ballet para adultos” realmente é importante para a escola ou chamariz para novos alunos. Eu já entrei em contato com lugares que me mandaram informações sobre “turmas de crianças”, como se fosse para a filha que ainda não tive. É sério!

Grade horária, duração das aulas, valor da mensalidade, tudo isso é importante. Além disso, há férias em julho? Se houver, isso é um ponto negativo para quem não é mais uma estudante.

4) Mensalidade x Qualidade
Valores da mensalidade é algo bem relativo, porque eles podem variar de acordo com o nome da escola, o renome das professoras, o número de aulas por semana e a localização. Nem sempre a mais cara é a melhor, nem sempre a professora mais renomada será a adequada para você. Também há ótimas professoras desconhecidas e excelentes estúdios de bairro. A melhor maneira de descobrir é fazendo uma aula experimental.

5) A aula experimental
Aprendi com as queridas leitoras que não é necessário saber ballet para reconhecer uma boa aula. Já recebi longas descrições de pessoas que nunca haviam colocado uma sapatilha na vida, fizeram uma aula experimental e souberam avaliar a sua qualidade. Por isso, confiem na avaliação de vocês.

Além disso, prestem atenção nas instalações: a sala de aula é grande o suficiente para saltos na diagonal? O piso é linóleo ou madeira? O espelho cobre praticamente toda a parede? A barra fixa tem mais de uma altura, para você apoiar as mãos de acordo com a sua estatura? Nos vestiários, há bancos, armários e ganchos para pendurar suas coisas? E a higiene dos banheiros?

6) A escolha
Você pesquisou, entrou em contato, selecionou as mais adequadas para você, fez aula experimental e ainda está em dúvida? Confie na sua intuição. Você se sentiu bem naquele lugar? Eu acho isso imprescindível, porque mesmo que façamos apenas duas aulas na semana, o estúdio de dança acaba se transformando em uma extensão da nossa casa. E é assim que tem de ser.

Outros dois pontos muito importantes:

• Prestação de serviços
Escola de dança não é instituição de caridade, é uma prestadora de serviços. Ninguém ali está lhe fazendo um favor, mas muitas escolas tratam as alunas como se elas tivessem de agradecer por tamanha dádiva em estudarem ali. Sinto muito, mas não é assim que funciona.

Você pagará por um serviço e deverá ter o retorno disso, caso contrário, é direito seu questionar. Atrasos para o início da aula, instalações precárias, aumento abusivo da mensalidade, professoras sem formação ou capacitação, tudo isso entra na conta. Conversou e não adiantou? Não quer conversar e está cansada disso tudo? Mude de escola.

• Os espetáculos anuais
Nem todo mundo que faz aulas de dança deseja participar das apresentações, mas e quando quer? Parece uma bobagem, mas o descontentamento com o espetáculo anual é um dos grandes motivos de evasão dos estúdios de dança.

Você paga sua mensalidade, não falta às aulas, aguenta uma série de coisas e sonha em se apresentar. Daí a professora planeja o espetáculo, dá um grand pas de deux para cada uma das bailarinas do oitavo ano e junta todas as adultas em um corpo de baile com 45 cisnes. Porque, afinal, os estúdios acham que são companhias de dança e aplicam a hierarquia de bailarinos.

Qual é o objetivo da apresentação? Coroar um processo de trabalho. Sendo assim, é direito de todos os alunos participar adequadamente do espetáculo. De preferência, sem que haja estrelas ou destaques. Não falo em cada aluna ter sua variação, mas de coreografias em que todos realmente dancem. Quem discorda, monte sua própria companhia, mas não faça espetáculo com dinheiro dos alunos.

Por isso, preste atenção. Você viu as fotos e os vídeos dos espetáculos do estúdio e um mesmo grupinho tomou conta das coreografias? Fique esperta, você gastará um alto valor com figurino e teatro, será uma fada entre 30 e dançará dois minutos. Eu não acho que valha a pena.

O texto ficou imenso, mas o assunto não esgotou. Quem quiser, compartilhe nos comentários quais critérios vocês utilizam para escolher onde estudar.

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19 comentários sobre “Como escolher um estúdio de dança (1)

  1. Olá,

    Há algum lugar onde podemos denunciar infraestrutura precária e outros abusos? Espaço pequeno (as alunas precisam competir para se esticar), espelho quebrado, falta de linóleo ou linóleo furado/remendado, barra caindo da parede, banheiro minúsculo e SUJO, aparelho de som piada etc…? Inclusive fica em um salão (laje) construído em cima de uma residência normal. Dá até pra sentir o cheiro do bife sendo frito na casa pelo estúdio…
    A mensalidade é cobrada mas não vejo nenhum investimento no lugar.

    Obrigada.

  2. Olá Cássia! Que escrita rápida e furiosa!!

    Vamos lá: Tudo o que eu escrevi é o que acredito que deve pautar a direção de um espetáculo de fim de ano. E acredito que pode sim ser visto na prática. Eu mesmo vejo isso funcionando há 6 anos. Há mais de 6 anos, na verdade. E tenho muitas testemunhas, Cássia!! Posso até apresentá-las à você!

    Não concordo quando você diz que “cada aluno e cada aluna precisa sim ter o seu momento, porque ele estuda para isso e paga por isso!”. Na minha opinião, o “paga por isso” é a pior justificativa para exigir o “seu momento”. A questão não é o quanto pagou e sim o quanto se esforçou para ter “o seu momento”. Eu modificaria a sua sentença para “cada aluno e cada aluna precisa sim ter o seu momento, quando estuda e se esforça para isso, pagando ou não”. Muitos alunos “pagam por isso” e acham que somente isso é suficiente para exigir o “seu momento” ou o que considera um bom tempo de palco.

    A charada está em identificar o mérito, em quantificar o esforço. Não é fácil. Avaliar não é fácil. Identificar o esforço, o bom aluno, e reforçar esse bom comportamento/trabalho/esforço recompensando-o com um justo tempo de palco não é nada fácil.

    Confesso que não me lembro de ter presenciado o que você relatou, “cansei de ver bailarinas absolutamente dedicadas que tiveram pouco tempo de palco e queridas da professora ganharem uma bela variação”. Mas se você está dizendo, é porque deve existir.

    Não acredito que tudo funcione mal, ou que todas as escolas trabalhem mal. Acho bastante importante entender os dois lados: o da aluna e o da escola. O que pauta as decisões da escola, da direção do espetáculo?
    As injustiças devem ser condenadas. Como? A aluna deve reclamar, entender o porque do ocorrido, ouvir a escola e, não concordando, trocar de escola. É a melhor forma de se posicionar e de não reforçar o mal trabalho.

    Eu já vi muitas alunas acharem que são “absolutamente dedicadas” e, efetivamente, não serem. Esse julgamento é muito delicado. Volto à questão de identificar o mérito. Quem deve julgar o mérito? As alunas ou a professora/diretora? Eu acho que deve ser a professora/diretora. Acho que é a pessoa mais estudada, preparada e capacitada para avaliar o desenvolvimento das alunas. É claro que a professora também erra e é por isso que cabe às alunas questionar educadamente o que guiou a professora na determinação dos papéis e do tempo de palco de cada aluna.

    Os argumentos acima resumem a minha opinião sobre o que deve pautar o espetáculo de fim de ano.

    Abaixo, um outro assunto que abordei no meu primeiro texto:
    Respeitando as premissas básicas como respeito e honestidade, sigo forte na minha opinião de que os donos da escola, assim como os donos dos blogs, devem fazer o que entendem com as suas escolas e blogs.

    A escola é uma instituição privada e tem um proprietário que responde por seus atos. E é esse proprietário que decide o que fazer com a sua escola, mesmo que as suas decisões o levem à falência.

    Tem escola que utiliza a estrutura de uma companhia e está há muitos anos no mercado. Se isso acontece é porque tem aluna que gosta dessa proposta.

    E tem escolas que existem há décadas, sob a mesma direção, com as contas capengando, mudando de endereço, só porque não querem trocar de proposta. Seguem com professores que gritam e humilham suas alunas e quer saber o que acontece? A escola permanece. Permanece e ainda ganha prêmios, anualmente, nos melhores festivais do país!

    Aliás, antes que eu me expresse mal, quero deixar claro que não concordo com agressão e humilhação, vejo isso acontecendo há décadas e não entendo como existem alunas que aceitam isso.

    Cássia. Tem escola que, durante todo o segundo semestre, aplica, aquecimento e ensaio, não mais ministrando o programa, o método. E tem escola que ensaia fora do horário de aula, aumentando seus custos com ensaiadora, sala, energia elétrica e etc. Você TALVEZ diga que a segunda forma de trabalhar seja a forma correta. Eu digo que eu OPTO pela segunda forma de trabalhar mas considero que as duas formas estão corretas. Têm aluna para as duas formas de trabalho. Compreende?

    Continuo argumentando que as alunas devem buscar entender a proposta de cada escola e escolher a proposta com a qual mais se identifica.

    Termino concordando com você quando você diz que os alunos devem pesquisar muito ao escolher uma escola de ballet porque vão encontrar, no mercado, todas as opções possíveis.

    Eu me sinto bastante à vontade para discutir esses assuntos porque já estive dos dois lados da moeda. Ainda estou! E discuto com você e sempre que posso porque estou aberto à possibilidade de estar errado, à oportunidade de mudar de opinião.

    Novamente, obrigado pelo espaço. Até breve!

    1. Rodrigo, eu danço há seis anos e mantenho o blog há quatro anos e meio. Aprendi muito mais durante esse tempo de escrita, recebendo e-mails de alunas e alunos do Brasil inteiro, do que na minha experiência na dança. Porque o mundo não se reduz ao que nos acontece, ele é muito maior do que nós. Além disso, eu não disse que isso acontece em todas as escolas. Claro que há exceções, eu mesma participei de um espetáculo em que a dona da escola agiu exatamente da maneira que defendi: todos tiveram o seu momento, desde as iniciantes até as avançadas. Teve corpo de baile, pas de trois, pas de quatre, variação e todo mundo saiu feliz e satisfeito, tanto quem dançou quanto quem assistiu. Não prego utopia, eu defendo o que sei que pode ser realizado.

      Sinto muito, mas escolas e blogs são coisas diferentes: uma é instituição de ensino e, quando cobra por isso, é prestadora de serviço. Blog é veículo de comunicação. Alguns blogueiros ganham para escrever, outros não, como é o meu caso. Aliás, não recebo um centavo por escolha, sempre declinei de qualquer oportunidade nesse sentido, porque é a minha maneira de manter a minha liberdade neste espaço. Eu posso criticar, analisar e defender o que eu quiser. Dessa forma, eu não presto serviço a ninguém, mas mantenho a responsabilidade pelo que publico. Mas se eu recebesse para escrever, sim, eu teria de prestar contas disso. E eu fico admirada quando acham que não é assim que funciona.

      Outro ponto muito importante: eu especifiquei no começo do texto que essas dicas referem-se às alunas e alunos que buscam cursos livres! Dessa forma, prêmios em festivais, professoras renomadas e esquema de companhia de dança não fazem a menor diferença para essas pessoas. Não confunda. Quem busca escolas nesse esquema delineado por você quer a profissionalização, como você bem deve saber.

      O texto deixa claro que cada aluna deve estudar onde se sente melhor. Nunca disse o contrário. Eu mesma já saí de três estúdios e passarei por quantos mais achar que devo. Nunca bati de frente, se não concordo, saio. Mas nunca passei nem perto dos absurdos que já ouvi. O texto não reflete a minha experiência, mas das minhas leitoras e leitores. Foi para evitar que essas coisas aconteçam novamente que o texto foi escrito. E, pelo retorno que tenho obtido, ainda bem!, isso já está dando resultado.

      Um grande abraço.

    2. Olá Cassia. Deixe-me escrever rápido porque estou com muito trabalho para fazer. Bom, vamos lá. Fiquei pensando e me senti um pouco mal por te contestar tanto num espaço que é seu. Eu é que talvez não tenha te entendido muito bem. A sua iniciativa, inclusive, é ótima. Poxa, espero não ter te aborrecido de alguma forma. Essa discussão pode se tornar muitíssimo longa! Enfim! Siga postando suas impressões sobre a dança que acompanhar-lhe-ei sempre que eu puder. Ok? Parabéns, muitíssimo obrigado pela atenção que você me deu, obrigado pela discussão e um forte abraço para você!

  3. Olá Cássia! Mais uma vez parabéns pelo post! Esse tema caiu como uma luva, pois estou procurando uma nova academia para voltar ao ballet. Concordo plenamente a respeito dos espetáculos, acho que todos os alunos devem ter destaque, não só os mais habilidosos, pois como você disse, escola é escola e companhia é companhia. Mas acredito que todos os pontos que você levantou são importantes, já fiz aula em uma escola onde a turma das adultas era chamada de “turma das maduras”, éramos vistas como as “tias” das mais novas, não gostava desse tratamento. Já fiz aula também em uma academia precária, e a falta de piso adequado me gerou uma lesão no pé. Portanto hoje em dia procuro O lugar, mesmo que tenha que pagar mais caro, tem que ter ballet para adultos, tem que ter instações adequadas e um trabalho sério. Dança não é brincadeira, e muitos donos de academia mercenários acabam colocando seus alunos em risco, não só fisica, mas psicologicamente, por não tratá-los adequadamente. Parabéns por levantar esse tema tão importante para todos nós! Beijos,

  4. ADOREI o post! É bem isso mesmo, escola é escola e companhia é companhia. Lembro quando eu era mais nova e tinha que tolerar certas preferências e ver algumas injustiças. Mesmo quando somos crianças, percebemos esse tipo de coisa. Fiz ballet por muitos anos, inclusive fora do Brasil (onde as escolas funcionam muito diferente; não existe essa de preferidas- as escolas usam um método justo e meritocrático. Além disso, outra grande diferença que notei foi que as escolas respeitam muito o biotipo de cada aluna; o que não acontecia quando eu estudava no Brasil. Os professores pareciam ter uma dificuldade tremenda em ver a diferença entre um quadril desencaixado e um quadril grande.) Porém, felizmente, vejo que isso mudou. Voltei para o Brasil e logo me matriculei na escola de dança do bairro. A diferença é imensa! Os professores/escolas de agora estão com uma visão muito menos elitista, e adotando uma postura mais coerente: isto é, uma postura de escola e não de companhia.

  5. Espetáculos de fim de ano:

    O ballet clássico é meritocrata. O tempo de palco e a participação de cada aluna em um espetáculo de fim de ano deve estar diretamente relacionado com o tempo de aula e de ensaio de cada aluna. Uma aluna que faz apenas duas horas de aula por semana, mesmo que tenha um ótimo nível técnico, não pode ter a mesma exposição que uma aluna que faz 4 horas semanais. Uma aluna que ensaia apenas 01 hora por semana não pode ter a mesma exposição do que uma aluna que ensaia 03 horas semanais. Uma aluna que falta não pode ter o mesmo tempo de palco que a aluna que não falta.

    Uma aluna que encontra dificuldades ao longo do aprendizado talvez tenha que esperar o próximo espetáculo para ter um pouco mais de espaço.

    É importante se questionar porque algumas alunas participam mais do que outras. Com certeza, as que participam mais são as que têm uma ótima frequência em aulas e em ensaios. São alunas que entendem a importância de cada bailarina dentro de um conjunto. Em muitos casos, as que participam menos não devem ser enxergadas como coitadas ou injustiçadas. Tem aluna que reclama que participou pouco mas não conta que faltou em 40% dos ensaios, prejudicando não só a si mesma como as colegas e, principalmente, a professora/ensaiadora/coreógrafa, que teve que se desdobrar.

    A professora/coreógrafa/ensaiadora precisa identificar as alunas com quem pode contar. E essas alunas não são necessariamente as tecnicamente mais avançadas ou as do 8º ano. Trata-se de mérito, de postura, de respeito ao trabalho da escola e ao esforço das colegas. E dessa forma a escola educa. Mereceu, recebeu. Não mereceu, recebeu menos.

    As alunas adultas iniciantes devem ser enxergadas como qualquer outra aluna em uma escola de dança. É importante entender que, enquanto iniciantes, adulta ou não, fazendo uma carga horária de aulas e ensaios recomendada para iniciantes, não terão a mesma exposição que terão quando tiverem 2 anos de aula, 3 anos de aula, 4 anos de aula. Quando se trata de ballet clássico, o resultado vem no médio e no longuíssimo prazo. Esse é o grande barato quando você se identifica com a proposta de uma escola. Você pode mensurar, ao longo dos anos. a sua evolução técnica e artística analisando o número de aulas, a duração das aulas, o professor que assume a sua turma ao longo dos anos e, com certeza, a sua participação nos espetáculos de fim de ano.

    As alunas sempre pensam que estão pagando pelo tempo de palco. Isso é incorreto. Pagam pela participação. E a participação inclui um processo de preparação, ensaios e organização que é muito mais longo e valioso que o tempo de palco. A maior parte do aprendizado está, na verdade, no processo e não no resultado final, no tempo de palco. O quanto a aluna aprendeu ensaiando? Participando das conversar sobre o espetáculo? Ouvindo a professora explicar a importância do repertório que será adaptado? Assistindo ao filme que a escola projetou para que as alunas entendessem melhor e se envolvessem mais com o enredo? O quão mais dedicada em aulas ela se tornou por conta de sua participação no espetáculo? Quantos bailarinos e bailarinas de outros anos e de outros níveis técnicos a aluna conheceu nos ensaios gerais? E a troca de experiência que isso proporcionou? Tudo isso tem um preço. A taxa do espetáculo não se resume ao tempo de palco. Por isso, em muitos casos, vale muito à pena pagar um preço alto pelo figurino e pela participação e ficar 3 minutos no palco. Ballet não é só vaidade. E não é APENAS 3 minutos. Em um ato de 30 minutos, 3 minutos é 10%! É muito tempo!

    As alunas precisam dar mais valor aos 3 minutos de palco. Para esses 3 minutos de palco, quantos outros minutos foram trabalhados, em ensaios, reuniões, estudos, adaptação coreográfica, escolha de elenco, planejamento cenotécnico e cenográfico. Em uma escola séria, de bairro ou não, esses 3 minutos é MUITO TEMPO.

    Quanto tempo tem a variação de “Paysant” que é exaustivamente apresentada em festivais? Mais ou menos 51 segundos! Não chega à um minuto. É pouco? Eu acho que não. Tem que ralar pra chegar lá!

    É importante entender qual o critério que cada escola utiliza para definir o personagem e o tempo de palco que cada aluna terá no espetáculo de fim de ano. Em muitos casos, as escolas realmente usam o dinheiro da maioria para fazer um espetáculo em que uma minoria terá um grande destaque. Isso é errado? Não. A escola tem um dono (a) e esse dono deve fazer o que bem entender no seu espetáculo de fim de ano. As alunas é que devem escolher se querem ou não participar dessa proposta.

    Obrigado pela discussão e pelo espaço criado para eu dar a minha opinião!

    1. Rodrigo, tudo o que você disse é lindo, mas não é visto na prática. Entendo cada ponto, mas não é assim que funciona. Não confunda escola de dança com companhia de dança e baterei nesta tecla mil vezes. Cansei de ver bailarinas absolutamente dedicadas que tiveram pouco tempo de palco e queridas da professora ganharem uma bela variação. Além disso, não subestime a inteligência de todos nós, sabemos que a apresentação é o fim de um processo, que há muito trabalho antes disso, eu mesma escrevi isso no post. Tampouco confundo um minuto de variação com um minuto de corpo de baile, eu sei claramente que ambos possuem pesos diferentes. Acho sim errado todos os alunos pagarem a mesma coisa para serem coadjuvantes de meia dúzia. Vou repetir: escola não é companhia de dança! Há estúdios que montam suas próprias companhias, aí estamos falando de outra coisa. Agora, cada aluno e cada aluna precisa sim ter o seu momento, porque ele estuda para isso e paga por isso! É essa maneira que mantém a escola financeiramente. E, não, o dono da escola não deve fazer o que bem entende, ele presta um serviço e recebe por isso. É absurdamente autoritário alguém agir dessa maneira. Mas daí, escolha de cada pessoa. Depois não pode chorar se a escola fechar.

      Eu que agradeço a sua opinião.

  6. Estudei em uma escola em que a dona – que era dançarina, mas de outra modalidade – sempre ganhava muito destaque (solos por um BOM intervalo de tempo), em detrimento à apresentação das alunas, que pagavam para estar ali, mas entravam às pencas, por pouco tempo. Sempre achei injusto, mas acheique não valia a pena me desgastar por isso. Hoje estudo em uma escola próxima a minha casa, com infra-estrutura sofrível (1- piso nao nem linoleo nem madeira, 2- nao possui vestiario ou barras fixas, 3- a barra movel nao comporta todos os alunos (?)). Pela qualidade do professor, valor da mesalidade e proximidade de minha casa, achei a relação custo x benefício quase aceitável.

  7. Adorei o post.
    Aqui em Limeira (interior de São Paulo) não existe uma academia de dança com aulas de Ballet específicas para mulheres adultas e isso dificulta muita a escolha de uma escola. Geralmente as adultas são colocadas em turmas de jazz com garotas de 14 anos, e isso prejudica bastante o desenvolvimento de quem tem certas dificuldades.
    Nunca tive problemas com as garotas mais novas da turma (talvez porque ainda tenha cabeça de criança… hehehe), mas percebia que algumas de minhas limitações não eram respeitadas, pois se as outras conseguiam eu tinha que conseguir.
    Sei que vou enfrentar uma dura batalha quando voltar a dançar, tanto que estou pensando em fazer Flamenco (uma paixão antiga que nunca foi satisfeita), mas sei que vou sentir falta do Ballet Clássico e por isso sei que preciso pensar muito.

    Beijinhos… Carol Celeghin

  8. Eu acho que o mais importante é se sentir bem num lugar. Faço aulas numa academia que não tem uma infra-estrutura boa, mas compensa pois a professora é excelente e a atmosfera é muito amigável. Faço aula numa turma mista, no meio de um monte de adolescentes, e não me sinto hostilizada nem desrespeitada por ser mais velha. Isso pra mim vale muito. Sinto que posso errar e tentar, que posso dar o melhor de mim mesmo que isso signifique cair que nem uma jaca podre. rs A professora não força a barra; sabe que eu tenho minhas limitações por ser mais velha, mas nem por isso deixa de corrigir ou de puxar minha orelha quando vê que eu poderia estar fazendo melhor.

    Quanto aos espetáculos de fim de ano, também sou a favor de uma visão mais democrática, onde todos têm o direito de participar. Claro que os alunos que se destacam merecem solos, mas sou a favor de que todos tenham uma chance de dançar na frente, por exemplo. Pra mim não tem coisa pior do que ficar escondendo alunos mais fracos no fundo do palco. Afinal, o objetivo ali não é sair perfeito, mas sim mostrar a superação dos alunos durante o ano. Nesse sentido, não tive do que reclamar do festival que participei no ano passado. Foi meu primeiro semestre no ballet, dancei duas coreografias, e nas duas tive momentos na frente. Fiquei muito feliz pois foi mesmo uma superação.

    Mas as dicas foram ótimas, Cássia.

    1. Oi, Melissa!
      Estou procurando uma escola e o que você escreveu sobre a sua me fez querer conhecer esse lugar! Você poderia me dizer o nome da escola, por favor?
      Obrigada,
      Lene

  9. Obrigada pelas dicas. Depois do que passei, vou procurar direitinho um lugar bacana e quando eu voltar a dançar ballet, vou mostrar que não só eu, mas todos que amam a dança, podem aprender mesmo sendo já um adulto.
    Um grande abraço pra vc Cássia! :3

  10. Muito esclarecedor e verdadeiro. O ballet adulto ainda não é reconhecido pelas escolas q pensam sim q somos umas velhas frustradas q estão ali tentando em vão algo q nunca conseguiremos. Eu fiz 1 ano em uma escola assim a professora era boa mas a dona insistia em gritar conosco-as adultas e exigir uma quinta perfeita em pessoas q nunca fizeram aulas totalmente sem noção. E no final do ano época do show eu ficava sem aula pq a escola estava toda voltada p tal pagando lógico!
    Agora estou em uma escola q valoriza as adultas tanto q a grade de horários aumenta a cada dia e a professora respeita nossos limites
    Mas aqui em Santos não há escola com aula em julho!
    Abç

  11. Gostei muito do seu post, eu tive problemas para escolher um estúdio e acho que outra coisa fundamental é a ética das pessoas ali. Eu sai de um por não concordar com certas atitudes, que eram de passar por cima de pessoas e pensar mais no lucro no que no bem estar das pessoas em volta. E acho isso dos espetáculos bem relevante, nem sempre temos a chance de dançar o que queremos e é muito, muito frustrante.

  12. Adorei o post!!! Estou vivendo exatamente isso nesse momento! Caiu como uma luva! Inclusive amanhã vou visitar uma escola… acabei de sair de uma e é impressionante como mtas coisas que vc descreveu acontecem… a minha antiga escola, por exemplo, vivia mudando a grade horária! Vivia as moscas e a dona achava que tinha 300 alunos! Minha profa. era mto boa, mas meio neurótica, perfeccionista ao extremo, aí ficava meio travada,pq tinha medo de não realizar o exercício corretamente… Enfim… mto esclarecedor seu post (e motivador, tb!), depois conto como foi minha visita na nova escola…me deseje sorte!!! Abração!!! \ o /

  13. Eu discordo só da parte dos espetáculos, acho que os alunos mais habilidosos merecem um papel melhor, mas isso tb não significa que se deva juntar um zilhão de alunos numa coreografia de 1 minuto. Que graça teria um espetáculo apenas de conjuntos, onde todos ninguem se destacasse?

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