“Como cuidar do outro sem tocar?”

Em abril do ano passado, publiquei um trecho da primeira entrevista que a jornalista Eliane Brum fez com a psicóloga Débora Noal, do Médicos Sem Fronteiras. Fiz questão de compartilhar o relato sobre Marie, uma mulher que, depois de perder praticamente toda a família e sofrer uma terrível violência, disse  “Eu me lembrei da última vez em que eu fui feliz […] Foi quando eu dancei”.

Esta semana, Eliane Brum publicou uma segunda entrevista com Débora Noal. Agora, ela conta como foi seu trabalho no Congo, por conta de uma epidemia de ebola.

A entrevista é imensa, mas vale cada linha. Porque é importante a gente olhar além do nosso próprio umbigo, o nosso bairro, a nossa cidade, o nosso país e perceber que há uma realidade que desconhecemos. Mas por que eu viria compartilhar isso neste blog?

Em um determinado momento, ela contou a história de um homem que tentou fugir do centro de tratamento dos infectados pelo ebola. As pessoas infectadas não podem ter contato com o meio externo ao centro, e ele estava preocupado com sua família, que estava passando fome. Ela conseguiu dissuadi-lo e o convenceu a ficar. Enfim, depois de vários acontecimentos, eis o seguinte…

E ele sobreviveu?
Débora – Sobreviveu. E quando a gente deu a notícia de que ele podia ir para casa, ele ficou tão feliz que começou a dançar. Só que ele não parava, ele pulava num pé só, com os braços para um lado, com os braços para o outro. Em vez de ligar o rádio dele nas notícias, ligou num outro canal, que tinha música. E ligou a todo volume e começou a dançar no meio do Centro. Aí os familiares, para quem a gente também tinha comprado um rádio, para que pudessem escutar as notícias no lado de fora, sintonizaram na mesma estação que ele, aumentaram o volume e também começaram a dançar. Foi uma cena muito bonita. Ele do lado de dentro, e os familiares do lado de fora. Nós todos num Centro de ebola – e dançando!

Eliane Brum e Débora Noal, trecho de Missão Ebola: “Me reinventei a marretadas”.
Para ler a entrevista completa, aqui.

*

Eu não preciso tecer qualquer comentário. A bela cena diz tudo.

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2 comentários sobre ““Como cuidar do outro sem tocar?”

  1. Precisava vir aqui agradecer esse link. Gosto de tudo que leio da Eliane brum, mas nao tinha idéia de que ficaria acordada até agora lendo a primeira entrevista de Débora. E eu que estava so inocentemente lendo meus feeds depois de chegar do ensaio do espetáculo. Adoro teu blog, menina, mais uma vez obrigada!

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