Physics and the Art of Dance

São cinco os livros que utilizo como base do meu estudo e este é um deles: “Physics and the Art of Dance”, de Kenneth Laws.

Vamos começar pelo autor. Kenneth Laws é doutor em física e professor da Dickinson College. Quando sua filha e o seu filho começaram a fazer aulas de ballet clássico, ele percebeu a relação existente entre física e dança. Era 1976 e ele resolveu fazer aulas também. Seus filhos pararam, ele continuou e trilhou um longo caminho na dança.

Professor de ballet clássico, diretor de programas de cursos de verão, bailarino em 22 produções. Ele fez aulas durante 30 anos, mas parou por um problema nas costas. Ainda hoje, ele ministra cursos e oficinas. Qual era a idade de Kenneth Laws quando ele começou a dançar? 40 anos. E se não bastassem todos esses feitos, ele publicou diversos artigos e três livros sobre física e dança:

The Physics of Dance, Kenneth Laws. New York: Schirmer Books, 1984. (Paperback edition, 1986.)

Physics, Dance, and the Pas de Deux, Kenneth Laws e Cynthia Harvey. New York: Schirmer Books, 1994.

Physics and the Art of Dance: Understanding Movement, Kenneth Laws. New York: Oxford University Press, 2002.

Eu tenho o terceiro e é sobre ele que falarei.

O ensino do ballet clássico é basicamente oral e tem por princípio a tradição. Os professores explicam aos seus alunos a técnica clássica, estes repetem, são corrigidos e assim evoluem. Esses mesmos alunos se formam, alguns se tornarão professores e vão repassar aquilo que aprenderam. Poucos questionam esse aprendizado ou se algumas coisas mudaram nos últimos trezentos anos.

Isso acontece por um motivo: não há atualização do conhecimento. Ballet clássico é o latim das danças, os movimentos estão criados e pronto. Mas a maneira como são ensinados e o caminho percorrido para realizá-los, sim, isso muda. E é esse aspecto que deve ser revisto até o fim da vida.

Voltemos ao livro. Eu disse tudo isso porque estudar ballet clássico do ponto de vista da física muda vários conceitos enraizados em nós. O eixo de cada pessoa muda de acordo com a sua altura. O seu peso influencia na força necessária para você girar. Mas somos ensinados de que tudo é do mesmo jeito para todo mundo. E não é. Além de nos mostrar isso, Kenneth Laws nos ajuda a realizar movimentos, que antes pareciam impossíveis, simplesmente usando a física de maneira consciente. Sim, porque a física sempre esteve lá, mas quando sabemos disso, a utilizamos a nosso favor. Ele aprendeu a fazer fouettés assim, para vocês terem uma ideia.

Mas afinal, como é o livro? Os assuntos abordados vão desde equilíbrio, saltos e giros até pas de deux, passando pelos tipos de corpo. Há também um cuidado em explicar tanto os conceitos do ballet clássico quanto da física. Quem sempre fugiu das Leis de Newton, aqui não haverá escapatória.

Infelizmente, o “Physics and the Art of Dance” não foi lançado em português. Mas quem puder, compre. É um material precioso de estudo e vale o esforço para tê-lo.

*

Onde comprar:

Em sebos. Eu comprei o meu exemplar no Estante Virtual, aqui.
Na Amazon, e-book para Kindle, edição de 2002, aqui;
Na Amazon, em papel, edição de 2008, aqui.
Na Amazon do Brasil, e-book para Kindle, edição de 2002, aqui.
No The Book Depository, em papel, edição de 2008, aqui.
(Essa indicação veio da querida leitora Aline Araujo, que comprou o livro pelo site. Lembrem que é compra internacional e o preço costuma ser mais salgado, mesmo com frete grátis. Por isso, como ela mesma bem disse, calculem o valor para analisar se vale a pena.)

Para saber mais:

O site de Kenneth Laws, aqui.
The Physicist Who Figured Out Ballet, artigo em inglês, aqui.

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16 comentários sobre “Physics and the Art of Dance

  1. Olá Cássia, amo seu blog. Comecei a fazer ballet aos 27 e hoje tenho 30, sinto uma necessidade de me aprofundar mais na técnica e na teoria, superar minhas dificuldades, levar meu amor e meus questionamentos sobre o ballet para uma pós-graduação. Mas, esbarro numa dificuldade: o difícil acesso a livros e textos sobre ballet, quando não são caros demais, estão esgotados, ou simplesmente não tem edição em português, como no caso deste livro que você indicou e me deixou super curiosa em saber se ele me ajudaria a melhorar. Poderia até tentar comprá-lo, porém não sei inglês. Então ajudaria muito se você dispusesse a tradução dos capítulos mais interessantes ou pelo menos fizesse um post sobre, por exemplo, equilíbrio, piruetas e coisas do gênero que são um “terror” para quem começou tarde.
    Sei que o ballet tem sido ensinado por gerações como se todos fossem iguais e aprendesse da mesma forma, mas cada pessoa, cada corpo, cada sensação, cada dificuldade é única. Enfrento essa “tentativa de unidade” nas minhas aulas de ballet, então tento resolver esses conflitos dentro de mim buscando leituras que possam me ajudar, treino, ensaio, busco formas de superar meus limites. Será que você poderia me ajudar nesse sentido? Obrigada desde já, aguardo sua resposta.

    1. Thais, não será possível traduzir os capítulos mais interessantes do livro por dois motivos: o trabalho que isso me daria e os direitos autorais da obra. Estudar teoria de ballet é complicado mesmo e, no caso dos livros em inglês, o jeito é aprender o idioma. Mesmo que eu traduzisse algumas coisas, há outros livros e outras fontes de informação. No caso do post sobre pirueta, eu mesma disse que falarei sobre isso em breve, leia o post “O momento mágico do movimento perfeito”. Grande beijo.

  2. Cássia, tenho treze anos e não poderei comprar o livro! Você pode fazer um post resumido sobre o que o autor explica sobre giros (pirouettes, fouettés…)?

  3. Yaay chegou meu livro!! Li a parte de equilíbrio “estático” e anteontem tentei colocar em prática. Primeiro achei horrível, fiquei me sentindo uma besta.

    Maaaaaas hoje na seção de equilíbrio do meu treinozinho diário, fiquei mais tempo equilibrada do que nunca (retiré). E valeu para as duas pernas, sendo que minha direita costuma ser bem mais fraca como base. Não sei se foi resultado direto da leitura aplicada ou uma simples sorte, mas continuarei treinando assim!

    (A propósito, a seção de equilíbrio do meu treino diário consiste em tentar ficar o máximo de tempo possível em cada retiré durante toda a duração da música dos fouettés do cisne negro, que eu fico ‘cantando’ na minha cabeça. heuehu :) )
    Obs: caso o comentário tenha sido duplicado, favor apagar. O WordPress deu um erro bem na hora :(

    1. Aline, o livro chegou! Dá vontade de ir fazendo tudo, né? E a gente estranha mesmo quando coloca as indicações dele em prática, mas quando os resultados aparecem, a gente se acostuma. Um dos posts que farei futuramente será sobre equilíbrio, mas como ele demorará para aparecer por aqui, resolvi adiantar este vídeo para você: http://www.youtube.com/watch?v=hooSm-aAnlM Está em francês, sem legendas, mas leia os comentários, uma pessoa traduziu tudo para o inglês. É excelente! (E fique tranquila, o comentário não veio duplicado não, mas quando isso acontece, eu só aprovo um deles.)

      Imenso beijo.

  4. Sabe o que é engraçado? Assisti a um filme com a minha irmã em que a menina aplicava as leis da física nos movimentos da patinação artística e com isso ajudava a outras patinadoras e a ela mesma a melhorar o desempenho na patinação. Quando acabou, comentei com ela como seria interessante se tivéssemos acesso a um trabalho que fizesse o mesmo com relação à dança. E não é que tem? Nem precisa dizer que eu quero! Apesar do meu medo de física desde o ensino médio, rs.

    Beijos! Assim que eu conseguir comprar eu venho contar a alegria!

    1. Aline, você vai amar o livro! =] E muito obrigada por dizer onde comprou! Posso colocar o link no post como indicação sua?

      Imenso beijo.

  5. Cássia parabéns por compartilhar seus estudos com a gente!
    Eu gosto muito da sua postura em relação ao ballet, é preciso saber das coisas e estar aberto a visões de diferentes ângulos sobre o assunto.
    Você já pensou em abrir uma escola de ballet? Vc seria uma ótima professora! E tenho certeza que daria chance para muitos dançarem!
    Abraços!

    1. Larissa, eu já pensei sim, mas não será possível pelo seguinte: para a escola ter a minha visão de ballet clássico, eu mesma teria de dar aulas. Porém, não tenho estudo suficiente para isso e seria enganar as alunas e os alunos. Ainda tenho um longo caminho pela frente. Mas quem sabe um dia? Muito obrigada por achar que eu seria uma ótima professora. =] E isto é verdade: eu não apenas daria chance para muitos dançarem, mas todos dançariam. Pelo menos comigo, ninguém seria coadjuvante.

      Imenso beijo.

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