Mães de bailarinas

Há um grupo de leitoras que visitam o blog silenciosamente. Quase não comentam, mas estão sempre atentas. Às vezes, elas me escrevem, cheias de dúvidas sobre o futuro das suas pequenas, ou nem tão pequenas assim. Estou falando sobre as mães de bailarinas.

Não me refiro àquelas que dançam, mas que ajudam suas filhas a dançar. Elas costuram sapatilhas para as filhas seguirem os próprios sonhos. Ajustam os figurinos para as filhas brilharem no palco. Conhecem as lantejoulas, os vidrilhos, as coroas, as meias-calças, os collants. Sabem fazer um coque com perfeição. Vão levar e buscar nas aulas, nos ensaios, nos espetáculos. Choram quando as filhas sobem ao palco. Amparam as bailarinas nos momentos de frustração. São as espectadoras da primeira fila, mesmo que se sentem no fundo da plateia. Em um corpo de baile com 45 cisnes, conseguem achar a própria filha. Vivem com o coração apertado ao ver as agruras pelas quais passam as suas bailarinas, mas torcem por voos mais altos, sempre.

A minha mãe costurou a minha primeira sapatilha e eu tinha 27 anos. Ela não precisaria fazer isso, mas foi a sua maneira de abençoar o meu caminho. Ela estava na plateia quando fiz minha primeira peça, aos 12 anos. Também estava lá quando dancei pela primeira vez, aos 28. Quando usei tutu romântico, ela começou a chorar assim que apareci. Quando dancei por apenas dois minutos em um espetáculo, ela veio xingando do teatro até em casa. Mesmo que ninguém na plateia me veja, ela me enxerga. E não importa quantas vezes eu suba ao palco, ela sempre se emociona. De alguma maneira, eu também danço para ela porque minha mãe sempre olhará por mim.

Parabéns, queridas. Sem o amor e dedicação de tantas mães mundo afora, o ballet clássico já teria morrido há tempos.

*

[Eu sei, há as mães que exageram, exigem e querem se realizar por meio das filhas, mas não falarei sobre isso. Outro dia, quem sabe. Hoje é dia de celebração.]

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5 comentários sobre “Mães de bailarinas

  1. Vou te falar que meus olhos marejaram ao ler esse post… Voltei para 1990, quando comecei a dançar com 5 anos e fui lembrando de tudo que a minha mãe fez para tornar esse meu sonho possível… Me identifiquei com cada uma das coisas que você citou… Quando parei em 2003 ela me disse que sabia que um dia eu voltaria e que me veria dançar no palco novamente. Voltei 10 anos depois e esse ano ela vai ver a filha dela dançando no palco novamente… Não com a mesma técnica e vígor físico, mas com o mesmo amor e acredito que com bem mais emoção.

  2. Exatamente assim, Cássia! E ontem o meu dia não foi diferente: costurei sapatilha, fiz o coque (mesmo que nao precise!), levei ao teatro, aplaudi e me emocionei!! Melhor impossível!!

    1. Sim, Alexandre, mas eu me refiro àquelas mães que, de tão exigentes, tornam a vida das filhas um inferno! E só não me referi às mães de bailarinos porque até hoje só as de bailarinas me escreveram, e o post foi dedicado a elas. =]

      Grande beijo.

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