Visita à SPCD, parte 1

Ontem, na São Paulo Companhia de Dança, aconteceu a coletiva de imprensa para anunciar a remontagem do grand pas de deux de “O Quebra-Nozes” pelas mãos de Tatiana Leskova. Eu estive lá graças ao convite da Marcela Benvegnu, coordenadora de comunicação da companhia. Os detalhes e algumas fotos vocês encontram no blog da própria SPCD, aqui.

Nem preciso dizer que há muitas coisas para compartilhar. Dessa forma, publicarei três posts ao longo da semana. No primeiro, vocês saberão sobre a aula de ballet clássico da companhia, o ensaio de “O Quebra-Nozes” e a apresentação de Bachiana nº 1. Depois, falarei sobre os novos projetos da São Paulo Companhia de Dança. Por fim, haverá um post especialmente dedicado à Tatiana Leskova, porque aprendi mais sobre ballet clássico em 10 minutos de coletiva de imprensa do que em todas as aulas que tive nos últimos anos.

*

Uma aula de ballet clássico em uma companhia de dança

Eu pude escolher qual aula gostaria de assistir, das bailarinas ou dos bailarinos. Adoraria ter visto de ambos, mas não perderia a chance de aprender pela observação. Por isso, escolhi a primeira opção. Na aula, estavam tanto as bailarinas da SPCD quanto do ballet do Teatro alla Scala de Milão.

Das roupas das bailarinas à estrutura da aula, é completamente diferente do que estamos acostumadas nas nossas aulas. Não se perde tempo, cumpre-se horário, a professora não grita, as bailarinas não reclamam. Há disciplina sem sisudez, entendem o que quero dizer? O que fica evidente é: todo mundo está ali trabalhando. E é essa postura de seriedade e comprometimento com a dança o que mais me encantou. Quisera eu que isso fosse regra em qualquer lugar, independentemente da intenção das aulas. O foco deveria ser sempre o ballet clássico, não o que está ao seu redor.

O ensaio de “O Quebra-Nozes”

Antes de começar, Inês Bogéa, diretora da SPCD, nos avisou que aquela seria a primeira passagem corrida da coreografia pelos bailarinos e que eles estavam ensaiando há apenas uma semana. Como se dissesse para compreendermos a situação. Nem seria necessário: foi lindo! Assistir de perto a um grand pas de deux bem-feito é outra coisa. A estreia será dia 29 de setembro, em Indaiatuba. Sobre os apontamentos de Tatiana Leskova, eles merecem citação no post dedicado a ela.

Quem quiser conhecer pelo menos o adágio, ele é semelhante à montagem de Maurice Béjart com a coreografia original de Marius Petipa, aqui.

A apresentação de Bachiana nº 1

Por conta da presença do diretor do Scala, Makhar Vaziev, a SPCD apresentou Bachiana nº 1, coreografia de Rodrigo Pederneiras, do Grupo Corpo, criada especialmente para a companhia. Nada de palco, iluminação e figurino, a apresentação aconteceu na sala em que assistimos ao ensaio, os bailarinos estavam com roupa de aula, a luz do dia entrava pela janela… E como foi emocionante! Nessas horas que entendemos a força da dança. Agora quero assistir durante o espetáculo e, sem dúvida, me emocionarei novamente.

A trilha sonora é Bachianas Brasileiras nº 1, e para ouvir: [1] [2] [3]

Isso é um breve resumo do que acompanhei, porque há impressões que são difíceis de serem descritas. E imaginem como me senti ao ficar sentada durante mais de duas horas enquanto os bailarinos dançavam. Eu me segurei no banco, mas dancei por dentro o tempo todo.

No próximo post, falarei sobre os projetos da São Paulo Companhia de Dança.

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9 comentários sobre “Visita à SPCD, parte 1

  1. Ai, Cássia, deve ter sido tão bom!
    E a postura faz mesmo diferença né? Seria bom mesmo se todas as aulas fossem assim, tenho certeza que renderiam mais.
    Uma coisa que me deixou intrigada foi os bailarinos e as bailarinas fazerem aula separados. Eu realmente achava que era todo mundo junto. Em parte por conta dos filmes, em parte porque nas duas cias que eu conheço eles realmente fazem, mas são pequeninas (em comparação, pelo menos), sei que é diferente.

    Beijos

    PS: demorei pra comentar porque eu queria ler com carinho e atenção antes de falar qualquer coisa e a última semana foi tensa e corrida demais pra isso.

  2. Oi Cássia, td bem?
    Primeiramente, parabéns por esse presente!!! Sabe que eu tenho muita vontade de visitar a SP Cia de Dança? Desde que eu conheci o trabalho deles através de um documentário que fala sobre a criação da Cia (Acredito que seja do Canteiro de Obras), que eu sempre via no antigo canal 14 da NET há alguns anos atrás, antes da era HD… Eu tenho grande desejo de conhecer o trabalho deles pessoalmente! Fico muito feliz por vc!
    Mas tem uma coisa que preciso comentar…
    Aqui no post, vc menciona a remontagem do Pas de Deux “O Quebra-Nozes” (fiquei sabendo isso no twitter da SPCD antes de ver sua postagem, rs), e que “ele é semelhante à montagem de Maurice Béjart com a coreografia original de Marius Petipa”.
    Como sabe, eu tenho escrito matérias na revista da Capezio (na realidade foram só duas), sendo que a primeira foi justamente sobre “O Quebra-Nozes”. E ao pesquisar sobre a peça, encontrei muitas divergências no que diz respeito a coreografia.
    Algumas fontes afirmam que Marius Petipa não aceitou coreografar o ballet, e a autoria da mesma seria de Lev Ivanov. Em outros lugares, diz que Marius Petipa teria começado a coreografar mas adoeceu no meio do processo de criação e quem teria dado continuidade também teria sido o Ivanov. Já outra teoria, que acredito ser a mais correta, é a de que Marius Petipa construiu o libreto, e Lev Ivanov criou a coreografia. Digo isso pois nos créditos do DVD da versão do Kirov de 1994 (com a Larissa Lezhnina) fala exatamente isso. Os DVDs da Royal também dão o crédito da coreografia a Lev Ivanov.
    Claro, sou apenas uma grande apaixonada pela dança e estou sempre aprendendo algo novo, mas achei interessante comentar, pois cada lugar em que se pesquisa sobre a coreografia dessa peça fala-se uma coisa diferente.

    Grande bj :)

    1. Julimel, eu mantive o comentário do vídeo, quando o apresentador diz que essa é a coreografia de Marius Petipa. Em relação à remontagem da SPCD do grand pas de deux de “O Quebra-Nozes” realizada por Tatiana Leskova, no material que recebi consta que a coreografia é de Marius Petipa e Lev Ivanov. Eu nunca discuto por dois motivos: não sou uma pesquisadora de ballets de repertório e acato o material de divulgação. Além disso, você sabe muito melhor do que eu o quanto as coreografias foram mudadas ao longo do tempo. Ter plena certeza de sua origem é mesmo complicado. De toda forma, muito obrigada pela explicação.

      Grande beijo.

    2. Peço desculpas se me entendeu mal… Como disse, apenas achei interessante comentar.
      Não pedi pra vc mudar nada em sua postagem. Me perdoe se entendeu isso… Como disse também “sou apenas uma grande apaixonada pela dança” e não a dona da verdade.

      Sei bem que as coreografias mudam com o tempo, visto a grande diversidade de montagens que surgiram após a original:
      – Vassily Vainonen (Kirov – versão de 94)
      – Yuri Grigorovich (Bolshoi)
      – Rudolf Nureyev (Ópera de Paris)
      – George Balanchine (New York City Ballet)
      – Helgi Tomasson (San Francisco Ballet)
      – Peter Wright (Royal Ballet e Birmingham Royal Ballet)
      – Greame Murphy (Australian Ballet)

      E com certeza existem muitas outras…

  3. Cássia, eu fico impressionada com a qualidade do seu blog. Você equilibra perfeitamente informações soltas pela internet que vc organiza; passa a sua emoção e a sua inteligência em relação à dança que são maravilhosas de ver; costura realidades da dança internacional com a dança nacional, falando de pessoas que estão aí trabalhando na atualidade, em escolas e teatros que fazem parte do nosso conhecimento. Parabéns !

  4. UAU!
    deve ter sido um dia lindo! Imagino o sorrisinho no rosto durante esse dia tão-tão especial!! :D

    Ah, a Inês Bogéa esteve no Enesdança domingo agora, aqui no ES. Uma gracinha ela!

    Beijos!

  5. Que oportunidade perfeita!!
    É um sonho mesmo. Acompanho sempre os vídeos-aula da Royal e já fico maravilhada com tudo, imagine ao vivo!!!
    Você tirou fotos? Mostre para a gente.

    beijos

  6. Poxa, que coisa mais emocionante!

    E eu também acho que deveria haver menos reclamação na aula de balé. Tudo bem que na minha sala ninguém tem intenção de ser bailarino profissional, mas poxa, estamos ali pra aprender, né? Ninguém está nos obrigando.

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