Perfeição?

Para mim, falar sobre perfeição é um dos assuntos mais difíceis. Não a busco, não presto atenção nisso quando assisto às bailarinas e bailarinos, não estou atrás dela enquanto danço. E por um motivo simples: não acredito que ela exista.

Os defeitos estão à espreita e as imperfeições estão em nós. Aliás, nem nisso eu acredito. Para mim, existem possibilidades. Claro, há a definição de cada passo. Um arabesque é um arabesque, 90 graus são 90 graus, são coisas mensuráveis. Mas no meu corpo ele ficará de um jeito e no seu, de outro. Podem trazer o transferidor e garantir que ambas estão a 90 graus, mas são dois arabesques diferentes, pois um está em mim, o outro está em você. Por que vou eleger apenas um como “o perfeito”?

Aprendi a entender o meu corpo e descobrir o que sou capaz de fazer. Assim, defino onde quero chegar. Quando atinjo esse nível, aí está a minha perfeição. Dessa forma, a perfeição deixa de ser minha inimiga e começa a ser minha aliada. Porque essa sou eu. Me mutilar para ser a Svetlana Zakharova não fará de mim uma bailarina melhor, apenas uma bailarina frustrada. E frustração nunca ajudou ninguém na vida.

Sim, há pessoas que continuarão defendendo um modelo de perfeição. Entendo e respeito. Mas eu prefiro as possibilidades.

Um exemplo? Evgenia Obraztsova está dançando lindamente e ela erra por conta do palco. Perfeição não aceita o erro, vocês sabem disso, certo? Pois bem, ela logo resolve o problema e segue. Continua linda. E, para mim, perfeita.

Evgenia Obraztsova, The Awakening of Flora, Kirov Ballet.

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6 comentários sobre “Perfeição?

    1. Zena, começa em 2’02”, ela começa a fazer o rond de jambe en l’air e o seu pé de base “trava” no linóleo. Mas em seguida ela dá um jeito de consertar. Grande beijo.

  1. Precisei assistir três vezes para ver onde foi que ela errou de tão natural que ela se manteve. Acho, assim como a Cássia, que essa é a perfeição… se perceber e aceitar a si mesmo com seus erros e limitações, e principalmente, não se estressar com isso.

  2. Puxa!Quem nunca errou não é mesmo?Acho lindo quando uma pessoa erra na dança ou cai mas que levanta e continua, já passei por isso, cai uma vez e levantei, o público riu e eu ri junto, mas continuei até o final, claro q depois caí na choradeira…rsrsr…mas de emoção de ter tirado algo da plateia, mesmo que seja o riso pelo meu tombo…rsrsrsr afinal a gente tem q se divertir e ser feliz com a dança, e ser perfeita não é tão importante assim, pelo menos não pra mim.

  3. Em primeiro lugar, acho a Evgenia lindíssima fazendo qualquer coisa , errando ou não. Segundo, concordo plenamente com seu ponto de vista Cássia e compartilho dele há algum tempo. Passei a conhecer as limitações do meu corpo e sei que há coisas que queria fazer mas nunca vou poder. Posso aperfeiçoar porém a perfeição acho um pouco impossível, com isso, crio menos expectativa com relação ao ballet para não me frustrar no futuro e me sinto bem com isso para seguir dançando !!!!!!!

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