Para rimar ballet e delicadeza

No último post do ano passado, contei que hoje vocês saberiam qual será o foco do blog para 2013. Será algo bem pequeno, mas acho que fará diferença.

Desde que comecei a dançar, há cinco anos e meio, eu nunca fiquei realmente parada. Com ou sem aulas regulares, eu sempre treinei em casa. De uma maneira ou de outra, eu não parei. Até meses atrás. Quando adoeci, contei minha situação, mas não disse que ela era um pouco mais séria. Além da crise alérgica, eu estava a um passo de uma infecção pulmonar. Por conta do tratamento, meu corpo ficou debilitado e eu não conseguia treinar nada, nem sequência simples na barra. Foi assim que surgiu este post. Decidi ficar quieta até me recuperar.

Estou bem melhor, mas senti no meu corpo o que significa querer dançar e não conseguir. Quando isso acontece, a nossa visão muda. A nossa percepção muda. E as nossas escolhas diante da vida, também.

Eu não quero mais me preocupar com aquilo que me incomoda. Quando escrevi o post “Sempre um peixe fora d’água” contando o que mais me entristece, senti como volta e meia acham que é exagero da minha parte. Que o mundo do ballet clássico é assim e não vai mudar. Toda vez que ouço “é assim e não vai mudar”, minha alma estremece. A humanidade só evolui por conta da mudança.

Mas a questão é: eu vou mudar isso? Claro que não. Além disso, entendo que existe uma vontade e uma necessidade de fazer parte desse mundo. E isso é legítimo. É uma imensa prepotência da minha parte querer influenciar ou mudar esse querer. Cada pessoa tem o direito de escolher como quer o ballet na sua vida. Da mesma maneira, posso escolher como eu o quero na minha vida. Se não nos estúdios de dança ou no palco, pelo menos no meu estudo solitário e no meu blog.

Este será o foco: um ballet clássico sem sofrimento. Quero mostrar por que o ballet faz os meus dias mais felizes. Por que ele faz parte da minha vida. Por que eu me dedico tanto a ele, de várias maneiras, mesmo não ganhando um centavo por isso.

Os questionamentos continuarão, mas de uma maneira mais ampla. Sinceramente, não me importo mais se professoras gritam ou se bailarinas disputam em sala de aula para ver quem tem a perna mais alta. Depois do que passei, essas coisas se tornaram infinitamente pequenas. O ballet clássico é muito maior do que isso. Agora, eu quero dançar e auxiliar outras pessoas a dançarem da maneira mais tranquila possível. O restante, não me compete.

Enfim, está na hora de sorrir. Quem vem comigo?

Evgenia Obraztsova como Syuimbike, “Shurale”, Kirov Ballet.

Feliz 2013, o nosso ano da delicadeza.

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9 comentários sobre “Para rimar ballet e delicadeza

  1. Cassinha, estamos dançando juntas! Fico muito feliz em saber que você superou esse problema de saúde (e surpresa por você ter revelado-o no blog, pois você é uma pessoa muito reservada neste aspecto, por isso creio que tenha sido algo muito forte e marcante em seu momento de vida). Estou aqui sempre torcendo por você e saber que estamos, JUNTAS, crescendo mais um ano: já disse repetidas vezes como seu blog me ajudou a superar alguns problemas, e estou em uma fase muito de amar o ballet e o resto não importa, e você também está nessa! Então vamos continuar juntas, com nossas qualidades, nosso amor pela dança e, porque não, nossas limitações! Sempre que precisar, saiba que existe alguém que está a sua disposição para conversar, discutir, refletir! Um grande ano de 2013, muito sucesso, SAÚDE e alegria. Muitos beijos.

  2. Eu tive uma sensação excelente ao ler este post! E não porque achasse que o blog estivesse no caminho errado, mas porque acho que ele, como tudo na vida, é feito de fases, e, realmente, sinto que este ano é a fase da delicadeza e felicidade. Mesmo que não a felicidade idealizada, mas aquela que podemos encontrar. Eu estou na mesma posição em relação ao ballet. Acho que já disso isso, mas já tem tres anos que acompanho esse blog e nunca consegui me matricular em uma escola, seja por dificuldade financeira, ou por diferença de prioridades. E sei que este ano ainda não vai ser, pois é o ano de estudar para o vestibular. E isso pode parece muito triste, mas eu resolvi mudar meu olhar em relação a isso. Porque tenho consciência das muitas mulheres muito mais velhas do que eu que puderam exercer a atividade depois de já ter sua vida estabilizada. Enfim, há um tempo certo pra tudo. Mas mudarmos nossa forma de ver a vida é o segredo.

    Não frequentar aulas não impede nem a mim, nem a você e nem a ninguém de continuar aprendendo e apreciando a arte do ballet clássico. E, na verdade, não impede de sonhar também.

    Acima de tudo, agradeço por você dedicar seu tempo e energia na manutenção do blog. porque ele é inegavelmente importante para todos nós. Que venha 2013, com sabedoria, amor e muita delicadeza :D

    um grande beijo, Cássia!

    1. Sarah, cortando a Cassia um pouquinho, apenas para mencionar: eu me formei, pós-graduei, trabalho há muito tempo (e continuo) e só depois de adulta comecei a fazer ballet. Portanto, faça isso mesmo: foque na preparação de sua vida, de sua carreira, e quando for possível permita-se (sem medo de achar que passou o tempo) a buscar a dança. Estou vivendo esta paixão de forma mais plena do que nunca, e com a maior certeza de todas: estou fazendo isso na hora certa. Portanto, sua hora também vai chegar. Até lá, aproveite as coisas dessa forma mesmo!

  3. Agora sim você achou o foco! Pelo menos na minha humilde opinião. O balett , mesmo eu não sendo bailarina e só dance pelo meio da casa , é a dança dos espíritos delicados, das almas delicadas. Neste sentido, não tem mais queixas e nem vaidades do ego. A postura, os movimentos, colocam nossos espíritos a postos para enfrentar a vida, ora alegre, ora mais triste, mas sempre em movimento. Assim é a vida. Feliz 2013 Cássia!

  4. Estaremos juntas sorrindo sempre e dando o melhor de nossos corpos. Pois tb tenho o Ballet na minha alma desde sempre e mesmo com + de 40 sei q posso dançar no meu limite e melhorar a cada dia!
    Bjs dear e feliz novo ano de Ballet!

  5. É incrível como você consegue motivar com as palavras mais simples. Hoje mesmo eu estava pensando sobre meu futuro no ballet, justamente por conta das pessoas que fazem parte desse mundo, e preocupada pois realmente não há muito o que fazer. Ao ler seu texto, percebi o quanto as grosserias não significam nada perto do prazer pela dança. A vida já é tão dura, talvez o certo seja tentar levar com leveza o ballet. Esses detalhes sempre vão incomodar, mas como você comentou, não dá para querer mudar tudo isso sozinha. Enquanto não há colaboração por parte de todos, a solução é encontrar o caminho mais fácil para você e dançar feliz.
    Obrigada pelos seus belos textos. Que 2013 seja mais bonito, leve e delicado para todos.

  6. Eu estou nessa, totalmente!

    Também quero focar no ballet sem sofrimento. Quero me sentir feliz com o que eu consigo fazer ao invés de ficar me lamentando do que eu não consigo. E dizer isso não quer dizer que não vou dar o máximo de mim, mas só que não vou ficar me martirizando porque não tenho mais aquele alongamento ou aquela capacidade de colocar a perna lá em cima. Oras, eu consigo dançar e isso já é maravilhoso! :)

    Feliz Ano Novo, Cássia, e que mais conquistas venham! Que possamos continuar compartilhando ideias e ensinamentos sobre essa coisa linda que é o ballet clássico.

  7. É que não é tão simples assim né… mudanças verdadeiras levam décadas, e até séculos p/ acontecerem. E, querendo ou não, ballet clássico sempre vai implicar em algum sofrimento físico e a ir até o limite para ultrapassá-lo, de um jeito ou de outro. Eu sou das que preferem sofrer com a dor de um músculo alongado que com a grosseria gratuita de uma professora ou colega arrogante, e nisso tô contigo. O melhor é ignorar completamente pessoas e situações que nos fazem mal. E se for para doer, que seja aquela dorzinha gostosa de um corpo que deu o seu máximo e o seu melhor para que a alma pudesse se expressar e ser feliz!

    ;-)

  8. E você consegue Cássia. Seus textos sempre me ajudam, sempre me fazem continuar, seus conselhos me fazem superar certas situações… Sim, eu ainda sofro por causa do ballet, mas é porque ainda não amadureci e não cresci o suficiente para não sofrer…. Que esse ano seja mais leve e mais alegre, mas também com conquistas! Feliz ano novo Cássia! Vamos sorrir mais então :)

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