Antigamente…

Não sei se vocês já ouviram a afirmação: “Hoje em dia, os bailarinos têm mais técnica”. Quando ouço isso, tenho vontade de me jogar no lago vestida de tutu branco.

Por trás dessa afirmação, eu entendo que as pessoas querem dizer que os bailarinos de hoje dançam melhor. No fim das contas, é um erro duplo: hoje não há “mais técnica” tampouco os bailarinos “dançam melhor”. São épocas diferentes, treinamentos diferentes e, principalmente, corpos diferentes. Além disso, nossa geração cresceu associando corpos longilíneos e limpeza técnica, e vê-los como sinônimos. Por isso, é tão complicado ver uma bailarina com outro típico físico e achá-la incrível dançando, mesmo que isso seja verdade.

Mas falar isso é jogar palavras ao vento. Há pessoas que continuarão batendo o pé e dizendo que não é bem assim.

Dessa forma, só as imagens dirão o suficiente. Assistam ao grand pas de deux de “O corsário”, com Alla Sizova e Rudolf Nureyev em 1958.

Se não fosse a imagem em branco e preto, o tutu e os detalhes de alguns movimentos (por exemplo, a posição do pé da perna flexionada na perna de base durante os giros), ninguém diria se tratar de uma filmagem da década de 1950. Passaria por 2012 tranquilamente.

Não sou uma pessoa saudosista, tampouco acho que “antigamente era melhor”. Mas no caso do ballet clássico, confesso, eu nasci em época errada. São os bailarinos antigos os que mais me emocionam. E era assim que eu queria dançar.

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8 comentários sobre “Antigamente…

  1. O legal é notar que ela tinha a tal “perna alta”. Só nos momentos que a coreografia permitia, sem perna alta por perna alta. E os saltos dela são lindos, com altura e leveza.
    Interessante notar não só a evolução física no ballet, mas a evolução das coreografias. A variação da Medora aqui não tem nada a ver com a variação que vemos hoje, inclusive na música (diria que é uma das variações de Paquita, mas não tenho certeza…).

    Alguns aspectos atuais do mundo da dança clássica profissional me incomodam bastante também, como a magreza de algumas bailarinas e a quase obrigatoriedade da flexibilidade excessiva. Mas as meninas, na Rússia por exemplo, já são selecionadas para as escolas profissionais baseadas nestes critérios, então para elas já é algo natural. Imagino que a vasta maioria delas tem tendência zero para engordar de qualquer forma (invejinha…) e uma hipermobilidade natural. Acho que a parte física da dança profissional pede um corpo magro e flexível sim, mas sem exageros e sem unanimidades, e ficar implicando *só* por causa da magreza é contra-pruducente.
    O que não dá é para as meninas nas escolinhas de ballet levarem isso como o ideal (tal como as adolescentes querendo ser iguais as modelos nas revistas).

    Leio sempre o seu blog, Cássia, costumo postar mais lá no facebook.
    O engraçado é normalmente eu não concordo com as suas opiniões, mas continuo lendo de qualquer forma, pois adoro os assuntos abordados aqui e adoro mais ainda um argumento bem construido (coisa rara hoje em dia), seja para que lado ele for. Parabéns!

  2. Sou suspeita para comentar, pois eu simplesmente sou apaixonada pelo Ballet de antigamente. O que acontece é que como tudo no mundo, a técnica também evoluiu e muito. Antes o treinamento era pura repetição, como de um atleta;,para atingir um determinado movimento tinha que fazer muitas e muitas vezes, trabalhar nas aulas,etc. Hoje outros recursos foram adicionados á estas repetiçòes: Consciência Corporal com aulas de barre a térre, pilates, eficiência física e outras técnicas incorporadas da dança moderna. Mas sempre falo para os meus alunos observarem estes vídeos antigos com a consciência de que as pontas eram estreitas e extremamente duras, o chão era duro, os figurinos não tinha elasticidade,imagine o talento destes bailarinos para executar tudo o que fizeram. Precisamos olhar com respeito, com amor, eles foram os precursores de todos estes bailarinos maravilhosos que vemos hoje. Eles são muito além do que os nossos olhos podem ver…

  3. Antes do comentário digo que gosto muito do seu blog!
    Acho que o Ballet sempre foi lindo, antes e agora… Cada um com o seu corpo e suas técnicas, basta ser persistente e sempre buscar ser melhor né? A única coisa que mudou acho que como hoje conhecemos muito mais o corpo humano e sabemos melhor como todas as suas partes funcionam, algumas “técnicas de treino mudaram”. Mas de resto tudo continua lindo se for feito de coração…

  4. Cássia vc reparou como a perna dela é grossa e forte, nada parecido com as de hoje em dia? e como mesmo esbelta, ela tem um aspecto saudável? pois é.. ás vezes o antigamente era melhor ;)

  5. Cássia, vc achou uma joia! Acho que a técnica do ballet melhorou muito sim, de uns tempos para cá, mas perdeu muito da teatralidade, que é o que caracteriza o ballet como arte. A Alla Sizova é maravilhosa mesmo! Minha turma vai apresentar La Vivandiére em duas semanas, e eu fui escolhida para ser a principal. O La Vivandiére que temos é com a Sizova, e eu ficava o tempo todo pensando que eu não estava boa o bastante para ser a principal, e olhava para o vídeo e pensava: eu nunca vou saltar como ela! Ela é tão leve! Mas aí minha professora fazia passar mais e mais vezes a coreografia inteira e melhorou um pouco pra mim, mas é claro, ainda estou muito longe de ser uma Alla Sizova da vida UAHSUAHSUASHUASHUASHAUSH Espero um dia saltar com tanta graça e delicadeza como ela, sempre acho meus saltos muito pesados… Ela foi uma grande inspiração para mim nestes últimos dois meses.

  6. Eu acho uma tristeza pensar que apenas corpos longilíneos e super magros são capazes de dançar ballet clássico. Quantos talentos não ficam de fora apenas porque têm um corpo diferente? E por essas imagens que temos aí vemos que um corpo um tanto mais robusto não impede em nada que se dance ballet. E com alta técnica!

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