Danças circulares

Quando a dança surgiu? Se alguém disser “No século XVI, com o ballet” terá suas sapatilhas confiscadas por longos meses!

A dança existe desde que o mundo é mundo e sequer é possível determinar com precisão quando ela surgiu. Mas, provavelmente, a dança começou em uma grande roda.

Com o tempo, a dança de roda perdeu seu caráter ritual, mas foi mantida por conta das danças folclóricas. Na década de 1960, dois movimentos distintos começaram a resgastar essas danças, sendo um denominado “Danças Circulares Sagradas” e o outro, “Danças da Paz Universal”. Quem quiser conhecer o histórico desse surgimento, aqui.

Eu conheci as danças circulares na pós-graduação. Minha vida na dança se divide entre antes e depois das danças circulares. Não é exagero da minha parte, cheguei a comentar isso neste post.

Quem dança conhece bem este sentimento: quando dançamos, olhamos para dentro. Nos encontramos, descobrimos quem somos. Mesmo em grupo ou em dupla, dançamos sozinhos. Nas danças circulares não, olhamos para dentro e para fora. Porque existe uma roda. Porque estamos de mãos dadas com outras pessoas. Porque cantamos juntos. Porque estamos no mesmo passo. Porque nos olhamos. Porque somos todos iguais.

Basicamente, o focalizador − não lembro se é essa a palavra, mas é o responsável por conduzir a roda, explicando o que deve ser feito e auxiliando no seu andamento − explica os passos a serem realizados e, às vezes, a música que será cantada. Sim, cantamos em outros idiomas, mesmo sem os conhecê-los, porque também dançamos o que vem de outros países. Os passos são explicados brevemente e logo todos estão fazendo igual. É incrível como a roda se transforma em uma unidade tão rápido.

Para entender melhor, assistam a esta belíssima cena do filme “Lavoura arcaica”, de Luiz Fernando Carvalho.

Nas aulas, cheguei a dançar com 60 pessoas no pátio da faculdade. Naquele momento, talvez eu tenha entendido claramente o significado da palavra comunhão.

*

Quem quiser dançar, em São Paulo há danças circulares em vários parques da cidade. É só chegar e participar. Vocês podem conferir alguns locais aqui e aqui. Infelizmente, não sei se isso acontece em outras cidades, mas se alguém souber, basta compartilhar nos comentários.

Quem quiser saber mais, assista à entrevista com Vaneri de Oliveira, uma das diretoras do Semeia Dança, partes [1] e [2]. A propósito, ela foi a minha professora e a ela serei eternamente grata por me mostrar que a dança é muito mais do que imaginamos.

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3 comentários sobre “Danças circulares

  1. Olá Cássia adoro seu blog e amei essa dança com música árabe! Já fiz dança do ventre e essas músicas são realmente contagiantes.Agora faço ballet desde março com minha menina de 5 anos e adoro!
    Abraço
    Nancy

    1. Em Pernambuco tem um encontro com dança de roda chamada Ciranda. Não sei muito sobre isso porque eu era muito criança quando meus pais que eram de lá frequentavam, mas existe até uma musica que fala ” esta ciranda quem me deu foi Lia que mora na Ilaha de Itamaracá” Espero ter ajudado Bjus
      Scheylla

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