O pas de deux e eu

Essa noite eu sonhei que ensaiava um lindo pas de deux com uma versão brasileira do Daniil Simkin. Acordei satisfeita em me ver dançando tão bem…

O sonho parece óbvio para a maioria das bailarinas. Não para mim, que não gosto de pas de deux.

Pausa para todas respirarem.

No meu primeiro semestre de ballet, tive a minha única aula de pas de deux. Foi a minha última aula naquela escola. Era um período de transição, eu estava em duas escolas ao mesmo tempo e decidi abandonar essas aulas depois do que aconteceu.

Um novato adentra a sala de aula. O rapaz nunca havia feito ballet na vida e estava lá para ver como era. Inexplicavelmente, a professora ficou muito empolgada. Ficaram um tempão conversando e eu lá, ao lado da barra, perdendo o meu tempo e a minha paciência.

Ao terminarmos a sequência na barra, a professora teve a “brilhante” ideia: “Vamos fazer pas de deux!”.

Naquele dia, havia apenas duas alunas na aula. Ora ele fazia os passos com ela, ora comigo. Ele não tinha a menor noção técnica de como erguer uma bailarina. Nós, sem saber como proceder fisicamente para o movimento sair corretamente.

Em um momento, ele me ergueu e eu senti uma imensa agonia. Ao descer, ele simplesmente me jogou no chão. Lembro da cena como se fosse hoje.

Ganhei uma lesão no joelho direito. Passei dias sentindo uma fisgada. Deixei a escola, fiquei definitivamente na outra e esqueci o assunto.

Tempos depois, o joelho voltou a doer. Dias mancando. Eu sempre tive problema no joelho esquerdo e ser uma bailarina com lesão nos dois era o que me faltava. Conversei com a fisioterapeuta, para saber o que era. Escutei o seguinte: “Essa lesão é irreversível”.

Hoje em dia, quem me faz sofrer é o meu joelho direito. Volta e meia ele dói, mas ameniza quando os estudos de ballet se intensificam e fortaleço a minha coxa. E isso se torna ainda mais sério com o trabalho de pontas.

Às vezes fico triste com essa história, mas depois passa. Porém, até hoje meus olhos não brilham quando vejo um pas de deux.

Quem sabe a versão tupiniquim do pequeno notável apareça e me faça mudar de ideia.

[O pas de deux final da Branca de Neve eu conheci graças à Vanessa. É o único que realmente me imagino dançando… Já é um começo.]

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7 comentários sobre “O pas de deux e eu

  1. Eu faço pax de deux mas tenho medo rsrsrsr.Fui privilegiada pq tenho só 12 anos e já faço.A aula é legal mas bem dolorida!!!!!!!!!!!!

  2. Oi Cássia!
    Nossa, deve ter sido muito decepcionante ganhar uma lesão por um erro que nem foi seu :/ . E te admiro mais ainda por dar a volta por cima e é isso mesmo, bola pra frente e não lamentar o que já foi!
    gostaria de dar uma sugestão para um post sobre lesões e voltar a dançar, muitas balarinas se desanimam ao se machucar e muitas vezes deixam de dançar, ou pelo menos, sem a mesma força e paixão, com medo e um pouco do “poderia estar melhor se não fosse aquilo, se não tivesse perdido aquele tempo”, e todos os “ses” que acabam com nossa vida.
    apesar de não ter acontecido comigo, sempre me emciono em saber que alguém conseguiu superar um trauma físico assim!
    Talvez pudesse ser usado o exemplo da Alina Cojocaru, que machucou feio o pescoço, num paus de deux desastrado também, há entrevistas tão inspiradoras dela! a maioria está em inglês, mas isso não parece ser problema para você… eu me virei com o google tradutor, hehe
    enfim, fica a dica e um abraço bem grande, com muito respeito e amiração!

    1. Ania, lembro de ter lido uma entrevista da Alina contando sobre essa lesão… uma tristeza. Mas já vi várias outras que também passaram por isso e nem ficamos sabendo. Obrigada pela sugestão, prometo pesquisar isso com calma e fazer um post bacana, tá? ;)

      Imenso beijo.

  3. Cássia
    Não sei… nunca pensei sobre isso, talvez por nunca ter feito aulas de pas de deux… acho lindo, mas ainda não me vejo fazendo um ainda. Engraçado que tenho uma relação de “desejo de fazer” maior com um solo, do que com um pas de deux… rs.
    Beijos
    lelê

  4. Oi Cassia, fui mais feliz nasminhas primeiras aulas de pas de deux, apesar da idade e da pouca experiencia dos meninos.

    Postei o seu video sobre adversidades no meu blog e acrescentei fotinmhas.
    Beijos

  5. Oi Cássia, o vc conta é mto sério! Uma professora deve saber q tem q ensinar os movimentos às alunas e aos alunos e não deixarem q corram riscos! Ela era responsável pela integridade de vcs! E vc fez bem de não ter mais aula com ela!
    O pas de deux q vc postou é mto lindo!!! Queria ter um sonho parecido com o seu!
    Q vc possa se recuperar bem da lesão!
    Beijuus

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