Barra: sequência fixa ou variável?

Há tempos eu pensei em escrever sobre o assunto e repensei quando a Carol escreveu sobre a sua dificuldade na barra fixa. Afinal, o que é melhor?

Sequência fixa é aquela montada pela professora no início do semestre ou ano e mantida até o seu término. Há uma ou outra modificação para dificultar os passos ao longo do tempo, mas a base segue intacta.

Sequência variável é aquela montada pela professora a cada aula. Ela explica, prestamos atenção e depois repetimos.

Eu já passei pelas duas.

Tenho uma excelente memória. Desde os meus tempos de teatro, nunca tive dificuldade para decorar textos, hoje não tenho para decorar coreografias.

Porém, eu sou muito focada. Nas aulas de ballet, a minha prioridade sempre é aprender o passo da melhor forma. Eu presto atenção em tudo o que a professora faz. Guardo as suas explicações. Pergunto. Sou daquelas pessoas que precisa entender algo com começo, meio e fim para fazê-lo bem.

Sendo assim, eu sempre preferi a sequência fixa. Prestava atenção no passo e aprendia. Dali em diante, bastava decorar a sequência e pronto. Com o tempo, era algo completamente orgânico para mim, fazia os passos sem pensar, me preocupava apenas em fazer direito.

Já a sequência variável é um tormento. Presto atenção no passo, mas esqueço completamente a sequência. Daí não faço nem uma coisa, nem outra. Tento decorar, mas prestar atenção na realização do passo sempre acaba sendo mais importante. No fim das contas, faço meia-boca, tenho a sensação de não ter feito nada, parece que a aula passou e eu não aprendi.

Além disso, acho que perde-se muito tempo de aula. A professora faz uma sequência, todo mundo para e presta atenção, repetimos, ela explica de novo, repetimos. Uma eternidade.

No caso da sequência fixa, a turma faz tudo e pronto, cabe à professora apenas a correção. E outra coisa que gosto nesse caso é que consigo perceber o meu desenvolvimento. Se no começo do semestre o meu grand battement é baixo, lá no fim ele está acima de 90º ou sustento a minha perna por mais tempo. Eu mesma acompanho a minha evolução sem que a professora precise me dizer.

É importante ressaltar que trata-se de uma preferência pessoal, não há qualquer base técnica ou pedagógica nisso. É apenas a maneira como eu aprendo melhor.

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20 comentários sobre “Barra: sequência fixa ou variável?

  1. É, pessoas! Que feliz saber que tem dificuldades como eu. Saí da aula hoje com vontade de chorar. Agora com 22 anos, depois de 10 anos parada, resolvi voltar pro ballet e tenho aula com menininhas adolescentes. E tenho dificuldade em decorar sequência apesar da experiência… E o pior de td é por isso sinto q a prof me cobra demais, mas estou há 10 anos parada e tá sendo difícil. Me sinto mto humilhada… É horrível. Hj a prof. pediu que uma menina ficasse na minha frente na barra e me senti sendo chamada de burra, pq ela sabe que erro mto e preciso copiar. Eu queria me sentir melhor e ME COBRAR MENOS… O que vcs fazem pra não se deixarem abater TANTO?? Obrigada.

    1. Zakhi, o melhor jeito de não se abater é… trocar de professora. Se não tiver jeito, aí abstraía, não se sinta humilhada, porque você não tem obrigação alguma de saber tudo aquilo que ficou dez anos adormecido na sua vida. Deixe os elogios lá atrás, quando você era novinha; hoje é uma nova vida, outra situação, você está recomeçando. Pense no daqui em diante. ;) E se você fez ballet por tanto tempo, tenha paciência. O que você aprendeu, de alguma maneira, ainda está em você.

      Beijos.

  2. Olá Cássia,

    uma colega de ballet falou-me no teu blog e estou agora a começar a explorá-lo, alias, tal como ao ballet =) Tenho 25 anos, sempre amei dança, desde que me conheço por gente, e aos 25 resolvi começar a ter aulas… Começei há cerca de um mês e pouco e estou simplesmente a amar… Apanhei uma aula com alunas bem mais experientes que eu, mas até nem me tenho saido mal de todo, penso ;) Ainda estou a aprender os nomes do vários passos e tenho, ao contrário de ti, uma péssima memória para decorar os exercícios. Fico muito frustrada às vezes porque ainda não consigo pensar em tudo ao mesmo tempo , se penso em decorar a coreografia, não consigo executar de forma correcta o passo, se penso em executar o passo, a coreografica fica para trás… enfim, nas acho que é tudo uma questão de prática, não é? Vou continuar com este sonho e fico muito feliz por saber que há pessoas como tu, que não desistiram. Isso encoraja-me a prosseguir também e a não desistir do meu =)

    bjs
    Diana

  3. Olá Cássia!
    Eu prefiro a barra fixa, pois tenho muita dificuldade em decorar sequências. Além disso, acho que consigo me aperfeiçoar mais, é mais ou menos como você disse, eu posso ver meu progresso e na variável fico meio perdida, já que tento decorar os movimento e fazê-los com precisão. Depois de um dia exaustivo de trabalho é quase impossível pra mim (o tico e o teco não funcionam mesmo!)
    Beijos,
    Lulis

  4. cassia na sequência variável eu também não trabalho como deveria por isso prefiro a fixa…beijos !!!

  5. nossa escrevi mal: eu sempre fiquei, como vocês sugeriram, atrás de alguém que sabe mais, para copiar.

    pronto. refiz a frase rs

  6. Ih! Você mudou o layout. Vou ser sincera: preferia o anterior… Mas pelo menos está melhor para ler com esse tamanho de letra.

    Engraçado… eu decoro coreografias muitíssimo rápido. Mas longas sequências na barra são uma dificuldade. Porque primeiro, eu gosto de entender como fazer o passo corretamente. Até eu sair dessa parte, já perdi a explicação da sequência em si. E eu sempre fiz, como vocês sugeriram, de ficar atrás de alguém que sabe e copiar. Mas, mesmo assim, saio catando cavaco às vezes hahaah. Minha profa. sempre faz as mesmas sequências. Muda de acordo com a matéria, de 3 em 3 meses mais ou menos. Quando estou finalmente pegando a sequência, ela muda. rs Porque demoro mesmo, até aprender a fazer tudo certo.

    Beijo!

    1. Carol, eu canso fácil de layouts. O outro estava há mais de um ano, eu não aguentava mais olhar para ele, hehehe. Sobre decorar a sequência, nem é o fato de você demorar, cada pessoa tem um tempo, um jeito. Também gosto de entender o passo, acho isso muito mais importante do que decorar logo de cara a sequência. Sempre aprendi melhor assim.

      Grande beijo.

  7. Eu sou fã de sequências variáveis, tanto na barra como no centro. Cresci com esse tipo de aula e sempre gostei de ter que me esforçar para fazer com que meu cérebro aprendesse rapidamente a sequência para depois ensiná-la para meu corpo e então deixar minha alma dançar. Só que minhas professoras não demonstravam a sequência: elas “ditavam” os passos e enfatizavam apenas as correções ou movimentações que queriam ver no nosso corpo. Sem ter toda a sequência demonstrada previamente, tínhamos tempo para, caso fosse necessário, fazê-la todinha duas vezes. Ou repeti-la em sua forma inversa. Isso fez também com que eu até hoje consiga acompanhar com mais facilidade praticamente todo tipo de aula, independente do professor ou método.

    Principais vantagens: rapidez de raciocínio, atenção redobrada, musicalidade, treino de memória, nomenclatura na ponta da língua e do pé, noção de espaço. Agora que estou quase com 49 anos, agradeço a elas por ter tido esse tipo de treinamento, pois sei que será cada vez mais importante à medida que a idade avança.
    Beijos,
    Regina

  8. Olá! tenho 30 anos e comecei a dançar ballet há três meses. Sempre foi minha paixão, mas na infância e adolescência eu optei pelo jazz e contemporânea, pois me sentia deslocada entre as outras meninas. Sou grandona e cheinha e sempre achei que o ballet estava fora do meu alcance. Prestes a trintar, resolvi realizar meu sonho e estou amando. Acho que nunca consegui ter tanta disciplina pra acordar cedo em outra atividade. Enfim, estou começando a leitura do blog e vim apenas deixar meus parabéns. Beijos!

  9. Oi Cássia, legal esse tópico. Quando eu comecei a fazer ballet minha professora passava uma barra variável, e eu gostava, apesar de não ter muito boa memória. Mas agora comecei numa escola nova e a professora usa a sequência fixa, e acho que vou gostar mais, realmente depois que vc decora dá pra se soltar mais e prestar mais atenção nos movimentos, ao invés de ficar preocupado com a sequência.

    Bjs!

  10. Comecei a fazer ballet em março. Nas primeiras semanas, a sequência era variável. Ficava bastante insegura porque tinha que me preocupar em memorizar os passos rapidamente, que eram todos parte de uma linguagem que eu como nova bailarina não conhecia, e não prestava tanta atenção na boa execução dos mesmos.
    Depois, foi marcado um “aulão show”. Para tal, a professora tem passado uma sequência fixa. É gritante como meu desempenho melhorou e como me sinto mais confortável. Eu não falto aulas, portanto já tenho domínio da ordem a ser seguida. Me sinto mais em condições, então, de me atentar para os meus erros e tentar corrigi-los. Mesmo para aprender os nomes dos passos, a fixa foi muito mais vantajosa.
    Esse seu “post” me motivou a conversar com a professora sobre os planos dela para depois do “aulão”.

    1. Luiza, fico feliz que você tenha pensando em conversar com a professora, e mais ainda por você perceber qual a sua melhor maneira de aprender. Acho que faz uma imeeeeensa diferença!

      Beijos.

  11. Também sempre preferi a sequência fixa…. Não pelo semestre todo, mas acho que ajuda a aperfeiçoar a técnica. Atualmente faço aulas de sequência variável, estou me habituando e tem o ponto positivo de forçar a memória (na fixa é mais fácil distrair com a menina do colo de pé liiiindo na sua frente).

    Sempre muito bom piruetar pelos seus textos!

  12. A sequência da barra de uma das minhas professoras é mensal. Como nós temos aulas 2x por semana são 8 aulas. Ela vai acrescentando uma ou outra coisa para aumentar o grau de dificuldade ou mesmo um exercício completo se vê que já estamos bem nos que temos. No mês seguinte a coreografia muda toda e os exercícios tornam-se mais complexos. Eu gosto muito assim porque estimula a memória e os exercícios novos deixam-me empolgada, primeiro porque acho super difícil, depois já não é assim tanto e por fim já os faço na boa!
    Com a outra professora a sequência muda também ao longo do ano, mas dura muito mais tempo. Para mim torna-se um pouco aborrecido quando já temos a mesma sequência por muito tempo ou se já me sinto à vontade com aquele exercício.
    Eu geralmente concentro-me em saber primeiro a coreografia e depois vou corrigindo os pormenores do passo. Também porque eu estou sempre na ponta da barra. Já tentei esgueirar-me para o meio, mas como eu sou uma das primeiras alunas e até não tenho muita dificuldade em aprender as coreografias, a professora pede-me sempre para ficar na ponta :S Eu não gosto de ficar na ponta, nunca gostei de ser a primeira em nada e agora olha…

    Beijos

    (Cássia, arranjas sempre temas interessantes hein?? ;) )

    1. Vanessa, quando eu comecei no ballet eu sempre ficava no meio. Depois passei a ficar sempre na ponta, depois voltei para o meio, hehehe. Quando eu já decorei, prefiro ficar na ponta, o problema é que eu me desligo completamente do restante da turma! Na verdade, eu me desligo sempre, se você me perguntar quem é boa e quem não é, eu nunca sei, hehehe. E sobre os temas, eu vou colocando o que inquieta mesmo. Fico feliz que você ache interessante. ;)

      Doce beijo.

  13. Olá Cássia, seu blog é incrível!
    Tenho 19 anos e estou louca pra começar a fazer ballet! Pesquisando achei o seu blog e adorei, me incentivou muito, continuarei vindo aqui sempre! Parabéns pela sua dedicação e persistência!
    Beijos

  14. Cássia
    Sou bem parecida com você, tenho ótima memória e sou super preocupada com a execução do passo. Talvez essa característica mude com o tempo, melhorando a execução, aprendendo, talvez passe a gostar mais de variações, mas também não gosto de barra variável. As duas primeiras aulas, até pegar o jeito da coisa, a execução fica péssima… ai, vem melhorando e no fim do semestre gosto do que vejo. Também concordo com você, sobre o rendimento das aulas. Quando a professora precisa parar, passar a sequência toda vez, rendemos muito menos, fazemos praticamente a metade dos exercícios que deveríamos fazer (fazendo contas… tá?) ou as sequências precisam ser bem menos elaboradas (porque ai, nem quem é formado em memorização consegue, né?).
    Em uma das minhas turmas, já estamos montando a barra/centro/diagonal que ficaremos até o fim do ano, para que em agosto, quando os ensaios começarão, ninguém pense em decorar e foque na coreografia… achei bacana.
    O aumento da complexidade de algum passo é normal e bacana, porque é reflexo da evolução da turma.
    Beijos!
    lelê

  15. Eu confesso que prefiro a fixa, mas não pelo ano todo. Tive uma professora britânica que estava fazendo estágio na escola onde eu estudava e ela modificava os exercícios mensalmente, sendo que os dois últimos exercícios da aula eram feitos da seguinte forma: o penúltimo ela montava na hora e o último era nossa diagonal (que ela chamava de “free movement” ). O último exercício era nossa lição de casa: cada um elaborava dentro da música escolhida (valsa, mazurka…) e mostrava. Além da lição de casa “on stage”, tínhamos que entregar o caderno, com a aula mensal escrita, com os tempos corretos. A cada dois meses, era feita uma pesquisa sobre um bailado.
    Gostava da aula de Miss Smith.
    Seu post me fez lembrar dela…

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