Para pensar (1)

[…] Provocando um outro escândalo, o de dançar pela primeira vez com os pés nus, Isadora introduziu uma inovação cuja fecundidade a dança moderna iria mostrar: os pés, em vez de serem, como no balé clássico, o ponto pelo qual se foge do chão, da gravidade, da realidade, tornam-se, ao contrário, o ponto de contacto essencial com a terra carregada de vida.

Roger Garaudy, no livro Dançar a vida, p.69

Quem me indicou esse livro foi a querida Thaís, do Ponta Perfeita. É o tipo de leitura obrigatória para todas as bailarinas. Ainda não terminei de ler e, sem dúvida, voltarei a falar sobre ele.

*

O ballet neste país deveria mostrar que, quando essa forma de arte veio através do Atlântico, foi transformada pela viagem – e ainda está se transformando.

Não seria fantástico se víssemos isso no palco? Se o cenário dos sonhos do Quebra-Nozes pudesse dar lugar à arte que olhamos e sentimos de verdade?

Washington Post, em Breaking Pointe, uma análise sobre as companhias profissionais de dança dos Estados Unidos e a “obrigação” em montar o Quebra-Nozes todos os anos.

Para ler, em inglês, aqui. Quem não souber inglês, o tradutor do Google ajuda a compreender.

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Alguém já parou para pensar sobre o real papel do ballet nos dias de hoje? Por que ele continua existindo? O que ele diz às pessoas de uma maneira geral, não apenas a nós, bailarinas? Qual a sua função artística no nosso tempo? O mais importante não é responder, mas pensar sobre o assunto.

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8 comentários sobre “Para pensar (1)

  1. Cassinha querida, muuuito obrigada pela dica, já comprei o meu pelo site que você indicou, acho que chega essa semana..tô ansiosa pra começar a ler..rs

    Bjuu

  2. Priscila, você não conseguirá encontrar nas livrarias, porque ele está esgotado na editora, infelizmente. Eu comprei no http://www.estantevirtual.com.br. Lá é um portal de sebos, você procura o livro, escolhe onde quer comprar, pode comprar online (como eu fiz) ou ir diretamente ao sebo, caso seja na sua cidade. Eu comprei e recebi em menos de dois dias. E é obrigatório mesmo e você verá como vale a pena. ;)

    Grande beijo.

  3. Oiii Cássia, tudo bem??
    Faz tempo que não comento nada,mas estou por aqui sempre. Queria perguntar se você achou com facilidade esse livro, pois não estou encontrando de jeito nenhum, e estou muuuuuito afim de ler..rs
    Afinal de contas é obrigatório para as bailarinas né?!!! rs

    Bjuu

  4. Com certeza, Leticia, a visão de quem está inserido na criação de qualquer obra artística é diferente de quem a contempla. Mas, pensemos: se as pessoas em geral não apreciam o ballet, daqui um tempo nós dançaremos para quem? Só haverá bailarinas no palco e bailarinas na plateia? É um caso sério, se a gente pensar racionalmente. Sobre o livro, leia! Vale muito a pena. Mas ele está esgotado na editora, então, você só encontrará em sebos. Eu comprei aqui: http://www.estantevirtual.com.br.

    *

    Thaís, mas a questão levantada nesse texto é justamente outra: as companhias só conseguem se sustentar com o Quebra-Nozes. E o questionamento da autora do texto (e não sei se ela é jornalista ou bailarina) é justamente esta, uma companhia de dança, mesmo clássica, não pode ficar à mercê de uma única obra. Ela deve travar esse diálogo que você fala e, ainda sim, ter público, ser sustentável. É complicado.

    O livro, bem… ele me fez repensar o ballet, viu?! E muito! Especialmente quando li sobre a Isadora Duncan, comecei a pensar onde está o sentimento no ballet, a conexão com o outro, essas coisas todas. Vamos ver quando eu terminar, se eu me manterei “bailarina clássica”, hehehe. Ah, outra coisa: e aquele momento, não sei se você lembra, da Isadora Duncan assistindo a uma aula do Petipa para a Pavlova? Eu dava um cacho do meu cabelo para ter visto isso!

    *

    Carol, mas até que ponto cinema é ou não é para leigos? Depende muito de qual obra. Um leigo não sabe distinguir um Truffaut de um Bergman e, muitas vezes, nem tem paciência para assistir. E o ballet já foi altamente pop, quando A bela adormecida estreou, era o assunto das ruas, praticamente um final de novela das 8 no Brasil, hehehe. Sobre o livro, eu falei pouco porque ainda não terminei de ler, mas ele ganhará um post, porque realmente merece. Ele nos faz refletir sobre o papel da dança na vida das pessoas, a sua função, a sua história. Sobre o Quebra-Nozes, a autora do texto não questiona o fato dele ser montado até hoje, mas porque apenas ele atrai público e sustenta as companhias. Ela mesma fala no começo: “Vocês devem achar que não gosto do Quebra-Nozes, mas não é isso…” Ela questiona que as companhias americanas devem inovar, tentar ampliar público, dar espaço profissional aos bailarinos do próprio país, e não apenas aos russos, espanhóis, franceses e japoneses que tomam os lugares de primeiros-bailarinos. É um texto bem bacana, leia quando tiver um tempinho.

    Beijos.

  5. Bom, quanto ao Quebra Nozes, acho que todas as novas bailarinas e novos amantes do ballet clássico merecem ver esse espetáculo. Acho que não é só porque é “velho” que é ultrapassado, ou que não tem mais valor, ou que não deixe espaço para o novo… O Quebra Nozes tem sua importância e deve continuar sempre sendo apresentado… Essa é a minha opinião.

  6. Eu nunca parei para pensar no que o ballet passa/significa para as pessoas, pois ele só surgiu mesmo na minha vida após tornar-me bailarina.. Não acho que é uma arte próxima dos “leigos”, como o Cinema, por exemplo…

    O livro é bom? Vou ver onde compro! Falou pouco sobre ele!

    Beijo

  7. Isso mesmo, Cassinha! O mais importante não é responder, mas pensar sobre o assunto. Falou tudo!

    Já tive meus momentos de dúvida, sabe? Já achei o ballet clássico pura arte e, outras vezes, pura acrobacia desnecessária. Hoje em dia, penso que é uma arte válida como outra qualquer, na qual a linguagem clássica e a contemporânea devem se misturar para criar algo novo. É o que vejo, por exemplo, nas grandes companhias. Nenhuma delas abre mão de montar O Quebra-Nozes, mas tb não vêem isso como obrigação, mas uma tradição. Tanto que, nos programas, há sempre montagens mais modernas (MacMillan, por exemplo) sem deixar de lado a linguagem clássica. Isso é que é bonito de se ver e entender! Entender que o novo nem sempre tem a função de matar ou derrubar o tradicional. É mais que isso. Sua função é festejar o clássico e travar sempre o diálogo.

    Me sinto bem melhor hoje por pensar dessa forma. Assim, nunca mais sofrerei em imaginar que o ballet clássico é uma arte morta ou que o contemporâneo é absolutamente sem sentido. Ambos se completam!

    PS: Que bom adorou o livro! Eu S.A.B.I.A! E sim… É leitura obrigatória pra qualquer bailarina.

  8. Cássia,
    Nunca parei para pensar na função do ballet para as outras pessoas. A visão de uma bailarina nunca é a visão da população em geral. Acho que o ballet, para outras pessoas, não tem a mesma importância que já teve em outros tempos. Reflexo disso são os comentários que recebo quando comento q pratico ballet, não outras práticas “esportivas” mais populares (para não dizer “fashion”). Poucas pessoas saem de casa para assistir um ballet, algumas vão ao teatro e milhares vão aos cinemas. As pessoas que nunca assistiram um ballet, já se justificam falando sobre quão massante seria ficar assistindo… sem nunca terem feito. Enfim, poderia enumerar vários pontos, mas não conseguiria concluir isso, pois não tenho uma idéia totalmente formada.
    Mas há muito para ser dito… ainda.
    Obrigada pela indicação de livro, vai entrar para a lista (por sinal, comprei aquele da Joana D´arc… mas tenho outros dois na frente… rs, sou meio louca por livros…)
    Beijos
    lelê

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