Depois de pensar com meus próprios botões…

é melhor falar para não explodir por dentro. Já aviso de antemão: o texto será longo e nada doce.

Vocês já ouviram falar sobre o Manifesto das sete artes? Escrito por Ricciotto Canudo em 1911, e publicado em 1928, ele é o autor da expressão “sétima arte” para se referir ao cinema. Por quê? Segundo ele, o cinema agrega todas as outras seis.

De acordo com a sua classificação, as sete artes são as seguintes:

1ª arte – Música (som)
2ª arte – Dança (movimento)
3ª arte – Pintura (cor)
4ª arte – Escultura (volume)
5ª arte – Teatro (representação)
6ª arte – Literatura (palavra)
7ª arte – Cinema (integra os elementos das artes anteriores)

Prestem bastante atenção na segunda: Dança. Parece óbvio dizer que dança é arte, certo? Então, por favor, alguém pode me explicar essa onda que anuncia o ballet clássico como atividade física?

Eu sempre fui a favor da sua popularização, no sentido de que todos tenham acesso a ele, seja nos palcos, nas aulas, na vida. Eu sou fruto disso, afinal, comecei aos 27 anos. Quando o ballet clássico virou moda, eu vibrei. Não é exagero. Achei que, finalmente, ele sairia do seu posto elitista, de arte para poucos (assistirem), de arte para poucos (produzirem), de arte para poucos (apreciarem). O ballet, enfim, faria parte da vida cotidiana de todos nós.

Pobre Poliana. Não sabe como as coisas funcionam, Cássia?

Sei sim. Só que eu fingia não saber.

Eu leio tudo o que posso sobre ballet clássico. E, de uns tempos para cá, comecei a perceber que ele passou de “dança” para “atividade física”. Claro, ninguém precisa me lembrar que o instrumento da dança é o corpo, logo, também é uma atividade física. O nosso corpo se transforma, a gente emagrece, alonga, fortalece. Agora, me digam, usar esses atributos para se referir a uma arte ou para atrair alunos é digno de nota?

Eu percebo uma clara divisão: dança é arte quando realizada por profissionais, dança é atividade física quando realizada por amadores.

Não vou citar nomes, nem fontes, nem reportagens, nem o que for, para “evitar a fadiga“. Mas eu fico impressionada com o desconhecimento dos meios de comunicação sobre o ballet clássico. São feitas matérias imensas, profissionais renomados e com anos de dança são entrevistados, mas não adianta. Parece que uma mulher só vai fazer ballet porque quer ficar sarada ou pelos benefícios físicos. Pelamor! Em que mundo vocês vivem?

E nem preciso falar que é supercomum a citação do número de “famosos” que começaram a dançar tardiamente. Para mim, quando leio “famoso e ballet” na mesma frase, eu penso em Ana Botafogo, Cecília Kerche, Marcelo Gomes, Thiago Soares. Quando eu escuto “celebridade e dança”, penso em Hulda Bittencourt, Liliane Benevento, Márika Gidali, Décio Otero, Deborah Colker, Rodrigo Pederneiras. É para pensar diferente disso? Sinto muito, mas não vou. A minha lista de famosos tem outros nomes.

Até aqui, a minha indignação é leve. Ela aumenta agora…

Vocês conhecem a lei da oferta e da procura? Quanto maior a procura, mais o mercado se mexe para atendê-la, aumentando a sua oferta. É a maneira de ele se estabilizar. Ora, se a procura é maior do que a oferta, o que acontece? Se há quem queira comprar, há quem vai querer vender.

E aí a sapatilha começa a apertar no dedo mindinho. Quando profissionais da área tratam o ballet clássico como se fosse banana na feira. “Não consegue frequentar academia? Faça ballet!”. Vem cá, eles honram as próprias sapatilhas?

Eu já vi desde professora formada a ex-bailarinas profissionais exaltando a questão física da dança, tanto no Brasil quanto em outros países. Não só, usando isso como chamariz. E mais ainda, com a afirmação de que o seu trabalho é voltado a “quem sempre sonhou com as sapatilhas”. Quem sempre sonhou em dançar tem de fazer isso, dançar. Quem sempre sonhou em fazer ballet clássico, deve procurar um estúdio de dança. Uma barra fixa, uma sequência de pliés e alongamento não transformam uma aula qualquer em uma aula de ballet clássico. Dança é outra coisa. E quem usa esse artifício para chamar alunos que não tem coragem ou ainda tem receio de calçar sapatilhas pela primeira vez, não tem apreço pelo próprio ofício. Aliás, não deve saber o que isso representa.

Ser bailarina adulta não é fácil. O tempo todo somos tratadas como recalcadas que não podem dançar. A terceira idade chega antes para nós, somos vistas como pessoas aquém das possibilidades. De professores despreparados a adolescentes prepotentes, sem falar nas pessoas próximas que muitas vezes desdenham da nossa dedicação (o que não é o meu caso, graças!).

Alguém acha mesmo que a gente passa por tudo isso para ter bundinha empinada? Alguém acha que aguentamos tanta dor porque queremos pernas torneadas? Alguém acha que choramos escondido por não conseguir realizar tal passo pela vontade de usar uma calça mais justa? Alguém acha, de verdade, que lidamos diariamente com a frustração de nunca atingirmos o nível técnico de uma primeira-bailarina, por mais que a gente faça tudo por isso, só para ficar gostosa?

Mila Kunis, a Lily de Black Swan, disse que nunca mais dançará na vida. Ela achava que sapatilhas de ponta seriam tranquilas de usar, afinal, ela está acostumada a usar salto alto. Na primeira vez em que calçou as suas, começou a gritar.

Quem ainda acha que ballet clássico resume-se a atividade física, por favor, faça uma aula. Mas para valer, tá? De preferência, usando sapatilhas de ponta sem ponteira. Depois disso, pode escrever sobre o assunto e dizer quais os benefícios dessa dança.

Fazemos ballet clássico porque queremos dançar. Temos uma alma de artista que não consegue ficar trancafiada no corpo. Por isso ele dança, para mostrar o que guardamos em nós. E se toleramos a dor – seja física ou emocional – é porque acreditamos no que fazemos. Sinto muito pela arrogância, mas fazer ballet, especialmente sendo adulto, não é para qualquer um. Não mesmo!

Arte é coisa séria. Na minha vida, ela sempre esteve presente. E vê-la ser tratada de maneira tão leviana me dá enjoo.

E você, que sempre sonhou em fazer ballet clássico, seja homem ou mulher, não aceite nada menos do que aulas para valer, com professores comprometidos em estúdios que levam a ARTE à sério. Porque se você esperou tanto, merece ter o melhor que puder. Gaste o seu dinheiro e invista o seu tempo em quem acredita no mesmo que você. O que me acalma é isso, saber que há professores e bailarinos que são dignos da arte que escolheram como profissão.

Porque está na hora de cada turma procurar o seu lugar.

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35 comentários sobre “Depois de pensar com meus próprios botões…

  1. Cássia, arrasou neste post. Realmente, tem toda a razão. Odeio quando chegam e falam pra mim: “nossa, mas é só dança” (pessoas que não entendem quanto é dificil) ou então acham que é por isso que eu sou magrinha e longilínea. Eu n comecei no ballet pra ser magra, pra chamar a tenção dos meninos com meu corpinho nem nada disso, eu entrei por amor. sapatilhas de ponta, os inúmeros elvés na ponta que quase me mataram de tanta caimbra nas panturrilhas, foi tudo por amor, não por vaidade.
    Amei seu post *-*

  2. Eu, simplesmente, concordo com tudo.
    E mal suporto ver pessoas fazendo balé por um outro motivo que não seja o amor pela arte…

  3. Nossa!Fiquei sem fôlego!Assino em baixo tudo o que vc disse. Sempre achei o ballet a mais fascinante e perfeita das artes e agora estou vendo ele se transformar em moda. E como sabemos a moda é volúvel.

  4. Verdade!!! Foi um barraco que houve com pessoas com atitudes erradas (nada que voce nao tenha dito acima). O fato eh que ele falou tanto, que as pessoas sumiram. Ele fala mesmo, nao deixa passar. Nao deve ser facil. Tem dias que tem 45 alunos. Eh muita gente para receber atencao e correcao. Fora os ciumes e outras coisas mais. Fora a aula em si, sempre tem alguma coisa que eu levo comigo. Uma mensagem, um aprendizado. Mas foi engracado. No final ele mandou que todos fechassem os olhos e repetissem que nao estavam la para desanuviar, e para aprender ballet. Outra vez, quando reclamaram que eu falava portugues. Ele disse que as brasileiras pelo menos tinham forca de vontade e nao tinham medo de errar, portanto nao eram complexadas, e que ele estava ali tambem para criar uma mentalidade de ballet. Ontem ele estava ensinando como ficar em pe (fez varias analogias sobre a teoria da evolucao humana, macacos, etc —- ate chegar na velha historia do “encaixe o quadril”. Dai ele virou pra mim, e perguntou, voce sabe que foi a Martha Graham? Dai eu pensei, claro, tem posts dela no blog da Cassia. Por isso eu adoro o seu blog. Eu leio, vejo os exemplos e sempre trago alguma coisa de volta. Muito bom chegar da aula de ballet e escrever uma notinha aqui sobre alguma experiencia pratica que eu tenha vivido e que ja tenhamos discutido aqui. Eh disso de que vale a vida :-)

  5. Cássia,

    Eu me lembrei demais de você hoje. Eu fui para a minha aula, e quando cheguei, o meu professor estava na secretaria. Quando deu 7 horas ele subiu bufando dizendo que não queria alunos que estivessem lá para fazer atividade física, nem que estivessem fazendo balé para desanuviar a cabeça. Eu não acreditei!!!! Eu fiquei pensando: o post da Cássia veio a calhar. Bjs

    1. Aeeeeeee, lembrou de mim! Eu defendo que todos podem fazer ballet, mas imagino como deve ser desgastante para um professor um aluno que não está nem aí. Uma hora deve encher a paciência… mas alunos assim logo desistem. Mas pela ira do seu professor, deve ter um punhado de alunos ali atravancando as aulas. :P

      Beijos.

  6. Cassia,

    Esta entrevista com David Howard é muito boa. Ele diz que as crianças não têm mais coordenação como antes, não têm mais interesse em música e arte. Além disso, principalmente nos Estados Unidos eles classificam a dança com entretenimento ao invés de arte. Então o balé tem que competir com outras formas de entrentenimento. Além disso lá tudo é muito comercial e não tem a tradição histórica que a Europa tem. Mesmo assim, os filmes sobre dança tipo Dirty Dancing ou Turning Point capturam a atenção do público para a dança.

  7. Juhjuh, muito obrigada!

    *

    Aline, obrigada por fazer propaganda minha para as revistas de dança, hehehe. E fico feliz que você tenha “se encontrado” no texto.

    *

    Ju, eu respondi para a Camila anteriormente, vou retomar o assunto para a Nirjara, mas a Karen respondeu e disse tudo o que poderia ser dito. Não vejo problema algum que alguém comece a fazer ballet por mil motivos que não seja o amor à dança. Afinal, a gente só entende realmente o ballet na nossa vida depois que começamos. Como você mesma disse, “amor ao primeiro plié”. E, para começar, podem existir mil motivos, não é? E pode acontecer o contrário, alguém sempre sonhou com o ballet, chega lá e não gosta. Não podemos achar que todos são mordidos pelo bichinho do clássico e não larga jamais. A banalização existe por parte dos profissionais! Foi sobre isso que falei no texto. Tanto é que não citei alunos em momento algum, mas profissionais da área. Eles têm a responsabilidade de zelar pelo ballet clássico e pelos alunos que estão em sua sala de aula.

    *

    Nirjara, eu quase fiz um post sobre o seu comentário, mas a Karen (BalletAdultoKR) comentou logo depois e disse tudo a respeito. Eu acho que a dança é democrática por si só. Concorda que, se eu tiro a dança do seu foco, a arte de dançar, só para atingir outras pessoas, ela deixa de ser democrática? Porque eu estou separando as pessoas, julgando de antemão que elas não podem fazer uma aula de clássico como ela deve ser. Como falei para a Ju logo acima, eu acho que a responsabilidade está nas mãos dos profissionais. E continuo não concordando com a questão de atividade física, ballet não é para isso. E outra coisa que você sabe bem melhor que nós: há um abismo cultural entra Brasil e Japão. Lá existe uma outra visão sobre o corpo e a longevidade, a velhice é valorizada, o corpo é visto como um todo. Aqui existe o bumbum durinho e a mulher de 40 anos que quer parecer que tem 20. E outra coisa: por que uma mulher de 93 anos não pode dançar ballet? Assista a este documentário: https://dospassosdabailarina.wordpress.com/2010/10/24/documentario-adult-beginner-ballet/ Eu sempre defenderei que todos podem dançar. E sinta-se à vontade para falar, questionar, discordar, isso é o mais importante. Tantas vezes repensei algumas coisas por conta de comentários iguais ao seu. De verdade. Ah, e nem se preocupe com erros de português, pode ficar tranquila.

    *

    Veruska, parabéns! O que falei no post foi justamente isso, a postura do profissional, não do aluno. Acho que cada pessoa pode procurar aulas de ballet clássico por mil motivos. A seriedade e o comprometimento devem surgir, em primeiro lugar, com o professor. Ele quem mostrará como a banda toca. Você dá aula em uma academia e provou que ballet não é mais uma aula entre step e jump. É isso que faz diferença.

    *

    Renata, amei o “adult baby class”, hehehe. Você tem toda razão, levamos o ballet para a vida da gente. E deve ser lindo compartilhar isso com as suas filhas e elas devem se encher de orgulho da mãe bailarina.

    *

    Gabrielle, adorei o que você disse! É isso aí, é uma simples opinião. A discussão e o pensar a respeito são infinitamente mais importantes, porque não se limitam ao blog. E muito obrigada pelo elogio a minha escrita.

    *

    Pri, fazer ballet é mesmo uma delícia! :D E para dicas de escolas, clique aqui https://dospassosdabailarina.wordpress.com/2009/02/02/escolas-de-ballet/ Há estúdios do Brasil inteiro.

    *

    Audrey, como respondi para algumas pessoas, eu não me importo com os motivos que levam alguém às aulas de ballet. E principalmente pelo que você falou: se elas não forem “pegas” pelo amor às sapatilhas, largarão as aulas em pouco tempo. E não importa o que os outros acham, se você vai largar as aulas depois de pouco tempo, mas o que o ballet representa na sua vida. Se a gente se importar com os outros, não sai de casa nem para as aulas, essa que é a verdade. Se preocupe com a sua história no ballet, o restante, deixa para lá.

    *

    Ká, minha gratidão eterna! Eu quase fiz um post para explicar isso melhor, mas seu comentário está perfeito, vai muito além do que eu tinha pensado. “Não importa como o aluno entra na sala de aula e sim como o professor o recebe. ” Exatamente. A responsabilidade é do professor. Já pensou se a gente fosse listar todos os motivos que levam alguém a fazer aulas de ballet? Cada pessoa é um mundo, com suas histórias, anseios, sonhos, expectativas. O professor quem nos conduz pelos caminhos do ballet, que nos mostra a seriedade, a arte, a técnica. Pedir que um aluno já venha com isso antes das aulas, não só é pedir demais, como deveras prepotente e absolutamente segregador. Amor a gente constrói, inclusive no ballet clássico. Obrigada, mais uma vez.

    Beijos.

  8. Eu li algumas respotas a este post e tomo a liberdade se a Cássia me permitir de responder:

    * não importa como o aluno entra na sala de aula e sim como o professor o recebe. Se o aluno entrar para corrigir a postura sua professora vai lhe ensinar a arte do ballet clássico e através desse ensino/aprendizado (que é beeem complexa) o aluno modifica seu corpo, engrandece sua alma, se diverte…

    Mas a obrigação de quem diz que dá aula de ballet clássico é: ENSINAR A ARTE DO BALLET CLÁSSICO, com suas dificuldades, complexidades, bravezas, doçuras, dores, conquistas e tudo o mais.

    Eu entrei para o ballet clássico para que não ficasse torta em virtude de uma deficiencia física que tenho e que diminui uma perna minha em 6,5 cm (poderia ter sido maior a diferença hoje)… Sabe o que minha professora falava? Karen resolva sua dificuldade com seu corpo, faça-o crescer. Essa é a arte assim vc executa a tecnica para transforma-la em dança. Mas tem que ser assim. Para mim bastou fui estudar meus movimentos em casa, todos os dias uma dificuldade saia e dava lugar para outra. Impossível nõa se apaixonar por algo que faz vc entrar em contato com você mesma. e ainda em contato com o público.
    Quando a bailarina entra no palco, ela está se transformando em cada pessoa da platéia, e é para ele que ela dança… quer algo mais mágico e lindo e dificil: vc tem que entrar em contato com você para se transformar no sonho realizado do outro que te assiste.

    Então entendam: o aluno pode entrar na sala de aula com o propósito que tiver (emagrecer, terapia, divertir-se, etc), MAS CABE AO PROFESSOR DAR AULA DA ARTE QUE ELE SE PROPOS: BALLET CLÁSSICO. E desta forma o post da Cássia é corretíssimo.

    Cá, meu amor para vc! =`)
    beijokas
    (Cá, se não quiser não publica! mas não aguentei deixar a bucha para vc sozinha!!!)

  9. ODEIO essa gente que acha que ballet é academia, que vai lá pra ficar sarada, não tem o mínimo de ambição de calçar uma sapatilha de ponta um dia, não tem comprometimento algum , fica faltando, atraza a turma e ainda sai depois de 4 meses de aula. Esses dias perguntei pra minha professora quanto tempo levariamos pra poder começar as aulas de pontas (1 ano e meio rs) e uma companheira de classe teve a audacia de dizer: HEHEHE isso é… se nós estivermos aqui né?. me reveolto com isso e concordo plenamente com a sua revolta.
    Eu passo por isso de todos acharem que o ballet é uma brincadeirinha que eu largarei daqui um ou dois anos, todos acham que por eu ter 18 anos… nao tenho FUTURO mesmo no ballet né? pra que levar a serio? isso me irrita profundamente.

    E parabéns pela coragem de um post tão intenso e tão cheio de verdades.

  10. Own! Queria fazer balé pelo mesmo motivo por que toco bateria: porque é UMA DELÍCIA! Fiz quando pequenina por apenas 6 meses e ainda me encanta e fascina. Dicas de escolas para adultos pelo Nordeste?

  11. Opiniões. Eu poderia dizer que seu simples texto é só uma opinião. Mais você faz parecer tão real. Queria ter sua capacidade para a escrita Cássia. Parabéns. De verdade. Nunca enxerguei o ballet desse ângulo mais pensando dessa maneira é a mais pura verdade. QUER UMA PALAVRA?

    BRAVO.

  12. Cássia, eu comecei fazer ballet agora, com 35, beirando 36 que faço no proximo mês. Nunca fiz, iniciei numa turma para adultos iniciantes, mas nas primeiras aulas, achava que precisaria ter um adult baby class, rsrs, pois é tudo muito novo pra mim…
    Porém, acho que adulto, encara tudo de uma maneira diferente… a aula pra gente não termina quando dá 22 hs… continuamos os passos e as posições em casa, enquanto lavamos louça, conversamos com o marido… ou assistimos novela…
    É impressionante, como o ballet entra na gente… e quando fico parada, fico em posição de ballet, bumbum contraído, pescoço esticado e imagina, eu, sem nunca ter ouvido um pliê, demi-pliê… estou amando aprender… e compartilhar com minhas filhas essa experiência…
    Adorei seu blog!

  13. Bravo querida, vc disse tudo. Eu conheço com propriedade os dois lados da moeda. Sou professora de BALLET CLÁSSICO, e sou formada em educação física, onde tbém atuo como professora. Ministro aulas de BALLET em uma academia. Vcs sabem o q pastei pra conseguir mostrar para TODOS, principalmente aos donos da academia q eu estaria dando aulas de ballet e não fitness. Hoje, somos valorizadas, minha aula é a parte da mensalidade, quem se matricula entra especificamente para o BALLET, temos incentivo em espetáculos, ganhamos outra barra, tudo fruto do nosso trabalho e muitos q procuram e assistem as aulas comentam: realmente vcs tem ballet clássico, diferente de muitos lugares por onde passei. Enfim, a mídia tem seu reconhecimento, a divulgação tbém nos favorece e o ballet sempre foi uma atividade física sim, porém a pessoa q o procura deve ter muito claro q em primeiro lugar está a ARTE….Uma maneira nova de ver o mundo, onde só quem dança de verdade é capaz de sentir com a alma. Beijos…parabéns pelo blog.

  14. Cassia. Ai que bom.
    Fico feliz que vc. conhece arte educação. E na verdade condordo com as coisas que vc. escreveu. E por achar interessante o seu post, quis colocar mais algumas coisas que sinto.
    O que quis dizer é sobre a honestidade da proposta. Na verdade não vejo problema se alguem propor dança como atividade física (não para melhorar a bumda, mesmo porque isso não é objetivo de atividade física, não é mesmo?). Mas isso deve ser feito com sinseridade.
    Tem que ser colocado assim: minha proposta é usar ballet para melhorar condicionamento fisico e postura e tonus muscular. Te ensinar o prazer de se movimentar, ter bons habitos de atividade física. Esse tipo de curso teria alunas que precisam incorporar atividades físicas no seu dia à dia, e um pouco de arte, de carona. É a dança democrática, lá no japão tem muitos cursos de ballet para adulto com essas propostas específicos, cheguei a ver velhinha de 93 anos de idade, com 40 anos de ballet. Acho que nessa proposta não há necessidade nenhuma de sentir dor de alongamento, de sapatinha de ponta, correr risco de lesões.
    Se uma pessoa quiser algo mais, procurar um curso com objetivo artistico, com uma disciplina mais rígida.
    Acho que estamos falando a mesma coisa, afinal, de modo diferente. O que é insuportavel é a falsidade ideologica, do tipo, objetivo é melhorar a bunda mas finge que está fazendo arte, isso é revoltante.
    Você é uma pessoa rara no mundo de dança. Com uma visão muito crítica e é muito estudiosa. Sinto falta de convivencia com pessoas assim no meu redor. Me desculpe se pareço chata e intrometida. Eu desejo é apenas desenvolver ideias que foram colocadas por voce, porque são dignos de debate.
    beijos

  15. Concordo em gênero, número e grau.
    Para alguém (a.k.a EU) que há 13 anos sonha em voltar ao ballet, e que agora tem a oportunidade de fazer adulta, ter como colega alguém que entra no ballet clássico apenas para ficar em forma é até ofensivo, para dizer o mínimo. Não dá para acreditar que um professor, alguém responsável por nos ensinar com excelência, possa banalizar o ballet apenas para conquistar alunos, isso é até não-profissional.
    Só que pensando nisso, me dei conta que muita gente entra no ballet, por exemplo, porque o médico recomendou, sendo este o motivo de eu ter entrado no ballet quando pequena (não se enganem, depois que entrei foi paixão ao primeiro plié). De minha parte te garanto que desde então, o que me move é a paixão pela dança e pelo ballet. Então lanço a pergunta, até que ponto entrar no ballet por outro motivo que não a dança é aceitável? Acredito que como terapia, seja terapia física ou emocional, aceitavel, pois uma pessoa que procure terapia na dança não o fará se não for com paixão. Já a banalização do ballet como mera atividade física para entrar em forma, acho que pode transformar essa arte que amamos em uma coisa vazia e fútil. Tá gordo e infeliz com seu corpo? Tá acima do peso? Cria vergonha na cara e entra em uma academia.
    Com 8 anos, minha mãe me colocou no ballet porque assim poderia corrigir minha lordose. Muitas mães fazem isso (foi por motivo parecido que a Cecilia Kerche entrou no ballet quando pequena, por só que ao invés da coluna foi por causa das pernas), então as vezes isso pode ser apenas a oportunidade de descobrirmos uma paixão. Fiquei curiosa para saber o que você acha disso, de pessoas que inicialmente entram no ballet como terapia. Há dedicação por parte destas pessoas, ou podemos esperar apenas a banalização?
    E pra variar, estou escrevendo demais.

  16. Novamente.. me identifiquei com seus sentimentos Cassia!
    E finalmente caiu a minha ficha.. do q o Ballet significa pra mim!
    E concordo q eu nao trabalho 12 horas todos os dias de segunda à sabado.. para pagar a minha escola de ballet.. pra ficar sarada..
    Obrigada por desabafar.. e traduzir os seus sentimentos.. q traduzem os meus tbm..
    Amo o blog.. e se eu fosse editora de uma revista de dança.. com ctz eu te contrataria como colunista.. rsrs..
    Bjos

  17. Ká, meu amor para você. =)

    *

    Daniel, às vezes eu esqueço que estudamos os dois lados do marketing e que o negro é sempre maior.

    *

    Amanda, obrigada… E você se emocionou. :,)

    *

    Tatiana, eu fico “de cara” com a sua dedicação ao ballet clássico! Cada hora você conta uma coisa, eu acho que você é primeira-bailarina e ainda não me contou, né? Hehehe. Parabéns! Eu fico emocionada quando encontro tamanho amor pela dança. Eu não vejo problema no condicionamento físico, afinal, a gente precisa de força e alongamento para dançar. Mas é um meio, não o fim. Nós temos plena consciência disso, mas muita gente por aí…

    *

    Suelen, fiquei impressionada com a monografia da professora de ballet. Só por que há competição é categoria esportiva? Eu imagino a sua cara ao ouvir isso, hehehe. É de amargar.

    *

    Livia, por favor, comece novamente. Não deixe uma professora assim “matar” a bailarina que existe em você. Eu recomecei depois de seis meses, saí de um estúdio, entrei em outro e parti do zero. Foi ótimo! Não desista não, há tantas escolas bacanas… Encontre um lugar onde tratem você como bailarina e não como mais uma aluna.

    *

    Viviane, muito obrigada! ;)

    *

    Lyillo, que bela frase: “A dança é tão maior que o corpo!” Você tem toda razão, muito muito maior!

    *

    Camila, isso é bem bacana, você faz aula numa academia que leva o ballet clássico à sério. Eu não me preocupo com os paraquedistas não, aqueles que vão a aula sem ter ideia do que se trata. Como você disse, vão embora e não voltam mais.

    *

    Ana, você se emocionou. :,)

    *

    Ju, você e seus links incríveis. Já abri, lerei e verei todos. E agora, o que faço com essa vontade de ver esse espetáculo da Ana Botafogo? Genial!

    *

    Marcela, acompanho o seu trabalho, admirável pelo seu comprometimento com a dança de maneira tão séria e competente. É uma honra vê-la por aqui.

    *

    Ana Caroline, fico feliz que você seja tão apaixonada pelo blog! :D

    *

    Nirjara, eu defendi a dança como arte, mas jamais criticaria os seus âmbitos terapêutico e educacional. Muito pelo contrário. Eu fui professora voluntária de teatro para crianças durante dois anos, sei da importância da arte-educação. O livro da Isabel Marques foi indicado aqui no blog, em um post feito exclusivamente para isso. A minha questão refere-se única e exclusivamente ao tratamento dado ao ballet apenas como atividade física e o seu uso mercadológico. Quando a dança é levada à sério, isso deve ser reconhecido e tratado com louvor.

    Beijos.

  18. Nunca pensei a dança (no sentido amplo, não se limitando somente a clássico) como atividade física somente, sempre considerei três facetas. Uma delas é a arte, claro. Quando pensamos em dança como ferramenta para consciencia corporal , surge a faceta terapêutica. É o vertente do Ivaldo bertazzo ( método GDS )ou algumas manifestações do método Laban. Como ferramenta educacional tal como Dança-educação, há lindíssimo trabalho da Isabel Marques (grupo Caleidos).
    Qualquer uma das manifestações não existe puramente sozinha, é claro. sempre há uma mistura e a arte permeia sempre.
    Mas acho tem que existir dentro de cada um, de uma forma bem clara, qual é a escolha. O que é errado é mentir para si mesmo. confundir as coisas.
    Quando vou para aula de salsa, penso em me divertir e suar, somente. Vou para aula de classico para me aprimorar na técnica de limpesa de movimento, e faço arte quando danço contemprânea. Quando trabalhava com dança inclusiva pensava num processo terapeutico. Sempre desejei que objetivo das aulas de dança que minha filha frequenta seja, acima de tudo, educacional. São as escolhas que fiz e sou feliz porque essas escolhas estão bem claras dentro de mim. é o que eu penso com meus botões.

  19. e depois me perguntam porque sou tão loucamente apaixonada por esse blog !
    este post da a resposta. afinal, alguém tem que dizer as verdades que algumas pessoas não querem ouvir.
    “Oi, você não ama dançar, você só quer ficar gostosa! beijos ai ;D”
    enfim…
    BRAVO CASSIA! +1

    Beijos !

  20. Excelente texto. Muito bem escrito!!! Você tocou no ponto. Por um lado há o dilema da bailarina adulta, pouco entendida ou valorizada. Por outro há a questão da celebridade. A carreira é curta e muito competitiva. Muitos acabam indo para a indústria de fitness. O pior é quando a beleza ofusca o talento. É o caso do Roberto Bolle (não gosto de falar, pois eu gosto dele). Para os poucos entendidos, ele é um modelo que também é bailarino.

    http://tertulhas.blogspot.com/2010/08/roberto-bolle-bailarino-modelo-sex.html

    http://operachic.typepad.com/opera_chic/roberto_bolle/

    A Ana Botafogo até pouco tempo estava fazendo uma peça chamada Uma em Quatro, na qual ela mostra as quatro faces da bailarina: uma que malha bastante, a outra que busca a perfeição, terceira que tem a coisa espiritual e a última que busca sempre o glamour.

    Eu amo este vídeo da Alicia Markova, no qual ela explica o valor e a obrigação de passar a arte de geração em geração e de se manter a tradição. Para ela, uma bailarina não é apenas uma dançarina, mas uma artista. Ela diz que teve o melhor treinamento da época, mas havia sido entendido, que tudo tem que ser passado.

    Parabéns Cássia. Adorei o tema. É para parar e se fazer pensar. Beijos imensos. juju

  21. Cássia, eu tiro meu chápeu pra você. Eu como você já sabe, comecei a fazer ballet com 25 ano, e eu sei bem o que é isso. Sempre tive vontade. eu já fazia parte de um grupo de teatro e sempre dava a gente enfiava uma dança no meio, mas não era igual. Agora eu sou realizada, fazendo aulas, sofrendo, orgulhosa de cada calo no meu pé, e realmente ver essas coisas me incomoda também.
    Eu faço ballet numa acadêmia (de musculação), mas é aula mesmo, igual de estúdio de dança, aí de vez em quando aparece uma pessoa perdida achando que vai lá malhar o bumbum, mas pode ter certeza, que na aula seguinte ninguem mais aparece, porque depois dos primeiros pliês e relevés, já estão correndo pra longe da aula.
    Mas eu te apóio, e acredito que essa banalização já está passando dos limites, e só tende a piorar, pq Ballet ta muito na moda.

    Um beijo grande

  22. O triste caso da arte que tentam apequenar. A dança é tão maior que o corpo! Se eles soubessem o quanto… Parabéns pelo post, Cássia.

  23. Olá Cássia!!!
    Adorei seu post. Tudo que você disse estou sentindo. Estava fazendo aula de Ballet desde agosto… mas a escola que eu escolhi a professora nao tinha o comprometimento para passar a arte da dança para nos. Com a turma adulta ela tratava como uma turma especial que procura no ballet uma “Atividade Fisica”. Eu ficava p*** da vida com ela falando isso. Ora, eu estava ali para aprender dançar… e nao pra fazer uma atividade fisica. Se eu quisesse uma atividade fisica iria para academia fazer musculação. Enquando que com a turma dela de adolescentes do avançado ela pegava pesado e ensinava mesmo. Ficava muito chateada com o tratamento. Acabei desanimando e saindo da escola. Já olhei outras e estou muito afim de começar novamente. Fazer dança por causa da arte e nao por uma atividade fisica. Muito pouco caso né.
    Beijos

  24. Parabéns, Cássia!
    Adorei seu texto e seus argumentos como um todo, mas adiciono a minha indignação a sua: fui assistir a apresentação de monografia de uma professora de ballet da academia que frequentava, pois, segundo ela falaria sobre ballet.
    O meu desespero foi perceber que ela defende o ballet como uma categoria esportiva baseado nas inúmeras competições de dança.
    Segundo ela, a partir do momento que se compete vira categoria esportiva!

    É pra acabá!!!

    Beijos flor.

  25. BRAVO CASSIA! Adorei seu post e desabafo, do qual compartilho cada palavra. Gostei, especialmente, quando vc menciona que nós não nos matamos no alongamento para ter pernas torneadas, ou mesmo choramos porque determinado passo não saiu… É claro que reagimos assim porque buscamos a arte, a alma da coisa, e não um corpo maravilhoso. Eu sempre separo as coisas – tenho aula de condicionamento físico e aula de ballet – um para cada coisa. E o corpo que busco, não é para ser “gostosa” ou “sarada”… É para SER BAILARINA!!!! Realmente, falta muito por ai, nas pessoas que lidam com o ballet. Claro que existem muitos profissionais corretos e sérios, mas também existem aqueles que não o são.. E é exatamente ai que entra o que vc disse – cada um procure “o seu lugar”. Parabéns, seu desabafo serviu, certamente, não só para mim, mas para muitos outros! BJus

  26. lindo demaais choreei lendo o textoo
    Amoo demais seu blog,e concerteza tudoo oq vce faalo é a maais PURA verdadee

  27. Apenas uma frase a mais: BALLET É ARTE, E ARTE NÃO SE COMPETE.

    Cássia, eu te reverencio.

    BRAVO!

    Sua imparcialidade em seus post, e por isso o blog de ballet que eu recomendo, faz com que essas palavras sejam ainda mais verdadeiras e sinceras.

    BRAVO!

    um beijo,

    Ká Ribeiro

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