Eu errei!

Foi neste post aqui que comentei vagamente sobre o erro e falaria sobre isso depois. A questão é: por que nós bailarinas somos tão neuróticas com isso?

Já comentei que fiz teatro antes de começar o ballet, e uma das coisas mais bacanas que aprendemos é que não existe certo e errado. Também aprendemos a lidar com os percalços que ocorrem em cena: o espectador, geralmente, está assistindo àquele espetáculo pela primeira vez. Ele não tem ideia do que acontece, logo, se algo for mudado só o elenco sabe. Eu cheguei a ficar em cartaz e isso ficou claro o dia em que uma das atrizes engasgou em cena e todos acharam que fazia parte do texto.

Sim, o ballet é diferente. Quando erramos, não existe o improviso. Errou, errou. Há erros claros, como o desequilíbrio numa pirueta, mas alguns muito mais simples, como não “passar” o pé pela lateral do joelho em um retiré passé, por exemplo.

No espetáculo passado, eu errei nas quatro coreografias. Alguém percebeu? Não. Soube de meninas que choraram ao sair do palco porque haviam errado. Foi então que percebi que há algo errado nessa história toda.

Quando nos apegamos ao erro, esquecemos do restante. Sim, nos esquecemos. Passamos meses ensaiando três minutos e nos fixamos em dois segundos. Esquecemos a grandeza de estar no palco, as horas de aula, as dores no corpo, a ansiedade de entrar em cena, a beleza de ser uma bailarina, a emoção da plateia. E passamos dias pensando: eu errei!

Sim, errou, e daí?

Abra o sorriso, fique feliz pela dádiva de dançar, e depois estude com afinco o que não foi bom. Não existe dança sem erro. Nem apresentação. Nem viver sem errar a gente consegue. Dançar sem errar, no fim das contas, é uma imensa pretensão.

Foto: Marianela Nuñez – © zxDaveM, The Royal Ballet, 2007.

Esse sorriso da Marianela Nuñez, a meu ver, é uma lição para toda bailarina. Isso sim é estar plena no palco, aconteça o que acontecer.

Anúncios

30 comentários sobre “Eu errei!

  1. Eu vi o vídeo e vi que o erro da Sylvie mal foi percebido pela platéia e ela continuou dançando sem dar a minima. O pior mesmo foi o erro claro, visível, que cometi, comecei para o lado errado com a perna, uma coisa tão tão tão tão tão simples! Olha o que o nervoso as vezes faz !

  2. é, eu comecei a fazer jazz , mas acabei parando porque a professora não era rígida, quer dizer , nunca aprendi o minimo de postura nem nada disso, nosso alongamento era daqueles de colocar a mão no pé, polichinelo e vamos ensaiar alguma dança. queria muito fazer ballet mas la não tinha ai fui parando!
    lembro uma vez dancei tango na escola -não faz muito tempo- e eu errei muito, muito mesmo, -levando em consideração que aprendi a dançar uma musica inteira em 2 dias eu ate fui mais ou menos- e não suportava ver as pessoas vindo falar sobre a dança , queria matar todo mundo que tocasse no assunto . kkkk
    Ah! e por falar nisso quando eu comentei falando que queria fazer ballet e não podia porque precisava trabalhar e você disse para procurar aulas de graça, eu achei ! vou começar sábado *—–*

    Beijos! e parabéns pelo seu blog, estou lendo ele desde o primeiro post até os atuais, e acredite estou aprendendo muitas coisas e estou adorando !

  3. Oi, eu já tinha comentado em um post sobre querer fazer ballet, se lembra? o que eu não disse é que ja fiz jazz aos 10 +- e hoje tenho 15. sim, sempre danço na escola e sim, sempre me critico muito pelos erros, e sempre procuro a perfeição, as pessoas dizem que não se importam , mas pra mim errar é terrível. Claro! ninguém quer errar, mas foi legal ler esse post e vou tentar parar de me torturar tanto :D

    1. Ana, eu consigo pesquisar comentários e reli o seu. Você já começou a trabalhar? Claro, ninguém quer errar, mas quando a gente entende que o erro faz parte, da dança e da vida, tudo fica mais fácil. E a gente aproveita sem sofrer tanto. Por isso, não se torture. ;)

      Grande beijo.

  4. Cecília, chorar pelo erro não é privilégio de solistas. Não importa o papel, todas as bailarinas se esforçam e ensaiam muito, sonham com o palco e se sentem frustradas quando erram. A questão é que o erro existe e, se não aprendermos a lidar com ele, sempre carregaremos conosco a frustração pós-apresentação. E o bacana é a gente sair do palco sorrindo e feliz pelo que conquistou, meus com os erros. Até porque, a plateia nunca percebe.

    Beijos.

  5. ola cassia, isso é o q mais acont com a maioria das bailarinas principalmente com as solistas pq nos lutamos pra chegar a fazer o primeio papel mas quando chegamos ate esse lugar somos cobradas ainda mais e é por isso q choramos tanto ao sair do palco por apenas um erro chorei sim eu admito q em todo espetaculo nao ha coo ser perfefito mas eu queria me aproximar disso fazerr coo faço dentro de sala mostrar realmente o q sei fazer….

    Tentar e errar, mas não desistir de tentar…….EU AMO SER BAILARINA!!!!!! Cecília silva…….

  6. Júlia, e é mesmo, não? Na apresentação do ano passado eu errei algo muito evidente… para mim. Quando perguntei para quem me assistiu, todo mundo: “Hã? Não, imagina! Eu não vi”. Acabei duvidando se errei mesmo, preciso assistir ao vídeo, hehehe.

    Grande beijo.

  7. As pessoas notam muito pouco os erros que fazemos, nós notamos muito mais.
    Mas toda bailarina é perfeccionista AO EXTREMO e acho que nesse mundo do ballet ser perfeccionista é uma dádiva :D
    Temos mesmo é que aprender com nossos erros.
    beijo!

  8. acho que ninguém deve se frustrar com o erro, concordo com isso. sei que ele está a espreita. mas não se pode também relaxar e falar sempre” aaah eu errei, mas sempre vou errar mesmo…” entende? espero q tenha sido clara.

  9. claro, aprender a lidar com isso, rir, etc. mas tb é possível superar-se ;) superar os erros e nao repetir os antigos. rs pelo menos cometer novos. =D

  10. Patrycia, amei a sua história! Nossa, e você fez ginástica rítmica e nado sincronizado, duas das coisas mais lindas que existem! Parabéns e depois, se quiser, fale o nome da sua escola para eu colocar na lista daqui. E muito obrigada pela visita.

    *

    Carol, não escrevi sobre o erro para ser poético, errar é um fato. Acho sim que é para relaxarmos com o erro, acho péssimo meninas e mulheres sofrendo horrores porque erraram. E se todos esperam perfeição, sinto muito, estão fadados à decepção. Não estou aqui para satisfazer o desejo de ninguém. Eu repito: perfeição não existe. Pode estudar o quanto for, pode se matar de ensaiar, pode fazer o que quiser: o erro está à espreita. Eu sou revisora de textos, eu ganho (e bem!) para acabar com os erros alheios. Além de fazer ballet, que exige ausência de erros. Ou seja, é um assunto do qual eu entendo muito bem. Errar ninguém quer. Sofrer, chorar, perder, morrer, também ninguém quer. Adianta? Todos vamos sofrer, chorar, perder e morrer do mesmíssimo jeito. Agora cada qual escolhe o que quer: lidar com isso e viver bem, ou viver na frustração. Eu fico com a primeira opção e cada qual escolha a sua.

    Grande beijo.

  11. Bom, não que eu não concorde, nem ache poético o que vc disse. Erros sempre serão possíveis de acontrecer e isso não significa que você não é boa o bastante, ou algo assim. As vezes, está só nervosa, ou com mil outras coisas na cabeça… Mas eu acho que deve-se esforçar ao máximo para não errar, para alcançar a (entre aspas!) “perfeição”. Não se deve morrer de tristeza por isso, e sim aprender e rir do erro. Mas não acho que se deva relaxar com ele. Não quero errar numa coreografia e acho que fica feio, sim. hahah Devemos tentar aprender com os erros e evitá-los porque o ballet é também uma (falsa) perfeição, que é esperada por todos.

  12. Olá Cássia… acordei mais cedo hoje e fiquei pesquisando sobre ballet adulto até enfim chegar e me deliciar com o seu blog… Tenho 23 anos, sou do RJ e comecei a fazer ballet ano passado… Tinha uma vontade enorme desde os 14 mas me achava velha… aí resolvi entrar com 21… heheheh Eu já estou meio que acostumada a fazer coisas que estão, digamos, fora da idade… comecei a fazer nado sincronizado com 14 e ginástica rítmica com 18 anos … idade em que normalmente já tem atletas competindo serio por vagas em grandes eventos e olimpiadas as vezes ou entao pensando em parar… e eu começando.. depois da ginastica ritmica, principalmente, voltei a pensar no ballet como algo que eu realmente faria, e nao me arrependo um minuto sequer desta escolha. Comecei em um projeto de extensao da faculdade onde a turma era mista e sem nenhuma preocupação com regularidade ou tecnica.. como eles diziam, era por diversao… fiquei lá até aprender o bem basico e procurei por academias aqui perto de casa, mas a maioria não aceitava iniciantes adultos.. até descobrir a academia onde estou hoje.. comecei a ter 2 aulas seguidas, uma de turma iniciante com alunas adultas e crianças, e depois liberavam as mais novas e tinhamos a segunda aula, com aperfeiçoamento de técnica.. ballet me cativa a cada dia e tenho evoluido muito.. este ano fizemos curso de ferias somente adulto e agora estamos em uma turma separada… passo para a ponta no meio do ano.. e ja estou ansiosíssima.. apesar de acostumada com as famosas frases “VC FAZENDO BALLET? NÃO ESTA UM “POUQUINHO” ATRASADA NAO??? por causa da idade… af af af
    Parabens pelo seu blog.. ele é um incentivo a quem tem este sonho e uma delicia de ser lido por aqueles que estão com vc neste mesmo maravilhoso barco… Beijos e um otimo dia

  13. Júlio, faça sim! Há muito coisa bacana, desde o ballet, passando pela dança contemporânea, a dança de salão, o flamenco… Dou o maior apoio, você vai adorar.

    *

    Roberta, muito obrigada pelas doces palavras e fiquei feliz que você tenha gostado tanto. E consegui encontrar uma escola bacana?

    *

    Stephanie, e não é? Quando a gente se dá conta disso, as coisas ficam tão mais tranquilas…

    *

    Leticia, melhorar sim, ser perfeita nunca. A perfeição não existe, e é isso que temos de ter em mente.

    *

    Jessy, ela é sim namorada do Thiago Soares (na verdade, acho que é noiva). Queria tanto ver os dois dançando juntos de perto, aff, deve ser lindo demais.

    *

    Rê, só assim a gente se sente plena no palco, ir lá e dançar! E mesmo que a gente se estabaque no chão, é só sorrir e continuar, hehehe.

    *

    Carol, com certeza, a fórmula é simples! E quando a gente consegue levar isso para o ballet e para a vida, é incrível como até os erros diminuem e a gente consegue ser bem, mas bem mais feliz.

    *

    Simoní, não existe perfeição. Ponto. Ou a gente entende isso ou vai sofrer para o resto da vida…

    Grande beijo.

  14. Acho que todas passamos por isso (se não, certeza que iremos passar algum dia), o dificil é ter jogo de cintura e passar pelo erro como se ele não tivesse acontecido e se manter firme e deslumbrante no palco.

    Percebi que por mais que tenha saído tudo perfeito na coreografia, sempre me cobro e acho que poderia ter feito melhor, ou ter me doado mais…
    é sempre assim, acredito que acontece com a grande maioria.

    Beijos :)

  15. Com certeza, Cássia! FOra que podemos levar isso pra vida fora dos palcos, que a vida é mesmo cheia de erros, e o melhor a fazer é aprender com eles e nunca mais cometê-los. A fórmula é simples, no final das contas ;D
    Beijos!

  16. Nossa, não posso concordar mais com vc.
    Realmente a gente se tortura por umas coisas tão pequenas! As vezes eu acho que cometi um erro grotesco, que todo mundo reparou… E no fim a plateia só repara se vc se estabaca no chão né.

    Errar faz parte, ainda mais numa apresentação, que os nervos estão a flor da pele. O negócio é ensaiar bastante e ter muita confiança de que vc está ali pra fazer o seu melhor… E simplesmente dançar, sem preocupações!
    Mas bailarina é assim mesmo… Sempre buscando a perfeição! =)

  17. ai gente, eh q ballet exige tanto esforço e dedicaçao de nos, e eh tao “cruel” q a gente nao se perdoa mesmo! Nosso sonho eh alcançar a perfeiçao, e eh nessa “viagem” q a gente se esquece q eh com os erros q aprendemos… Lindo texto! Adoro a Marianela Nuñes! Ela eh namorada do Thiago Soares, nao eh? hehehehehe bom gosto dessa moça! hehehehehehehe…
    Bjinhos!

  18. Ainda não passei por isso… mas sempre observo nas aulas que todas as meninas (não me excluo) nunca estão satisfeitas. Sempre! O problema é quando o sofrimento pela perfeição começa a ser maior do que o prazer de ir dançar. Não podemos fazer de um prazer, um sofrimento. É natural querermos evoluir sempre, mas é necessário ter maturidade para compreender que no nosso tempo e com esforço melhoraremos. Esforço é sempre muito diferente do sofrimento.
    “No pain, no gain”, que seja só no sentido físico… não no psicológico, certo?
    Beijinhos a todas!!!

  19. Olá Cássia! Encontrei seu blog meio que por acaso, pesquisando academias que dessem aulas de ballet para adultos. Desde então não consigo mais parar de acessar esta página! Parabéns pela iniciativa, e obrigada pelos textos inspiradores que você compartilha com a gente, leitoras (es) fiéis, aqui neste espaço. Um abraço forte da bailarina iniciante, Roberta.

  20. Não entendo nada de ballet,mas concordo com teu posicionamento. Não apenas nos palcos,mas acho que em tudo na vida é necessário que se aprenda isso,a continuar após o erro.

    E,sinceramente: de tanto ler esse teu blog e ver como falas sobre o que tu sente a respeito da dança,estou pensado seriamente em aventurar-me,procurar um curso ou algo assim.

Os comentários refletem a opinião das leitoras e dos leitores e não correspondem, necessariamente, à opinião da editora do blog.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s