O vai e vem das aulas

Salvo nos casos de bailarinos profissionais, nunca imaginei uma pessoa dançando pela vida inteira, mesmo que queira. Na minha mente, achava a coisa mais normal do mundo alguém fazer aulas, parar por um período, voltar por mais um tempo e nesse ir e vir, construir a sua história na dança.

Até o dia em que notei o seguinte: no flamenco, no sapateado, na dança do ventre, é comum encontrar quem tenha começado a fazer aulas e nunca mais parou. Seguir por cinco, dez, quinze anos sem uma pausa sequer.

No caso do ballet clássico, percebo uma outra coisa. Em algum momento, uma bailarina enfrentará uma pausa. Ou ela começou criança, se dedicou durante toda a infância e adolescência, mas teve de parar para fazer faculdade. Ou começou adolescente, continuou durante a faculdade, mas parou quando o trabalho chegou. Ou começou adulta e as oscilações financeiras ou pessoais a fizeram parar. Mas, em algum momento, as aulas voltam. E param novamente. E voltam…

Nesses quase seis anos de ballet, eu parei de fazer aulas regulares por três vezes. Nunca porque realmente quis, mas porque tive de parar. Quando penso nisso, sinto um imenso desânimo.

Enfim, é assim mesmo ou essa é uma percepção equivocada da minha parte? Só acontece no ballet ou acontece em outras danças? Há quem tenha começado na infância e, mesmo não sendo profissional, seguiu com as aulas na idade adulta? Há quem tenha começado no ballet durante a adolescência e tenha continuado por anos e anos? Há adultas que começaram e não pararam mais?

Eu admiro imensamente quem consegue seguir sem pausas, seja na dança que for.

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11 comentários sobre “O vai e vem das aulas

  1. eu fiz sapateado durante 2 anos e meio e depois parei por causa de uma fissura. Agora gostaria de recomeçar de novo pois acho uma dança muito bela, será que posso voltar.

  2. Que engraçado, eu não tinha ainda parado para pensar nisso, mas parece que acontece mesmo, especialmente com adultos, já que não temos a segurança e a certeza de que mais pra frente teremos a chance de ser um principal dancer – se trabalharmos duro por muitos anos, é claro.

    Eu vivo um vai e vem eterno no ballet. Além de todos os motivos que vc citou e que fazem um adulto parar as aulas, eu tbm paro as minhas às vezes por questões financeiras e às vezes por ficar com um enorme peso na consciência por estar *fazendo ballet* ao invés de ir logo fazer minha faculdade, trabalhar, ganhar dinheiro, malhar e ponto final.

    Curiosamente, eu ressuscitei meu wordpress essa semana e de cara já escrevi um post sobre as minhas idas e vindas na dança, que é o que mais me atormenta. Gostaria muito que vc lesse esse post, Cássia.

    Quando a ideia de fazer ballet passou pela minha cabeça pela primeira vez, foi o seu blog que me orientou de primeira, e foi vc quem me respondeu um e-mail incentivando e esclarecendo que meninos tbm fazem ballet. E então eu fui fazer aula com a Karen Ribeiro :-) Aqui vai o link:

    http://hairbang.wordpress.com/2013/06/04/11/

    1. InsaNNo, a questão financeira pesa mesmo e é inerente a nós. Quando não conseguimos pagar, paciência, o jeito é parar. Visitei o seu blog; nossa, você estudou em vários lugares! Mas sabe que acho isso legal? Se por um lado atrapalha o desenvolvimento do estudo, por outro, você tem várias visões da dança, porque estudou com pessoas bem diferentes. Sempre fico feliz quando rapazes me escrevem contando que querem fazer ballet e fico mais ainda quando uma barreira é quebrada e eles dançam! =] Não se atormente, o importante é ter a dança sempre na sua vida, seja como for.

      Beijo imenso.

  3. Olá Cássia! Concordo com você, e tenho uma “teoria” sobre isso. O ballet não é igual as outras danças, exige mais, mais físico, mais tempo de estudo, mais dedicação. A Dança do Ventre ou a Dança de Salão por exemplo, muitas vezes são vistas pelos alunos como um passa tempo, uma bailarina jamais verá o ballet clássico como um passa tempo, é amor incondicional, dedicação, superação, simplesmente não vivemos mais sem ele. E exatamente pelo fato de o ballet exigir essa dedicação quase que integral, é que muitas vezes não conseguimos conciliá-lo com os outros setores de nossas vidas. Tenho 23 anos, faço ballet clássico desde os 16, e já parei 02 vezes. A primeira porque me mudei de cidade para estudar, e a segunda porque tive uma pequena inflamação no pé, que persiste até hoje, estou há 06 meses parada. A isso se somam a falta de horários compatíveis nas academias, a falta de compreensão das professoras, que querem exigir um físico de 1ª bailarina de uma estudante que trabalha o dia todo e faz aula 01 vez por semana (por isso estou lesionada), e as exigências da vida adulta: trabalho, estudo, família, etc. Estou parada, não vejo a hora de voltar, mas a experiência que adquiri no ballet clássico me ensinou à duras penas que ballet é coisa séria, não pode ser feito em qualquer lugar, com qualquer professora, envolve nossa saúde física e emocional, por isso estou escolhendo uma nova academia a dedo, enquanto trato dessa inflamação. Espero que essa pausa seja curta. Beijos e mais uma vez parabéns por abordar temas tão interessantes!

  4. Ai, isso é muito muito chato. Infelizmente, a maior parte dos adultos que dançam – não profissionalmente, é claro – que eu conheço já passou por isso também. Por todos esses motivos que já foram citados: família, trabalho, saúde… A vontade de voltar é enorme, mas desanima tanto saber que o seu progresso foi, em parte, perdido e ter que recomeçar e não avançar. Mas, embora a gente não queira que seja assim, faz parte, e no fim das contas a gente sempre volta, isso que importa.
    Dessa vez, me mudei pra uma cidade que não tem nenhum estúdio de dança, nenhumzinho, vê se pode uma coisa dessas? Ô sorte a minha, hahaha.

    Beijos!

  5. Oi, eu tenho 23 anos e faço ballet há 8, e não vejo esse vai e vem… mesmo no jazz e no sapateado, eu vejo que as pessoas sempre param algum dia, conheço poucos alunos de 40 anos ou mais, porém não os vejo indo e voltando.

  6. Olá Cássia! Eu tenho 20 anos, comecei o ballet clássico aos 2 e mesmo não sendo profissional (faço apenas pelo amor por essa arte maravilhosa) até hoje nunca parei. Nem por causa do vestibular, da universidade integral ou do estágio e eu espero que assim continue por mais 20, 30 anos, porque sem ballet eu não tenho paz.

  7. Olá Cássia!
    Foi muito bom ler seu post.
    Eu comecei de adulta, há quase dois anos. Fui dedicada, procurei blogs de ballet (o seu é um dos melhores!), comprei livros, baixei videos, melhorei o alongamento, até participei da apresentação da escola, mesmo sendo iniciante de meia ponta.
    Esse ano enfim chegou o tão sonhado momento de colocar a ponta. Tão sonhado e tão suado.
    E então sem aviso chegaram outros momentos: mudança de casa, crise “existencial-profissional”, resultando em corpo e mente cansados.
    E então já faz duas semanas que não vou as aulas, nem sei porque, mas falta vontade e empolgação.
    Mas não penso em largar o ballet, de jeito nenhum!!
    Apenas dar um tempo, pelo menos por agora.

    Abraços!

  8. Eu realmente não sei, Cássia. Mas vou chutar umas hipóteses… rs

    Estou no segundo ano de ballet e faço o que posso para conciliar meus horários. Talvez um motivo para que alunas adultas parem seja porque ainda existem poucos horários noturnos. Em outras danças (como dança de salão, flamenco, dança do ventre), as escolas oferecem muitas opções de horários noturnos (já vi escola com horário de 21 ou 22 horas!) ou mesmo de aulas aos sábados. No ballet, isso já é mais complicado. A maioria dos horários fica mesmo de dia e o horário mais tarde é 19 horas (dependendo do trânsito, não dá pra chegar do trabalho e ir pra aula!).

    Outro motivo é saúde mesmo. Conheço muita gente que parou porque teve alguma lesão ou machucado. No ballet, é difícil conciliar lesão e dança. Não que distensões e afins não afetem outros estilos, mas é que um músculo distendido no ballet te faz ficar sem fazer uma série de exercícios. Eu mesma tive um estiramento um mês atrás e estou até hoje sem fazer muita coisa da aula de barra. Já na dança de salão (danço com meu marido), isso não é um problema e eu faço tudo.

    E ainda tem a questão do preconceito, né? O de “se está velho demais pro ballet”. Então imagino que muitas adolescentes param de fazer quando vão pra faculdade justamente por pensar isso. Além disso, tem muita escola que simplesmente não sabe o que fazer com alunos avançados. Terminou o curso todo, não tá dançando profissionalmente, vai fazer o quê? Uma leitora do meu blog entrou em contato comigo pra contar justamente isso: Que ela não sabia o que fazer agora que tinha terminado seu treinamento no ballet. Ela disse que nunca quis ser profissional, mas que as escolas da cidade dela (ela é do nordeste) não aceitavam sua matrícula porque ela já estava “pronta”.

    Não sei, acho que são muitos os motivos e concordo com você que a frequência das indas e vindas é mais alta no ballet, mas esses que citei são os de casos que ouvi falar. Os dois primeiros são bem comuns, aliás.

  9. Oi Cássia, eu comecei bem novinha e estou até hoje no Ballet, só parei para ter meus filhos, mas já ouvi várias histórias de pessoas q começam e não continuam, sabe, dançar pra mim é a minha vida, não quero parar nunca, vou dançar até com as bengalas se precisar.

  10. bom, eu comecei há 2 anos e meio, ao completar 30… no início deste ano a grade de horários da antiga escola mudou, então precisei encontrar outro lugar para as aulas de ballet.. Nessa nova escola encontrei muita gente com esses perfis que você comenta e algumas que, como eu, começou na fase adulta… abraços. Leila

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