Vamos esclarecer uma coisa

Imagino o quanto é complicado para quem ainda sonha em ser bailarina profissional, ler o post publicado semana passada. Eu também ficava brava com isso, mesmo querendo outra coisa. Já cheguei a criticar uma professora de um curso teórico porque ela havia falado sobre a questão da excelência física. Ela tem de ballet clássico mais do que eu tenho de vida, mas não tive humildade para aceitar que ela tem toda razão.

Sendo assim, vou deixar claro uma coisa. Quando eu disse bailarina profissional, me referi a grandes companhias de ballet clássico. Traduzindo: não, você não conseguirá ser primeira-bailarina do Royal Ballet, Bolshoi Ballet, Ópera de Paris, Kirov Ballet, American Ballet Theatre se começou a dançar aos 25 anos. Você não será primeira-bailarina de nenhuma dessas companhias se não tem o perfil físico exigido para tal. Também não participará das audições dos cursos regulares profissionalizantes da Escola Estadual de Danças Maria Olenewa, Escola Municipal de Bailado de São Paulo, Escola do Teatro Bolshoi no Brasil se você não é mais uma menina.

Em momento algum eu disse que você não pode:

  • Abrir sua própria companhia.
  • Estudar e se dedicar para ser professora de ballet clássico.
  • Conseguir o seu DRT no Sindicato de Dança da sua cidade.
  • Se formar em um curso regular de ballet clássico.
  • Se profissionalizar em outras danças e participar de suas respectivas companhias.
  • Fazer as suas aulas e se apresentar lindamente no palco.

Ultimamente, as visitas ao blog giram em torno de 14 mil acessos mensais. Ou seja, eu preciso ter responsabilidade. Não dá para simplesmente dizer a cada bailarina que chega aqui: “Vamos lá, você conseguirá o que quer com toda a certeza”.

Não funciona assim. A vida não é assim.

O que vocês conseguirão no ballet clássico é responsabilidade de cada uma. Se há histórias que vão além do senso comum, é excelente que existam. Porém, quando tantas bailarinas chegam aqui querendo saber sobre profissionalização, tenho de contar como algumas coisas funcionam. Eu não fico elucubrando sobre o ballet, eu estudo para publicar aqui. Compro livros, faço cursos, pesquiso, converso com outras bailarinas, converso com professoras. Mudo de ideia sempre, porque o conhecimento nos traz isso. E, principalmente, a humildade para aceitar que sabemos muito, muito pouco. Quem acha que está sempre certo, jamais muda de ideia, mesmo que todos lhe digam que a realidade é diferente.

Há quem passe a vida sonhando, há quem transforme a própria realidade. Eu admiro as pessoas do segundo grupo. Sinto muito, mas a torcida empolgada, sem fundamento, vocês nunca encontrarão aqui.

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43 comentários sobre “Vamos esclarecer uma coisa

  1. Olá Cássia tudo bem? eu atualmente tenho 15 anos e pratico a dança desde os dois anos de idade. porem o nível da aula que frequento é realmente baixo, do tipo iniciante. Há cerca de três anos eu subi na sapatilha de ponta e pratiquei isso por dois anos, e agora estou parada a um ano também. Tenho 1,70 sou flexível e já pratiquei jazz e ginastica artística. Você acha que se eu ingressar agora em aulas realmente com intuito profissionais eu consigo me ter uma carreira bem sucedida nas grandes escolas de ballet?

    Grata desde já!

  2. Oie,Cássia. Boa tarde!!
    Eu tenho 14 anos e faço Ballet desde os 10. Ultimamente tenho pensado muito em meus objetivos e cheguei a conclusão de que quero muito mesmo ser bailarina. Tenho características de bailarinos, como flexibilidade, físico e força. Você acha que eu tenho chances? Por favor eu gostaria muito que fosse sincera. Desde já agradeço! <3

    1. Jordanna, você começou aos 10, hoje tem 14 anos, tem características de bailarinos… Serei bem sincera: você tem todas as chances de ser profissional. Continue estudando, busque mais informações para aprofundar seus estudos e siga em frente, porque o caminho está aberto para você, de verdade! Imenso beijo.

  3. Desde os 3 anos sonho em ser bailarina(não,não é só fazer balé)
    Mas só pude começar aos 9(em fevereiro de 2013) aos 10(maio de 2013) subi nas pontas.
    Minha professora diz que eu sou boa.Sonho em um dia poder fazer parte da American Academy of Dance ou Bolshoi Ballet e me tornar uma bailarina profissional.
    Mas por ter as pernas fracas tenho medo que eu não consiga…Minha mestra (Ophelia Corvello) diz que eu estou bem.eu vou ser capaz de me tornar profissional e entrar para uma grande companhia de balé?

    1. Zena, a sua falta de força pode ser trabalhada (e te expliquei melhor num outro post que você comentou). Além do mais, você ainda é uma menina, tem muito estudo e trabalho pela frente. Fique tranquila, é possível ser profissional e entrar em uma grande companhia.

      Grande beijo.

  4. Oi Cassia! Tenho 16 anos e sempre sonhei em ser uma grande bailarina. Admiro o Ballet desde pequena e cheguei a fazer quando eu tinha uns 4 anos, porém, fiz por pouco tempo (1 ano mais ou menos). Nunca consegui voltar desde então. Bom, meu sonho de ser bailarina ainda não morreu, mas venho pensando se é tarde demais para voltar, agr q tenho oportunidade… Você acha que ainda da tempo? Ah, eu faço street dance, mas sempre sonhei com o Ballet… Ainda tem como eu me tornar uma ótima bailarina como você?
    Desde já, muito obrigada! A sua história é linda! Pretendo comprar o seu livro para melhorar minha autoconfiança! Você é uma bailarina muito inspiradora!

    1. Rayssa, tudo depende do seu objetivo. Se você quer ser bailarina profissional de uma grande companhia, 16 anos é um pouquinho tarde… Mas se você quer dançar profissionalmente em outras companhias, quer trabalhar com dança em outras áreas, ainda dá tempo. E se você quer apenas dançar por dançar, fique tranquila, ainda há muito tempo pela frente. E se você faz street dance, a dança não é uma estranha para você, o que só ajuda. E fico muito feliz que o blog e a minha história tenham inspirado você. =] Imenso beijo.

  5. Ola, Cassia adorei sua sinceridade…. tenho 22 anos e nunca pude e nunca me apoiaram a fazer Ballet, sou homen e tenho 1,61, nao tenho o perfil de um bailarino… agora gostaria q vc fosse sincera comigo, se eu comecar agora o ballet oq eu posso conseguir com ele? possibilidade tipo de atuar em alguma peca e tals? vc poderia me flar…. nao q eu pretenda ser profissional, porem eu gostaria de ter o gosto de participar dessa area da danca classica… oq eu poderia fazer agora se eu me esforcar do zero? por favor deixarei meu e-mail se vc puder me responder…. desde ja agradeco!

  6. Cassia, concordo com tdo que disse mas lendo seus comentários, vc eh mto grossa!! Se não está aqui para agradar ninguém, pelo menos seja um pouco mais educada! “O blog eh meu, bla, bla, bla”…Putz, qta falta de tato para lidar com críticas!
    Se expõe sua opinião e seu conhecimento sobre o assunto, nda mais normal que aceite a dos outros, porém sem se exaltar. Qto despreparo pra lidar com o público…

  7. Tenho 14 anos, andei lendo algumas postagens, como essa, e desde que me entendo por gente eu quis fazer aulas de ballet, mas meus pais nunca tiveram um tempo reservado para me levar em aulas, mas meu interesse nunca morreu, conversei com minha avó e ela me disse que se eu quisesse mesmo fazer aulas, e é o que eu quero, ela me levaria. Mas foi aí que bateu a insegurança, eu com 14 anos sem experiência nenhuma no ramo, conseguiria? Será que já não é tarde para isso? Não sei se conta muito o físico, mas tenho uns 1,60/1,65 de altura e peso 45 quilos. Sei lá, escrevi esse comentário para ver um opinião profissional e saber se eu deveria investir nessas aulas ou desistir e virar a pagina. Obrigada pela atenção.

    1. Oi, Carol! Primeiramente, não sou bailarina profissional. Tenho 16 anos e danço há pouco tempo, comecei no ballet mais velha que você. Digo por experiência própria, que você não é velha para começar as aulas. A bailarina que mais admiro no mundo, começou a dançar ballet aos 14 anos, e ela é maravilhosa. Não dança para grandes companhias, mas como eu disse, é a bailarina que mais admiro. Mais do que as profissionais. Isso porque não dançar repertórios famosos em ballets famosos não significa que você não é maravilhosa nisso. Faça as aulas se é o que você quer, se esforce, tenha dedicação, e se você for verdadeiramente apaixonada pelo ballet, seu esforço valerá a pena, porque você vai longe. Pretendo seguir carreira no ballet, mas tenho em mente a dificuldade de ser profissional. Mas se lembre sempre que nem todo mundo que tentou conseguiu, mas todo mundo que conseguiu tentou.

  8. Pessoal! a vida de uma bailarina profissional é muito dificil.Além de morarmos em um país aonde a cultura e educação não são valorizados como deveria ser;o mercado de trabalho é muito restrito.
    Sei que é lindo sonhar,pensar que poderá dançar tudo aquilo que se vê,mas,a rotina diária de uma bailarina exige muita dedicação,persistência,trabalho técnico,perseverança e atitude.Resumindo:voce tem que ser teimosa. Vale a pena pesquisar realmente o que se quer de concreto,para depois não sobrar a desilusão.

  9. tenho a frustração de não ter tido a oiportunidadeb de fazer balé qdi adolescente e agora e começei depois dostrinta e uns ,faço há cinco anos .gostei qdo diz que posso fundar minha própia companhia mas é dificil ACHAR quem quueira sonhar junto e fazer-se menbro.

  10. Sinceramente não entendi a exaltação de alguns comentários acima. Qual o problema de dançar só por hobby? Só merece mérito que se intitula bailarina ou é profissional? Cássia está certíssima. Como ela mesma falou,não dá pra se intitular terapeuta só porque você gosta e estuda psicologia informalmente.
    É o que acontece comogo. Sempre amei design,mas só posso ser chamada de designer quando concluir meu curso superior. Muito justo. Em momento algum a Cássia ou a Regina desmereceram a dança amadora. Pelo contrário,ela tem um brilho todo especial.

  11. Olá a todas! Sinceramente sabe o que acho que falta e que é extremamente importante para algumas estudantes de ballet inciante??? Mais HUMILDADE, humildade para reconhecer os pontos fracos e os fortes, humildade para deixar seu professor te avaliar e reconhecer o seu esforço, dedicação, isso acontece qdo vc estuda em uma escola séria, com um professor sério. Que tenha uma vasta experiencia , uma carreira de verdade. Abraços.

  12. Olá, Cassia! Há alguns meses venho acompanhando seu blog e hoje, enfim, resolvi deixar este comentário.
    Fico bastante tocada por ver seu estímulo à dança por prazer simplesmente e não por resultados. Fiz ballet por vários anos quando criança, fiquei parada por muitos anos e em fevereiro desse ano voltei a dançar. Há pelo menos um ano ensaiava essa volta, mas era justamente o receio de fazer feio e passar vergonha que me afastavam, porque, à beira dos 30 anos, não se tem mais a mesma elasticidade, a mesma leveza, mas, ao contrário, alguns quilinhos a mais e uma enorme dificuldade de perdê-los.
    Mesmo assim, posso dizer, com toda certeza, que nunca fui tão feliz com o ballet como sou hoje e não tenho nenhuma dúvida de que essa felicidade vem da entrega do coração à dança, da busca do prazer antes do resultado, da consciência corporal, enfim, tudo o que eu não tinha quando criança em meio às tantas cobranças que eu mesmo me impunha quando me comparava às outras meninas, por exemplo.
    Enfim, parabéns pelo blog!

  13. Oi Cássia, oi para todos que visitam o blog. Depois que li este post me coloquei a pensar e levei o debate para minha aula e compartilhei com a turma, por achar que é um tema muito importante e que contribui muito para todos que apreciam esta arte, quer como profissional, aluno, contribuidor ou espectador. Cada um é afetado de uma dada forma.

    Pois bem, li o que a Regina escreveu e o que a Heydi escreveu e as mediações da Cássia, bem como alguns outros que achei que trouxeram à baila novas perspectivas. Acho que devemos ter cuidado com todas as definições extremistas, mas garantir de forma articuladora a não banalização da questão.

    Não vivo de dança, mas danço para viver!A dança, e principalmente o ballet, é minha maior terapia e me completa como ser, reabastece minhas energias e me dá um ods sentidos de continuar a viver. É a maneira que meu corpo tem de me apresentar meus movimentos, possibilidades, habilidades e limites.

    Já sonhei em me profissionalizar e hoje, para mim, se voltar a ter a qualidade suficiente para estar no palco me basta!Mas me dói pensar que não poderei ser chamada de bailarina quando me apresentar pq não vivo financeiramente da dança, mesmo trabalhando duro e fazendo marabalismos financeiros e com o tempo para poder fazer minha aulas.

    Então, quero aqui, assumir uma postura intermediária e colocar-me a favor da adjetivação do substantivo “bailarina”. Sou estudante de ballet! Assim que estiver em condições de voltar aos palcos serei bailarina tentando sentir 1/10 das emoções de me preparar para profissionalização.

    Sei que cada um tem sua postura e ideais, mas já tiraram de mim a motivação de ser bailarina profissional porque sempre fui alta (1,80m) e não vou comprar a idéia que não poderei me denominar bailarina mesmo com toda dor que sinto (que estou sentindo nesse momento pq acabei de chegar da minha aula e estou P da vida pq não fiz um adágio bacana), com toda dedicação e emoção que empenho para arte.

    Mais uma vez, parabéns para o debate!Parabéns Cássia por viabilizar esse troca de idéias e posicionamentos!Parabéns a todos que souberam se manifestar, mas me perdoem aqueles que não se manifestam contrário, eu sou bailarina!

    Beijos a todos!

  14. “a quantidade de gente que se intitula bailarina. Na minha opinião, existe uma diferença entre ser bailarina e dançar ou aprender ballet. ”

    “Bailarino profissional, para mim, é aquele que consegue viver de sua dança. Não precisa dar aulas de ballet nem ser dono de escola para poder pagar suas contas no fim do mês.”

    Na frase de cima faltou o termo “profissional”? ou na frase de baixo ela veio em excesso?Leia Regina, são as suas palavras.

    Cássia, fiquei pensando até hj sobre isso.

    São vocês Cassia e Regina que não se consideram bailarinas. E acho que vocês generalizaram as suas proprias definições.

    Um bailarino, no pais do futebol, pode ganhar a vida de várias maneiras. Dando aulas, como empresário, sem que isso tire o titulo dele de bailarino profissional.

    Sou bailarina profissional sem nunca ter ganhado qq quantia em dinheiro.

    Fui modelo de passarela. Não me profissionalizei pq não tinha tempo de me dedicar e nem amor pela profissão. Já era bailarina e professora. Desfilei por dinheiro. Então fui profissional??????

    Mas minha conversa termina aqui. Estou decepcionada e não brava.

    1. Heydi, falei uma vez e vou repetir: você quem sabe sobre as suas definições. Além do mais, guarde bem uma coisa, você não tem de se decepcionar, pois o blog não foi feito para agradar ninguém. Estou cansada de bailarinas e estudantes ofendidas porque não encontram no blog o respaldo que querem para os próprios desejos. Não estou aqui para isso. Quem tem de lidar com os próprios sonhos, projetos e frustrações é cada uma de vocês. Sim, não me considero bailarina, porque eu não me formei para isso, não trabalho com isso, não ganho a vida com isso. Eu sou revisora de textos e estou muito bem. Agora, serei clara novamente, esse blog é meu. Aqui eu trago as discussões que eu achar pertinente. E não deixarei ninguém vir aqui bater o pé porque se ofendeu. Não mesmo. O blog é aberto para a discussão do ballet clássico. Quem não quer isso, sinto muito, aqui funciona assim.

  15. Sorry, my bad. É como vc colocou o “deixar claro” logo após o meu nome, achei que o comentário se dirigia a mim… Mas, de qualquer forma, está combinado.

  16. Em nenhum momento falei que não deve haver espaço para quem curte “a emoção de estar no palco”, apenas mencionei que quem é assim tão naïve não pode assumir uma postura profissional.
    Pois a “emoção de estar no palco” não é essência de um bailarino profissional, mas sim do amador.
    Se prestar atenção tanto no que escrevo nos comentários, como no meu blog, em nenhum momento sou contra quem quer dançar. Sou apenas intolerante com a banalização das profissões.

    [ ]’s

    1. Karin, eu não disse que você disse. Comecei dizendo “só deixar claro”, porque os comentários são lidos por várias pessoas que nem sempre entendem claramente o que cada um disse. Por isso, sempre comentarei o que for necessário para diminuir qualquer tipo de dúvida a respeito do que quer que seja neste espaço. Combinado?

      Beijos.

  17. Não consigo não deixar de concordar com a Regina porque temo pela banalização da profissão, tamanho o número de pessoas despreparadas que se dizem bailarinos profissionais e coreógrafos. Basta olhar os festivais para a comprovação disso. Uma coisa é gostar de dançar e ter o direito de aprender. Outra, completamente oposta, por exemplo, é ter apenas uns poucos anos de contato com a dança e querer ensinar, abrir academia e cobrar cachê. Infelizmente nem todo mundo encara a dança com a devida responsabilidade que esta exige e muito menos investe nela como deveria. A maioria permanece no pensamento juvenil de tratar a dança como “espetáculo de fim de ano” e não como um processo árduo de criação, desconstrução e invenção em cima de uma técnica deveras difícil. Daí a necessidade de separar quem vem a ser a pessoa capaz de executar com responsabilidade e capacidade o ensino, a criação e o desenvolvimento da dança, daquele que só curte ” a emoção de estar no palco”. Parabéns, Cássia, pela oportunidade da discussão.

    1. Karin, só deixar claro uma coisa: há quem trate a dança como espetáculo de fim de ano porque é a única referência que possuem. Como você mesma falou sobre os festivais, professores despreparados formam bailarinos sem conhecimento. E também não vejo problema algum em só curtir a dança. Só acho que cada coisa tem o seu lugar e deve haver espaço para quem quer vivenciá-la como deseja.

      Beijos.

  18. Talvez seria melhor definir assim:

    Bailarino: aquele que estuda / dança / ama o ballet.

    Bailarino profissional: o bailarino que tem o ballet como sua atividade profissional principal.

    Bjokas

  19. Desculpe, não sei o seu nome “Escrevendo com os pés”.

    Para mim, a diferença entre o bailarino PROFISSIONAL e o amador é esta: conseguir viver de sua dança. Foi o critério de diferenciação que adotei na minha mensagem. Não foi a qualidade da dança, esforço, dedicação, companhia ou teatro onde se apresentam. Em nenhum momento desmereci o esforço, talento e competência de todos os que fazem aula de dança, dão aula de dança e amam a dança. Aliás, também mencionei na mensagem anterior que existem outros fatores que acabam prejudicando ou até mesmo impedindo pessoas extremamente talentosas e capazes de se profissionalizarem, fatores esses que nem sempre têm relação com o talento, dedicação e esforço de cada um.

    Acho realmente que temos pouquíssimos bailarinos profissionais no país, ou seja, bailarinos que conseguem passar o dia inteiro treinando, ensaiando, tendo aulas, fazendo cursos, viajando e se apresentando sem precisar completar sua renda dando aulas ou com alguma outra atividade remunerada. Temos bailarinos talentosíssimos? É claro. Temos professores maravilhosos? Coreógrafos criativos e inovadores? É claro que sim.

    Este é um forum de discussão. Serve para compartilhar opiniões. Expus a minha, assim como você e todos os outros expuseram a sua. Respeito todas, mesmo que não concorde com elas.

  20. Gente, “peloamordedeus”………………..Cássia e Regina não estou entendendo essa história de “tem que ganhar dançando pra se intitular bailarino?”

    Então não temos bailarinos no país? Ah sim. São bailarinos os Thiagos Soares, Irlans da vida? Que foram embora pra poderem ser bailarinos de verdade?

    E os que ralam aqui e não ganham nada, muitas vezes, por falta de oportunidade?

    Então o que são? O que eu sou?

    Nunca ganhei um “tostão” dançando, e dancei muuuuito. Pago minhas contas dando aulas e se der tudo certo pagarei minhas contas como dona de uma escola de dança.

    Isso me tira o título de bailarina?

    Um jogador de futebol, joga futebol, não importa onde.

    Nesse país sem cultura parao Ballet Clássico, nãose podemedir/intitular/desmerecer um bailarino por ele nunca terpisado no palco dos Kirovs e Bolshois da vida.

    Espero, de todo meu coração que eu tenha entendido errado.

    “Bailarino profissional, para mim, é aquele que consegue viver de sua dança. Não precisa dar aulas de ballet nem ser dono de escola para poder pagar suas contas no fim do mês.”

    Mas sei o que li.

    Concordo com seu post anterior e o atual.
    Mas não posso concordar com essa deficição sobre “ser bailarino”

    Me deu até um aperto no peito, Cássia.

    1. Heydi, isso é comum acontecer aqui: tomada pela emoção do que leu, a pessoa não entende bem o que o texto diz. Pelo visto, você realmente entendeu errado. A Regina não falou, em momento ALGUM, que bailarino é apenas aquele que dança numa companhia como o Bolshoi. Ela falou, e repetiu em sua resposta, que bailarino é o profissional que vive do seu trabalho. Sinto muito, mas ela está certa. Eu sou bailarina? Não. Não sou profissional da dança. Se eu começar a estudar psicologia por hobby duas vezes por semana, posso ser chamada de terapeuta? Quem dança profissionalmente é bailarino. Quem dá aula de ballet clássico é professor. Quem é dono de escola é empresário. Uma pessoa pode ser as três coisas? Pode. Mas há sim uma clara distinção. Não precisa se exaltar, tampouco ficar brava. Você sabe da sua questão profissional e o que isso representa na sua vida. Ninguém vai chegar aqui e dizer qual o nome você recebe por isso. Agora, falei uma, duas, três e vou repetir: aqui no blog eu acho bacana questionar as coisas e repensar o modelo do que aceitamos. Independentemente do nome que cada qual receba, aqui todos levamos o ballet muito a sério. Não se esqueça disso.

      Beijos.

  21. Cássia, tens razão.
    Eu acho que fico um pouco toldada quando o assunto é dança! Há coisas que custam a ouvir, sim, embora no meu caso a tua opinião tenha sido favorável :D. A maior parte das vezes acho que sabemos que tens razão, mas lá no fundo não queremos dar ouvidos à nossa vozinha interior que nos diz que há coisas que não serão possíveis concretizar, porque dói.
    Para mim dançar numa companhia é sonhar alto, muito alto. E não é esse o meu desejo conforme eu já contei. Sei que o tempo não está a meu favor… Uma das minhas professoras têm um ano a mais que eu e já dança há 20 anos! que é praticamente desde que ela tomou consciência que era gente. Caramba, porque é que os meus pais não adivinharam que eu queria ser bailarina?? E depois de me lamentar durante alguns minutos, lembro-me que ainda tenho muita vida pela frente e vou usá-la muito bem e vou fazer dela uma bela coreografia!

    Sim, eu sei muito, muito pouco ainda, mas eu hei-de chegar a saber bastante e cada vez mais. Tenho humildade para admitir e tenho vontade de transformar a minha realidade. E admiro-te a ti por teres coragem e bom senso para falar sem condescendências sobre este assunto.

    E parabéns pelo blog que é tudo de bom e está cada vez mais famoso!

    Beijos

  22. É, parece uma visão cruel, mas é assim que o mundo funciona. Não apenas com o ballet, mas com muitas atividades. Parece injusto? Parece.. pode até SER realmente injusto, mas é aquele tipo de coisa que não dá realmente pra mudar.

    Tenho 30 anos. A maior parte das coisas q percebi que sou realmente apaixonado, descobri há no máximo cinco anos, inclusive o ballet. Durante a infância e adolescência eu não passava de um nerdinho fã de desenhos japoneses.

    Às vezes vem aquela mágoa, quando percebo minha inexperiência ou falta de coordenação em alguma atividade, Me vem o pensamento “por que eu não me apaixonei por isso vinte anos atrás?” Mas àquela época, eu não tinha a maturidade e nem a concentração pra me dedicar a coisas que hoje amo.

    É a história… temos que lutar com as armas que temos, sabendo que com elas, vamos atingir apenas aquilo que podemos.

    O importante é não fazer o que fiz muito durante a adolescência: cruzar os braços e pensar “ah, fulano tem muito mais experiência que eu, não adianta eu tentar.” Desse modo, aí sim é que não desenvolve. Melhor desenvolver tarde com a consciência de que não terá mais chance de Bolshois ou medalhas de ouro, do que crescer com a frustração de nunca ter nem começado por pura falta de autoconfiança.

    Fica meu recado pra quem realmente gosta não só de ballet mas qualquer outra coisa que é dita que “tem que se fazer desde criança”.

  23. Apesar do meu post anterior, não quis dizer que não quero atingir os objetivos:

    •Estudar e se dedicar para ser professora de ballet clássico.
    •Conseguir o seu DRT no Sindicato de Dança da sua cidade.
    •Se formar em um curso regular de ballet clássico.
    •Fazer as suas aulas e se apresentar lindamente no palco.

  24. Cássia, infelizmente só posso concordar com vc. 1º para ser profissional o treino teria de ser diário e muito muito maior o tempo do treino.
    2º Infelizmente o tempo perdido faz muita diferença, pois o treino desde cedo dá habilidades que demorarei a conquistar!
    3° Sempre penso que provalmente algumas coisas são meus prazeres pois não as faço a exaustão e nem com cobranças e perfeccionismo que os profissionais enfrentam. Por exemplo, na natação, uma vez vendo um treino de uma competidora (de faculdade e não de um profissional) vi a treinadora determinando o número de braçadas a serem realizadas ao cruzar a piscina, isso sem contar com o tempo determinado. A moça treinada fez uma braçada a menos, a treinadora brigou com ela. E eu tinha pensado que braçadas a menos não era ruim para se cruzar uma piscina, afinal se consegui o intento com menos. Mas para o treino, nem a mais e nem a menos. E fiquei a pensar, adoro nadar, mas gostaria de algo assim?
    E muitas vezes penso, adoro o ballet, mas suportaria sentir dor no pé devido ao uso das pontas, e ainda assim fazer e fazer, repetir e repetir, e de repente me falarem que um detalhe não é assim, refazer novamente, até a perfeição. Em ensaios procuramos ser perfeitas, mas será que seriamos assistidas e apreciadas por quem vai gastar muito dinheiro para ver um bolshoi? Afinal em um bolshoi, por exemplo, perfeição é obrigação! Sim todos queremos alcançar a perfeição, mas será que não teremos limite para a sensação de dor, cansaço e/ou exaustão? Ainda mais, no meu caso, não tendo tido um treino desde minha infância, passando pela adolescência, só a tendo em idade adulta, sem serem horas diárias, e em grande quantidades. Aliado às interrupções causadas pelos vai e vens que a vida nos leva, fazendo com sejam interrompidas determinadas atividades. Que só depois de algum tempo as retomamos, para novamente as termos interrompidas. O ballet é paixão na minha vida, por isso também estudo por fora das aulas que faço, ao todo 4 vezes por semana. Mas sei que tudo que é obrigação nem sempre nos dá o mesmo prazer que temos com o que é nossa escolha fazer. Mesmo que antes, acreditasse verdadeiramente que seria o meu maior prazer.

  25. As pessoas tem que aceitar a realidade. Tem coisas que não podem acontecer, mas não é por isso que vou me desesperar. Eu amo ballet, e é muito bom compartilhar essa paixão com pessoas sinceras como você.
    Gosto muito do seu blog.
    Bjos

  26. Cássia,

    Tenho acompanhado aqui do meu cantinho as discussões interessantes que aparecem aqui. Voltei a fazer aulas de clássico neste ano, depois ter ficado parada vários anos. Acompanhando os diversos blogs sobre o assunto, uma coisa me chama a atenção: a quantidade de gente que se intitula bailarina. Na minha opinião, existe uma diferença entre ser bailarina e dançar ou aprender ballet. Algo como ser jogador de futebol e jogar futebol.

    Bailarino profissional, para mim, é aquele que consegue viver de sua dança. Não precisa dar aulas de ballet nem ser dono de escola para poder pagar suas contas no fim do mês. Quantos vocês conhecem aqui no Brasil ou mesmo lá fora, que conseguem isso? Por mais talento, esforço, anatomia, dedicação e persistência que tenham?

    Sem falar no famoso QI… Cansei de ver professor deixar aluno de lado porque não se encaixa no seu “perfil” ou no da companhia. Ou sabotar muito sutilmente o aluno ao perceber que ele tem potencial para ser bem mais do que o próprio professor. O bom professor não pode querer competir com seus bailarinos, nem querer ser a estrela do espetáculo. Ele tem de se fazer brilhar por meio dos alunos. Por sua vez, o bom bailarino – o verdadeiro artista – tem brilho próprio. Não precisa dançar na primeira fila, ser solista ou apagar a luz de ninguém para aparecer.

    A vantagem do aluno adulto é que ele tem melhor capacidade para perceber todas essas situações e tomar as decisões que julgar mais adequadas. Ninguém é perfeito, todos estão aqui para aprender. Uns com os outros. Alunos e professores. Mestres e bailarinos.

    1. Regina, antes de mais nada, eu adorei o seu comentário. Deu vontade de transformá-lo em post. E de tudo o que você falou, há algo que eu mesma nunca tinha pensando e, pior, batia nesta tecla: “Na minha opinião, existe uma diferença entre ser bailarina e dançar ou aprender ballet. Algo como ser jogador de futebol e jogar futebol.” Eu já falei diversas vezes que somos todas bailarinas. Você tem razão, não somos. Quem joga futebol todo fim de semana, é apaixonado por isso, monta time com uniforme, mas não é profissional, não diz que é jogador de futebol. Talvez, para aplacar a nossa frustração, dizemos sempre que somos bailarinas. Realmente repensarei isso daqui para a frente.

      Um grande beijo.

  27. Eu me enquadro em:

    * Estudar e se dedicar para ser professora de ballet clássico.
    * Conseguir o seu DRT no Sindicato de Dança da sua cidade.
    * Se formar em um curso regular de ballet clássico.
    * Fazer as suas aulas e se apresentar lindamente no palco.

    Faço tudo para conseguir isso…

  28. Incentivo é sempre bom, mas sempre baseado na realidade. Não adianta alguém dizer para mim: “ah você ainda será uma bailarina profissional”, por mais que isso seja bom de se ouvir é claro que tenho plena consciência de que isso não é possível!
    Por isso acho muito correto as suas palavras, não é jogar um balde de água fria e sim mostrar a realidade de que o ballet exige coisas que muitas de nós não tem mais como dar!
    Claro que quando olho bailarinas dançando maravilhosamente bem, queria muita dançar daquela forma. Porém, sabendo que muitas coisas não são possíveis, isso não me desmotiva, mas sim me motiva mais ainda, me dá mais vontade de me dedicar, me esforçar para que algumas barreiras que ainda possam ser vencidas eu possa ultrapassar!!!!!
    Cada vez que vejo uma bailarina dançando me apaixono mais ainda pelo ballet!!

    Sei, muitas tem esse sonho, mas é uma questão de consciência e não esperar por isso não gera frustrações!

    Um grande beijo.

  29. Minha professora teve aulas com a Maria Olenewa e disse que se machucou bastante , Olenewa ensinava o metodo russo, minha prof. saia das aulas muito machucada qdo fazia aulas com ela .
    Hoje ela ensina o vaganova. Que veio a se aprimorar após ter entendido o russo.

  30. Quando entrei para companhia onde danço , ninguem perguntou minha idade. O curso é sério, super puxado, mas quando me matriculei nem a professora , nem a dona da companhia quiseram saber minha idade. Tenho 26. Semana passada em minha terceira aula de ballet, uma aluna já antiga que faz aulas comigo , mas já está ha 2 anos dançando lá olhou para mim ao final da aula e disse : Vc já fazia ballet? Entao eu disse que já tinha feito , mas quando era criança e muito pouco tempo , alguns meses apenas. Mas entao o que vc fazia de dança antes de entrar aqui? Eu sorri e disse: nao fazia dança nenhuma!. Ela ficou impressionada porque disse que eu tenho corpo de quem dança ballet, que meu fisico é muito bonito, ela achou que eu menti mesmo.
    Ela é bailarina, quem olha para ela , diz que ela é profissional, e é a melhor aluna que tem na minha turma. Dança MUITO, tanto que a professora sempre recorre a ela como exemplo nas aulas. Eu sei que tenho um fisico que ajuda e ter ouvido aquilo de alguem que dança perfeitamente , lindamente, foi demais!!! Eu fiquei super tudo!!! Eu nao consigo me achar uma bailarina só porque faço aulas de ballet, mas nesse dia eu comecei a me olhar de um modo diferente. Acho que daqui a alguns anos, dançando, eu me olhe e me sinta um bailarina de fato. Com um pouco mais de tecnica, e um corpo ainda mais trabalhado, sabendo dançar bonito e todas as outras coisas mais que toda bailarina precisa. Concordo com o texto. A única coisa que me faria feliz de verdade é poder seguir com o curso regular , me formar e continuar dançando, sem precisar ser bailarina profissional, mas gostaria bastante de me formar em ballet antes de morrer , é claro. rsrs Isso me basta!!!

  31. Tem temas polêmicos… acho que principalmente quando você entra no campo dos sonhos e frustrações das pessoas.
    Mas emitir a sua opinião é uma forma absolutamente corajosa, que poucos fazem. Parabéns Cássia.
    Eu concordei com você no post, por entender as suas razões e por saber que o ballet tem um espaço especial na minha vida, mesmo sem querer dançar em nenhuma companhia. Acho que defini o que desejava e isso me fez mais feliz.
    Beijos e parabéns
    lelê

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