Depois da lua de mel…

Quando começamos no ballet, especialmente depois de esperar e querer tanto, tudo é encantamento. Percebemos que o nosso corpo inteiro fala. Até as mãos, vejam só, falam de alguma forma. Os pés deixam de nos levar de um lado para o outro para nos fazer dançar.

Bonito e poético, mas só nós sabemos o esforço, a dedicação e as agruras para chegar a isso. Sim, porque conforme o tempo passa, os problemas começam a aparecer. Nem sempre o corpo corresponde como deveria. O alongamento demora meses e meses para mostrar um mínimo de mudança. Os joelhos falham nos saltos, bem no momento em que deveriam nos sustentar. Além de outras questões, como não ter incentivo, alguém que lhe diga: “Prossiga que você consegue”. Sim, a força tem de vir de nós, mas é extremamente importante um tutor, um mestre, um professor, alguém que veja o seu potencial, nem que seja a sua própria dedicação.

Em qual momento do ballet acontece o primeiro fraquejar? Eu estou nesse momento. Cansei de ouvir as mesmas coisas sobre o meu corpo e perdi um pouco do ânimo. A questão não é técnica, é física. Você passa muito tempo cuidando da sua saúde, para depois lhe dizerem que não é assim no ballet. Sinto muito, não posso olhar para o meu corpo e achá-lo um inimigo, especialmente porque ele que me sustenta 24 horas por dia. É ele que mostra ao mundo o que mora dentro de mim. E não vou admitir que falem dele da pior maneira. Não, não vou.

Aurélie Dupont

Enfim, alguma de vocês já perdeu o ânimo? O que fizeram para o brilho voltar?

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24 comentários sobre “Depois da lua de mel…

  1. Já perdi o ânimo sim, acho que isso é natural em qualquer coisa se você se dedica muito tempo da sua vida aquilo. No ballet, acho que a coisa muda de tamanho apenas devido ao esforço que fazemos para nos destacarmos, acertamos, progredirmos. Mas devemos nos olhar por dentro e ver o que o ballet significa pra nós mesmas, o nosso corpo fala alto nesse momento, ele sente falta dos exercícios tanto quanto nossa mente e pede pra que realizamos cada delicado movimento da melhor maneira e assim enxergarmos a bailarina que existe dentro da gente. Pois a vida existe tropeço, fases ruins, decepções, mas tenho certeza que as alegrias e vitórias ocupam um espaço bem maior na nossa vida. Então, sejamos sempre bailarinas, de cabeça erguida e levantando a cada queda.

  2. Não acredito que falam com os alunos dessa forma. Bom,na verdade eu acredito sim. Já tive que ouvi coisas que nunca deveriam me dizer. Não foi no ballet,mas foi chato do mesmo jeito. Me desanimei,depois de anos me animando até conseguir. E de repente vem alguém que não me conhece,não sabe nada sobre mim,muito menos o quanto me esforcei para estar onde estou e me faz “desapaixonar,nem que por um instante,do que tanto amei e ainda amo. Quer saber? Não ligo mais.

  3. Obrigadão Cássia!
    Realmente, apesar de amar o ballet, estou em outra sintonia… às vezes, tantas coisas lindas que estão acontecendo na nossa vida e ficamos chateadas pela nossa “falta de dedicação” ao ballet… bobeira, né? Temos várias horas de curtir… ballet, família, amigos, etc…
    Beijo!

  4. Leticia, eu entendo a sua dedicação porque sempre fui assim. Mas daí que a gente pensa: levar tudo tão a sério chega a ser penoso, porque não damos conta de tudo. É preciso ter prioridade. Eu estava muito angustiada, este post eu escrevi em maio, depois veio aquele outro sobre querer outra coisa em julho. Não dava mais para viver na angústia. E se o ballet, por mais que a gente goste, não consta no topo da lista, paciência e azar o dele, hehehehe. Façamos menos aulas, nos dediquemos quando dá e pronto. Só não vale a gente sofrer por isso, com toda a certeza…

    Imenso beijo.

  5. Cassia,

    estava relendo este seu post (eu li na época, mas eu não costumava comentar… rs). E ontem mesmo estava pensando sobre isso. Não sei se ando desanimada (apesar de super ansiosa pelo espetáculo) ou se ando com o meu foco em outras coisas… como te falei, também não quero me profissionalizar, mas gosto de me dedicar a tudo o que faço! Faço ballet 3x por semana, mas simplesmente a vida corrida e o foco em coisas que vem em primeiro lugar (é claro que reconheço que o meu noivo, o meu trabalho, a minha família vêm na frente) tem tirado a minha dedicação do ballet. Até vou rever a minha matrícula para 2x por semana, tamanha quantidade de faltas!
    Enfim, cada uma tem as suas razões para o desânimo… e como é difícil gostar de algo, querer se dedicar mais e reconhecer que infelizmente não podemos dar além do que estamos dando, né?
    Bom, saber que sempre temos pessoas companheiras para trocar experiências, né?
    Bjo,
    Leticia

  6. Não perdi o animo não, mesmo pq não tinha mais esse previlegio……………………mas sofri…………………Ai!! como sofri…………..mas cada braço melhor colocado, cada pé melhor posicionado, me dava uma alegria que só eu entendia. Imagina: Mulher, branca, alta, madura(42) pulando de alegria (escondida, claro) qdo recebeu um elogio: Gostei do seu pé na posição derriere………….Aff!

  7. Heydi, que bom te ver por aqui! Sabe que você “me abriu a cabeça”? Acho que está na hora de começar a realmente treinar em casa, nem que eu “me force” a encontrar um tempo para isso. Porque é mesmo raro uma professora que realmente tenha paciência com quem demora um bocado para aprender. Muito obrigada, querida. =)

    Doce beijo.

  8. Oi Cassia,tudo bem?
    Pois é amiga,já me desanimei muito. Meus joelhos não esticavam por nada desse mundo,e minha professora não sabia o que fazer comigo. Eu me sentia sozinha e sem ajuda nenhuma dela pra sanar meu problema, me sentia uma desajeitada nas aulas.

    Mas foi sozinha também que resolvi meu problema. Faço exercicios de meia ponta, exercicios de ponta, uso a chinerina dia sim dia não, encontrei a sapatilha perfeita para meus pés, e hj sou outra bailarina, ou melhor sou a mesma bailarina só que muito melhor.

  9. Thays, não se lamente, o tempo não volta. A gente só pode fazer algo daqui para frente… E o corpo da gente é assim mesmo, ele demora para se entender com a mente, hehehe, mas quando os dois se encontram, ah, não se separam mais! E sobre o meu dilema, nossa, você disse tudo. Sim, ele é antianatômico, mas não serei profissional. E ambos, a dança e a minha saúde, são essenciais para mim. Se posso conciliar as dois, por que sofrer assim? Não precisa.

    Grande beijo.

  10. To passando por essa fase agora. Esse ano diminuí pela metade a frequência das aulas e vejo como isso faz diferença! Também parei de fazer exercícios de ponta, fui pra outra escola e vi que preciso limpar muitas coisas ainda…
    Agora sempre saio das aulas me lamentando por não ter me encantado com o ballet há 20 anos atrás…
    O maior problema meu tá dentro da cabeça! Claro que o corpo me impõe N limitações… mas meu raciocínio é muito lerdo pra passar as informações pra ele, sabe… Parece que minha mente e meu corpo estão se separando cada vez mais em vez de se fundir, como a mágica do ballet originalmente faz. :(

    Sobre sua situação, acho um grande dilema! Sempre ouvi que o ballet necessariamente é anti-anatômico mesmo e ponto. Talvez o jeito é recolocar pra sua professora que sua intenção não é profissional e tentar conciliar os avanços da fisioterapia com o ballet, porque tanto a saúde física quanto o prazer da dança já se tornaram essenciais pra vc!

  11. Carol, antes de mais nada, anorexia é uma doença seriíssima. Não deve ser sequer cogitada, não importa o nível da bailarina ou o que ela deseja para a própria vida. O que falei sobre o corpo remete ao seu comentário sobre joanetes: por mais que o ballet seja antinatural, não forçar o que possa prejudicar a nossa saúde. Porém, há coisas aparentemente amenas, mas que podem prejudicar imensamente o corpo no futuro. Mas nem todas as professoras percebem isso.

    Grande beijo.

  12. Fico preocupada com essas coisas… De violentar meu corpo de alguma forma… Por exemplo: já tenho joanetes. (um exemplo bobo) mas não quero que aumentem… não gosto de nada que prejudique a saude ou deforme o corpo. Mas acho que, por não ter pretensão de ser bailarina classica, talvez me sinta mais segura… nao vou precisar passar pelo que muitas meninas passam. até porque, eu nunca escolheria a violencia ao meu corpo, como uma anorexia, pelo ballet.

  13. Stephanie, é que via aqui, no Orkut e no Twitter e pensava: “Será que é a mesma pessoa?” Não queria confundir as Stephanies, hehehe. Bom saber que é você. =)

    *

    Cosette, não se preocupe tanto com as falhas. Além disso, jamais diga “erros físicos”. Uma vez eu ouvi “defeitos” e quis me contorcer: não sou especialista no assunto, mas penso que são características que podem ser trabalhadas, melhoradas, colocadas no lugar. E você é mesmo uma sortuda, tem uma professora fofa. Abuse dela, hehehe, porque sem dúvida ela sempre dará respaldo a você. Além disso, você tem toda razão, “nunca ser infiel a nós mesmas”. Esse é o grande ponto da questão… E vou guardar comigo, tenha certeza disso. ;)

    E, vem cá, você tem Twitter? Pela maneira que você respondeu para as meninas, parece que tem, hehehe! Adorei os comentários!

    *

    Ana, pior que é mesmo, há professores que “bitolam” tanto na técnica que esquecem da “alma de bailarina”, com o diz a Paola (uma ótima professora que volta e meia comenta aqui e na comunidade Ballet Adulto). E técnica a gente aprende, ou relembra como é o seu caso, mas o lado artístico, é isso que faz uma graaaaaaaande diferença. E parabéns por ter voltado! :D

    Doce beijo.

  14. @Cosette
    “Você faz Ballet porque gosta e porque lhe faz sentir bem, não para estragar o seu corpo para fazer tudo perfeito.”

    Condordo totalmente. Eu fiz ballet durante 10 anos e meus professores me fizeram ficar tão bitolada quanto à técnica que artisticamente era horrível e eu mesma acabei resolvendo parar.
    Fiz ontem minha primeira aula depois de 5 anos parada e, embora eu tenha perdido muito tecnicamente, sinto que estou dançando melhor que antes, simplesmente porque de ver vídeos de bailarinas (principalmente Polina Semionova) soltei mais o lado mais “artístico”.

    Li em algum lugar que não lembro que arte é algo que emociona aquele que vê. Acredito que o mesmo sirva pra dança e pra você ser capaz de emocionar alguém tem que gostar de estar dançando.

  15. Cássia, eu comecei há pouco menos de um mês e após 3 semanas, comecei a falhar.
    Não sei o que se passa comigo, mas nos primeiros dias parecia que fazia tudo tão bem..
    Parecia que não tinha dificuldades na parte da técnica, nem sequer em expressar-me.
    Agora, não sei porque, saio das aulas de Ballet um bocadinho frustada, porque, por mais que eu dê o meu melhor, parece-me sempre que é pouco. E não é falta de empenho ou de entusiasmo, porque o meu entusiasmo mantém-se tal e qual como no primeiro dia que entrei!

    Não sei se estamos a falar do mesmo assunto, mas penso que esteja relacionado. Também nas últimas aulas a minha professora detectou-me vários erros físicos. Um na curvatura dos pés, outro nos joelhos. Não é por isso que vou desistir.
    Aliás, eu tenho muita sorte de ter uma professora tão preocupada e atenciosa. Ela dá a mesma importância a todas, sejam elas gordas, ou com pouca flexibilidade, ou se têm problemas em mandar os sentimentos cá para fora, ou se têm problemas físicos.

    Eu fiz uma promessa a mim mesma, e vou cumpri-la. Cássia, nunca seja infiel a vossa mesma! Não faça mal ao seu corpo só porque lhe dizem que “Ah, se quer ser boa bailarina, tem que ficar torta de novo e estragar o seu corpo. ” Nunca, mas nunca dê ouvidos a esse tipo de coisas.
    Você faz Ballet porque gosta e porque lhe faz sentir bem, não para estragar o seu corpo para fazer tudo perfeito.

    @ Ana, adorei essa frase! Muito linda mesmo, você tem razão!

    @ Stephanie, sei que é díficil, mas não se deixe desmotivar por causa disso! Há dias em que somos os vencedores, outros os perdedores! Portanto, não desista, mas se fosse eu, e se fosse possível, tentaria encontrar outra professora que tratasse todas da mesma maneira!

    @ Jessy, concordo plenamente consigo! São esses os sentimentos que nos fazem continuar, e continuar..

  16. Ana, você tem razão, se não vou ser profissional, não há do que me preocupar. Sobre os questionamentos que coloquei no texto, não são eles que me afligem, assim como não são questões técnicas, como já falei. Eu faço fisioterapia, lá o meu abdomen está sendo bem cuidado. Também não tenho problema de sustentação, mesmo com a barriga que tenho. A questão é que, depois de um ano de fisioterapia, estou com a coluna e o quadril no lugar e insistem que eu volte a ficar torta por causa do ballet. Entendeu a questão? Ouvi que “no ballet é assim”. Se eu tiver de voltar a ficar completamente torta por causa do ballet, sinto muito, eu paro de dançar. É essa a minha grande questão. E obrigada pelo apoio.

    *

    Carol, o seu comentário foi exaaaaaaatamente no ponto da questão. Você tem total razão: imaginar a vida sem o ballet. Só de imaginar eu já senti as coisas um pouco diferentes…

    *

    Stephanie, qualquer dia farei um post sobre essas professoras. E o mais “engraçado” é que isso é praxe entre as professoras de ballet, elas têm as preferidas e as outras parecem um fardo. Não se sinta mal, o problema está na sua professora! E, vem cá, você é a mesma Stephanie do Orkut, lá da Ballet Adulto? Se for, vou deixar depois um scrap para você sobre isso…

    *

    Jessy, minha perna até sobe no grand battement, mas no developpé, ela vai caindo, hehehehe. E você tem razão, quando a gente fica rodeada de ballet, parece que tudo muda. Muito obrigada pelo apoio. =)

    Beijos.

  17. O que a Jessy disse é verdade, e mais comprova o que eu disse também. O brilho não volta porque ele nunca se foi nós que deixamos de olhar pra ele, mas ele está lá…

    Lembre-se que ser bailarina não é ter um super colo de pé, nem uma abertura de 180º, é algo interior, precisa muito mais que o físico pra ser uma bailarina de verdade.

    E Jessy, acho que seu problema não é a abertura, mas um abdomen fraco pra sustentação. ;)

  18. Pois eh menina… se eu jah perdi o animo? qtas e qtas vezes!! Tenho uma questao fisica tb: nao sou mto alongada e minhas pernas nao passam de 90° de altura… a nao ser q alguem me ajude a ergue-las, elas vao super alto! Mas na sustentaçao e no grand battement… afffffffffffffffffff… nao sei nem o q dizer de mim nessas horas! Fora minha situaçao financeira, em q eu praticamente trabalho soh pra pagar as aulas e as passagens de onibus… Tem tb a questao da idade, enfim… mtos motivos q me levam a fraquejar…
    Mas aih, de repente, vem uma coisa, algo q surge inexplicavelmente dentro de mim, q me faz dançar sozinha pela cozinha e pela sala, ou me imaginar dançando qdo eu me deito pra dormir… Akela sensaçao q me toma de assalto toda vez q vejo um video lindo de ballet no youtube, e akela sensaçao q se tem ao calçar as sapatilhas de ponta, pela primeira, segunda, ou milesima vez… e eh isso, esse sentimento q me faz erguer a cabeça e voltar a sonhar… E mais uma vez eu me alongo, me aqueço, me posiciono em frente a barra e deixo q todo esse sentimento de sonho q nao se acorda, venha a tona… E nesse momento, mesmo q seja soh por um segundo, eu sou BAILARINA!
    Nunca desista dos seus sonhos, nunca permita q ninguem diga q vc nao eh capaz! Nunca! Pois tudo o q vc quiser, com amor e dedicaçao, eh possivel, e se faz realidade! Basta vc querer…
    Bjos e qquer coisa to aki!

  19. Me senti assim na última aula de ballet. Eu percebi que minha professora estava colocando as meninas pra fazerem os passos individuais em ordem de “melhor pra pior”… e eu era a última. Além disso, ela não olhava o tempo inteiro pra mim enquanto eu dançava, parecia que tinha desistido de mim, sabe? Fui embora da aula super mal… sei o que vc tá sentindo.

  20. A palavra-chave é persistir. Sempre. Já desanimei sim, já achei que eu tinha cansado. Bobeira minha. Imagina o que você faria sem o ballet. Uma rotina chata, vida sem motivo… Pelo menos pra mim. A dança me faz super bem, e também mal. Mas agora que já viciei, não vou parar.

  21. Sim, perdi o ânimo. Várias vezes, em algums tive vontade de desistir e parar tudo porque achei que jamais conseguiria chegar onde almejo. Então achei que não valia a pena, mas não é assim. A dança, não só o ballet, mas a dança no geral faz parte da minha vida, faz parte de quem eu sou. Dane-se se não vou ser uma profissional como gostaria vou fazer o melhor que eu posso agora. Toda vez que fico assim ,e isso acontece com frequência, lembro das palavras de Mario Quintana

    “Se as coisas são inatingíveis… ora! Não é motivo para não querê-las. Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!”

    Não existe uma resposta certa para a sua pergunta, acho que você precisa descobrir a sua própria resposta. Pra mim, acho que o brilho não tem que voltar porque ele nunca se foi, a gente apenas para de olhar para ele quando não está segura.

    Fique firme, força. Se precisar sabe que estamos aqui…

    Beijos

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