O valor das palavras

Tarde de sábado, estava eu lendo no meu quarto, quando minha mãe me chama para assistir ao Caldeirão do Huck. “Cássiaaaaaaa, vem ver a bailarina!”

Amanda, 14 anos, começou a fazer dança contemporânea aos 9 anos de idade, na ONG coordenada por sua mãe. Não lembro bem qual foi a circunstância, mas alguém disse que ela deveria fazer ballet clássico. Como, se sua família não podia pagar? Acabou fazendo o teste numa escola particular, passou e ganhou bolsa de estudos. Estuda lá até hoje. Entre aulas e ensaios, ela dança de segunda à sábado. A vida dessa menina é o ballet clássico.

Em 2008, ela conseguiu passar na audição para um curso de férias no Miami City Ballet. Conseguiu patrocínio e foi. Em 2009, passou na audição novamente, mas sem dinheiro, não foi. Em 2010, passou de novo, conseguiu uma bolsa. Mas, além disso, conseguiu uma bolsa para estudar um ano lá. Foi aí que ela chegou ao programa, para conseguir o valor para mantê-la em Miami.

Mostraram a menina dançando, como é a sua vida e, claro, entrevistaram a professora. Prestem atenção nas suas palavras (não lembro com exatidão, mas foi mais ou menos isso):

“Ou você nasce bailarina ou não. Ela não nasceu bailarina, não tem físico para isso, se tornou bailarina pelo seu esforço e dedicação.”

Em primeiro lugar, a minha questão não é a veracidade disso. Você tem uma aluna que respira ballet 24 horas por dia. Ela vive com as sapatilhas nos pés. Conseguiu uma bolsa importantíssima. Sonha ser bailarina profissional. E você diz isso em rede nacional?

E, sim, a professora está equivocada. Nem que eu me dedique a vida toda, farei aquele arabesque. A menina nasceu bailarina. De corpo, alma e dedicação. É belíssima dançando. O seu grande sonho é ser primeira-bailarina e ela faz por merecer. E como uma professora faz isso? Alguém me diz?

São posturas assim que minam o sonho, o encanto e o amor pela dança. Graças a Deus, essa linda bailarina não ouviu.

A propósito, ela conseguiu vencer o desafio proposto pelo programa e vai para Miami. O Caldeirão do Huck mostrará a sua chegada lá, e o funcionamento da escola e da companhia.

Amanda, volte para se apresentar no Brasil como primeira-bailarina! Porque você merece.

ATUALIZAÇÃO: A mãe da Amanda, a Cristiane Nogueira, comentou no post no dia 1º de agosto (para ler, clique aqui). Ela agradeceu toda a nossa torcida e também falou que as palavras da professora foram mal-interpretadas. Ela estava no dia da gravação e assistiu à entrevista. Não houve qualquer crítica por parte da professora, pelo contrário, ela adora a Amanda e está superorgulhosa pela aluna. Professora Karla, peço desculpa por ter pensado mal de você, viu?! E continue formando tantas bailarinas talentosas. Nós agradecemos.

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18 comentários sobre “O valor das palavras

  1. Meninas ..oláaaaaaaaaaaaa …trago notícias de Amanda.Estava naluta desde setembro …já havia sido escolhida uma das solistas do Ballet de repertório Napole e ai se acidentou .Em uma aula de giro teve a impressão de que a perna foi e o pé ficou…teve um alto estalo, uma dor muito forte no joelho e ficou imobilizada… um susto enorme para nós.Suspeita de rompimento de ligamentos.Chorava ela ,chorava eu pelo telefone.Devido ao alto custo com médicos e exames lá , decidimos traze-la ao Brasil nos últimos 15 dias.Veio no sábado de carnaval, volta dia 19/03.Amanhã, dia 19 de Março fará a ressonancia magnética…ela está melhor.e nos motiva aconfiar que não será nada.Diz que dia 21 volta as aulas de ballet.Torçam por ela … ela merece ser feliz por sua garra coragem e determinação!!!

    1. Cristiane, poxa vida, e logo depois de ter sido escolhida solista. Como ela está agora? Qual o resultado da ressonância? No que depender da nossa torcida, ela já está bem. Mande o meu abraço carinhoso a ela, tá?! A Amanda ainda tem muita, mas muita sapatilha de ponta para gastar na vida. Tomara que não tenha sido nada grave. =)

      Beijos em vocês duas.

  2. Queridas… olha eu de novooooooooooooo …estarei sempre aqui para dar notícias de minha filha Amanda Correa … ela está lá no Miami Ballet desde o dia 3 de Setembro … tem aulas de segunda a sexta , de 13:00 as 20:00 a aos sábados de 9:00 as 14:00 … ufaaaa … ficou no penultimo nível da escola … heheheheheh … o Advanced 2 … lá é ao contrário, o último é o 1 … kkkk … ela fará já uma pequena apresentação no.A CIA de Dança da escola apresenta Quebra Nozes ao fim do ano … e ela foi convidada …para dançar Pirulitos … kkkk …depois de ser convidada a ser Clara no Brasil parece pouco , mas sabemos que não é … pois não é uma apresentação de alunos e sim com os bailarinos da CIA…e como sempre fará c om AMOR … sabemos que já é um grande passo então ao seu sonho de ingressar neste aos 17 anos … serão dois anos de luta pela frente e já nem durmo pensando em Setembro de 2011, quando se inicia um novo semestre, sem o apoio do valor conquistado no Agora ou Nunca e quando ela teria que se manter com nossos próprios recursos.Mas DEUS tá na frente … talento e dedicação ela tem … uma mãe que batalha também … amigos conhecidos e desconhecidos, há, destes nem se fala.Só em me ajudar a divulgar esta história e orar por ela já me ajudam muito.Darei o recado a Tia Karlinha… ela é um AMORRR … professora de ballet durona, mas um AMORRRRRRR … kkkk … e já sente falta de amanda para o final de anoa aqui…kkk.Bjus eluz a todas vcs … vamos nos falando!!!Bjus desta mãe de bailarinos … tenho 3 , o Areil de 16 anos de Jazz e Hip Hop , a Anne de 11 de Ballet, Jazz e sapateado e a Amanda … sou feliz, pois DEUS me confiou tesouros !!!

  3. Queridas …só hoje ,meses depois vi o que comentaram sobre minha filha …a bailarina amanda Correa , que teve sua história contada no Caldeirão do Huck …primeiro quero agradecer todo carinho com ela e od desejos de que todos os seu sonhos se realizem … depois dizer que amanda é sim muito dedicada e determinada … e agora dizer , que embora minha mãe (coisas de avó…rsrsrrs) tenha achado horrível o que tia Karlinha disse , que eu que estava lá e vi todoa depoimento entendi sim o que ele disse … Amanda nunca teve um pé lindo … não tem tanta linha de pé … e nem coloca a perna na cabeça … rsrsrsrsr…como sua irmã Anne o faz … mas amanda ,mas que atribytos físicos , tem é amor a dança … paixão pelo ballet … e sonha mas também age … naõ falta as aulas é super exigente consigo mesma … e o mais importante … faz o que tem que fazer ,sem grandes competições com as outras bailarinas … ela sabe elogiar e admirar quem é bom … sem inveja ela apenas se esforça paraser igual … ela é linda mesmo …por dentro e por fora!!! E quanto aos cortes da edição ,podem ter dado um outro sentido ao que a professoar disse … ela AMA amanda e está super orgulhosa dela sim … é isto , mas mesmo assim obrigado pelo carinho com minha filhota!!!

    1. Cristiane, que alegria ler o seu comentário. Torcemos muito pela Amanda e nos emocionamos ao vê-la lá em Miami (o outro post, com o vídeo do programa, está aqui https://dospassosdabailarina.wordpress.com/2010/05/18/luciano-huck-no-miami-city-ballet/). E sobre o pé lindo, oras, a gente viu o programa! Hehehe. Ela é toda bailarina! E colocar a perna na cabeça é o de menos. A sua dedicação e sua técnica farão muito mais diferença do que isso, tenha certeza. Fiquei ainda mais feliz em saber que a Amanda segue o seu caminho sem se preocupar em competir com as outras bailarinas. Ela faz a sua parte e, sem dúvida, esse é mais um dos motivos para conseguir tanta coisa. Saiba que todas nós aqui já somos fãs da Amanda, de carteirinha. Sobre o comentário da professora, você estava lá e viu qual foi a intenção, além de ver sem edição. Sendo assim, peça desculpas a ela por conta do meu post e do que eu disse. Eu realmente achei que ela tinha sido meio cruel com a sua filha. Tia Karlinha, desculpa! Farei até uma retificação no post, pode deixar.

      Grande beijo.

  4. Particularmente não vi nada de de invejoso em no relato da professora, eu ficaria honrada em receber este depoimento. Pois é muito fácil nascer com um dom e só aprimorar, mas fazer ou torna-se algo que idealizamos, ainda é mais compensador, foi contruído, elaborado e não só lapidado. Parabéns para Amanda ela emocionou à todos com sua lição de vida! Quanto ao físico ideal, para quem tivesse a oportunidade de assistir uma apresentação do Projeto Lua de Dança se surpreenderia e mudaria de opinião ao saber que talento e físico são pólos bem distintos. beijos!

    1. Brandina, essa questão do físico necessário para ser bailarino profissional já foi amplamente discutido aqui no blog. Tenha certeza que essa opinião não mudaria, pois quem manda, nesse aspecto, são as grandes companhias de dança, não nós.

      Beijos.

  5. Vou contar uma história muito bacana que aconteceu com a diretora da companhia onde danço. Ela era estrangeira, chegou ao Brasil ainda menina. Antes de vir para cá tinha entrado em uma escola de ballet e feito um tempo de aulas. Entao precisou parar para vir para o Brasil fugindo da segunda guerra. Foi fazer um teste no Municipal de SP. Chegou lá , dançou e sabem o que o professor/bailarino disse pra ela, QUE COM O PÉ QUE ELA TINHA NUNCA IRIA DANÇAR NA VIDA. Foi bem assim mesmo , na lata. Ela chegou em casa e chorou muito, muito, muito naquele dia. E apartir daí começou uma luta insana para se tornar bailarina. Sabem o que aconteceu? Foi uma luta diaria, incansável, insistente. Ela conseguiu! Se formou bailarina e anos depois fundou uma grande companhia de ballet. Queria ver a cara do tonto que disse a ela que ela nunca seria bailarina por causa do pé que tinha. Hoje ela já é uma senhora e famosa , reconhecida pelo seu talento , em sua juventude deu aulas para atrizes, que hj tbm já nao sao mais jovens e falam nela com o maior respeito e consideração. Hj se vc for conversar com ela , ela te diz que dá graças a Deus por nao ter entrado no Municipal. Ela provou , nao desistiu, correu atras, e calou a boca de quem a criticou fisicamente e tentou matar seu sonho . Espero que isto possa acrescentar de algum modo algo importante para vcs! beijos

  6. Realmente a professora foi muito infeliz em seu comentário porque qualquer leigo da dança percebe que aquela menina tem alma de bailarina. De que adiantaria ela ter o “físico ideal” na visão da professora se não tivesse expressividade, não mostrasse aquele amor que temos pela dança quando estamos no palco ou simplesmente quando estamos treinando sozinhas em casa? Ainda que com o físico ideal executasse mecanicamente os passos, teria conseguido as oportunidades de agora batem à sua porta? Acredito que não e espero que ela aproveite ao máximo essa oportunidade de estudar e se dedicar àquilo que ela realmente ama.
    Beijos para todas as bailarinas do blog!
    Lulis

  7. Meninas, acho que vocês não entenderam bem a minha questão. Em primeiro lugar, não falei que a professora é invejosa. Segundo, ela disse sim que a menina não nasceu com físico para ser bailarina. O meu questionamento é que foi o contrário, a menina começou a ter oportunidades justamente por ter os atributos físicos necessários para ser uma bailarina profissional. Dali em diante, ela conseguiu as suas vitórias também por mérito. Sejamos francas, falar que o físico não é importante vale para não profissionais. Eu tenho um físico que nem por todo o estudo do mundo me faria ser primeira-bailarina do Royal Ballet. A Amanda merece sim tudo o que conseguir e um pouco mais. E a professora foi sim infeliz ao comentar o que comentou. A minha questão foi somente essa.

    Beijos.

  8. Eu também não senti nenhuma pontada de inveja por parte da professora não…. nem achei erradas as suas palavras…

    Aliás, eu penso ser muito mais mérito da Amanda fazer o que faz hoje sem ter nascido privilegiada…

    Talvez ouvir da professora que, apesar das suas dificuldades, você conseguiu sim chegar lá, seja algo muito satisfador também…

    Ontem mesmo ouvi da minha professora que meu pé está ficando bonito (tenho 1 mês de aula). Eu fiquei bem feliz!

    E gostaria muito de ouvir dela que, apesar de eu não ter nascido com o físico certo para isso, estou sim me tornando uma bailarina…! Isso não destruiria meu sonho de jeito nenhum.

    Bjokas

  9. Vi o video e não senti essa inveja na fala da professora, muito pelo contrário, ela parecia estar muito orgulhosa das conquistas da menina. Talvez ela tenha sido infeliz nas palavras por dar oportunidade para esse tipo de interpretação, mas acredito que ela quis focar em todo o esforço da Amanda, mostrar que isso vale muito mais do que já nascer com “en dehors”, super flexibilidade etc. Afinal não são poucos que dizem que a Zakharova, por exemplo, que tem uma super técnica (Uma bailarina “pronta”) não tem a paixão necessária na hora de interpretar e dançar um ballet de repertório.

    É minha opinião, pode estar errada, mas eu acho que temos que ver isso como um incentivo, pois para muitos profissionais da dança nós, que somos mais “velhas”, também não temos mais nossa chance no ballet e isso mostra que tudo é possível com esforço e paixão.

    Beijos.

  10. Oiiii Cássia!!!

    Que engraçado, aconteceu mais ou menos parecido comigo, eu tava tirando um cochilo a tarde, e meu marido me dá um grito : Amooooor, vai passar uma bailarina no Huck, vem ver….rs
    Amei a reportagem, e chorei de emoção, e de felicidade, pela dedicação da Amanda, fiquei imaginando se aquela história fosse minha, seria lindo…rs…(não é inveja, pelamor, é que é linda a história…rs)Mas estou orgulhosa por ela, que NASCEU sim pro Ballet, por ser brasileira, e nos representar lá fora com tanto afinco e amor pela arte!
    Bom, acho que a prof. dela só fez um comentário infeliz, acho que não era a intenção, talvez o nervosismo diante das câmeras, o que ela quis dizer ( eu acho tá?!!) foi que ela sem nenhuma condição financeira, não nasceria para ser bailarina, mas com a determinação que teve chegou onde chegou….sei lá não vejo muito a maldade nas pessoas, acho que por isso penso que foi isso… Afinal, que professora não sentiria o maior orgulho do mundo, vejo sua pequena bailarina se destacando dessa maneira??!!!

    Mas enfim, estou super feliz por ela…e não vejo a hora de vê-la sendo a primeira bailarina, e encantando a todos aqui e no mundo!!

  11. É , assisti ao video novamente e senti uma pontinha de inveja no comentário da professora. Tipo parece que ela queria estar no lugar da menina, ou pelo menos ter tido a mesma oportunidade quando tbm era aluna. Enfim, ficou feio. Foi um comentário bastante infeliz.
    Beijos

  12. Cássia
    Já te dei a minha opinião pelo twitter… acho que as professoras não entendem a diferença entre ser professora e ser bailarina. No momento que ela está na sala, ela é professora e quer o melhor para os seus alunos. Tem que esquecer que é bailarina e ficar competindo com os alunos. Isso acontece em qualquer profissão. Mas sinto uma pontinha no ballet tb. É um tipo de inveja, algo… ah! ela chegou lá, mas eu sou melhor ou era melhor que ela naquela idade… um absurdo.
    Quando corria, a minha cunhada tinha um técnico bambambam, que corria super bem, era sempre dos primeiros colocados. Ele esquecia que era técnico e ia correr… técnico, professor, todos eles estão lá para você, não por ele.
    Beijos
    lelê

  13. Acho que a professora não soube se expressar! Acho que ela quis focar muito no esforço e dedicação da menina e acabou falando aquilo. Realmente a menina nasceu com uma estrela para o ballet, acho que ela chega lá!

    1. May, eu não achei isso não. A professora falou claramente que a menina não nasceu bailarina, que tampouco tinha o físico para tal. Sendo que ela foi encaminhada para o ballet por ter esse talento, conseguiu a primeira bolsa por conta disso, só as outras bolsas foram resultado do seu esforço. Mesmo que não tenha sido intencional, não achei uma atitude bacana.

      Grande beijo.

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