“Smash” e o palco

Diferentemente do teatro, na dança não é comum as pessoas expressarem seu amor pelo palco. Existe uma ode ao movimento, aos aplausos, aos momentos na barra fixa, no caso do ballet clássico, mas raramente ouço sobre essa relação entre palco e artista. Eu acho que tudo começa e termina ali. Compreendo quem dança e não pensa da mesma maneira, mas nas artes cênicas, é ali que tudo acontece. De um lado, alguém faz a sua arte. Do outro lado, alguém recebe essa arte. A mágica acontece nesse espaço de troca. Sem a plateia, as artes cênicas existem? Por isso, tenho um profundo amor e respeito pelo teatro.

Esse foi um dos aspectos presentes nas duas temporadas da série “Smash”, que terminou essa semana. E no último episódio, um trecho do discurso da personagem Ivy Linn no momento em que ela recebeu o Tony de melhor atriz me tocou imensamente. Eu concordo com cada palavra.

“Para mim, não há nada mais mágico do que o momento em que diminuem as luzes e a plateia espera ansiosa, em silêncio, para que o espetáculo comece. É um momento cheio de esperança e possibilidades. Então, gostaria de agradecer à plateia por vir e acreditar, como eu, que não há nada mais importante ou especial que o teatro ao vivo.”

Ivy Linn, episódio final de “Smash”.

Talvez por isso, a sequência mais significativa do último episódio foi a primeira, quando todos os personagens principais da série terminam no palco. Quem quiser assistir, aqui.

Mas há outra cena linda, que combina mais com o blog, quando o elenco de um dos musicais concorrentes ao Tony canta “Broadway, Here I Come!” (Broadway, aqui vou eu!). Afinal, todos nós temos um lugar no qual queremos chegar: pode ser a sala de aula, o espetáculo de fim de ano, o palco. Cada qual escolhe a sua Broadway para sonhar.

[videolog 982307]

Quem quiser assistir à cena no YouTube, sem legendas, aqui.

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2 comentários sobre ““Smash” e o palco

  1. Oi, então, esse é um questionamento que me angustia há algum tempo: eu acho inegável a declaração da Ivy mas no meu coração, por mais que a minha cabeça diga que eu devia ter essa relação com o público, eu não tenho… E acho que é um “mal” geral na dança, talvez porque o ensino se foque demais na questão física, eu não sei.
    Nesse sentido, eu acho que nós bailarinos estão mais próximos dos músicos que dos atores, eu tenho algum contato com músicos, principalmente eruditos, e vejo que eles tocam em qualquer lugar e em qualquer hora, ter o público não é uma graaaaande diferença. No final do ano eu dancei com a acompanhamento da orquestra sinfônica, e os músicos estavam tocando antes, durante e logo após fecharem as cortinas… me identifiquei um bocado com eles, sei que isso pode soar mal, mas o meu momento mágico acontece comigo mesmo, talvez mais frequentemente fora do palco. E isso me leva há uma outra questão, a grande maioria dos bailarinos sobe no palco para familiares assistirem ou para competirem nos festivais, poucas vezes o fazemos para “falar” com o público em geral, não nos expomos dessa forma e isso talvez recrudesça nossa relação com o palco.

  2. Adorava Smash, acho uma pena ter acabado! Sei lá, via uma certa familiaridade em algumas situações do mundo artístico que eram mostradas na série.

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