É assim que se faz

“Eu quero atrair o público, velho e novo, inspirá-lo, entretê-lo, estimulá-lo e desafiá-lo, fazendo que ele queira ser parte desta organização. Nosso público não deve ser apenas o rico e o morador de Londres. Nós devemos continuar alcançando todos na sociedade, onde quer que vivam, independentemente do meio. Ballet clássico pode ser visto como obscuro e fora do alcance para muitas pessoas. Ele não é e não deve ser, e nós trabalharemos duro, o quanto for possível, para fazer o ballet relevante, acessível, divertido, desafiador – uma grande balada¹. Nunca o domínio exclusivo do endinheirado ou do poderoso.”

Tamara Rojo, trecho de seu discurso na apresentação da nova temporada do English National Ballet. Para ler completo, em inglês, aqui.

Quando eu li, pensei em fazer um longo texto, mas seria falar mais do mesmo. Em primeiro lugar, até que enfim!, uma diretora de uma companhia disse que o ballet clássico é para todos. Todos! Segundo, ao falar sobre o público, ela mostrou a clareza que tantas vezes falta nas companhias de dança: o trabalho não existe em si, ele existe para um público que sai de sua casa, paga o ingresso e dá o seu tempo para assistir ao espetáculo. É no público que a obra se completa. Dois pontos tão importantes abordados de uma única vez.

Se o objetivo da Tamara Rojo será alcançado, só o tempo dirá. Mas que ela chegou chegando, não há dúvidas. Ganhou o meu amor, o meu respeito e a minha admiração.

Vamos ver se agora as demais companhias percebam que alcançar o público não é passar ballets de repertório nos cinemas: a questão é outra. É fazer o que a Tamara Rojo está fazendo. Como vou torcer para tudo isso dar certo!

Para ver a programação da nova temporada do English National Ballet, aqui.

*
Observação:
¹ Balada é gíria de São Paulo, não é? Na verdade, o termo era “night out”, mas “sair à noite” ficava solto no texto e não consegui uma tradução melhor. Quem souber, sinta-se à vontade para me corrigir.

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7 comentários sobre “É assim que se faz

  1. Parabéns a ela por essa grande conquista, q q tudo dê certo em sua carreira.

    Bom amei o discurso, amei a matéria e parabéns pelo blog.

    Tenho uma pergunta a fazer, e não tem nada a ver com a matéria, é q sou professora a mais de 20 anos, e hj tenho uma academia na minha casa mesmo, e dou aulas pra crianças no bairro em q eu moro, acontece q uma aluna se acha melhor q eu, e adora criticar as minhas coisas e principalmente as minhas coreografias, o q devo fazer, já dei umas cortadas mas parece q ela não se encherga e já tô perdendo a paciência é uma falta de respeito, e aí preciso de vocês pra sair dessa.

    1. Vivian, eu editei o seu comentário para excluir o seu e-mail, porque não há divulgação de aulas aqui no blog, tudo bem?

      Grande beijo.

  2. Se essas companhias entendessem que lucrariam mais ainda se ganhassem acessibilidade, sairiam desse nicho onde só circulam doadores e patrocinadores ricos. E vou mais longe, apesar de que o que eu vou dizer é bem polêmico e foge levemente do assunto: talvez assim existiriam mais primas ballerinas de diferentes raças nos principais espetáculos das grandes companhias: negras, orientais, mestiças, etc., não só as caucasianas “preferidas” do público atual dos ballets.

    1. Carol, eu concordo plenamente com você. Só discordo num ponto, não acho que as caucasianas sejam as preferidas do público atual dos ballets (se é que você quis dizer isso), mas sim são as preferidas das companhias de dança. Acho que o público adoraria ver bailarinas de diferentes tipos, porque isso as aproximaria da plateia. Mas como o ballet clássico vive no século 19, acha que ainda existe aristocracia e se perdeu no tempo, é isso o que vemos nos palcos. Daí não adianta eles arrumarem mil jeitos de trazer público, porque a base da questão não é resolvida. Quem sabe um dia “acordam” para isso.

      Grande beijo.

  3. Muito legal! Ana Botafogo também ganhou minha admiração e meu respeito por sua preocupação em popularizar o ballet.

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