A obsessão pelos 32 fouettés

Os 32 fouettés surgiram pela primeira vez na coda do grand pas d’action de Cinderella, sendo realizados pela bailarina Pierina Legnani em 1893. O público ficou tão impressionado que ela teve de repetir o feito, mas conseguiu realizar “apenas” 28. Desde então, esse é o ápice de um ballet de repertório.

Sou apenas eu ou vocês também acham um absurdo o grande momento de uma bailarina ser a prova de que ela gira tantas vezes no eixo sem cair? Não é desmerecimento, também acho lindo. Algumas de vocês até podem pensar: “Ah, você diz isso porque não consegue fazer igual”. Eu não consigo tantas coisas no ballet clássico…

Não importa o que a bailarina faça, ela tem de demonstrar que é virtuosa girando 32 fouettés. E ponto final. Isso é dançar?

Quando eu fazia curso profissionalizante de teatro, lembro de um excelente comentário de um professor. Ele dizia: “Se depois de assistir à peça, um espectador disser que adorou o figurino, a peça não funcionou. Se ele falar sobre o cenário, também não. A peça é boa quando ele sai impressionado com o espetáculo em si. Não é uma coisa ou outra que o ‘pegou’, mas o conjunto”. Sinceramente, eu acho que isso deveria valer para o ballet clássico. Se alguém só falar sobre os fouettés, o espetáculo não tocou aquela pessoa. Porque é impossível alguém se emocionar só de ver uma pessoa girando sem parar.

Tudo bem, vocês podem dizer que esse momento dos giros faz parte de algo maior, mas ele é visto sim como um fato isolado.

Assistam a este vídeo de uma aula da Tamara Rojo.

Tudo bem, querem no contexto? Margot Fonteyn, como Odile.

Eu não consigo me emocionar, sinto muito. Nem a Margot consegue e olha que ela me arranca lágrimas sempre que a vejo dançar.

Para mim, a melhor maneira de fouettés me encantarem é assim, em uma coreografia, como na “Variação de Lise”, de La fille mal gardèe.

Deu para perceber a diferença?

Ballet é mais do 32 fouettés. Uma bailarina é mais do que 32 fouettés. Mas há 118 anos, eles continuam sendo o atestado de uma verdadeira primeira-bailarina.

Se a mudança estivesse em minhas mãos, eu baniria esse momento. E estou falando sério. Para ser primeira-bailarina, seria imprescindível fazer o público suspirar ou ficar de olhos marejados. Teria de inspirar as pessoas com sua dança. E quer saber? Se fosse hoje, muitas perderiam o seu posto de prima ballerina

Para terminar, só mais uma coisa. Antes que alguém se revolte e defenda a sequência de fouettés de maneira veemente, só quero deixar claro que, como muita coisa neste blog, é a minha opinião. Realmente não acho bacana e ponto. Mas que cada qual siga com o ballet que gosta e acredita. O meu é bem diferente, como vocês já devem ter percebido, mas isso ficará cada vez mais claro daqui em diante.

*

P.S. Alguém notou que a Margot Fonteyn não completou os 32 fouettés? Aposto que não. Pois é…

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41 comentários sobre “A obsessão pelos 32 fouettés

  1. Pode crer Cássia, essa da Margot Fonteyn não girar os 32 eu já tinha sacado desde a primeira vez que eu vi essa montagem! Se não me engano ela deve girar uns 28…
    E tem mais… tem uma versão do lago com a Maya Plisetskaya onde ela não gira os fouettes, e sim tour piqués seguidos de chaines!!!! E detalhe, ela é super aplaudida!!!!
    Dá só uma olhadinha:

  2. Concordo plenamente com você … vejo muito tambem essa obseção em alguns movimentos masculinos ….

  3. Eu achava que era fácil, e nem sabia que tinha nome e era famoso por ser executado nessa quantidade! Meu Deus, deve ser muito dificil fazer na ponta. E o último que você postou, sobre “Variação de Lise” é o melhor. O importane é a qualidade, mesmo. Ah, mas uma pergunta: Tem como eu ser reconhecida no ballet sem saber usar a sapatilha de ponta? Eu acho ela linda, mas a meia ponta é melhor. O que você acha?

  4. Eu particularmente adoreeeeeeeeeeeeei esta postagem.. Aqui onde eu faço ballet nós estamos ensaiando um ballet de repertório quem quiser ver é “O paquita na versão do bolshoi em especial o video 6/6” ii eu sou a paquita kara só eu seiii como é digamos que impossível fazer esses fouettés eu já to treinando a muito tempo ii quem conseguil por favor me explique a técnica

  5. Eu concordo com você. Não tem como se emocionar vendo uma pessoa girar e girar sem parar.
    É um passo muito bonito. Eu faço balé e sei como é dificil…Na ponta eu não faço um.

    Tem um filme que eu simplesmente amo a dança final, o nomo do filme é “Sob a luz da fama” (Center Stage) no final da apresentação ela faz uns fouettes. Essa dança juntou minhas duas paixões: balé classico e Michael Jackson.
    Enfim, eu gostei do jeito que foi colocado os fouettes na coreografia, fechou com chave de ouro. ta aqui a apresentação completa: http://www.youtube.com/watch?v=EoBTuIsB3ls

    1. Beatriz, você entendeu claramente meu ponto de vista! ;) Girar por girar não tem graça, mas fouettés bem colocados em uma coreografia são outra coisa! Também gostei do jeito que colocaram os fouettés nessa coreografia do filme, tem tudo a ver com esse final.

      Grande beijo.

  6. A tamara só consegue realizar 22… Que coisa gente! Dá pra ver que ninguém consegue fazer isso. Então pra quê exigir? É só fazer um monte de fouette,tantos quanto puder,o público não vai contar!

  7. Acho fouette a coisa mais linda. Acho que ele pode definir bem técnica e dança,depende de como se executa. Acho que se alguém consegue executar 1 vez que seja,merece parabéns.
    obs: algué já viu o trailler de Sapatinhos Vermelhos? É lindo! Tô louca pra assistir.
    As coreografias são incríveis!

    1. Priscila, eu já assisti a esse filme e mooooorro de medo dele, hehehe. Sério! Eu já o conhecia e, um dia, mudando de canal, o filme estava no começo do começo. É muito bom, mas dá uma certa agonia para quem é bailarina.

      Beijos.

  8. Voltando a postar… Giros repetidos não são bonitos, o fato de você conseguir realizar os 32 Fouettés não muda nada… Você não vai ficar melhor no ballet por causa disso. É bonito, não posso negar… Mas não me emociona…

  9. olá cássia, eu tbm acho que o talento de uma bailarina não deve ser medido pelo número de fouettés que a tal executa, mas não acho que deviam ser banidos do mundo do ballet ahahahaha, por exemplo, vc falou sobre os fouettés da odile, pois bem, pra mim, os fouettés dela mostram a força, quando eu falo de força, não é força física e sim da personalidade. a bailarina passa a personalidade forte da odile pelos fouettés, já que fouetté é um passo grandioso e marcante, assim como a personalidade da odile

  10. Cassia, você está certa, 32 fouettés não é tudo. Admito que eu, todos os dias treino justamente esse passo: fouette.
    Mas ainda sei que não é ele que vai me fazer uma bailarina de verdade o meu máximo de fouettes foi dez, mas não consigo mais chegar a esse resultado. agora só consigo 5 ou seis seguidos, e meus fouettes, não são perfeitos, ainda preciso treinar a cabeça e os braços, e subir mais a perna, mas ainda sei que mesmo sem os fouettes eu sou uma bailarina.
    adoro o seu blog e dejeso sorte a quem pensa ou não como eu

    1. Alaaaana minina!! Vc por aqui??? Kkkkkk q coincidencia ;)
      Bjs e nunca esqueça q mais importante q 32 fouettes é lembrar q os esquilos vao enlouquecer…
      Bjsss Julia ;**

  11. Cassia, você está certa, 32 fouettés não é tudo. Admito que eu, todos os dias treino justamente esse passo: fouette.
    Mas ainda sei que não é ele que vai me fazer uma bailarina de verdade o meu máximo de fouettes foi dez, mas não consigo mais chegar a esse resultado. agora só consigo 5 ou seis seguidos, e meus fouettes, não são perfeitos, ainda preciso treinar a cabeça e os braços, e subir mais a perna, mas ainda sei que mesmo sem os fouettes eu sou uma bailarina.
    adoro o seu blog beijos

  12. “Se a mudança estivesse em minhas mãos, eu baniria esse momento. E estou falando sério. Para ser primeira-bailarina, seria imprescindível fazer o público suspirar ou ficar de olhos marejados. Teria de inspirar as pessoas com sua dança. E quer saber? Se fosse hoje, muitas perderiam o seu posto de prima ballerina…” – AMEI.

    Eu fiquei pensando… Minha maestra após conhecer-me e falar coisas que me emocionam de lembrar e me fazem me transformar em uma velocidade indescritível, começa agora com duas buscas incessantes: ESTILO e fouettes.

    Amo o desenho do estilo, pois para inspirar com a minha dança eu tenho que ter um estilo delineado, estudado, definido, o qual eu posso transformar depois de muito estudo com minhas particularidades, mas obedecendo os papeis e personagens de repertórios, e suas histórias e definindo o estilo da bailarina. (ai fui clara?!) AMO ESSES MOMENTOS, que vem junto com o treino tecnico. Posso ter feito a melhor sequencia tecnicamente, se fui fria ou sem estilo ou sem desenho ou sem encanto se ela não se emocionou eu tenho que repetir. e ela vai ao meu lado e da esse aire da arte os braços, dedos, pescoços, pés… é mágico de fato!

    Bom na hora dos fuettes eu tremo. E vai dar conta de segurar o estilo, o isso ou o aquilo… na boa, eles acontecem ao final do ballet quando a bailarina já está exausta… ele tem uma tensão interna e tecnica de sustentação do corpo, com giros e pernas perfeitas de baterias que angustia… qualquer vacilo e o fuette não sai.

    Mas eu acho que grande vacilo vem mesmo de como muitas escolas, professores e bailarinos valorizam os giros… e esquecem o demais. o fuettes acaba sendo o “top” dos giros. Ja ouvi vááááárias professoras e até eu mesma brincando com o complexidade e a necessidade de fazer os 32 como: devia ser abolido, é brega, etc etc, rs

    Eu treino. ao final de cada aula, como um desafio de manter a tecnica como a descrevi acima mesmo com o cansaço extremo. Mas não valorizo. Como bailarina é um treino que tenho que fazer e que me desafia a manter o corpo todo até após o termino da aula. Como professora utilizo a decomposição do aprendizado do fouette de todas as formas possiveis.

    Mas o melhor foi meu namorado, vc estava linda na aula… linda linda, como chama aquele giro que vc abre e fecha a perna? Legal ele né? mas eu prefiro quando vc DANÇA…!

    beijokas

  13. Cá fiz um comentário ao seu post, não sei se entendi bem mas me identifiquei e comecei a escrever loucamente. Ficou grande e talvez polêmico, por isso estou te mandando por email, tem haver com “A Morte do Cisne” (acima) que vc fez. Bj grande!

  14. Oi Cassia,
    mais uma vez.. adoro seus posts e as polemicas.. rsrs..
    na realidade tbm sou apaixonada por fouettes.. acho lindo.. concordo com a tatiana que realmente da um frio na barriga assistir a um ballet onde dps do duro danado q a bailarina deu.. ela ainda dá conta de realizar os 32 fouettes.. mas aí q tá, eu me considero um publico normal.. pois não sou bailarina, nem entendo muito de ballet.. então não é só isso q me faz apaixonar pela apresentação.. e sim a apresentação com um todo..
    Sinceramente, eu nem tinha percebido q a Margot Fonteyn não tinha completado os 32.. msm tendo assistido o video dps de ler q ela nao completou.. pq eu tava mais preocupada em assisti-la dançando.. do q em ficar contando os fouettes.. e aih dps q eu fui assistir novamente.. pra contar..
    Na minha opinião não dá pra reduzir o ballet inteiro aos fouettes.. o conjunto da obra.. é o que importa.. o cenário e o vestuario.. o olhar da bailarina para o seu par durante um pas de deux.. a bateria que anima o publico.. o corpo de baile sincronizado.. a sensação de que tudo que a bailarina faz no palco é tão facil que ate a minha tia faria.. acho que são o que mais me chama atenção.. rsrs.. entre outras coisas é claro..
    Acho que é isso.. só deixar minha opinião aqui..
    Parabens pelo blog, Cassia!!
    Adoro!!
    Bjos

  15. Concordo com tudo o que você falou. A essência da dança e da arte não está nos fouettés, Mas é uma coisa que se espera. Quando eu vi Giselle, prestei atenção em tudo, nos mínimos detalhes. Aproveitei cada segundo. Fixei-me em casa passo, tentando identificar cada um. Vi as expressões da Marianela. Mas confesso que no final eu pensei: está faltando alguma coisa. Cadê os fouettés? Embora a falta deles não diminuiu em nada o ballet. Tive a mesma sensação quando vi o Cinderella. Então eu pensei que era padrão, mas pelo visto não é. Beijos,

    1. Ju, mas você é bailarina. ;) Existe em nós esse momento dos fouettés, especialmente se assistimos a muitos repertórios e pesquisamos o tempo todo. Mas sabe o que acho estranho? Eles não “existirem” em Cinderella, afinal, os 32 fouettés foram feitos pela primeira vez em uma apresentação desse repertório. Vou pesquisar sobre isso.

      Beijos.

  16. Olá,sou nova aqui e no ballet e tenho muitas dúvidas.Cássia,por favor,vc poderia me explicar o que é entrance,coda,pas d’action e gran pas de deux.Desde já obrigada e parabéns pelo site.Adorei ele!

    1. Val, você aprenderá tudo isso com o tempo. ;) Não precisa ficar angustiada. Mas pensarei em um post para explicar cada um, tudo bem?

      Beijos.

  17. Eu concordo com vc… O ballet é muito mais que 32 fouettés, eu sei que não sou muito boa em giros, mas isso já é outra história.
    Não me emociono em ver os 32 fouettés. O importante não é a quantidade, e sim a qualidade dos fouettés, um fouetté bem feito, na minha opinião, é bem mais merecido do que 32 fouettés.
    Bjss!

  18. Cássia, vale lembrar que as bailarinas antigas consideravam saltos e fouettés muito abaixo do seu padrão e simplesmente se recusavam a executá-los. Para elas, eram truques de circo e não dança ;)

    Bjosss

  19. Bom, eu acho tudo no ballet, lindíssimo. Quem dera poder fazer os 32 Fouettés, mas com certeza, não deve ser o centro do espetáculo, pois se não, era mais fácil soltar um peão de madeira no palco… iria girar muito mais que 32 vezes… rsrsrs
    Cássia, gostaria de sugerir a você que postasse no blog uma matéria sobre alongamento, com exemplo de exercicios. Pois estou começando no ballet e preciso muito melhorar minha flexibilidade e nao posso contar apenas com os exercicios de alongamento das aulas. Será que você poderia me ajudar?

    beijos e parabéns pelo blog

  20. Cássia, eu notei sim. Se contei certo foram 30, hihi
    Pra mim, os fouettés devem ser admirados por serem difíceis de fazer, mas são apenas uma parte do espetáculo. Técnica, leveza e interpretação são fundamentais para qe um espetáculo seja de fato tocante

  21. Hum, sou meio suspeita para falar, amo os Fouettés! Mas eles não tem minha maior atenção. Acho mesmo que boa técnica, interpretação e leveza na ponta muito mais importantes que isso. Perto disso, os fouettés são apenas acessórios, que deixam a coreografia mais excitante! Mas não tiro o mérito das bailarinas que conseguem fazê-lo, porque é um grande desafio completá-lo.
    Confesso que adoro os 32 fouettés, principalmente o de Odile, que misturado à música alucinante é quase hipnotizante. Mas concordo que isso sozinho não deve ser sinônimo de talento.
    E por falar nisso, sim, eu percebi que ela não tinha terminado os 32 fouettés! Na verdade, confesso que não contei, mas percebi que ela não havia terminado porque ficou estranho, não sei se foi o tempo que ela levou (terminou rápido), não sei se foi a música (que ainda não havia dado uma “brecha” para parar) ou se foi o jeito que ela pousou, como se disfarçasse um desequilibrio.

  22. Concordo com vc. plenamente.
    Nunca gostei dessa ideia de supervalorização de virtusiosidade, não somente na dança, mas em qq forma de arte.
    Uma técnica sob medida é aquele que utilizada para se expressar, transmitir o sentimento e não para impressionar. Quando a técnica sobressai, e a fica de lado a expressividade, fica algo vazio, sem sentido.
    Tenho uma amiga bailarina que é absolutamente honesta com sua dança. Apesar de possir tecnica invejavel nunca abusa. Tira tudo que é desnecessário e deixa apenas o necessário. A dança dela é simples e bela.
    Acho importante lembrar sempre que a tecnica é uma ferramenta e não é a finalidade.

  23. Sim, nesse sentido concordo com você, sem dúvidas. Desculpe a discussão, mas é que seu blog é fogo, não consigo ficar sem entrar nesses seus maravilhosos temas polêmicos!!! BJus!

    1. Tatiana, não precisa se desculpar. E comente sempre! A intenção é essa mesmo, gerar a discussão, fazer pensar, refletir, mas jamais forçar alguém a mudar de ideia. É apenas para a gente se olhar e perceber o que o ballet representa para nós, se aceitamos as coisas porque elas sempre foram assim ou se acreditamos nelas de fato. Isso que é o mais bacana, no fim das contas. =)

      Imenso beijo.

  24. Concordo plenamente, existem exigências no ballet que nem sempre são legais, uma bailarinaalém da técnica, tem que conseguir emocionar o público, mexer com as nossas mentes, os 32 fouettés são magnifícos, mas existem coisas mais preciosas em uma bailarina!

  25. Realmente, concordo com vc sobre o filme – ate porque eu não senti falta nenhuma dos 32 fuettés no filme, eu queria mesmo era ver a história e não o repertório no cinema! É que o pessoal tem uma dificuldade grande e confunde demais as coisas, filme é filme, repertório é repertório, certo? Bjus

    1. Tatiana, claro que filme é filme e repertório é repertório. Mas também sei que filme é para todos e repertório é para poucos. E as pessoas realmente confundem e acham que uma ideia ou conceito é válida para todo mundo. Sei que é difícil entender que, para mim, mesmo eu também sendo bailarina, os 32 fouettés não fazem diferença. ;) E eu acredito, de verdade!, que uma hora as pessoas verão um repertório como um filme: sairão de casa para se divertir, pensar e se emocionar, não para, simplesmente, ver o que uma bailarina é capaz de fazer.

      Beijos.

  26. Cassia, Cassia, sempre trazendo temas polêmicos… Bem, eu particularmente amo os 32 fuettés. Sim, percebi de cara que a Margot não completou a sequência, porque, para quem é ligado no tema (como eu), você percebe com ou sem contagem se a sequência foi completa e perfeita. Quando falamos dos 32 fuettés, não podemos pensar neles isoladamente. O que me fascina é o fato de que a bailarina já dançou como uma condenada a peça inteira, e ainda tem que passar por esse momento de extrema técnica, dificuldade e superação. Eu mal executo fuettés, mas meu sonho é fazê-los um dia de forma correta, limpa. Se vou conseguir 32? MUUUUITO difícil, mas seu eu conseguisse 10, já seria a mais feliz do mundo! E quanto a emoção, normalmente, para quem gosta de ballet, quando chega nesse momento, você já chorou, já se emocionou, enfim. E eu, pessoalmente, quando vejo a sequência começar, nem consigo respirar – fico torcendo para que saiam todos, é como se eu estivesse lá com ela, dizendo vamos lá, você dá conta! E quando termina, ai eu choro de morrer. Com todo respeito a sua interpretação, mas para mim os 32 fuettés são o auge da apresentação da bailarina, vem para coroar o trabalho maravilhosamente executado. E se, eles não saem, você aplaude por lembrar do conjunto da obra executada. Bju.

    1. Tatiana, aí é que está: o ballet não é feito apenas para quem é do ballet. Esse é o ponto que me incomoda. Foi o que eu falei sobre o filme Black Swan, li várias reclamações de que “não houve os 32 fouettés”, mas apenas de bailarinas. Pergunta se alguém da plateia notou… Não dançamos apenas para nós. O ballet tem de parar de olhar para o próprio umbiguinho. ;)

      Beijos.

  27. Mais uma vez concordo com você, não que eu não goste dos fouettes, mas chega um determinado momento eles começam a me dar nervoso, principalmente pq meu ponto fraco é o giro. Eu fico tonta demais…rs! (não consigo fazer fouettes desde os 15 anos quando parei de dançar…)
    Pretendo um dia conseguir, apenas pelo desafio, mas não pela beleza. Um lindo salto ou um developpe e principalmente a energia, empatia e comunicação com o público e com a arte.
    Eu amo o ballet, mas o povo…rs! É muito exigente, alguns chegam a ser nojentos mesmo…é um meio dificil…

    Mas é isso, ser bailarina é ter alma de bailarina e isso nós temos de sobra independentemente de fouettes, aberturas de 180 graus…

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