A diferença entre a sala de aula e o palco

Eu vou completar dois anos e meio de ballet no fim do ano. Três professoras diferentes, três escolas diferentes. Mas acho que só agora eu entendi porque mudei tanto.

Nos últimos dias, ouvi uma porção de vezes os trechos que dançarei. A apresentação será daqui praticamente um mês. Pensando sobre isso, cheguei a uma conclusão que, por enquanto, é como eu me sinto.

Eu gosto mais de fazer aula do que de me apresentar.

Fonte: for the love of ballet

Por favor, sem tomates. Tampouco confisquem a minha carteirinha da associação das bailarinas.

Comigo acontece o seguinte: eu fico feliz nas aulas, até a apresentação. Quando ela acontece, eu não aproveito. Eu me sinto um peixe fora d’água.

Eu já me senti plena no palco: quando fazia teatro e quando me apresentei com dança do ventre e jazz. No ballet, não sei o que acontece, parece que estou no lugar errado e ninguém me avisou.

Já as aulas, eu adoro. Fiz aulas de manhã, à tarde e à noite, mas o meu horário preferido é cedinho. Inexplicavelmente, o horário em que mal funciono. Ano passado, tive aulas aos sábados das 8h às 9h30 por meses. Eu amava. Para mim, era todo um ritual acordar bem cedo, vestir meu uniforme, fazer meu coque, tomar meu café e ir para a aula. Quando terminava, eu sentia que o meu sábado seria muito mais bonito, não importa o que acontecesse no resto do dia. Uma vez, fui me sentindo muito mal, depois de chorar de dor nos ouvidos e na garganta. Dali fui ao médico e passei dois dias de cama. Mas fiz a minha aula.

Já nas apresentações, não sei. Parece que estou indo para a forca. Acho tudo lindo: a música, a coreografia, os figurinos, as coroas. Danço. Parece uma eternidade. Depois encontro mil defeitos e quando assisto ao vídeo tenho um surto interno silencioso. Tempo, ensaios, dinheiro gasto em teatro e figurino, a música tocando direto na cabeça, coreografia passada em qualquer brecha do dia. E cadê o encanto? Quando tudo passa, a sensação de inadequação continua. Talvez eu tenha mudado de escola mais de uma vez por isso, para essa sensação ruim desaparecer. Freud não explica.

Eu me sinto bailarina na aula.
Eu não me sinto bailarina no palco.

Espero que um dia isso passe.

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17 comentários sobre “A diferença entre a sala de aula e o palco

  1. Eu gosto mais de me apresentar. *-* É com prazer que passo horas ensaiando e sentindo dores… não consigo parar. Mesmo na hora da apresentação, a ansiedade não é nada. Tudo se esvai quando estou no palco! Mas não me mostre a filmagem! SEMPRE acho um defeito, e passo mais um tempão dançando aquela coreografia pra consertar! Pena, que já passou o tempo! haushauhsa Mas não aulas eu fico muito tensa, porque das seis alunas, uma é MUITO boa, uma é boa, outra é razoável, eu e as ouras duas não somos tão boas assim.. AI, SE EU NÃO TIVESSE PARADO DE DANÇAR! >.< Mas tudo bem. Enfim, o palco pra mim é o paraíso. Mas só quando danço. Já me apresentei no teatro e… bem, sem comentários! Foi pavoroso!

  2. Oi Cássia, tive essa sensação quando me apresentei dançando. Fiz parte de alguns corais, fui solista e nunca tive essa ensação em relaçao a cantar. Nos ensaios era uma cantora e no palco também. Acho que cantar para mim é mais natural. Bjks,

  3. Mari, acho que vai embora sim! Quando a gente se sentir mais segura, tiver mais tempo de ballet, vamos começar a aproveitar o palco. E que bom que você adora o blog! :D

    Doce beijo.

  4. Cássia, eu tb me sinto assim. Acho q é pela insegurança mesmo, o querer a perfeição, o saber que mtos nos verão. As aulas me deixam feliz e já na apresentação é aquele frio e logo após o pensar: poxa errei isso, aquilo, poderia ter feito melhor aquilo! Tb iniciei tarde no ballet, acho q com o tempo isso vai indo embora da gente né?
    Adoro o seu blog!
    Beijuus

  5. Cíntia, não se bloqueie. Primeiro, escolha uma boa escola de ballet, com uma professora que saiba dar aula para adultas. Segundo, “zerar a abertura” é o de menos no ballet. A grande graça está em dançar. ;) Espero que você esqueça essa professora insana da sua infância e se permita fazer algo que considera tão lindo.

    *

    Vanessa, eu não tinha pensado nisso, mas você tem toda razão: para se apresentar, o ballet existe no palco. E, não é tão estranho, ter horror ao palco e querer experimentar. Eu voto na segunda opção: dance no palco. Vai que é um encanto para você?

    *

    Barbara, é exaaaaaaaatamente assim que me sinto em relação ao teatro e ao ballet. Tomara que um dia isso passe para nós duas, hehehe.

    *

    Talita, amei o seu comentário, especialmente sobre VOCÊ valorizar o seu trabalho. Não esperar a professora, a companheira de turma, a plateia dizer que você é bailarina. Amei o seu método de valorização, sério! Pensarei nisso com carinho. Obrigada, de todo coração. ;)

    Beijos.

  6. Oi linda!
    Sei o que vc sente.. Eu também começei ballet tarde, e graças a muita luta, hoje estou no avaçado 1, já estou na epoca de fazer solos, curtir festivais, e ano que vem chegam os pas de deux, mais mesmo com todo esse glamour, smepre me sinto mais segura nas aulas.. Não sei talvez seja por ter começado tarde e achar que não consegui ainda cobrir o tempo perdido, ou se eh o medo de errar e não se destacar em comparação com as menians que faço aula, e que já conheçem quase tudo..
    Eh meio constrangedor mais sabe o que eu procuro fazer?
    Bilhetes, um milhão de bilhetes!
    E a cada acerto na aula, eu me elogio e escolho um solo que sou capaz de fazer no moment.. Tipo:
    “- Hoje fui muito bem na aula, me sinto uma AURORA!”
    KK
    Parece bobo, mais faz a maior diferença, ver alguem, mesmo que vc, valorizar seu trabalho..
    E com isso eu vou levando..
    Outro dia recebi uma mensagem no orkut de uma menina de 7 anos, dizendo que eu sou linda dançando..
    Gente, veio uma lágrima nos meus olhos, sinal de que meu método deu certo!
    O importante eh não deixar que o medo te domine!
    Pense!
    Eu sou belissima! Se faço uma aula boa, no palco serei melhor ainda!
    Beijinhus, e espero ter ajudado :D!

  7. Eu achei que só eu era assim! Falei sobre isso com a minha mãe justo ontem! A sensação que tenho no palco com ballet e com teatro é totalmente diferente! No teatro eu me sinto plena, curto o momento, troco energia com a platéia… No ballet eu não consigo aproveitar… Não consigo fazer o que tenho que fazer, não rola troca de energia com a platéia, e fica totalmente visível no meu rosto o quanto eu estou nervosa, por mais que eu mantenha um sorriso de orelha a orelha! Nunca pude dizer “Nossa, adorei dançar isso!”… E sempre quero pular a janela quando vejo a gravação! Quando vejo algum vídeo ou assisto algum ballet, sempre penso “Nossa, como eu queria estar ali!”! Mas na hora, a sensação não é nem um pouco como eu imagino… Realmente, Freud não explica :(

  8. O ideal era sentirmo-nos bem tanto em privado na aula como no palco para o público, não é?

    Eu nunca fiz nenhuma apresentação, mas a verdade é que morro de medo e de vontade (!) de fazer uma. Como o ballet não é uma dança social em que em uma semana aprendemos um monte de passos e podemos dar um show no fim de semana seguinte em casa dos amigos, o sítio para demonstrarmos o que aprendemos é no palco inevitavelmente, a meu ver. Por isso estou dividida: quero experimentar o palco mesmo tendo horror dele! Isto não é muito normal…

  9. Adorei seu site, garota.
    Tenho 23 anos, sou gordinha e apaixonada por ballet.
    Mas, infelizmente, me bloqueio a iniciar uma aula toda vez que penso no meu peso e na minha idade. =/

    Fiz qndo criança, e, acho, naquela época minha “professora” pegava muito no pé justamente pelo peso. Mas assim..falava comigo (com 7 anos) como quem falava com uma adulta de 20..talvez isso seja consequencia.
    mas acho lindo.
    Um dia, quem sabe, ainda nao abro um spacatto?

    beijo

  10. Patrícia, tem razão… é bem isso mesmo, de dançar para nós e dançar para os outros. E estou bem no momento de dançar só para mim! E acho bem bacana o quanto você demonstra nos comentários o seu amor pelo ballet.

    *

    Emily, vou torcer para você voltar logo às aulas. E eu acho o corpo de baile de Giselle lindo demais! E tem razão, a insegurança de iniciante nos atrapalha demais. Muito obrigada pelas visitas e os elogios ao blog, de coração.

    *

    Leticia, não fique com tanto medo do palco, porque passa tão rápido. Três minutos e, plim, acabou. Entendo bem essa sua angústia, de não sair bem-feito, de não ter tempo… Mas fique tranquila. Aproveita! Você esperou muito por isso. E, claro, depois venha nos contar como foi. (e, sim, para ouvir o que o nosso corpo diz, nada melhor do que o silêncio… e a gente só consegue isso se parar e escutar com carinho)

    *

    Aline, mas que delícia fazer aula de musical e depois dança do ventre! E muito bacana você conseguir sentir e perceber essa magia do palco no momento da apresentação. Eu ainda não consigo.

    *

    Charm, você falou bem sobre o desgaste, especialmente no quesito emocional. Eu não tinha pensado nisso, mas depois de ler seu comentário, concordei plenamente. Quem sabe um dia o seu encanto volte? Mas que seja com prazer e alegria, senão, não vale a pena. ;)

    *

    Suelen, imagina, você não foi ofensiva. Pelo contrário, é muito bacana ler um comentário com tamanho entusiasmo! Preciso dançar no mesmo espetáculo com você, para ver se aprendo, hehehehe.

    *

    É, Carol, talvez seja bem por aí mesmo o que acontece conosco. Mas, no meu caso, estou indo para a terceira apresentação em dois anos e meio. Já era para eu começaaaaaaaar a curtir, mas até agora, nada. Quem sabe quando eu me sentir segura, esse encanto surja. Tomara, né?

    Beijos.

  11. Eu gosto de me apresentar, mas também acho que prefiro as aulas, por enquanto. É que a minha sede pelo ballet, por dançar belamente, é tanta que o palco ainda não mata, entende? Acho que sou ainda muito iniciante para curtir o palco. As vezes, pode ser isso que acontece com você… e comigo. Ainda estamos nos familiarizando e talvez achemos desnecessário se apresentar tão cedo…

    Beijos!

  12. Cássia, não sei como me manifestar frente a seu post. Porque eu adoroooooo as apresentações! Sei lá acho que é coisa de leonina aparecida, sabe!hauahuhauhaua….eu faço aulas, adoro….ensaio, adoro….dores, bolhas e unhas incravadas….reclamo, mas adoro!porque sei que meu esforço será reconhecido e aplaudido. Quem enxerga os erros são os outros profissionais e alunos, o público (na maior parte leigos) nem percebem, ou acham que é coisa de artista, erro de propósito!
    Acredito que a capacidade de desenvolver nossa resiliência, independente de erros e acertos no palco, é um dos trunfos do bailarino! O palco é nosso espaço de mostrar o amor e dedicação à dança.
    É isso!Espero não ter sido ofensiva as bailarinas, como você Cássia, que ainda se exigem tanto que não conseguem gozar do prazer do palco!Mas desejo que esse dia chegue para todas!

    Beijos!!!

  13. Eu confesso que perdi essa noção de “magia do palco”. Sou muito crítica e não fico satisfeita com o resultado. Excesso de teomania…
    Mas prefiro realmente só fazer aulas. Acho o combo ensaio+apresentação bastante desgastante, principalmente no quesito emocional.
    Estou tentando reencontrar o prazer em dançar no palco, mas não sei se recupero. ;-)

    [ ]’s

  14. Oi Cássia, td bom?!
    Ótimo post, me identifiquei muito em algumas partes, por exemplo, durante um tempo eu fazia aula de musical no sábado cedinho e logo após dança do ventre (hoje sigo com a dança do ventre aos sábados) e, com toda a certeza do mundo, o meu sábado é mais colorido porque eu começo o dia dançando!
    O ballet clássico eu faço durante a semana à noite mesmo, embora eu também funcione melhor pela manhã.
    Apesar de amar fazer aula, eu amo apresentação também. Claro, eu fico neurótica porque sou muito crítica, é tudo tão rápido e quase morro por cada parte que poderia ter sido melhor executada. Faz parte. Mas estar no palco é diferente de tudo, é um lugar que me faz sentir que lá eu posso ser o que quiser. É mágico (essa é a palavra)!
    Um beijão!!

  15. Ai Cássia,
    Como você sabe ainda não me apresentei… então não posso te dar uma opinião concreta sobre como vou me sentir diante do público. Tenho me esforçado bastante nos ensaios, mas tem vários dias que me sinto super chateada, como se não fosse ficar bom nunca, que tem sempre um passo que ainda não sei executar, ou algum tempo que está fora do lugar…
    Fora toda esta questão, tive vários pequenos problemas (q contei lá no blog) nada relacionados com o ballet…
    Só posso dizer uma coisa, estou com medo de me apresentar, dos dois ou três minutos serem algo totalmente insignificantes perto dos 4 meses de ensaio…
    Sabe vídeo de casamento?? então… eu não assisto, de nenhuma amiga… não quero ver como fiquei no altar, nada disso, prefiro guardar o momento como ele foi, único para mim e pronto. Acho que foi a forma que encontrei de guardar a minha perfeição para mim… talvez com o ballet, faça o mesmo…. o erro desaparecerá 5 segundos depois do fim da música, como uma lembrança ou um sonho estranho……………….
    Ainda quero trocar mais figurinhas como você sobre isso, até a apresentação.
    Beijinhos
    lelê

    PS> adorei o seu comentário… acho que to precisando me entender melhor… me escutar melhor. Mas antes de mais nada, parar o corpo para dar tempo dele absorver todos os impactos, não???

  16. Olá Cássia!

    Eu sou nova por aki e assim como vc acho o ballet uma arte maravilhosa e sempre q posso visito seu lindo blog todos os dias.

    Eu fazia ballet,só q tive q parar infelismente por falta de dinheiro e tempo.Eu tenho 20 anos e neste mês vou fazer 21 e em janeiro completaria um ano e meio de ballet.Sou iniciante.Sou de Poços de Caldas-MG.

    Bom sobre o seu post,neste final de ano eu iria apresentar Giselle e seria uma das camponesas do corpo de baile e assim como vc eu prefiro as aulas do que as apresentações,acho que o motivo é a insegurança talvez porque eu seja iniciante e não tenho muito experiência com palco e até porque o ballet exige uma apresentação impecável e perfeita,daí a pressão e a insegurança só aumentão.

    Mais uma vez quero te parabenizar pelo seu maravilhoso e inspirador blog que já se tornou meu vicio.E boa sorte com o ballet!!!!

  17. Bom Dia, Bailarina!
    Eu acho que na aula, dançamos para nós, ao passo que no palco, dançamos para os outros. Dai, o prazer que retiramos não ser o mesmo. Não me parece nada mal essa diferença, explica sim, que dançar é para nós um verdadeiro prazer. Não o mostrar aos outros, mas sim aquilo que nos faz sentir.

    A semana passada quando fui para a aula os meus pés doiam (sapatos novos e muito andar a pé na hora do almoço), mas mal calcei as sapatilhas de ballet – magia – estava nas nuvens!

    beijinhos.

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