O francês em sala de aula

Não, meninas, não falo de um rapaz de origem francesa em sala de aula! Brincadeiras à parte, a questão é a língua francesa.

O ballet surgiu na Itália, há mais de 500 anos. Porém, da maneira como o conhecemos hoje, seu desenvolvimento aconteceu na França, no século XVII, pelas mãos de Luís XIV, fundador da Académie de Musique et de Danse. O seu intuito era sistematizar e preservar o ensino e a produção de ballet. É por essa razão que quase a totalidade dos passos são em francês.

E onde entramos nisso? Estamos no Brasil e o nosso idioma é o português. Não temos a obrigação de falar francês, tampouco em escrevê-lo. Por isso, um acento fora de lugar, uma letra descabida, tudo bem. Também não é para decorar os passos de um dia para o outro, isso vem com o tempo e a prática. Logo, os nomes farão parte do movimento, pode acreditar. Falo de uma bailarina achar que isso não tem importância. É de amargar ver tantas bailarinas sem saber os nomes dos passos que realiza sempre.

Não saber escrevê-los também é o fim. Médicos e advogados, por exemplo, tem a sua própria nomenclatura. E todos sabem ao pé da letra. E bailarina com preguiça de saber a diferença entre glissé e jeté?

Saber a tradução facilita a memorização. Se soubermos que plier é o verbo dobrar e plié significa dobrado, nunca mais esquecemos o passo. Isso também vale para os passos compostos. Grand battement. Grand significa grande. Battement, batimento. Qualquer outro passo grand e você já saberá que é grande. Assim, saber que grand jeté significa grande lançado ou atirado (e entender por que as pernas se abrem totalmente no ar!) fica fácil.

Não custa muito comprar um minidicionário bilíngue de francês. Eu tenho o Michaelis e custa R$ 25,00. Mas nem precisa tanto, dá para utilizar o recurso de ferramentas de idiomas do Google e traduzir do francês para o português. Basta querer.

Sobre a pronúncia, aí é outro departamento. Já vi quem tenha pronunciado uma palavra corretamente e foi corrigida para a pronúncia errada. Não é preciso falar exatamente como na língua francesa, mas algumas questões fonéticas não custam nada. Saber que “au” lê-se “o”, “u” é lido como “i” com um leve biquinho. O cuidado está nos detalhes.

Parece frescura? Só parece. Mas e daí? Se decidimos aprender ballet, façamos da melhor maneira e em todos os sentidos. Prefiro assistir a um documentário e entender cada passo, do que estagnar no meu estudo só para não parecer nerd demais.

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14 comentários sobre “O francês em sala de aula

  1. Eu acho muito importante saber os nomes dos passos, por isso, no meu núcleo de dança temos aulas teóricas todos os meses e provas teóricas também. Apesar de não gostar muito no começo, com o tempo, fui entendendo a importancia de saber os nomes de cada passo, a pronúncia e seu significado. Eu preciso muito de uma ajúda para um trabalho que o meu professor de ballet pediu. Já fiz algumas pesquisas mas não consegui encontrar o que preciso: a história do plié! como, onde, porque ele surgiu sabe? se puder me ajudar aguardo respostas por aqui ou pelo meu e-mail: maluapostolo@hotmail.com POR FAVOR, É UM POUCO URGENTE!

    Beeeijos

    1. Malu, desconheço a existência de uma história específica do plié. O que eu sei é que os passos do ballet tem como base um dos sete movimentos realizados naturalmente pelo corpo (no caso do plié, flexionar), conforme aprendi no curso de Composição Coreográfica da Unidança.

      Beijos.

  2. Tuize, uma professora de francês bailarina! Provavelmente você sentirá uma certa tensão com os erros de escrita e pronúncia, hehehe. O bacana é que você sempre falará tudo lindamente. Fico feliz que tenha se emocionado com o blog e espero que volte sempre. E muito obrigada pela dica! Agora o biquinho sempre sairá certinho. ;) (Visitei o seu Flickr e você tem uma gata chamada Amélie! Oooonnnnnn!)

    Imenso beijo.

  3. Sou professora de francês e bailarina iniciante.
    Uma dica: para dizer o u, o famoso biquinho, é só preparar a boca pra fazer u e falar i.

    beijo, me emocionei com teu blog

  4. Cosette, que bacana, você tem francês na escola! Isso é muito muito bom. Para você, decorar os nomes dos passos será bem mais fácil, com certeza! ;)

    *

    Thays, é verdade, quando há muita mudança de professor é ainda mais importante. O bom de sabermos é que dá para a gente estudar em qualquer lugar, hehehe.

    Beijos.

  5. Realmente é muito importante saber o nome dos passos… principalmente pra quem muda loucamente de professores! Ficamos bem menos perdidas, afinal é uma linguagem universal pras aulas.
    Lembrei de qndo eu tava procurando saber mais sobre o chamado “atiti” que meu professor ensinou na aula…
    Fiquei intrigadíssima pq não achava na internet por nada!! Só depois me toquei que ele queria dizer “attitude”! hehehe Aí sim, né!!
    A boa pronúncia ajuda muito caso queiramos pesquisar e nos aprimorar.

  6. Eu tenho a disciplina de francês na minha escola, logo já estou bem mais acostumada com a língua.
    Penso que não vai ser tarefa difícil aprender os nomes dos passos que a professora falar. ^^

    Mas eu concordo realmente contigo, Cássia.
    É importante saber o nome de cada passo!
    Acho que é um factor fundamental, aprender e decorar os nomes dos passos em francês. ^^

  7. Stephanie, eu também acho francês lindo! Ah, eu também fiz muito isso, hehehe, mas com o tempo a gente aprende. Eu quero, quem sabe um dia, falar francês, mas não pelo ballet. Quem sabe eu consiga. =)

    Doce beijo.

  8. Francês é lindo! No começo achei difícil, mas agora to decorando os nomes dos passos… quando eu lia “tendu” na net não imaginava que era o “tandi” hahaha, mas a gente vai aprendendo…
    beijos

  9. Carol, já resolvemos a dúvida, hehehe! =)

    *

    Sim, sim, Carol, grand plié é quando descemos tudo. ;o) Mas não importa se a bailarina faz exames ou não, ela tem a obrigação de saber cada passo. A minha professora, em toda aula, apenas fala os passos e fazemos de cor.

    Grande beijo.

  10. Sim, demi é metade, plié é dobrado… Tanto é que grand plié é quando você desce tudo.. E fora que nos exames da Royal mais avançados (acima do interfoundation), a examinadora fala o nome dos passos e você tem que fazer.
    Então, eu estou fazendo um curso na internet de francês (não só por causa do ballet, mas eu acho LIIIINDO). E não é um curso fraco, sabe?
    Beeijos ;*

  11. ué,minha profa. disse que plié é a gente que apelida. que ele é conhecido popularmente assim, mas o nome é demiplié.

  12. Eu fiz um semestre de francês na Aliança Francesa, em 2002, mas só lembro como falar o meu nome, hehehe. Sobre o dicionário, geralmente as professoras repassam às suas alunas (ou deveriam repassar). Ele ajuda imensamente, mas sou adepta do “prefiro conferir”. Sempre acabo revisando (mal da profissão, eu sou revisora de textos), porque o que tem de erros de ortografia por aí…

    Grande beijo.

  13. eu adoro francês. aprendi um pouco na escola, mas não falo nada. só o básico do básico.
    postei um dicionário de ballet no meu blog! é o penúltimo post. tenho dificuldades pra decorar os nomes, não por serem em francês, mas por tudo ser novo e ao mesmo tempo: tanto os passos, quanto os nomes.
    depois confere lá o dicionário! acho que ajuda bastante!
    beijoss

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