Qual é o maior inimigo do trabalho de pontas?

Aposto que vocês pensaram em várias coisas: falta de força nos pés e tornozelos, sapatilha de ponta inadequada, ausência de conhecimento técnico, má orientação do professor. Nada disso. A meu ver, nenhum desses itens lidera a lista, pois todos podem ser resolvidos de maneira prática. O maior inimigo é outro.

O medo.

Tenho plena consciência que, quando iniciei nas pontas, o meu progresso estagnou porque não tive coragem de ir adiante. Eu não me “joguei”, mesmo havendo condições para isso. Não estou falando de ser inconsequente e fazer aquilo que não sabe, hein?! Estou falando de estudo orientado pelo professor, nas aulas. Ampliar o estudo em casa. Não ter medo de cair, se machucar, torcer o pé, sentir dor.

Em 2005, participei de uma peça de teatro em que fazia uma cena linda. O espetáculo todo era encantador, mas essa cena foi especial para mim. Em um armazém com pouquíssima iluminação, eu corria em círculos ao redor da plateia e passava por “obstáculos” feitos pelas atrizes do elenco. Subia uma “escada” (formada com as costas de três delas), caminhava por um corredor e um túnel feitos de lençóis, era erguida pela cintura por outra atriz, que me girava no ar.

O detalhe? Eu estava de olhos vendados.

Claro que uma atriz me guiava pela mão, mas nós duas corríamos o tempo todo. Ou eu ia ou eu ia. Nós faríamos seis sessões em três dias. Na primeira apresentação, eu titubeei uma única vez e bati o braço numa pilastra. Percebi que se pensasse que me machucaria, era isso mesmo que ia acontecer. Eu me machuquei depois disso? Nem uma vez.

Eu treino a força dos meus pés, relevés são meus amigos, mas basta chegar no assemblé soutenu e pronto. Frio na espinha. Eu faço, mas com receio. Girar então, nem pensar.

Coragem, Cássia! Quer dançar nas pontas ou não quer? Você já correu de olhos vendados em plena peça de teatro, em um armazém com pouca luz e lotação esgotada. Está com medo do quê?

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30 comentários sobre “Qual é o maior inimigo do trabalho de pontas?

  1. Oi Cássia!
    Como eu já comentei em outro post ( nem me lembro qual …rsrsrsrs ), eu admiro muito a sua iniciativa em criar esse blog divino, e também por traduzir perfeitamente os sentimentos de todas nós, bailarinas adultas;
    MUITO OBRIGADA!

  2. Estou há 10 anos parada do ballet. Tenho 24 anos e hoje me senti muito humilhada por ter errado tanto as sequencias, como sempre erro pois tenho dificuldade de decorar de primeira. Eu me cobro demais pq fiz ballet desde os 4 e sempre fui mto elogiada. Estou levando uma verdadeira surra, apanhando mto mto mto por causa do tempo perdido. A prof. parece que tá ligando o foda-se pra mim. Ms quer saber? PROFESSORA NENHUMA NEM TURMA NENHUMA VAI ME FAZER DESISTIR!! UHULL!! ;)

  3. O Manuel Legris já tinha dito que as bailarinas russas têm uma aura especial. Entretanto, meu professor disse que a técnica é prejudicial ao corpo e que em muitas vezes há necessidade de cirurgia para a substituição de quadril (acho que aconteceu com o Baryshnicov. Mas quem sou eu para discutir? Comparadas à tecnica russas, as outras parecem mais simplificadas, isso a grosso modo. Talvez eu esteja errada.

  4. Eu adorei também. Eu gostei mais da técnica russa. Achei mais trabalhada. Tudo no ballet é tão lindo, tão delicado, tão cheio de detalhes. Deve ter algo de espiritual aí.

  5. Cássia, eu também já me senti assim! Me senti bem lendo a sua história nas pontas, porque eu tinha plena certeza que la no fundinho só eu que tinha tanto receio assim! Claro que a cada dia que passa eu perco um tanto do meu medo, e aprendo as coisas fáceis, depois que tirei da minha cabeça que giros, e fouettés nas pontas eram para primeiras bailarinas tudo fluiu!
    O que é ruim, é que tive que parar de dançar pela faculdade e perdi todo o meu trabalho nas pontas de um ano … mais se Deus quiser vou consegui-lo novamente! (:
    Voltarei a Dançar depois de um ano parada!
    Adoro o seu blog! Parabéns!

  6. Cássia , que bom poder ler todas estas contribuiçoes, tenho 37 anos e trabalho como instrutora de dança em um projeto social, tive apenas uma noçao de balé mas agora voltei a fazer aula e comecei com pontas….nossa que emoção, vc não tem noção e qto medo tbem, achei que era coisa só minha, mas q bom saber q quase todas passam por estes mesmos sentimentos, vc disse em um cos seus coments que era de MT? Que coincidencia, pq eu era de SP e agora estou noMT. Fico feliz em ler que em relação as pontas temos que quebrar os paradigmas..uhhh, que alívio saber que os pés não influenciam …rsss
    Abraços, obrigada por este blog existir, fica com Deus!!!

    1. Valéria, eu não disse que sou de MT não, hehehe. Talvez você tenha se confundido. Eu sou paulistana e vivo em São Paulo desde sempre. ;) Muito bacana você ser instrutora de dança e fico feliz que tenha gostado tanto do blog. Ah, e os pés são “o de menos”, o trabalho constante e a confiança no que aprendemos conta muito mais.

      Grande beijo.

  7. Dicas para fazer piruetas na ponta:
    * coloque as pontas;
    * se posicione a frente de uma parede (Ou barra);
    * treine o releve com a perna direita enquanto a esquerda faz retire;
    * Treine isso ate conseguir sem a barra;
    * faça novamente o releve com retire, se segure na barra e pegue empulço para girar.
    DICA: deixe o retire acima do joelho.
    Obs: treine tbm a decida do releves com retires.
    Boa sorte a todas
    Treine isso no minimo por meia hora todos os dias e logo logo estara fazendo piruetas duplas triplas e quadriplas.
    Isso dá força na perna, e, portanto ajuda tbm nos fouettes.

  8. oi! também fiz 31 anos e estou começando os meus estudos em ballet há 6 meses, já havia feito algumas vezes e desistido por razões de ordem financeira, mas desta vez voltei com tudo… vc acha que posso sonhar em usar ponta um dia?

    1. Ana Paula, fique tranquila. Você pode sim sonhar com as pontas e não “um dia”, mas “em breve”. De uma maneira geral, nos cursos livres de ballet, as alunas começam nas pontas depois de um ano e meio. Ou seja, não demorará muito para o seu dia chegar. ;)

      Beijos.

  9. Cassinha,

    olha eu aqui novamente.

    O maior inimigo sempre é o medo, né? O meu pelo menos, é. E eu também descobri que tinha que me jogar. Porque com medo, é muito mais fácil de errar um movimento e se machucar. Foi assim com as piruetas… me joguei, girei a cabeça e fui! ;)
    Beijo
    adorei o layout “novo” haha

    1. Querida Carol, o medo atrapalha mesmo! Você tem toda razão, é muito mais fácil errar quando ele chega. Linda você, já dando pirueta na ponta! Não acredito, você gostou do layout? \o/ É que quando eu mudo, geralmente você não gosta, hehehe.

      Beijo grande.

  10. Claudia, eu quero muito girar nas pontas… deve ser incrível, ai ai!

    *

    Filipa, eu tenho o mesmo medo, de cair e torcer o pé. Mas sabe o que é ruim? A gente tem tanto medo, que pode titubear e se machucar mesmo. Temos de mudar isso rapidinho!

    *

    Cyndi, eu aposto que você vai tirar as pontas de letra!

    *

    Heydi, estou indo! Vamos girar, uhuuuuuu! \o/

    *

    Mariana, muito obrigada pelo seu comentário, por me convencer que talvez não seja medo mesmo. =) Essa sapatilha que eu tenho é muito boa para o meu tipo de pé e a minha força. É mais falta de prática e treino, de não sentir as pontas como extensão dos meus pés e de segurança. Tomara mesmo que os meus treinos madrugada adentro deem tantos resultados. E parabéns pelo o seu blog, como já falei lá, adorei! Depois te mandarei um email para a gente conversar melhor, pode deixar.

    *

    Ana, jamais imaginaria que você já passou pelo medo das piruetas! Lembro de um post no seu blog, você dizendo que é “pirueteira”. Sem dúvida, logo você estará girando fácil nas pontas! E obrigada pelo incentivo, quero mesmo superar isso.

    *

    Cisne, ainda bem que você não tem medo! Menos um obstáculo no caminho tortuoso do ballet clássico…

    *

    Laura, confie na sua professora. Se ela disse que vocês começarão nas pontas é porque estão preparadas. Aproveite esse momento, é tão legal! E será aos poucos, você vai sentir dor, vai querer jogar as sapatilhas na parede, depois vai dizer a si mesma “Caramba, estou nas pontas, nem acredito” e vai curtir muito! Depois volta para contar como foi?

    *

    Ah, Tatiana, você está em um outro nível da escala bailarinística! O dia que eu fizer só um fouetté, o mundo terá um leve tremor de terra, hehehe. Sem dúvidas você vai conseguir! Filma para a gente ver. :D

    Beijos.

  11. oi Cassia… Nossa, vc pegou no meu caucanhar de aquiles na ponta, rsrsrs; confesso que tenho medo e ele aparece, em regra, nos giros. Já consegui superar muitos, mas um me resta – na hora dos fuetes. Meu Deus, a unica coisa que passa na minha cabeça é que vou torcer o pé (vc acredita nisso!!!???) Mas acredito que no futuro vou conseguir, pois as demais piruetas já estão saindo e, a cada dia que passa, tenho mais confiança. Bjus

  12. Olá Cássia, post perfeito pra este meu momento! hehehe
    Minha professora falou ontem que talvez já possamos comprar nossas sapatilhas de ponta em janeiro!
    Imagine! E eu achando que levaria pelo menos mais um ano (janeiro será o 7º mês desde que comecei)!
    Eu não estava muito animada pra começar nas pontas, porque já li muito no seu blog sobre como é importante estar bem preparada pra isso, mas como ela disse que vamos começar bem devagar e pouco tempo por aula, já me empolguei (ainda mais que vi uma aluna de uma turma um pouquinho mais avançada experimentando as pontas novinhas)! hehehe
    Enfim, eu nem tinha pensado na possibilidade de ter medo de fazer os movimentos, acho que porque nunca fiz nenhum nas pontoas, simplesmente não pensei se era dificil ou não. Mas seu post hoje me deixou mais preparada para quando começarem as aulas: já vou mandar o medo longe antes de começar!
    Obrigada mais uma vez!! Beijos

  13. Olá Cássia! Que bom que as informações do blog foram úteis para você… Isso me motiva a escrever mais! Respondendo à sua pergunta, dou aulas em São Paulo. Mas como cheguei à pouco tempo (sou do Mato Grosso) estou apenas com uma turma no estúdio Khalige (próximo ao metrô São Joaquim), porém é voltada para profissionais e estudantes de dança do ventre que desejam aprimorar sua técnica por meio do ballet clássico. Estou em negociação com outro estúdio para 2011. Mas você não teria interesse em fazer aulas particulares? É dedicada e tenho certeza de que não precisa de uma sala cheia pra se motivar e voê poderia evoluir ainda mais rápido. Quanto à $$$, aviso que não cobro preços extratosféricos, pois acredito que o ballet precisa perder essa classificação patética de “arte da aristocracia”. Acredito em comércio justo, economia solidária, e principalmente na dança para todos! Todos os tipos de corpos, raças, idades e classes sociais! Bjos e bom treino para esta madrugada chuvosa.

  14. Pior do que o medo eh a vergonha. Tenho medo de muitas coisas, mas acho que o meu maior inimigo eh a vergonha. Fico morrendo de vergonha de quando estou executando um movimento e o povo fica me olhando. Para mim a diagonal eh um suplicio. Eu sei que eh besteira. Fazer o que?

  15. Ora aí está. Mas esse medo… Não me posso queixar, sempre fui de correr riscos (a minha professora até se benzia), mas sei que o medo às vezes pode reter-nos imenso.

    Cisne.

  16. Tenho muito medo de alguns movimentos nas pontas, girar com elas é quase impossível. Deboulés não tenho coragem nem de pensar em fazer nas pontas. Sempre acontece comigo, lembro que quando comecei tinha medo das piruetas e de ficar na meia ponta, e superei. Acho que com mais treino vou acabar superando isso. E tenho certeza que corajosa do jeito que voc~e é vai superar também.

    Beijão

  17. Olá! Primeiro vou me apresentar, pois assim acho mais educado. Sou Mariana Prates, professora de ballet, dança contemporânea, jazz e possuo experiência em preparação física para bailarinos. Não acredito que medo seja o seu caso, pois uma mulher que contraria às regras vigentes na dança e começa a dançar aos 28 anos tem muita coragem. Vi pelo blog seu amor pela dança e em especial pelo ballet e isso me encantou muito! Sorte de seu professor (a) ter um aluno assim! É motivante… Quanto às pontas, é comum ficar ansiosa no ínicio, mas como tudo na vida, aos poucos seu corpo vai se habituando à pratica. Também com o tempo, pode ir experimentando diferentes modelos de sapatilha, assim com certeza vai encontrar um que te deixe bem segura para os assemblés soutenus e quem sabe uma pirouette en dedan? Treinando toda madrugada, logo chegará lá!
    Boa sorte e parabéns pela sua dedicação e força! Vou indicar seu blog para minhas alunas da turma adulto iniciante.

  18. Também tenho certos receios, faz parte, pois nos protege e nos faz concentrar mais.

    Vamor perder o medo dos giros?

    Já comecei,venha…rs

  19. Assino por baixo. O medo é o meu maior bloqueio quando estou a dançar em pontas. E sei que não faço determinadas coisas porque tenho receio de cair ou torcer o pé.

  20. Cássia comece já a dar giros na ponta….é muito bom, parece que vamos voaaaar….me sinto uma criança!!!!

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