E quando queremos outra coisa?

Em janeiro, eu postei um trecho da coluna Nosso corpo, de Francine Lima, da revista Época. Era um excelente texto sobre alongamento (para ler, aqui).

No texto desta semana, ela comenta algo recorrente no blog:

Anos atrás eu quis fazer aulas de balé. Estava com saudade do que tinha aprendido na infância e achei que não haveria problema em retomar a dança depois da adolescência. Mas havia uma certa expectativa no ar de que as alunas pretendessem se tornar bailarinas. No mínimo, que quisessem se apresentar no fim do ano. Não era o que eu queria. Minha intenção era simplesmente fazer aulas de balé e aprender um pouco de balé, oras. Não era transformar minha exploração corporal em espetáculo! Como o espetáculo era o objetivo final ali, as alunas tinham de manter uma postura impecável, sisuda até, de cabelo esticado no coque, nariz em pé, silêncio. E eu me sentia quase culpada por não querer nada disso. Acabei indo embora. […] As opções que eu encontro mais facilmente não me deixam explorar minhas potencialidades corporais com liberdade. […] Posso estar devaneando demais. Mas não consigo deixar de sonhar com um futuro em que eu possa cuidar da minha saúde, da minha beleza, das minhas alegrias e das minhas emoções, tudo ao mesmo tempo, sem precisar vencer nenhuma competição nem apresentar nenhum espetáculo. E fazer meu corpo realmente feliz.

Francine Lima, trecho de A eterna vontade de voar. Para ler completo, clique aqui.

Eu estou sem aulas há cinco meses. Dei um tempo porque tinha de resolver algumas coisas, mas pretendo voltar. Preciso voltar. Sinto muita falta. Porém, me peguei pensando nas escolas pelas quais passei e sempre aconteceu a mesma coisa: no período em que o espetáculo de fim de ano se aproximava, as aulas davam lugar aos ensaios.

Quando vamos nos apresentar, tudo bem. E quando não? Já vi várias alunas desistirem do curso, ou se afastarem por um tempo, porque não iriam dançar no espetáculo. Lembro da minha saudade das aulas porque a única coisa que fazia era passar mil vezes a mesma coreografia. Falei uma vez aqui, eu gosto mesmo é de fazer aula. Ainda não sinto um imenso prazer em me apresentar.

É assim em todo lugar? Quem não quer subir ao palco, consegue ter aulas no segundo semestre? Ou estamos condenadas a fazer ballet apenas de janeiro a julho?

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17 comentários sobre “E quando queremos outra coisa?

  1. Onde eu estudo, as aulas são sempre preservadas e os ensaios acabam ficando em horários alternativos. Minha batida de final de ano não foi fácil porque quis me apresentar. Foi um desafio para mim vencer a timidez, mas me senti vitoriosa no final, mesmo assistindo o filme da apresentação mais de mil vezes só para ver os pequenos erros. Não existem juízes mais ferrenhos que nós mesmos, né?
    Bem…ensaiei muito e deu certo no final. E o feliz é que continuei a fazer aulas com as amigas que optaram por ver antes para ficar com gostinho pro ano seguinte. Voltar a dança realmente é maravilhoso, mesmo sabendo que mesmo que se tivesse continuado por toda a vida, nunca seria a primeira bailarina…rs! Mas é bom fazer parte desse movimento…

  2. Pois é, Cássia… onde eu danço também rola isso de fazer os ensaios de fim de ano e acabamos ficando sem aula. Do meu lado, eu não ligo, porque eu já sinto um imenso prazer em estar no palco, quero que tudo saia perfeito e tudo mais. Mas fico pensando em quem não quer, como é chato! Acho que as escolas tem que achar um meio termo e atender todas as demandas.
    Bj,
    Cris

  3. na escola onde estudo ballet tem uma turma ( turma que nao quer se apresentar ) que continua tendo aula até 1 de dezembro!!! á maioria adultas, as alunas tem aulas normais com outros professores em quanto as outras ensaiam as suas coerografias! bjs naty

    Escola- Ballet Evelyn São Bernardo do Campo

  4. É dificil mesmo fazer apenas aulas até dezembro qdo não vai se apresentar.

    Faço aulas em tres escolas e nem que eu quisesse Tempo e $) daria pra daçar nas tres.

    Então fico lá traz pegando a coreo,pois pra mim é um aprendizado e tanto. Mas…

    As as aulas pra mim acabam mais cedo,não tem jeito.

    As escolas devem resolver isso, pq todos saem ganhando,não é?

  5. Talvez um jeito de curtir os ensaios seja encará-los como uma barra fixa no centro….

    Alguns anos atrás estava numa escola de ballet em que o objetivo era sim formar bailarinas – mas eu já estava quase formada na faculdade e isso não era o que eu queria. Insistiam tanto em provas e coisas teóricas (??) que eu desisti. Hoje estou empolgada com a possibilidade de me apresentar no fim do ano porque acho sim que é a coroação do trabalho – quando bem feito – de um ano inteiro, mas eu concordo que seria melhor que os ensaios fossem em um horário diferente das aulas. Assim ninguém se sente obrigado a participar nem perde a aula em si.

  6. Cássia, q post incrível!
    Tenho pensado muito nisso….Faço dança do ventre a alguns anos e ballet desde março. Minha grande questão com a dança do ventre é que todas as escolas e professoras pelas quais passei focam todo o segundo semestre em ensaios para apresentações. Já me apresentei duas vezes e, apesar de concordar com a Ana, quanto ao fato de que a coreografia também de ajuda em muitos aspectos, acredito que no final acaba sendo uma correria insana para decorar passos. Pra mim isso não funciona. Antes de procurar uma escola nova me informei se o enfoque das aulas era a apresentação de final de ano.
    Entendo a alegria que algumas meninas ficam com a possibilidade de se apresentar, mas no geral, nas experiências que tive, a decoreba acaba engolindo a execução, a dança, a expressão.
    Por q não esperar um pouco mais, dar um pouco mais de conteúdo?
    A impressão que fica pra mim (em relação à dança do ventre q foi o q experenciei) é que é mais fácil dar aula com uma coreografia do que preparar uma aula de fato e estimular a expressividade das alunas.
    Obrigada por seus posts sempre incríveis
    bj

  7. Uma das coisas mais difíceis é conciliar ensaios e aulas.
    Sei que todo ano alunas deixam de fazer aulas por causa dos ensaios e das apresentações.
    Então, esse ano duas turmas serão abertas em agosto, e essas turmas não terão ensaios. Nessas turmas teremos apenas de aulas. Pena que é tão longe para vc…
    Esse ano os ensaios JÁ começaram com composições coreográficas das barras e centros, o que facilita a compressão e a tradução no corpo.
    Ou seja, ano a ano as pessoas e as escolas tendem a crescer, corrigir, modificar…

    Eu aprendo com a minha história, ainda mais numa proposta como a que ofereço.

    O que é inevitável é não falar sobre o assunto.

    Alguém la em cima disse que não se sente a vontade de entrar no palco por ser ela mesma ao contrário do teatro. Na ballet também representamos, interpretamos… Mas o teatro é a tecnica que ela domina talvez por isso seja mais tranquilo ou confortavel ou menos desconfortável.

    beijo carinhoso e assim que suas fotoitos chegarem eu mando para vc! me manda seu endereço!

  8. Cassia, vc e seus posts surpreendentes…
    Hoje estou procurando uma escola com certificado pelo MEC.
    E estava justamente pensando se alguma iria me aceitar devido a este problema, chegou julho, chegou ensaios…
    Eu quero sim me apresentar, mais quero me sentir preparada pra isso…amo aulas mais que espetaculos, acho que é consequencia de um trabalho de um ano inteiro, mais por este ano, vou me contentar em assistir minhas alunas…

  9. Apresetação de espetáculo somente no final do ano???? Na escola onde faço ballet, as apresentações ocorrem duas vezes por ano, em junho (inclusive a apresentação foi este final de semana!!) e em novembro/dezembro, parece loucura, mas não paramos as aulas para ensaiar, os ensaios ocorrem normalmente depois de uma hora e meia de aula rsrsrsrsrs. No meio do ano o espetáculo é mais descontraído criação da própria academia, para que os alunos se divirtam dançando, participam desse espetáculo todas as modalidades de dança da academia. Já o do final de ano é um classicão, como costumamos falar, é montagem de um dos ballet’s de repertório esse ano acredito que seja Salomé… aí sim aqui é exigido muita técnica e todas aquelas coisas que estamos acostumadas em sala, muita dedicação, mas aqui também as aulas continuam, não param é um grande desgastes, mas para aquelas que não vão dançar é bom porque também não deixam de fazer aula.
    Um grande beijo

  10. Cássia, isso que você contou é fato corriqueiro nas escolas de ballet!
    Logo que entrei, também não queria apresentar, mas minha professora me convenceu a fazê-lo.
    Isso sem contar que não entrei no ano anterior em outras escolas (já estava próximo do fim de ano) pq todas as escolas diziam que estavam só passando coreografias.
    E na escola atual que estou também é assim, se não for participar é melhor nem fazer as aulas, pois vai pagar para nada. Por isso participo de pelo menos uma, mesmo muitas vezes não querendo muito, e as outras coreografias, passo só para aprender.
    Também sempre achei isso meu injusto, mas acho que não é tão fácil de mudar essa prática.
    Beijos

  11. Outro motivo pelo qual voltei a fazer ballet, sim, mas em casa com a supervisão de uma amiga que faz ballet há um zilhao de anos. Em minha cidade, São Bento do Sul – SC, só tem uma escola de dança, e mesmo assim quando não estão ensaiando para o espetáculo de final de ano, estão ensaiando para tentar passar e/ou para se apresentar no Festival de Joinville. Não tenho paciência para me apresentar, não quero me apresentar, não quero gastar dinheiro com um figurino que nunca mais irei usar. Sem contar que não tenho tempo para ficar me matando de estudar para fazer uma apresentação bacana. Eu trabalho em tempo quase que integral, de segunda a segunda e amo meu trabalho. Mas estou fazendo ballet justamente para me tirar um pouco dessa rotina de trabalho, para eu me alongar, para melhorar o meu corpo e a minha saúde, não para me apresentar em algum palco.

    Esse texto é perfeito e só mostra que as academias de dança, em sua maioria, só pensam em si mesmas, e não tanto quanto deveriam em seus alunos, no que eles querem ou pretendem fazer. Uma pena.

  12. Olá Cássia, vou começar minhas aulas de ballet em julho, e realmente não gostaria de me apresentar (e NÃO VOU se não me sentir preparada), que bom você ter falado sobre isso, esse será mais um ponto que avaliarei na escolha da escola.
    Quero aprender ballet primeiro, acho que pra mim não seria bom começar já pensando em uma apresentação, sem saber dançar NADA, além de que minhas prioridades são outras no momento e se algum dia eu resolver me apresentar, que seja porque eu quero e me sinto segura com isso, não por obrigação!
    Acho que devemos fazer o que gostamos, sem nos sentir obrigadas a participar de algo que não nos deixa felizes! Vou procurar saber sobre as apresentações da escola antes de me matricular, pra não chegar em agosto e ter ensaios ao invés de aulas.
    Adoro seu blog, tem me incentivado muito!! Beijos

  13. Querida Cássia, felicidade encontrar teu blog logo hoje… nada é por acaso né? Eu também não curto me apresentar, é caro , acho que não é pra mim. Sempre fiz teatro , mas é diferente estar no palco como personagem e como eu mesma. Tenho vergonha, nao gosto de gente me olhando e me analisando sei lá… Apesar de tudo isso minha professora é minha amiga e no último ano me pediu que dançasse disse que eu era muito deidcada para não faze-lo . Fiz. Confesso que gostei muito mais do back stage rs…Enfim. Não é sobre isso que queria falar aqui.

    Na escola onde danço temos prova no fim do ano e precisamos estar aptas pra isso, então nossa professora divide as aulas ensaia na ultima meia hora ou coloca dias para ensaio e dias para aula (quando chega perto da data da apresentação , marcamos ensaio fora do horário de aula). No ano retrasado as provas foram antes da apresentação e eu não ia dançar, apesar disso a professora mesmo recomendou que eu pegasse a coreografia, como um exercício, de memória e também porque uma coreografia é diferente as vezes de um exercício executado em aula, mais longo e tudo amis … então eu passava a coreografia com as meninas na parte de trás da sala e se alguém faltasse marcava o lugar nos desenhos. Achei bom pra mim é uma experiência diferente e bem , particularmente pra mim não soou exclusório em momento algum ter de ficar atrás por não dançar “oficialmente”. foi bom , pude ajudar àquelas que porventura não puderam ir, pude fazer coisas novas e tudo mais… Acho estranho que professores só ensaiem no fim do ano, converse na escola… não é bom ficar sem aula ainda que ensaiando e nem é justo com quem não se apresenta não ter aulas né…
    É isso.
    Beijos!

  14. Cássia, em uma das escolas que trabalho já estou preparando o espetáculo de final de ano sim, aliás todas as coreografias já estão prontas. Na outra ainda não há espetáculo de ballet, já que é uma escola de dança do ventre, e também por as alunas nunca requisitarem isso. Porém, todo ano, quem está comigo a 3 anos sabe disso, eu deixo bem aberto a participação do espetáculo, quem quer participar se manifeste e quem não quer também. Se a turma toda quer OK, senão, se a turma está dividida tento mudar as que não querem para uma turma que não vai dançar.
    Basicamente a partir de 1/agoto faço 45min. de aula e 45min. de coreografia, para as turmas que vão dançar.
    Acredito que para alguns alunos estar numa aula pode ser o sinônimo de uma performance – preparam o uniforme, dão tudo de si para estudar, para estarem ali brilhando, na sua melhor forma.
    Fazer aula é demais com certeza, mas acho o espetáculo tão importante pois é o fechamento de um período (ano) de aprendizado, de descoberta de si, de vínculos emocionais. É na coreografia que o aluno “cresce”, pois as demandas físicas acabam sendo sempre diferentes das dinâmicas de sequências dadas em aula – que são exercícios de estudo, preparação, não vão para o palco.
    Quanto intérprete (penso/faço/ensino dança praticamente 100% do meu tempo) estar no palco é a coisa mais importante, então não há limites quanto a ensaios, preço de figurino, disponilibilade para apresentações etc. Eu vivo pra isso.
    Se você quiser voltar às aulas em agosto terá uma grande chance de chegar à uma escola e logo começarem os ensaios (onde eu estudava era assim), pois a maioria das escolas tem espetáculos. Talvez pra voltar a dançar você tenha que procurar alguma escola que não tenha isso, ou uma turma que não esteja voltada à isso.
    Grande beijo!!! Ana

  15. Nunca tinha me perguntado isso… me apresentei só uma vez, né Cássia… já estamos falando sim sobre espetáculo. É algo que gostei muito de participar, porque uniu muito a turma (pelo menos uma delas).
    Este ano, cresceu o número de participantes na aula e na coreografia. Ano passado, não perdemos o senso de diversão, de que estamos ali por outra razão, não para sermos profissionais. Vamos ver este ano…
    Mas realmente, aulas completas: de janeiro a julho… depois só ping pong ou só barra ou só centro…
    Beijos
    lelê

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