Quando bate a irritação

Eu já falei algumas vezes sobre as atitudes de uma boa professora, mas hoje a questão é outra: a postura das alunas.

Há quem se preocupe mais com a postura corporal do que com a própria educação. Eu já tive companheiras de turma dos mais diversos tipos, de crianças fofas, passando por adolescentes chatinhas até adultas brutas. Além das bailarinas queridas que sabem respeitar os outros.

Geralmente, o melhor é respirar fundo e abstrair. Quem manda na sala é a professora e cabe a ela contornar qualquer tipo de atitude que atrapalhe o andamento da aula. Mas, confesso, algumas coisas realmente me tiram do sério e eu acabo soltando algum comentário. É mais forte do que eu.

Para mim, as atitudes irritantes se resumem nessas bailarinas:

1. Aluna sabe-tudo
Eu costumo perguntar quando não entendo um passo, quando quero compreender melhor determinada sequência, quando algo não ficou claro. Pergunto sim, à professora. Mas não adianta, sempre existe a aluna que vira e diz: “Cássia, você estica o pé e…”. Eu simplesmente continuo prestando atenção na professora e refaço a pergunta. E a sabe-tudo continua: “Mas é como eu te falei, você estica o pé…” Imaginem alguém assim dando aula.

2. A assistente de coreografia
Aquela que sabe a coreografia completa, com todas as suas nuances, e tem de explicar tudo para todas. Além disso, falta corrigir a professora e dizer que a coreografia não era bem assim. Eu conheço uma situação em que a aluna mudou uma contagem quando a professora não estava, e ainda “ensinou” para a turma inteira. Hã?

3. A reclamona
“Sabe, ontem eu dancei das 9h às 12h, depois das 14h às 18h, minha batata da perna está doendo muito, eu ensaiei horas na ponta, meus dedos doem demais, minhas coxas estão gritando, estou muito cansada.” Sério? Só ela dança? Só ela sente dor? Eu fiz um comentário na aula dia desses e acabou virando piada. “Não quer sentir dor, faça meditação.” Não estou desmerecendo a dor e o cansaço,  mas reclamar disso num lugar onde todo mundo está fazendo a mesma coisa, eu acho demais. Aliás, eu já tenho sérios problemas com reclamação, e menos paciência ainda com bailarina mimimi, aquela que só chora.

4. A intrometida
Sabe por que um corpo de baile dá certo? Porque cada bailarina cuida da sua parte. Para mim, a intrometida é a pior de todas. É aquela que diz: “Cássia, agora é a sua vez!”, ou cutuca as suas costas para você ir para o seu lugar, ou faz a preparação, olha para você e diz: “Vai, anda logo!”. Isso piora em época de espetáculo. As chances de eu cortar uma pessoa assim são de 99,9%. Uma vez eu disse que não via a hora de ser solista, porque não teria de encontrar isso pela frente. Acho um horror. E se há quem não se importe, não se esforce, erre coreografia, perca o tempo ou marcação, isso não é problema seu. Existe uma professora e coreógrafa cuidando disso. Deixe para fazer os seus comentários quando chegar nesse nível. Enquanto isso, cuide da sua própria sapatilha.

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29 comentários sobre “Quando bate a irritação

  1. Olá! Tenho 13 anos mas me esforço para ter uma boa conduta em sala de aula sem irritar ninguém e aprendendo. Olha, não faço muitas aulas por semana nem nada ( como gostaria!) mas o tipo de bailarina que mais me irrita são as desleixadas. Chegam atrasadas, sem coque, e brincam a aula inteira. Admiro muito o seu blog e quanto você se aprofunda no estudo da dança em si, parabéns, porque lugares com bastante informação e ainda divertido sobre dança são raros. Beijos!

    1. Beatriz, bailarinas desleixadas atrapalham demais quem quer estudar seriamente, também fico um pouco irritada com isso. Muito obrigada, fiquei feliz que você admira o blog. =) Beijo imenso.

  2. Cássia, vi esse seu post na hora certa! Tô me segurando pra não jogar as sapatilhas em certas colegas de sala! Faço aula em duas turmas diferentes, uma é de meninas entre 11 e 12 anos (eu tenho 16) e fui pra essa turma porque comecei na ponta agora (assim como elas), e minha outra turma é um pouco mais avançada, com meninas da minha idade e mais velhas, já que minha professora achou que eu tenho condições de fazer as duas aulas para melhorar a técnica. Aí vem o probleminha… na turma das meninas mais novas, eu sou praticamente idolatrada, pois eu SEMPRE presto atenção na professora, decoro as sequências e não fico brincando (consequentemente minha técnica é melhor que a delas, até mesmo pela consciência corporal) e aí essas meninas ficam me olhando como se eu fosse a Svetlana Zakharova, e se eu erro algo elas começam com risadinhas! Sem contar que ficam disputando pra ver quem fica do meu lado na barra… Eu sou uma iniciante como elas, a diferença é que sou dedicada… será que elas não enxergam isso? Tô precisando de paciência, senão vou acabar dando umas cortadas por aí…

  3. Já tive aula com todos esses tipos. E ainda um outro tipo irritante: os alunos fantasma. A pessoa vai uma aula e desaparece por três, ou volta duas semanas depois sem justificativa nenhuma e fica alheia a todas as sequências ou até à coreografia. Aí fica perguntando aos colegas ou interrompendo a aula toda hora por uma coisa que todo mundo já pegou ou está só “limpando”.

    Dos outros, os intrometidos são os que mais me incomodam também. Ajudar é uma coisa, tentar se tornar o “grilo falante” da pessoa é outra. Sou um tanto lerda, admito, mas também sou dedicada e tento fazer tudo o mais certo possível. Aí a pessoa me apressa e fica falando no meu ouvido pra eu não perder a hora e isso ou aquilo, mas vai e erra os movimentos apesar de estar no tempo certo. Não faz sentido, só atrapalha (e irrita) o outro e a si mesmo! Tenho um colega que faz isso e, sério, tá chegando no limite.

    Acho que a grande questão é aprender a conviver e entender que temos que respeitar o colega tanto pensando no coletivo quanto deixando cada um resolver o próprio problema sozinho e/ou diretamente com o professor, mas né, nem sempre isso acontece.

    Bjs

  4. Sabe Cássia, isso não só acontece comigo nas aulas de ballet como também na escola. Aquelas alunas “mimadas”, “que me chamam de nerd”, e que “se acham descoladas”, ficam dizendo “ai, essa aula tá tão chata, Flora, que horas são?” já me aconteceu de eu dizer “por que vc vem pra escola então? eu venho pra estudar se vc não quer estudar nem aprender, seus pais estão pagando sua escola à toa” aí chegam elas e dizem “ai Flora! como vc é nerd! só pensa em estudar! affêêe!” e aí todo o grupinho concorda. Daí eu parei de dizer isso só ignorei e falei o que era preciso, parece que vc tá errada até quando vc tá certa! esse povo da ficando louco! a moda agora é fazer o errado e dizer que tá certo! Por isso que eu sou sozinha na minha sala, lancho sozinha, faço tudo sozinha, sou neutra e fico na minha, pq nenhuma das meninas da minha sala prestam! EU não vou pra escola brincar, EU não vou pra escola fofocar, EU NÃO VOU PRA ESCOLA PRA SUPORTAR ISSO! Chega! Eu não aguento mais! Tá na hora disso tudo mudar! Ninguém para pra pensar no que diz! Agora ninguém tem opinião própria mais! Ninguém mais tem personalidade! O mundo virou ao contráio!
    Muito obrigada para dar espaço ao meu desabafo.
    Beijos.

    1. Flora, para te deixar mais tranquila: eu era a nerd, aquela que só pensava em estudar, a que não tinha vida social, aquela que era zoada porque tirava 10. Hoje eu tenho 32 anos e estou superbem profissionalmente, fiz faculdade, faço pós e ainda tenho o ballet clássico na minha vida. Preciso dizer como as “descoladas” estão? Não preciso, né? Por isso, sei o quanto é duro, mas não se preocupe. Você não está errada, tampouco está sozinha. Se elas não querem estudar, o problema é DELAS! Você está seguindo o seu caminho e colherá os frutos amanhã, tenha certeza. =)

      Grande beijo.

  5. Bom,não sei dizer qual tipo me irrita mais. Sempre tem tipos assim em todo canto. No meu caso é a faculdade. Sem dúvida a pessoa que me irritou mais era chorona,preguiçosa,mimada,não queria fazer nada mas ainda sim queria tudo do jeito dela. Tinha horas que não dava pra evitar,aí eu falava o que dava vontade(na verdade nem tudo). Mas sempre falava com calma e educação,aí essa pessoa ficava sem respostas.Conviver com alguém assim faz mal para o coração. Eu não indico. Pessoas assim,como você falou só merecem um tipo de tratamento (e é muito eficaz!): não responder. Deixe que ela fale,só responda o necessário para não ser mal educada, mas não dê atenção. Alguma hora ela se toca. Pelo menos é isso que nós esperamos.

  6. Isabela, é muito bacana quando uma professora comenta e nos dá outro ponto de vista. Geralmente, a aluna perguntadeira quer aparecer para a professora, mostrar o quanto ela se interessa pela aula. No fim das contas, só quer aprovação. Ficar atenta ao que acontece ao redor é virtude de qualquer pessoa, não apenas de uma bailarina. Só acho importante as professoras terem a clareza de distinguir uma bailarina avoada de uma bailarina com dificuldade. E nem sempre as professoras sabem.

    Beijos.

  7. Ola, esse post me chamou a atenção.Achei interessante os pontos que você colocou, mas esqueceu de um outro, que alguem nos comentarios falou: a bailarina perguntadeira. Fui bailarina por 17 anos e atualmente sou professora, e não tem coisa mais irritante que bailarina que pergunta toda hora, que para o passo umas 10 vezes para perguntar a mesma coisa.Isso tira completamente o ritmo da aula, chegando até a esfriar as outras alunas.A bailarina tem que ter um pouco de semancol tambem.

    E esse lance de idade é bem relativo, tive alunas e companheiras de turma que eram lindas, fisicos absurdos, novinhas e eram lerdas de dar dó.Perderam a chance de dançar solos e coisas do tipo devido a isso.Por isso falo, acordar pra vida, ficar atenta ao que está acontecendo ao seu redor é uma das maiores virtudes de uma bailarina.

  8. Denise, a minha sala atual não é assim não. Na verdade, a minha única sala realmente assim foi a primeira, depois só esbarrei com algumas em ensaios e tal. Tive a sorte de ter boas companheiras de turma. Mas eu imagino a sua tensão numa turma onde a maioria das meninas se encaixam em dois jeitos! Nossa! Você realmente consegue se segurar, hein?! Parabéns, porque eu mesma já teria cortado. Um jeito bom é abstrair. Finja que não ouviu, você não merece se estressar com bobagem… ;)

    Grande beijo.

  9. Sua sala ate parece com a minha pois a maioria das meninas se colocam em no minimo 2 jeito que vc disse.Me controlo ao maximo pra não ser mal educada…Pois isso deixa qualquer uma irritadissima.

  10. Keylla, entendo o seu lado, mas quem tem de tirar dúvidas e manter o ritmo da aula é a sua professora. E todas as alunas têm o direito de perguntar o que e quanto quiserem, afinal, é para isso que as aulas existem, para aprender. E isso vale para qualquer uma que frequente as aulas tanto quanto você.

    Grande beijo.

  11. acabei de descobrir que eu spu a sabe tudo sem querer mas eu não faço por mal é que as vezes as aulas estão em um ritmo tão inyenso que as vezes eu tento ajudar para não interromper o ritmo sabe?eu sei tirar as duvidas é muito bom mas sempre que poder seila´evitar a interropção das aulas é otimo pq se sempre ficar nterrompendo acaba atrapalhando todas as outras não que eu seja contra as perguntas longe de mim mas parar a aula é mutito ruim memso.

  12. Thays, mas essa daí é a irritação completa, hein?! No teatro que eu convivi com essa turma do “chacota pelas costas”. Eu acho que esses comportamentos não devem existir nem no ballet, nem em canto algum.

    Grande beijo.

  13. Já topei com uma intrometida, reclamona e assistente de coreografia ao mesmo tempo!! E além de tudo isso ficava fazendo chacota com as colegas pelas costas!

    Aff!! Quase arranquei o fígado dela nas vésperas de apresentação! Se no cotidiano já é irritante imagine no stress pré-apresentação!!

  14. Michele, eu já estou tensa com a sua história, hehehe. Professoras assim deveriam ser proibidas de dar aula. É essa história de achar que, depois de oito anos, estão prontas para ensinar. Além da didática, ter “boa vontade” já ajuda muito! Quando nem isso existe, daí fica muito mais difícil. Eu torço tanto para você encontrar uma professora bacana!

    *

    Cosette, claro, o ajudar é sempre bem-vindo. Eu não gosto do desmerecimento mesmo. Eu já passei por situações bem chatas e constragedoras, mas também já tive ajuda valiosa. O que muda é a postura da bailarina. Ainda bem que, agora, eu faço parte de uma turma que não faz esse tipo de coisa. Não só, mas uma professora que mantém a postura em sala de aula. Quem manda ali é ela. E, para mim, é assim que tem de ser.

    Doce beijo.

  15. Na minha turma também não tem alunas assim, talvez devido ao facto de cada uma estar demasiado concentrada em fazer bem e nem repara no que as outras estão a fazer. ( O que por um lado, é bom. )
    Contudo, às vezes pode surgir situações onde sentimos que devemos ajudar ou dar uma dica à outra colega, ou até mesmo ser a colega a dar a nós, e isso desenvolve imenso o relacionamento pessoal entre as bailarinas. Eu própria algumas vezes tento ajudar no que posso, mas é mais quando assisto às aulas para as pequeninas ou quando chega uma nova aluna.
    Mas sim, seria irritante ter alunas excessivamente sabichonas e até mesmo de certo modo convencidas.
    Alunas se que queixam muito ainda não passei por um caso asério, mas é claro que algumas vezes à bailarinas que se queixam um pouco.

    Enfim, o melhor é não ligar ou tentar estabelecer um relacionamento razoável com elas, e concentrar-se mais no seu trabalho e na professora e não tanto no que as outras dizem ou fazem. ;)

  16. Oi Cássia!

    E quando a irritação é com a professora?

    Eu apenas quero aprender ballet é tão difícil assim?

    Aula para adultos deveriam ser com professoras que tenham a mínima noção de “didatica” e boa vontade.

    Bjos a todas

  17. Aí é que está, Cassinha!

    Vc. associou meu discurso sobre “lerdeza, ausência de perna alta e as agruras todas” à idade. Eu não falei disso em momento algum.

    Questão de postura em sala em nada tem a ver com isso. Aliás, sempre digo que bailarinas adultas têm dificuldades com a técnica, mas se sobressaem pela maturidade, esta sim responsável pela dedicação com alongamentos para subir cada vez mais as pernas. Digo isso aqui. Digo isso no Ponta Perfeita. Digo isso em qualquer lugar. Eu mesma perdi o timing pra ser profissional. Já não tenho mais o sonho da adolescente. Mas me sinto infinitamente melhor hoje. Inclusive, compartilhei com vc. um projeto de criar um grupo para bailarinas acima de 25 anos.

    E repito: o problema não é idade, mas a postura. Já vi muita bailarina talentosa e novinha se perdendo por serem extremamente auto-centradas e cheias de si. O contrário também é bem verdade. Assisti de camarote uma bailarina se formar e dançar fora, com hoje uma carreira brilhante, contrariando todas as expectativas. Ela soube ouvir conselhos e críticas e utilizá-los a seu favor. O nome dela? Bianca Assad. Nunca me esquecerei!

    Se a “intrometida”, como vc. diz, humilha publicamente as colegas. Ponto pra mim! Pois não faço isso. Nem em sala e nem na vida. Mas se percebo que alguém faz algo errado, que porventura passou batido pelo professor, e tenho intimidade para tal e posso ajudar. Por quê não?

    Comentário-post é muito bom! Faz a gente se entender. E no final, percebemos que tanto eu como vc. temos exatamente a mesma opinião. Certo?

    Beijão!

  18. Thaís, vamos lá, só farei mais um comentário a respeito desse assunto. Esse blog foi criado para falar com bailarinas tardias. São aquelas que começaram a dançar bem mais tarde, ou que pararam e voltaram. Concordo com você, e sem dúvida minha professora também, de que uma bailarina de corpo de baile tem de ser treinada como primeira-bailarina. Sim, mas nem por isso chegará nesse nível. O ideal é uma coisa, a realidade é outra. E muito diferente. Aqui há mulheres que sofrem muito porque não atendem às exigências de perfeição do ballet e sofrem as maiores pressões por conta disso. E, aqui, é onde elas podem falar sobre esse assunto.

    Com certeza, o mundo está centrado no “eu”: eu sou, eu faço, eu aconteço, eu aponto o dedo para os outros, eu sei fazer, eu sou a melhor. É assim na vida, é assim no ballet. Eu disse, desde o começo, que a palavra final é do PROFESSOR. É ele quem manda. Eu critiquei as alunas que se acham professoras. Estudem para tal e então falem alguma coisa.

    Existe uma imensa diferença entre crítica e desmerecimento. Imensa. Eu já fui chamada de canto por companheiras que questionaram passos e tempos meus. Agradeci, mudei e ficou tudo lindo. Isso sim é postura de bailarina. Eu já fiz teatro, sei muito bem o que é compartilhar e trocar. Aliás, o que nem sempre ocorre no ballet. Cansei de ver humilhações públicas. Isso é troca? Não. Conhece aquela história de elogiar seu amigo publicamente e criticá-lo em particular? É assim que deveria funcionar sempre.

    Você falou bem: “quem não presta atenção, quem atrapalha os outros, quem pensa mais em si do que na coletividade” está fora. Ser lerda significa não prestar atenção? Então você não sabe o que é lerdice. Ter dificuldades é atrapalhar os outros? Três vivas para os nota 10. E, afinal, o que significa pensar mais em si do que na coletividade? Respeitar o outro, o que ele sente e as suas dificuldades? Sinto muito, para mim é bem diferente.

    Uma vez, a Carol fez um comentário na comunidade Ballet Adulto (e ainda virará post aqui) dizendo que nunca seremos aceitas no mundo do ballet. Eu fui indelicada e grossa, disse que não era nada disso. Ingenuidade minha, ela está coberta de razão. Mas, e quem se importa? Continuaremos dançando além da lerdeza, da ausência de perna alta e das agruras todas. Porque no fim das contas, todo mundo aqui é bailarina. E não vou admitir, jamais, que alguém venha aqui dizer que quem tem dificuldade não merece paciência e está fora. Porque eu faço aulas num lugar onde 50 bailarinas adultas e lentas e cheias de dificuldades mostrarão na apresentação de fim de ano que não estão.

    Beijo.

  19. Cassinha, não voltarei à questão. Mas tentarei me fazer entender de uma vez.

    Não é questão de soberba. Se deseja enxergar desta forma, ok. Porém, já deve ter percebido que a vivência do ballet clássico é social. Abre-se mão do individual para se pensar no coletivo. Tive um professor russo que dizia: “Até a bailarina do corpo de baile deve ser treinada para ser primeira bailarina”. O método é padrão e é preciso sim se adaptar a ele.

    Pois bem… O problema é que estamos completamente auto-centrados. Nós, enquanto sociedade, digo. Ninguém mais tolera críticas. Ninguém mais é maleável ao ponto de reconhecer suas próprias limitações. Vivemos na era do narcisismo, onde o discurso do “nós” foi substituído pelo discurso do “eu” (http://impostor.wordpress.com/2009/10/05/vaidosos-anonimos/). Daí, então, só aceitarmos opiniões de pessoas “qualificadas” para tal. No caso do ballet, o professor.

    Fato é que este comportamento não combina com o ballet clássico. Minha experiência como bailarina sempre me mostrou que as melhores turmas são aquelas em que há trocas. “Thaís, estica um pouco mais o pé no arabesque”. “Vc. está levantando o ombro pra girar a pirueta”. “Sabe aquela sequência? Vc. está fazendo errado. Tem um glissade antes”. Todas estas foram frases que meus companheiros de classe já disseram. O mesmo já disse para outras pessoas e a troca ocorreu de maneira tranquila. Um ambiente em que trocas são aceitas evita concorrências e desafetos desnecessários.

    Uma postura aberta. É isso que uma bailarina precisa para se formar. Junte-se isso a esforço, pronto! Nem precisa de talento nato pra coisa toda acontecer.

    E é claro! No ballet, assim como em qualquer outro ambiente em que formação técnica seja necessária, ocorre uma “seleção natural”. Quem não suporta dor, quem não presta atenção, quem atrapalha os outros, quem pensa mais em si do que na coletividade, desculpem, mas acabam fora sim!

    Assim é a vida. Assim é o ballet.

  20. Leticia, claro, todo mundo escorrega em algum momento. Eu, provavelmente, já fiz coisas que desagradaram outras alunas. E temos mesmo de aprender com as diferenças em sala de aula, mas acho que há bailarinas que exageram, hehehe. Mas a minha turma é mesmo bem tranquila.

    *

    Carol, acho que ser bailarina nerd é uma imensa qualidade! E se as alunas perguntam a você, acho que não apenas percebem isso, como se sentem à vontade em perguntar, não se sentem inferiorizadas e tal. Isso é bem bacana, vocação para professora você tem. ;) Ah, você também é intrometida? Poxa vida, hehehehe. Para não achar que pego só no pé da Thaís, continuo achando que isso é responsabilidade da sua professora.

    *

    Thaís, sério que aluna lerda cansa o melhor dos mestres? Então, o mestre em questão deve repensar o ofício. E me admira o seu comentário, de que bailarinas lerdas não sobrevivem muito tempo. Agora entendo porque há tanta aluna que passa por aqui, me manda e-mail, e desiste das aulas, porque há quem não tenha paciência com lerdeza, não é? O mais bacana é o seguinte: professor que não sabe dar aula e bailarinas soberbas também não duram muito tempo.

    Grande beijo.

  21. HAHAHAHA!!!
    Não me considero da turma das intrometidas. Mas se for pra ter esta definição, então sim. Nem sempre a professora pode estar atenta a tudo e a todos. E vamos combinar? Aluna lerda cansa até o melhor dos mestres! :oP

    Concordo então com a Carol. E sim: ela apontou perfeitamente que isso é bem raro. Bailarinas lerdas não sobrevivem muito tempo.

    Beijocas!

  22. De todas que você citou, a que mais me irrita é a reclamona, com certeza. Ballet não é um mar de rosas, dói! Não adianta reclamar.
    Eu, de certa forma, sou uma aluna bem nerd. Mas não me intrometo: as próprias alunas vem me perguntar coisas. E muitas vezes eu não sei ao certo e fico com verognha de explicar na frente da professora. Prefiro que perguntem à ela, ora! rs Quanto à intrometida, sou intrometida quando tem aluna avoada (e essa é uma das que mais me irritam) do meu lado. Mas só chamo atenção quando isso pode comprometer a todos, como numa apresentação ou ensaio final. Mas isso raramente acontece…

    Beijos!

  23. Cássia,
    acho que no fim todo mundo tem um deslise… o importante é não comprometer o andamento da aula… tem sempre a aluna reclamona, a chata, a intrometida que fez anos de ballet e quer ser melhor do que a prof… é complicado mesmo.
    Beijos!!!!
    lelê

    Ps vi o seu recadinho dizendo que tá me acompanhando pelo google reader! :) Eu vou postar umas fotos da minha aula de ballet, ai te aviso… rs. Ainda não tive tempo de separar!! loucura total! quero colocar em um LO de scrapbook!

    Ps 2 vc não vai acreditar, to com caimbra a 3 dias!!! Nào estou conseguindo nem ensaiar… vou pra aula, fico sentadinha assistindo a passagem da coreografia e chateada de não poder dançar… :(

  24. Ana, então somos da mesma turma! A resposta afiada sai na hora, né? Ainda bem que a sua turma é tranquila. A que estou hoje também é, mas antes eu passei por cada uma…

    *

    Thaís, eu não a-cre-di-to que você faz parte da turma das intrometidas, hehehe. Sim, uma bailarina lerda acaba com um corpo de baile, mas isso não é problema para você resolver. Existe uma professora responsável por isso. Por melhor que seja a intenção, para mim não existe “forcinha”: eu corto e lindamente. E se persistir, corto na frente de todo mundo. Eu realmente não gosto, não só comigo, mas com os outros. Já cortei muita bailarina publicamente por isso, e sem dó alguma.

    Beijos.

  25. HAHAHAHA
    Bailarina pequenina soltando fogo pelas ventas! A.DO.RO!

    Cassinha, isso me fez lembrar uma garota que dançou comigo quando eu ainda era adolescente. A média da turma era de 16 anos e ela já tinha 21. Toda vez que ela caía ou tropeçava (porque sim… quedas são tão presentes na nossa vida quanto dores), ela abria o berreiro. Isso mesmo! Chorava copiosamente por causa disso! Sério! Não dava pra aguentar! Chegava a ser cômico aquela marmanja chorando por causa de tão pouco.

    Mas uma coisa tb é verdade: ballet clássico e lerdeza não combinam! Uma bailarina lerda é capaz de acabar com um corpo de baile inteirinho. Por isso, quando é muito lenta, já vou dando logo uma “forcinha” pra ver se engata. Às vezes, funciona.´Às vezes, não.

  26. “Enquanto isso, cuide da sua própria sapatilha.” Amei esse comentário.

    Ainda bem que na minha turma não tem gente assim, e espero que continue desse jeito quando começarem os ensaios. Se alguém fizer algum comentário parecido comigo, a resposta afiada vai sair automática, é sempre assim.

Os comentários refletem a opinião das leitoras e dos leitores e não correspondem, necessariamente, à opinião da editora do blog.

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