As agruras das bailarinas adultas

Vamos para a última discussão séria do ano?

Há dias, a Thaís, leitora do blog, me escreveu para conversar sobre os problemas enfrentados por ela ao fazer ballet clássico. Prometi um post, porque concordamos que são questões comuns às mulheres que resolveram dançar. Ela percebe isso na sua vida e com suas amigas, eu percebo isso na minha vida e com as leitoras do blog. Ou seja…

Para quem nunca dançou ballet clássico, decidir fazê-lo depois dos 18 anos já é uma vitória. E quanto mais o tempo passa, mais difícil é. Parece simples, mas acreditem, mesmo as escolas ministrando aulas para adultos, ainda é bem complicado! Porque abrir aulas não basta para mudar toda uma mentalidade de centenas de anos, certo? Ainda acham que ballet é para crianças e adolescentes. Sim, ainda acham, e os professores e estúdios de dança se comportam dessa forma. Querem ver?

Encontrar um estúdio de dança

Quando eu comecei, há cinco anos e meio, não era tão fácil encontrar um estúdio de dança que desse aulas para adultas. Hoje, encontramos facilmente. É raro um lugar que não tenha pelo menos uma turma para adultas. Mas existe um outro problema: um horário compatível. Quem trabalha, precisa de horários noturnos ou aos sábados. Quem trabalha em horários alternativos, ou em casa (como eu), precisa de horários matutinos ou vespertinos. E para encontrar isso? A Thaís não encontra turmas à noite. Eu não encontro turmas de manhã. Nós duas não somos mais iniciantes. E aí, fazemos o quê? Não fazemos aulas? No meu caso, eu estou parada há um ano. Entendo que os estúdios abrem turmas de acordo com a procura, sei que é a lei do mercado. Mas é bem desolador procurar, procurar, procurar e não encontrar.

Exigências sobre dedicação

Você encontrou um estúdio, um horário compatível, que alegria! Começam as suas aulas e também os seus problemas. Trabalhar, estudar, cuidar da casa, dos filhos, é raro uma mulher que não tenha uma lista de coisas a serem feitas. Ballet clássico não é a sua prioridade, mesmo que ela queira. Agora, diga isso para uma professora de ballet. Ela acha que é sua obrigação encontrar tempo para estudar além do que você pode. “Arrume um tempo”, como bem comentou a Thaís. “Estude em casa”, como eu já ouvi. “Ensaio às oito da manhã de domingo”. E lá estava eu nesse horário e tudo começou quase às 10. Ou seja, ninguém tem mais nada para fazer a não ser ballet clássico, certo? Se eu tenho trabalho para terminar, azar o meu. Se alguma aluna tem de buscar filho na escola, problema dela. Se mais outra tem horário para entrar na faculdade, e a professora com isso? Estão todas tão acostumadas a lidar com crianças e adolescentes, que têm todo o tempo do mundo, que não sabem lidar com mulheres que têm horário a cumprir. E reclame para ver… Ainda corre o risco de você escutar o que não precisa.

Exigências sobre desempenho

Muito bem, você se desdobrou para estar no estúdio no horário estipulado. Os problemas acabaram? Não. Como assim o seu desempenho não é igual a de uma menina de 12 anos? Você não acerta o pas de chat de primeira? Então, você não é bailarina. Sobe essa perna! Não consegue? É, a idade já chegou para você. Ou seja, ninguém mandou fazer ballet mais tarde, sua velha! O seu corpo jamais conseguirá fazer o que deve ser feito. Não parece um absurdo alguém pensar assim? Não parece, é absurdo. E acabou? Não. Porque além do nosso corpo nem sempre corresponder prontamente, porque começamos mais tarde e não fazemos tantas aulas para melhorar nosso desempenho em menos tempo, ainda existe o cansaço próprio de quem trabalha, estuda e faz mil coisas. Quem nunca levou bronca porque não conseguiu fazer algo por conta do cansaço? Eu já, porque errei toda uma sequência no centro. Estava com sono, fui para a aula sem dormir depois de ter virado a noite para terminar a revisão de um livro. Azar o meu, certo? Quem mandou trabalhar.

Provavelmente, há outras questões, mas essas são as mais comuns. E falei apenas sobre começar mais tarde. Se contar os outros pontos próprios do ballet clássico, a vontade é de desistir sem olhar para trás.

Quem ainda não começou a dançar, acredite: no fim das contas, fazer pirueta tripla é a tarefa mais simples que você encontrará pelo caminho.

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19 comentários sobre “As agruras das bailarinas adultas

  1. Cássia adorei o texto! Achei que exprimiu perfeitamente o que eu estava sentindo quando te escrevi, fico feliz por saber que você e outras bailarinas se identificaram, e que não sou só eu que passo por esses problemas. Acho que aqui, como em tantos outros setores da vida, o problema é a falta de compreensão e a falta de preparo, e explico por que: as professoras de ballet estão acostumadas a trabalhar sempre da mesma forma, para um mesmo público, é cômodo, é fácil, então porque mudar seu método de trabalho não é? Tais professoras acabam tratando adultos como crianças e caem num erro mortal, e não estou exagerando. É biológico: o corpo de um adulto não é como o corpo de uma criança. É fato: um adulto tem muito menos tempo livre que uma criança. Se é tão óbvio não sei por que as pessoas têm tanta dificuldade em entender isso. Não é questão de fazer corpo mole, não é querer reclamar que tenho mil e uma coisas para fazer mais o ballet, é questão de querer ser compreendida e principalmente respeitada no que escolhi fazer. Professoras que não compreendem as diferenças básicas entre adultos e crianças se tornam chatas, insuportáveis e perigosas, já que podem provocar lesões com exercícios incorretos, além de acabar desmotivando os alunos. Na cabeça dessas “professoras” o ballet realmente não é para adultos, e sim para crianças que tenham abertura 0 e possam levar o nome de suas academias para grandes competições, infelizmente se torna algo totalmente comercial, em que o amor pela dança é a última das motivações. Nesse meio em que uma professora de ballet não sabe distinguir uma pessoa de 08 anos de uma de 28, muitas academias perdem alunos e não percebem por que, enquanto isso as escolas especializadas em ballet para adultos disparam. O motivo? Horários diferenciados e foco no físico adulto. As pessoas ainda crêem no mito que ballet é dor, sofrimento, abnegação. Acredito no contrário: ballet é dança, amor, vida! Esforço é uma coisa, martírio é outra, e não precisamos ser martirizadas por sermos bailarinas adultas, devemos é sentir muito orgulho disso, isso sim! A melhor professora é aquela que te ensina a dançar bem com o seu corpo, e é essa professora que temos que buscar. Grande beijo!

  2. Oi Cássia, pois é isso mesmo que acontece, eu sou amiga da Thais, fizemos ballet juntas, e começamos a perceber vários problemas, eu faço ballet desde os 17 anos, hoje estou com 29, e há dois meses saí do ballet porque as aulas e a academia não correspondem ao que procuro, mas agora estou enfrentando várias dificuldades para encontrar uma academia…

  3. Concordo com você, Cássia. Mas isso não acontece só com as bailarinas adultas.
    Eu tenho 15 anos. Faço aula em dois lugares, e em um deles, as meninas são um pouco mais novas do que eu, não têm tantos horários a cumprir com escola. Mas eu já fiquei de cabelo em pé tentando fazer malabarismos com meu tempo para não faltar a ensaios. O difícil é quando a sua professora remarca em cima da hora para um horário ou um dia diferente, te avisa 3 horas antes do ensaio e ainda te chama de irresponsável porque você não pode ir.
    Eu acho que o mal do universo do ballet é que a maioria das bailarinas é muito apaixonada. Então, a gente pensa que sempre vai conseguir conciliar horários, que o amor a dança é o mais importante. Ai o mundo real bate na porta, porque você não pode faltar ao trabalho para ensaiar, não pode deixar de fazer uma prova pra participar de uma apresentação de manhã (eu quase fiz isso no meio do ano e cheguei a pagar pela roupa). E as professoras (pelo menos a maioria delas, tem umas que não são assim) simplesmente não conseguem acreditar que, por mais que você não queira faltar a ensaio algum, por mais que você queira que sua coreografia fique perfeita, por mais que você queira fazer aulas até o corpo não responder mais, muitas vezes não dá, porque você tem que estudar/trabalhar/os dois ao mesmo tempo.

  4. Concordo totalmente com você Cássia. Apesar de eu ter 15 anos e tecnicamente não sofrer com isso eu tenho amigas que são mais velhas e começaram o ballet já adultas. Eu vejo bem essa dificuldade.
    Cássia, eu amo o seu blog e não sei mais onde pedir ajuda, bom vamos lá: Eu começo na ponta agora em 201, mas eu tenho um grande problema, eu preciso de uma sapatilha de box largo (de preferencia da Só Dança) mas eu acho que elas tem o box muito estreitinho. Alguma dica?? Beijos e parabéns pelo blog e pela iniciativa de dançar!

    1. Milena, as sapatilhas da Só Dança tem várias larguras de box. Fique tranquila, você poderá escolher a sua sapatilha de box largo numa boa. ;)

      Grande beijo.

  5. Bem, concordo sobre muitos aspectos apontados por todas e pela Cássia. Para mim, felizmente, eu consegui de primeira encontrar um estúdio maravilhoso, uma professora maravilhosa e colegas maravilhosas e esforçadas. Eu faço aulas sábado de manhã e trabalho durante a semana. mas nunca deixei de comparecer a uma aula, mesmo estando cansada e tendo que acordar cedo nos poucos dias que tenho para descansar. E sei que é difícil mesmo e muita disciplina. Além disso tenho buscado outros recursos, por exemplo, dvds com vídeo-aulas, apostilas, tudo para reforçar o aprendizado. O balé foi para mim, mais do que importante. Antes de descobrir esse lindo mundo da dança, eu estava em depressão profunda, a base de remédios, com problemas e dores no joelho (tenho problema). Eu achei que optar por uma coisa que teria sido meu sonho poderia estimula uma pessoa que já não acreditava em mais nada. Nem em Deus. Mas eu percebi que sim, existia e sempre existiu porque me deu a resposta para que pudesse acreditar novamente. Estou plenamente feliz e realizada, assim como a Joice, que também postou aqui. (nós somos as duas do mesmo estúdio). Por isso, posso dizer com clareza, venham as dificuldades, pois vou superar pelo amor ao meu sonho e com certeza, até onde puder alcançá-lo. Um beijo a todas e não desanimem de seu sonho! Jamais!

  6. Cassia amo seu blog leio todos os dias! Não poderia deixar de comentar hj com esse post q considero desabafo e a voz de todas nós! Penso q ballet adulto ainda é novidade e muitas prof ainda não estão preparadas para nós, essa é a verdade. Nos consideram inferiores outra verdade, pensam q nunca vamos conseguir e o que que a gente tá fazendo no ballet?!! As escolas abrem as turmas mas não sabem o q fazer conosco…foi assim q me senti nesse final de ano. Com a apresentação nós adultas ficamos de lado, sem aulas pois a prioridade lógico era o show! E o show foi lindo minha menina dançou adorei mas e o adulto como fica?!
    Comecei em março desse ano junto c minha pequena de 5 anos e reconheço a dificuldade na técnica não é uma dança fácil,sabemos. Mas gostamos dessa dificuldade de tentar nosso máximo sempre pq amamos essa arte. Tento o meu melhor em toda aula me concentro,me desligo do mundo e doa afazeres q são muitos: sou casada tenho duas cças, sou médica cardiologista e tenho somente 43 anos! Tenho bom condicionamento pois faço academia pela manhã e tenho bom alongamento e flexibilidade mas nada se compara a uma aula de ballet!
    Então vamos seguindo em frente com todas as dificuldades,cansaço, por ora desânimo, olhares tortos sem fraquejar,sem se importar muito pois a vida é uma só e temos q fazer o melhor pra nós mesmas tendo a certeza de que amamos o q estamos fazendo! Eu vou continuar com minha paixão até onde eu puder realizando meu sonho de infância e sendo feliz errando pra aprender e acertar!!!

  7. Comecei a dançar ballet no início do ano, tenho 22 anos e posso dizer que foi a decisão mais acertada que tomei.É algo que tem me realizado em todos os sentidos. O único problema de começar a dançar na fase adulta é que o corpo leva mais tempo pra se adaptar aos movimentos. Se tivermos vontade, as desculpas por falta de tempo ou cansaço não aparecem. Na terceira apresentação da escola, tive um entorce no joelho que me afastou das atividades ha mais de um mês. Apesar de todo esse problema e da recuperação que está sendo demorada, posso afirmar que no proximo ano vou voltar pra dança, que é algo que já faz parte da minha vida e que vou me dedicar sempre.

  8. Vou ter que discordar de vc nesse post. Porque eu acho que todos esse percalços e dificuldades devem ser previstas antes de se escolher o ballet clássico. Porque mesmo sendo adulto, mesmo sendo diferente, é ballet clássico. E ás vezes é uma atividade relaxante, mas muitas vezes não. Eu acho muito privilegiado só quem já tem o recurso financeiro de poder pagar a aula. Se ainda dispõe de tempo e vontade, não vejo como as dificuldades podem ser maiores…

    1. Concordo com você Sarah. É possível fazer um post desse, sobre várias atividades. Porque sempre que se inicia uma atividade de cunho físico em uma idade avança tem desafios!!!

  9. Eu tenho muita sorte porque minha professora de ballet é muito, mas muito compreensiva. Ela tem bastante paciência e flexibilidade com minhas limitações. Não tenho perna alta, mas tenho um pas de burée bonito. Então ela valoriza. Minha pirueta não tem velocidade, mas tenho um arabasque legal. Vamos valorizar. Eu agradeço todos os dias por tê-la encontrado porque ela realmente é uma exceção pelas coisas que tenho ouvido por aí. Ela parece entender que não dá pra dar aula pra adulto do mesmo jeito que se dá aula pra criança. São outras questões que estão envolvidas.

    Já cheguei na sala tão cansada que não consegui dançar. Era uma coreografia de ballet moderno e eu simplesmente caí no chão de exaustão. Ela foi lá, conversou comigo, me ajudou, perguntou como eu estava, etc. Em nenhum momento me passou sermão. Vida de adulto assim: tem dia que não dá. E não é porque a gente não quer, é porque nosso corpo não responde.

    Sou esforçada, não faço corpo mole. Quando dá pra ir, eu vou. Eu me viro. Mas algumas vezes realmente o trabalho interfere, tem reunião até mais tarde, tem trabalho de mestrado. E aí, sou obrigada a ouvir sermão porque estou trabalhando?

    Uma coisa é tomar aquela “lavada” porque se está fazendo corpo mole, porque tá com preguicinha (e nós sabemos que existem mulheres assim também nas aulas), outra é ouvir coisas porque simplesmente se tem uma vida atribulada. Essa última é absurda.

    O mais difícil pra mim são as colegas. Isso porque minha turma é mista e tem várias adolescentes. Algumas delas não entendem que eu simplesmente não consigo levantar a perna. Não vai. Pronto. E ficam de mi mi mi, achando que estou lerdando. Isso dá preguiça.

    1. Olá, eu sou Rejane e tenho 44 anos de idade e comecei no balé com 42. Faço minhas as palavras da Melissa de Sa´. Eu encontrei um estúdio de dança maravilhoso, com professores mais maravilhosos ainda, super compreensíveis comigo e que me dão muita força, muito estímulo e muitos desafios. Como a Melissa citou, a dificuldade dele são com as adolescentes que não a entendem. Pois lá onde faço o balé, todos me respeitam porque é norma e ordem da diretora da escola. Lá a diretora diz que não existe estrela, e sim, uma constelação. Todas brilham. Desde a criança pequena até as adultas. Nós somos em quatro e somos muito felizes nesse estúdio. O balé pra mim fez uma diferença muito grande. Tanto no emocional como no físico.

      Parabéns pelo blog e pelo post.

  10. Olá Cassia! Adorei o seu post! Quem me enviou foi minha professora de ballet. Eu tive muita sorte de encontrar uma academia no Rio de Janeiro que pudesse conciliar tudo. O valor é acessível, os horários também (durante a semana é a noite ou aos sábados pela manhã) e a professora é dedicada. Isso significa que ela cobra sim, e muito a técnica. Quando ela percebe que você pode fazer, mas não faz por estar com preguiça. Ou porque não sobe mais a perna porque quer ficar na zona de conforto. Mas ela respeita os limites físicos de cada um. Na minha turma tem menina de 19 e menina de 60. Tem gorda, tem magra. Tem os dias que o pessoal está mais relaxado, quer brincar mais (afinal estamos lá pra nos divertir e realizar um sonho né?) e tem os dias que estamos mais focados na técnica. Como disse, minha professora é maravilhosa! Ainda bem que eu a encontrei.

    Esse é o vídeo da nossa apresentação de final de ano: http://www.facebook.com/photo.php?v=536757649669101&set=vb.100000046118052&type=3

    Saí do palco chorando muito, me sentindo completamente realizada e feliz.

    Espero que vc encontre uma academia e volte a praticar, Eu larguei a acupuntura pois o ballet me deixou bem mais relaxada do que a acupuntura rssrrs

    Beijos!

  11. Não sei, acho que não é sempre assim não..se fosse, será que vale a pena? Voltei a fazer ballet faz alguns meses e estou amando cada minuto, mesmo os ensaios de domingo! Claro que como qualquer coisa tem aqueles dias mais difíceis, mas isso é normal. E mesmo a criança tem lá seus compromissos, provas, etc.. E bronca faz parte, senão não é ballet.

  12. Isso pode até ser verdade em alguns casos. Mas não tem que ser assim. Porque se for, realmente é melhor parar!! Pra ter essa visão é melhor nem começar na verdade. (Minha opinião meninas, ser estresse, ok!? Apenas uma discussão saudável.)

    A mulher que decide entrar no Ballet após os 18 anos tem que ter consciência dos desafios que vai enfrentar, e enfrentá-los de cabeça erguida. E não se lamentando por não ter tempo, não ter a mesma flexibilidade, Ou reclamar porque a professora cobra demais e você ainda trabalha, estuda, etc.
    Isso tudo são desafios que a maioria dos adultos que quer se dedicar a alguma atividade que tenha como pilar principal o corpo vai passar. (Não estou dizendo que Ballet é fácil, pelo contrário!! Todas sabemos muito bem, o quanto o Ballet exige)

    Eu comecei com 20 anos, sou uma bailarina adulta. Que sonhar subir na ponta ano que vem!! Trabalho o dia todo em pé. E sou estudante de economia, de uma Universidade federal. É muito, mas muito difícil conciliar tudo.
    Mas de jeito nenhum eu quero que a professora tenha dó da minha correria e me cobre menos, ao contrário. Quero ser cobrada ao máximo, para que cada minuto da minha aula seja muito bem aproveitado. Quero poder evoluir tanto quanto qualquer outra bailarina. Não quero ser vista diferente, por ser adulta e ter menos tempo. Quero que dentro do estúdio sejamos apenas bailarinas, todas nós independente de idade!!
    E sim, minha professora me cobra muito!! Já teve dias em que todas as outras bailarinas faltaram, daí ela puxou muito, mas muito mais!!! E isso me faz feliz, me sinto com o dever cumprido, pois sei que dou o meu melhor para realizar meu sonho, para viver meu amor!!

    Eu treino em casa, não muito, não todo dia!! Mas me organizo pra treinar o máximo de dias possíveis. E sempre arrumo um tempinho pra me alongar, sagrado, todo dia!! Mesmo que seja rapidinho, assim que acordo, ou antes de dormir. E quando tenho mais tempo aproveito pra além de só alongar, forçar abertura, ou alguma coisa que acho que está precisando. Enfim, eu dou um jeitinho, coloco o Ballet na minha rotina. Justamente pra compensar tudo que foi abordado no texto, todas as adversidades

    E no mais, um super beijo!!! O Blog é lindo demais e sempre trás posts deliciosos de ler e muito bons para refletir! Parabéns pelo seu trabalho!

    1. Ludymilla, eu acho que você entendeu errado o que a Cássia quis dizer. Não é por ser ballet adulto tem que ser menos cobrado, que a professora tem que cobrar e ter “dó” da gente. Não é isso! É que os professores de ballet adulto têm que olhar para as especificidades do ballet adulto! Não adianta marcar ensaio quarta-feira 12:00: não dá! Não adianta querer que em dois meses você faça um developpe lá na orelha: não dá. A cobrança tem que existir, mas existir dentro do limite do possível, dentro do que uma mulher adulta pode fazer. E tem que ser flexível: não adianta passar sermão só porque a aluna teve que faltar porque o filho tava doente. Isso é ridículo!

    2. Melissa, eu reli o post e acho que no primeiro tópico “Encontrar um estúdio de dança.” É realmente frustante, e isso se dá principalmente porque o Ballet adulto ainda é pouco procurado, e divulgado. (Por vários motivos e crenças que sabemos.)

      Mas nos tópicos seguintes eu discordo sim. Pois acho que como em qualquer atividade que se inicie tem cobrança e muita. Um professor não alivia porque vc tem outras matérias, seu chefe não alivia porque vc tem que trabalhar e estudar. E a professora de Ballet ou de qualquer outra atividade que se proponha a formar a pessoa tem que cobrar, porque isso faz parte da vida. E por mais que nós não façamos Ballet para sermos profissionais a escola de Ballet está ali para formar bailarinas. Não dá pra levar uma turma na boa. Eu acho que me sentiria mal, se percebesse que a professora me trata diferente, ou trata a minha turma diferente por sermos adultas.
      (Por mas que eu não vá ser uma bailarina profissional, quero que a professora me ajude a chegar o mais longe que eu puder, não quero me poupar por nenhum motivo, pelo contrário.Todos esses problemas de falta de tempo etc. São motivos pelos quais eu tenho que me esforçar mais e mais. E eu acho que é esse o objetivo das professoras e escolas de dançar, levar seus alunos o mais longe possível )

      Com certeza ela tem que respeitar limites físicos, e isso é em qualquer idade. Mas coisas como:

      “Trabalhar, estudar, cuidar da casa, dos filhos, é raro uma mulher que não tenha uma lista de coisas a serem feitas. Ballet clássico não é a sua prioridade, mesmo que ela queira.”

      Parece quando a gente está na escola e reclama que um professor passou muito dever e não pensou na gente, sabe?! Não pensou que a gente tem outras matérias e deveres. hahahaha Enfim, esse parágrafo ficou (na minha visão) exatamente igual a quando a gente reclama da cobrança na escola. :]

      A questão de respeitar o físico da pessoa, assim como disse antes e como foi mencionado no último parágrafo, tem que ser respeitado, em qualquer idade!!! Eu concordo.

      Não discordo totalmente, mas espero que tenha entendido meu ponto de vista, também

  13. Oi, Cássia! Me identifiquei muito com o seu post e as questões que você trouxe. Tudo encaixa: a dificuldade de encontrar escola, horários compatíveis, postura do professor perante o aluno, as caretas e comentários a respeito da limitação do nosso corpo adulto (mas não velho!). Sinceramente não sei porque isso acontece. A dificuldade não é exclusividade do Ballet, mas qualquer atividade física que seja iniciada após adulto! Todas têm níveis de dificuldade e muito embaraço no meio do caminho. Alongamento, elasticidade, força e equilíbrio, são conquistas da assiduidade, tempo e dedicação em uma atividade. Um exemplo é o pilates. Eu sinto, às vezes, que os professores de balé subestimam não só a nossa capacidade física, mas também o nosso amor pela dança e pela arte. E essas são apenas algumas dentre infinitas dificuldades que as bailarinas adultas encontram. Há uns dias liguei em outra escola, mais próxima da minha casa, e havia horários para iniciante/básico (meu caso). Tinha horário sexta a noite e sábado de manhã. Ok, ótimo! Porém, quando se chega no nível intermediário, o horário das aulas é das 15h às 16h, em dias de semana. E aí, como faz? Pede dispensa pro patrão (que paga o nosso salário, e inclusive o nosso balé) pra dançar no meio da tarde? Meio irreal isso. Tem muitas outras coisas, mas aposto que se você escrevesse sobre boa parte das dificuldades, seriam necessárias umas 20 páginas de post. Contudo, não podemos desanimar. Tais dificuldades inerentes de uma arte que, visivelmente, não é acessível a todos. Mas é possível aos que persistem! Mesmo diante de todas as dificuldades, sinto-me arrebatada quanto assisto Giselle, e extasiada diante da possibilidade de, um dia, dançar um pouquinho como as belas étoiles. E se alguém ousar dizer que estou velha para fazer isso, essa pessoa vai se arrepender muito! (risos) – Que não percamos a leveza e o anseio pela beleza que o Ballet traz. Amém. Beijos a um excelente final de ano pra você, Cassia!

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