Dança contemporânea

O objetivo deste post é dar apenas uma ideia sobre o assunto. Não sou especialista nisso, nem me aprofundo no seu estudo. O pouco que sei veio das aulas de dança contemporânea e história da dança que tive na pós-graduação. Tentei reunir alguns conceitos para a gente começar a olhar a dança contemporânea com outros olhos.

Ballet clássico, flamenco, sapateado, jazz, dança indiana são estilos de dança. Cada qual possui suas próprias características: passos, músicas, elementos para a sua execução. Em um primeiro olhar, conseguimos identificar qual é. E a dança contemporânea, é um estilo de dança?

Não. A dança contemporânea é “um jeito de pensar a dança”. Não há método, técnica específica, passos determinados, tipos de música ou qualquer elemento que a defina. O que existe é uma mistura de linguagens. Posso utilizar várias fontes como base para a minha criação.

Trecho de “Orfeu e Eurídice”, Pina Bausch.

Não é lindo ver uma ópera coreografada? Nesse caso, “Orfeu e Eurídice”, de Christoph Willibald Gluck. Além disso, foi o meu jeito de seduzir vocês: a dança contemporânea também é espaço para a delicadeza e a fluidez.

“Ah, então é qualquer coisa?” Também não. Se a dança contemporânea é um jeito de pensar a dança, é necessário haver uma ideia por trás da obra. É preciso ter um objetivo. “O que eu quero dizer?” A partir disso, utiliza-se todo um repertório artístico, cultural, pessoal e de movimento para criar as coreografias. Por essa razão, há trabalhos tão diferentes entre si.

E os movimentos nessa história? Afinal, estamos falando de dança. É possível utilizar os mais diversos tipos, desde os específicos de determinados estilos, como do ballet clássico, como os do nosso cotidiano. Mas o que difere um movimento em uma obra de dança contemporânea de um movimento corriqueiro? A qualidade do movimento. Esse termo foi utilizado pela professora de história da dança e eu o acho fundamental para entender a dança contemporânea e acabar com essa ideia de que ela é qualquer coisa. Pensem sempre nisto: na qualidade do movimento.

Trecho de “Rosas danst Rosas”, Anne Teresa De Keersmaeker.

Os movimentos desse trecho de “Rosas danst Rosas” são aparentemente simples, mas realizados com tamanha precisão, qualidade e sincronia que me prendem sempre que assisto.

Outro ponto importante, não há especificações físicas para dançar. Basta assistir a uma apresentação da companhia de Pina Bausch e vemos isso claramente: idades, corpos, tipos, tão diferentes e tão semelhantes na qualidade artística. Isso é uma das coisas que mais me toca na dança contemporânea: ela se aproxima das pessoas. Não apenas nos temas tratados, mas nos corpos que dançam. Palco e plateia, bailarinos e espectadores, somos todos iguais.

Resumidamente, na dança contemporânea não existe um padrão, seja de movimento, de corpo, de linguagem ou de técnica. Ela abraça o mundo. Talvez seja essa a dificuldade que muitas pessoas da dança clássica encontram: estudamos algo tão rígido, tão específico, tão cheio de regras, tão castrador, que se deparar com a liberdade de criação nos balança e nos incomoda. Talvez porque não nos reconhecemos. Mas quem disse que precisamos nos reconhecer em tudo o que vemos?

Trecho de “Onqotô”, Rodrigo Pederneiras/Grupo Corpo.

Sabe quando algo incomoda, mas fascina ao mesmo tempo? É o que acontece comigo quando assisto a essa coreografia de “Onqotô”. Ela é difícil, exige muito do corpo e é de uma beleza sem igual.

Ao estudar dança contemporânea, um mundo se abriu para mim. Além do mais, a aula prática é uma delícia de fazer. Existe uma maneira de dizer o que eu quero do jeito que me apraz. Só por isso, a dança contemporânea já tem todo o meu amor.

Fontes:
Aulas de dança contemporânea e material de apoio, pós-graduação em Dança e Consciência Corporal (FMU), Claudia Palma.
Aulas de história da dança e material de apoio, pós-graduação em Dança e Consciência Corporal (FMU), Camila Coppini.
Roger Garaudy, “Dançar a vida”. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1980.

*

Observação: Quem notou que os trechos foram dispostos, na sequência, em planos alto, médio e baixo?

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11 comentários sobre “Dança contemporânea

  1. Meus Parabéns Cássia, não conhecia o Blog mas amei aqui.
    Amei o Post, e o modo como expôs todo o conteúdo sobre essa modalidade magnífica de dança.

    Feliz 2017 pra você !!

    1. Bárbara, que coisa mais linda! Dança contemporânea bem-realizada faz nascer obras assim… Muito obrigada por compartilhar, eu adorei!

      Grande beijo.

  2. Bom eu acho que tudo que seje diferente é para acrescentar…não entendo a linguagem da dança contemporanea…penso que va dança contemporanea usa, exageradamente, da dramaticidade…o que a dança classica faz com classe e elegancia…não curto muito o exagero…é uma opinião de quem não vivencia e vê e lê muito pocuo do assunto

  3. Concordo com o comentário da Gabriela. Acredito que da mesma maneira que as artes plásticas, a dança contemporânea está sendo composta por todas as pessoas que trabalham contemporaneamente, ou seja, que estão agora vivas trabalhando. De todas essas pessoas que produzem na atualidade, pouquíssimas vão ficar na história. Por isso vemos tanta coisa ruim, e depois que o autor morre é que vemos se a obra foi relevante ou não. Infelizmente é muito mais fácil uma pessoa se colocar no jogo, do que colocar uma obra com real valor.

  4. Cássia tô viciada no seu blog, tem um mês que não saio daqui! hahahah
    Nunca fui fã de contemporâneo pq algumas vezes acontece como a Gabriela acabou de comentar, o negócio é feito só pra chocar e incomodar, eu não vejo a dança nisso de se debater ou na pura vulgaridade… nessas horas acho que a mentalidade fechada e tradicional típica da minha cidade do interior se aflora em mim tb… hahahah
    Felizmente esse primeiro vídeo é a prova de que era um preconceito meu, vou procurar mais coisas da Pina pra assistir, mto lindo mesmo! Deu mta vontade de dançar!
    Essa semana assisti um programa do multishow, mundo em movimento, mostra uma fotógrafa que era bailarina registrando a dança pelo mundo, essa semana foi na turquia, vale a pena assistir!

  5. Confesso que não gostava muito de dança Contemporâne, até que li esse texto lindo e entendi um pouco mais sobre essa arte, aprendi que não precisa de mensagem, nem música nem história, ela não se define em técnicas ou movimentos específicos.

    Achei lindo é só deixar o corpo fluir sem limites.

    Lindo texto!

  6. Sou apaixonada pelos espetáculos da Pina Bausch!
    A dança contemporânea é um instrumento lindo quando bem utilizado, mas alguns espetáculos por aí me incomodam por não passar simplesmente nada! Assisti a um em que uma das bailarinas ficava se debatendo no palco, e em outro momento dois bailarinos praticamente faziam sexo com roupas. Teoricamente havia um conceito, além da liberdade própria da dança contemporânea mas, de tantos meios disponíveis para se passar uma mensagem, muitas companhias optam pelo que supostamente será mais ~polêmico~ . Isso sem falar nos bailarinos que saltam e giram como se não houvesse amanhã…

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