De corpo e alma

Hoje estreia nos cinemas brasileiros o documentário Pina, de Wim Wenders. Comentei sobre ele há bastante tempo, aqui.

(Dance, dance. Caso contrário, estamos perdidos.)

Foto: Divulgação. Cinema em Cena.
Para assistir ao trailer, aqui.

A escritora e professora Maria Esther Maciel escreveu um belíssimo texto sobre o filme, publicado no jornal Estado de Minas, em 20 mar. 2012.

“‘Você precisa ser mais louca’, aconselhou a bailarina Pina Bausch a uma de suas alunas. Para a grande mestra alemã, que revolucionou o mundo da dança contemporânea e infelizmente partiu aos 69 anos, em 2009, não bastava ter a técnica apurada, o corpo em plena forma, a disposição para o palco. Sob o seu olhar, a verdadeira dança não podia acontecer sem uma certa dose de loucura, uma certa desmesura da alma. Tudo isso, é claro, combinado com a disciplina e a ousadia dos movimentos, o rigor flexível dos músculos e a leveza consistente dos gestos. Cabe ao corpo exercitar-se em todas as suas partes, incluindo as de dentro. Cabe ao corpo expressar o que a alma traz e as palavras não dizem. Cabe ao corpo extrair dos movimentos diários e banais algo da ordem da poesia. […]

“A Pina não interessava o modo como as pessoas se moviam, mas sim o que as movia. Daí a importância do olhar em suas coreografias, mesmo quando os olhos dos bailarinos se fecham. É como se esses olhassem, simultaneamente, para dentro de si mesmos e levassem os espectadores a enxergar o que veem. A dança de Pina consegue mostrar o que foi, o que já não é, o que será e o que ainda não é. Move-se entre os tempos como se fosse de todos eles. Vale-se da repetição dos movimentos para mostrar a força da diferença nos gestos que se repetem.

“Digo que sempre cultivei uma paixão meio secreta pela dança. Meio secreta porque pouca gente sabe desse meu fascínio e de minhas tentativas falhadas de me tornar uma bailarina. Meu pai bailava maravilhosamente bem e me ensinou vários passos de dança. Fiz balé durante um tempo, mas parei pela força das contingências. Retomei as aulas aos 29 anos, em BH, mas já era tarde demais. […]”

Maria Esther Maciel, trechos de “De corpo e alma”.
Para ler o texto completo, aqui.

E como dizer à Maria Esther que não era tarde demais? E que ainda não é?

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4 comentários sobre “De corpo e alma

  1. Amo suas dicas, não sei o que faria sem elas!!
    Certeza que vou assistir, amo filmes de dança!
    Beijinhos.

  2. “…mesmo quando os olhos dos bailarinos se fecham. É como se esses olhassem, simultaneamente, para dentro de si mesmos e levassem os espectadores a enxergar o que veem.” Que lindo! Uma das definições mais belas e vedadeiras do que é e faz um(a) bailarino(a)!

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