Por uma arte do “sim”

Se pensarmos bem, o ballet clássico é a arte do “não”. Ele não nos recebe de braços abertos. Ele não aceita a diversidade física dos bailarinos. Ele não se interessa pelo questionamento. Ele não incentiva o estudo teórico. Ele não vê a alimentação como fonte saudável para o corpo.

Isso não é um palpite. Todos que estão envolvidos com o ballet clássico sabem que isso acontece. Com mais ou menos intensidade, mas acontece.

Talvez por isso eu já tenha pensado em desistir por diversas vezes. As minhas limitações em alcançar determinados patamares na dança nunca me incomodaram de fato. Porque eu sei onde resolvi me meter. Sei da dificuldade e é isso o que me atrai. Passarei a vida inteira tentando alcançar um nível que não alcançarei. Mas é essa busca que me motiva.

Por outro lado, todos os outros fatores me cansam. O que vejo, leio e acompanho me dá vontade de deixar para lá. Fazer outra coisa. Outra dança. Outra arte. Seguir outro caminho.

Mas não farei isso.

Porque o ballet clássico me equilibra. E não vou tirá-lo da minha vida só porque os efeitos colaterais me tiram do sério vez ou outra. Mas não sou de ficar brava à toa. Nem discuto para ganhar. Eu gosto mesmo é de encontrar outros caminhos e perceber que a única coisa permanente na vida é a mudança.

Por isso, este será o grande foco do blog em 2012: o questionamento. Afinal, até que ponto esses “nãos” têm fundamento? Se em sala de aula somos incentivados a aceitar, aqui todos poderão falar. A dança movimenta, principalmente, a nossa mente. É preciso ter sabedoria para discernir tudo aquilo que existe em torno do ballet clássico. Não mencionei a Fada Lilás à toa.

Fiquem tranquilos, o Dos passos da bailarina não se transformará em uma sala de debates. O estudo e as informações continuarão da mesma maneira. Só quero que vejamos a dança de uma maneira mais ampla, cristalina e, principalmente, saudável.

Porque de sofrimento, já basta a vida.

Feliz 2012. Temos mais um ano pela frente. E, espero, dançando juntos.

Alina Cojocaru, Federico Bonelli e Marianela Nuñez.
Pas de deux, segundo ato, A Bela Adormecida, Royal Ballet, 2006.

*

[Relendo algumas coisas no meu Twitter, revi de onde surgiu com clareza essa ideia dos constantes “nãos” do ballet clássico: de conversas com a Natalie. Ela merece o crédito.]

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7 comentários sobre “Por uma arte do “sim”

  1. Opa! questionar é comigo mesmo!! rsrsr
    Brincadeiras a parte, achei ótimo ter acompanhado seu blog este ano justamente porque vc se propõe a ler o mundo da dança com olhos mais razoáveis.
    Tudo muda porque mudamos nossas perspectivas;
    Façamos então a Revolução do Ballet!! rsrs

    Bejinhos e ótimo ano pra nós!

  2. Cassinha, o ano promete hein! adoro discussões e reflexões! Um maravilhoso ano para você e, novamente, parabéns por este post!

  3. oi meu nome e ISABELA e tamben sou bailarina .Eu acho que vcs estao de parabens vcs sao muito lindos adoreiiiiiiiiii beijos

  4. Nenhum desses “nãos” tem fundamentos. São apenas conveções, que um dia acharam ser convenientes, mas que não cabe mais aos dias de hoje. Eu escolhi não segui-las e creio que ninguém me castigará por isso. Então por que ter medo? Sou livre para dizer o que é bom ou não pra mim.

  5. Bravo!
    É muito desestímulo, muita falta de apoio, muitos dogmas. Ainda bem que aqui vamos questionar um poquinho.
    Feliz 2012!

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