O frio na barriga

Depois de cinco anos seguidos, terei uma pausa e não me apresentarei no fim deste ano. Foram duas peças de teatro e três espetáculos de dança. Antes disso, já havia me apresentado no teatro e dirigido as peças dos meus alunos, mas tive uma folga em 2004. Voltei no ano seguinte e fui seguindo.

Eu não me apresentarei, mas sei que muitas de vocês, sim. E como vocês lidam com o frio na barriga no grande dia? Ou não sentem nada?

Confesso que tenho sensações diferentes no teatro e na dança. Na minha primeira peça “para valer”, eu não dormi antes da estreia e não consegui almoçar. Com o tempo, passei a ficar nervosa apenas na primeira apresentação, na segunda em diante ia me acalmando. Quando fiquei em cartaz, nem sentia mais. O que para os espectadores era um momento único, para mim era mais uma apresentação. Esse glamour que muitos têm com os bastidores das artes cênicas se esvai quando vemos toda a rotina envolvida no processo. Não achava ruim, pelo contrário. Enquanto me arrumava e me aquecia para mais um dia, gostava de saber que, do lado de fora, a plateia estava se formando sem desconfiar o que realmente iria acontecer.

Na dança, o meu nervosismo é diretamente proporcional a minha falta de domínio. Eu só me sinto segura no palco se a execução dos passos e a coreografia fazem parte de mim sem que eu precise pensar. Há quem diga que isso não existe. Sim, existe. E eu só funciono desse jeito.

Por essa razão, é o ballet clássico que me angustia. Para mim, os ensaios nunca são em número suficiente. Por isso eu sonho com um solo, porque poderei ensaiar o quanto achar necessário.

Uma vantagem dos estudantes de teatro em relação aos de dança é que uma peça jamais é apresentada uma única vez. Passada a ansiedade do primeiro dia, há outros para curtir tudo o que foi construído. Sei que os custos são infinitamente superiores, mas acho triste tanto trabalho e dedicação terminar em poucos minutos de coreografia.

Eu queria ter isso na dança, me apresentar uma, duas, três, quatro, até o momento de subir ao palco sem medo, sem angústia, sem ansiedade. Simplesmente me realizar dançando e curtir os aplausos no final.

Um dia eu chegarei lá.

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17 comentários sobre “O frio na barriga

  1. olá cássia… gostaria de fazer uma pergunta sobre o espetáculos e o ballet, se tiver um tempinho e disposição, ficaria mto agradecida :)
    eu tenho o sonho de dançar ballet, de calçar uma sapatilha a assistir as aulas.. a minha fascinação é pela dança em si, pelo movimento, pela música (sem necessariamente estar contando uma história ) pela beleza… mas se tem uma coisa q tem me feito querer desistir desse sonho é exatamente o espetáculo.. Não é que eu seja uma pessoa muito humilde ou muito tímida, eu simplesmente não consigo me identificar com todo esse glamour, com as roupas, as maquiagens, o palco, o personagem q a bailarina representa.. é uma coisa que não me enche os olhos, pelo contrário, eu não gosto muito de assistir repertórios e penso “como vou dançar algo que não acho interessante?”.. eu sei que sou uma em um milhão, que ninguém mais pensa assim mas, ao mesmo tempo, eu acho o ballet a dança mais bonita e que parece ser a mais prazerosa e tenho muita, muita vontade de aprender… Você acha, sinceramente, que os fatos que eu coloquei podem ser um empecilho para que eu faça ballet? Qual vc acha que é a verdadeira importância dos repertórios, das histórias no ballet clássico?

    Obrigada pela anenção. Beijos e parabéns pelo belíssimo blog

    1. Sarah, os repertórios são um ponto-chave do ballet clássico. Uma bailarina dizer que não gosta deles é o mesmo que um músico dizer que não suporta ouvir Mozart ou Beethoven. Você pode não se identificar com tudo isso, mas deve ter consciência que, sim, eles são parte do ballet clássico tanto quanto a técnica. O que não entende é: como você não acha repertório interessante e, ao mesmo tempo, acha o ballet clássico uma dança linda? Eu entendo você não querer se apresentar, eu mesma não quis várias vezes. Mas daí, a não gostar de assisti-lo, existe uma imensa diferença. Não acho que seja um empecilho para você fazer ballet. Caso queira muita, faça as aulas. Você precisar enxergar a dança de perto para entender o que ela realmente representa. ;)

      Beijos.

  2. Senti tremedeira, frio na barriga…mas a amizade que ficou no grupo me deu segurança…ainda sim errei um detalhe ou outro…o que importa é participar, e estar no palco também te traz uma aprendizado não só de ballet, mas de transpor obstáculos que nós mesmas colocamos, o do julgamento!
    Adorei o post!

  3. Olá!
    Nossa…o meu espetáculo é dia 06 de dezembro… e eu já estou muito ansiosa…. não quero nem pensar como vai ser no dia! Mas vale a pena com certeza !

  4. Ah, está acontecendo uma coisa engraçada comigo. Este ano, também pela primeira vez em cinco anos, não vou me apresentar. Nos cinco anos passados, quando a data do espetáculo se aproximava, eu começava a ter pesadelos com a apresentação. Sonhava que chegava atrasada, não sabia a coreografia, não tinha figurino, etc, etc… O absurdo é que, este ano, foi se aproximando novembro e eu voltei a ter esses pesadelos. Sendo que não vou dançar! O corpo e a mente se acostumaram, eu acho, rs…

  5. Esqueci de falar no comentário anterior, ficou muito bonito o layout novo. A foto do cabeçalho é linda. Muito bom gosto Cássia.

    Beijos

    1. Ana, a foto do cabeçalho sempre tem relação com meu “momento de bailarina”, hehehehe. Parece brincadeira, mas é sério. Como eu ando numa fase muito “ballet-sapatilha-de-ponta-técnica-tutu”, achei essa foto ideal. Ela estava guardadinha no meu arquivo de imagens faz tempo. E fiquei feliz que gostou do novo layout, porque aí a ideia foi tornar o blog mais funcional mesmo. Há bastante informação, mas percebi que as pessoas não estavam clicando em nada e, mesmo assim, me perguntavam como achar o que queriam. Ou seja, ninguém estava “vendo” as coisas todas. Assim, o lado esquerdo é o “papo” (quem sou, o meu twitter, os comentários, o contador) e o lado direito é informação (categorias, arquivo, escolas, links…).

      Grande beijo.

  6. Minha apresentação de clássico é no próximo sábado, e confesso que estou um pouco ansiosa, mas feliz e adorando tudo. Já a apresentação de moderno será em dezembro, a temporada será de 12 dias, e o único sentimento que eu tenho é que acabe logo o que nem começou.
    Mas o frio na barriga mesmo só vem no dia, antes do espetáculo.

  7. humm, eu não sinot muuuito friozinho não, ele fica tipo cólica: vai e vem. Quando chego, fico, o tempo passa, vai embora, quando subo no palco, vem, e quando danço… ah!, ele some, mas o coração acelera até começaar de verdade. Depois some e eu quero tudo de novo!

  8. Oi Cássia, vc acredita que não sinto esse friozinhu pra dançar não…Mas se fosse teatro com certeza sentiria…pq vc se expõe mais…Como na dança, fico no meio de mtas meninas, me sinto mais uma. Ainda mais qdo a professora fala que não é pro público nao ver ngm, apenas uma fila hahaha
    bjinhuss

  9. eu estou super ansiosa pq soube que ano que vem irei me apresentar no Flamenco, por enquanto é aquela ansiedade boa, querendo que chegue logo
    mas eu lembro quando era mais nova e fazia jazz…eu nao comia nada, nem bebia ,nem ia ao banheiro antes de me apresentar… não queria que nada saisse do lugar,parecia que a coreografia na minha cabeça tb ia sair haha
    é sofrivel,mas é gostoso
    adorei o layout novo, Cassia
    beijao

  10. eu adoro o friozinho na barriga… porque se tenho antes do espectaculo, chego ao palco e expludo de sentimentos e danço como nunca dancei… mas concordo contigo em relaçao aos solos

    ps:novo post no meu blog ;))

  11. Puxa, esse é um tema que realmente adoro. Por mais que o tempo passer e a gente adquira experiência de palco, o “frio na barriga” nunca me abandona. E é por isso que acho que o momento de subir no palco é esperado com tanta expectativa por mim. Como dizem algumas de minhas colegas pouco antes de entrar no palco “tô com vontade de fazer xixi”… Os dias que antecedem a apresentação são uma loucura, porque você se envolve cada vez mais em busca da perfeição… Você anseia tanto por aquele momento… A única coisa que não gosto é que tudo passa tão rápido, parecem segundos, e ai acaba… Mas quando isso acontece, a gente quer mais e mais. Como disse, nesse período a busca pela melhora domina. Eu mesma ensaio de feriado, domingo, o que for necessário e o que estiver disponível. Meu marido não acredita em me ver acordando de quarta (dia de rodizio) as 05:15 da manhã, em pleno horário de verão, para fazer aula particular com o bailarino das 07:30 as 09:30. Se precisasse, acordaria até mais cedo. Ah, e no grande dia, só penso na dança o dia todo. A véspera é um sufoco para pegar no sono e já acordo pulando da cama. Passo o dia do espetáculo praticamente sem comer (não me dá fome), mas passada a apresentação bate uma “larica”, preciso comer alguma coisa. Enfim, nenhuma sensação no mundo é igual a de subir em um palco e todo o sacrifício (e ansiedade) valem a pena!

  12. Oi Cássia, como este é o meu primeiro ano de ballet, resolvi não me apresentar no final do ano. Como obviamente não estou preparada para coreografias técnicas, minha professora convidou para fazer uma participação no palco, tudo muito simples, só pra estar lá em cima mesmo. Mesmo assim resolvi não participar este ano, mesmo sendo pouca coisa precisaria ensaiar e não terei tempo, além de que a apresentação é em dezembro, época de correria total! Esse foi o principal motivo de não participar, mas confesso que quando pensei na possibilidade, fiquei nervosa e com medo de não conseguir, nunca subi em um palco, acho que ficaria muito nervosa, por isso prefiro esperar até estar realmente preparada.
    Um dia desses minha professora comentou como ela sempre ficou nervosa antes dos espetáculos, que isso nunca passou! Ela tem anos de experiência e já dançou muito, até hoje ela diz que não dorme e tem frio na barriga! Não sei se é possível perder isso quando não se dança todos os dias profissionalmente no palco, espero que sim!
    Adorei o post, beijos

  13. Cássia, nem me fale em frio na barriga ou impressão de ensaios insuficientes! Vou dançar 5 coreografias no final do ano, serão as primeiras desde que eu tinha 13 anos! Algumas mais clássicas, outras mais neo, tres na ponta (incluindo um pas de deux). Mas tem uma parte legal, uma das coreografias ( na meia ponta) todas nos sentimos seguras e o clima de união está ótimo, acho que o segredo e fazer com que esta energia contagie as demais, mas a insegurança funciona como uma barreira… sei lá! Sei que eu optei por dançar e pode ter certeza que farei com isso seja divertido, pois somente assim vale a pena! Bjo, adorei o assunto do post! hehe

  14. Olá Bailarina :)

    Eu penso já ter aqui comentado uma vez, que sou mais bailarina de aula do que propriamente de palco :)
    Eu gosto da rotina das aulas, adoro de paixão os exercícios na barra, sinto-me feliz nos movimentos do centro, e na hora do alongamento fico sempre “óhhh, já terminou?!” :))
    Nos espectaculos de final de ano, os ensaios não têm o encanto das aulas, não levo para casa a tranquilidade que o Ballet Clássico me dá :/

    bjs, e obrigada pela referência ao miminho que lhe enviei via facebook ( eu sabia que a Aurélie Dupont era a sua bailarina de eleição), logo quando vi o video, lembrei-me logo de si.

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