Prix de Lausanne 2012

Ontem aconteceu a 40ª edição do Prix de Lausanne, uma competição internacional para jovens bailarinos, de todas as nacionalidades, com idades entre 15 e 18 anos. O objetivo é auxiliar a carreira desses jovens, com bolsas de estudo em escolas de grandes companhias ao redor do mundo. Esses custos são bancados por empresas patrocinadoras.

Quem acompanha o blog, deve desconfiar que não sou fã dessas competições. Primeiro, porque acho muito cruel. A pressão, a ansiedade, a concorrência, ser avaliado em poucos dias. Segundo, competições podem gerar uma disputa desmedida, ainda mais em pessoas tão jovens. O mundo é assim? Eu sei, mas continuo achando cruel e insensato. Mas, confesso, eu tenho um grande apreço pelo Prix de Lausanne. Quando vejo aqueles bailarinos cheios de esperança e dedicação, querendo ser profissionais com tanto ardor, eu me emociono. Especialmente, porque o grande prêmio ali é estudar, não ganhar um troféu para colocar na estante dos estúdios de dança. Por isso, o Prix de Lausanne tem toda a minha admiração.

As bailarinas brasileiras Larissa Santos e Thamires Chuvas aparecem nesse vídeo. Eu fico tensa só de olhar essa banca, que dirá elas. E eu torci tanto pela Thamires na final… Ela estava linda!

A final foi transmitida ao vivo pela internet. Eu acompanhei quase todas as apresentações de clássico e algumas de contemporâneo. Também assisti à entrega dos prêmios. No geral, foram selecionados sete bailarinos brasileiros (quatro meninas e três rapazes), três foram para a final (Thamires Chuvas, Daniel Silva e Edson Barbosa) e um deles, o Edson Barbosa, ficou em terceiro lugar e ganhou uma bolsa de estudos.

Além de talentoso, o Edson Barbosa é uma simpatia! Não dá vontade de ser amiga dele?

Analisando a lista de vencedores desde 1973, há nomes que conhecemos muito bem:

1980 Alessandra Ferri, Itália (bolsa de estudos)
1981 Leanne Benjamin, Austrália (bolsa de estudos)
1984 Viviana Durante, Grã-Bretanha (prêmio em dinheiro)
1986 Darcey Bussell, Grã-Bretanha (prêmio em dinheiro)
1986 Julie Kent, Estados Unidos (bolsa de estudos)
1987 José Martinez, Espanha (bolsa de estudos)
1989 Ethan Stiefel, Estados Unidos (prêmio em dinheiro)
1990 Carlos Acosta, Cuba (medalha de ouro)
1992 Laetitia Pujol, França (bolsa de estudos)
1994 Benjamin Millepied, França (prêmio em dinheiro)
1994 Diana Vishneva, Rússia (medalha de ouro)
1995 Gillian Murphy, Estados Unidos (Prix de Lausanne “Hope”)
1997 Alina Cojocaru, Romênia (bolsa de estudos)
2002 Maria Kochetkova, Rússia (bolsa de aprendizagem)
2003 Steven Mc Rae, Austrália (bolsa de estudos)

E os brasileiros nessa história? Oito bailarinos foram vencedores ao longo de todas as edições. É interessante notar como o tempo entre uma vitória e outra está diminuindo. Sem contar os brasileiros selecionados para participar e, além disso, os que também foram finalistas. Ou seja, a nossa qualidade técnica tem crescido de uns tempos para cá.

1990 Christiane Palha (Prix de Lausanne “Hope”)
1993 Adriana Dias Duarte (bolsa de estudos)
1996 Marcelo Gomes (Prix de Lausanne “Hope”)
2003 Celisa Diuana (bolsa de aprendizagem)
2008 Marcella de Paiva (bolsa de estudos)
2008 Irlan Silva (bolsa de aprendizagem)
2011 Mayara Magri (bolsa de estudos + prêmio do público)
2012 Edson Barbosa (bolsa de estudos)

É impossível negar a importância do Prix de Lausanne para a profissionalização dos bailarinos. Só uma coisa me intriga: Por que mesmo com tantos bailarinos japoneses – e, em menor grau, chineses e coreanos – vencedores, não os vemos nas grandes companhias? Quem quiser notar isso, basta conferir a lista de todos os ganhadores ao longo dos anos, aqui. Mas isso é questionamento para um outro dia.

Parabéns aos bailarinos brasileiros que participaram e, em especial, ao Edson Barbosa bolsa de estudos. Talvez vocês achem que não, mas ficamos aqui torcendo muito por vocês. Ganhando ou não, são bailarinos que nos enchem de orgulho e beleza.

Site oficial do Prix de Lausanne, aqui.
Facebook, aqui.
Twitter, aqui.
YouTube, aqui.

*
Quem quiser assistir à final de 2012, aqui.

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8 comentários sobre “Prix de Lausanne 2012

  1. Conhecemos o Prix de Lausanne há uns anos atrás e realmente ele parece abrir uma outra vida de muitos bailarinos. Não sei se assististes o documentário Vida Ballet (http://esquizofia.wordpress.com/2012/01/12/devirdancar-34/) que conta a trajetória e luta de Irlan Silva e outra bailarina que vieram dos pobres morros cariocas.
    Tem uma entrevista com Mavis Staines – Presidente Artística Prix de Lausanne. Abraços e bailados

    1. Sim, Elisa, mas falei proporcionalmente. Ela é uma. Agora, veja o número de asiáticos que já ganharam o Prix de Lausanne em relação ao número de primeiros-bailarinos e solistas asiáticos nas grandes companhias. É disso que estou falando.

  2. Cássia, vc assistiu a entrevista da Ana Botafogo ontem na Band? Não assisti ao programa inteiro, mas vi a parte em que ela mencionou o Prix (sem falar no nome, mas disse que estava acontecendo “uma competição”), e tocou em pontos polêmicos como gordinhas X ballet… Vou procurar a entrevista inteira no Youtube… ;]

  3. Cássia,

    achei interessante seu comentário sobre os bailarinos japoneses. O mesmo na minha opinião acontece com muitos bailarinos negros. Um exemplo disso é o bailarino Daniel Silva (finalista do prix de Lausanne 2012), tecnicamente ele foi muito bem, até mesmo melhor que alguns bailarinos que ganharam as bolsas. Preconceito? Talvez.

    1. Emerson, eu estava torcendo pelos três brasileiros. Vi a entrega dos prêmios, mas jurava que quem tinha ganhado a bolsa era o Daniel, mesmo tendo visto o Edson receber o prêmio. Acho que fiquei com a variação dele na cabeça, porque ele dançou muito bem! Claro, o Edson mereceu demais, mas o Daniel também merecia. Talvez aconteça como o Marlon comentou, porque realmente a maioria dos bailarinos segue o padrão europeu. Sinceramente, é uma tristeza, porque há muitos bailarinos asiáticos e negros muito talentosos, mas que ficam restritos aos festivais e às salas de aula.

  4. É apenas uma suposição minha, mas penso que de alguma forma há uma cota em grande parte das companhias de forma que asiáticos e negros correspondem a um baixo percentual do corpo de baile independentemente da oferta de grandes bailarinos dessas etnias. Seja olhando para os grande corpos de baile ou para os grandes solistas, não vemos muitos (ou quase nenhum no caso dos solistas) bailarinos fora do padrão europeu.

  5. Realmente o Prix De Lausanne deu oportunidades para muitos dos grandes do ballet! Já mostrando a absoluta Alessandra Ferri! Eu admiro muito esta competição!

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