O Adágio da Rosa

Se pensarmos nos ballets de repertório, geralmente os seus trechos mais famosos são variações ou grand pas de deux. Às vezes, um pas de quatre, como o de “O lago dos cisnes”.

Posso estar enganada, mas em “A Bela Adormecida”, nenhuma parte é tão famosa quanto “O Adágio da Rosa”, momento em que Aurora dança com quatro príncipes no seu aniversário de 16 anos.

Não sou uma fã ardorosa desse ballet, mas esse adágio é um dos poucos momentos de Aurora que eu gostaria de dançar.

Margot Fonteyn, Royal Ballet, 1955.
(Infelizmente, falta o começo da coreografia.)

Aurélie Dupont, Ópera de Paris, 2000.
(O entrance de Aurora veio de brinde.)

Sofiane Sylve, Dutch National Ballet, 2003.

Alina Cojocaru, Royal Ballet, 2006.

Essas quatro são as minhas montagens e bailarinas preferidas para essa coreografia. Quem quiser ver outras:

  • Svetlana Zakharova, Bolshoi Ballet, 2011. Para assistir, aqui.
  • Maria Kochetkova, San Francisco Ballet, 2005. Para assistir, aqui.
  • Ulyana Lopatkina, Kirov Ballet. Para assistir, aqui.

Observação: Eu especifiquei a companhia da qual cada bailarina faz, ou fez, parte. Nem sempre essa companhia corresponde à montagem em questão.

Os meus pas de deux preferidos

Não faz muito tempo, fiz um post com os vídeos das minhas variações preferidas. Agora, os meus pas de deux preferidos. Eles também já apareceram por aqui vez ou outra, mas agora estão reunidos em um único post.

Pas de deux cisne negro, O lago dos cisnes, Vladimir Bourmeister.

Essa é a música da primeira versão do pas de deux do cisne negro feita pelo Tchaikovsky, que foi modificada mais tarde. Em 1956, Bourmeister resgatou a versão original e criou essa belíssima coreografia, que consegue demonstrar perfeitamente como Odile seduz Siegfried. É o meu pas de deux preferido. Não canso de assistir e sonho, realmente, em dançá-lo um dia.

Pas de deux final, Branca de Neve, Ricardo Cué.

Sabe aquela coreografia que é impossível assistir sem sorrir? É como eu vejo esse pas de deux da Branca de Neve. Ele é encantador.

Pas de deux negro, A dama das camélias, John Neumeier.

Para mim, esse pas de deux fala por si só, não é preciso assistir ao ballet completo para entender claramente a relação entre Marguerite e Armand. Ele sempre me emociona.

E quais são os pas de deux preferidos de vocês?

Ballerina

Ballerina é um documentário sobre o dia a dia de cinco bailarinas russas: Diana Vishneva, Svetlana Zakharova, Ulyana Lopatkina, Alina Somova e Evgenia Obraztsova.

Ainda não o assisti e, provavelmente, vários de vocês já o conheçam. Mesmo assim, o trailer.

Cada bailarina do seu jeito

Eu gosto de assistir a uma mesma variação dançada por várias bailarinas diferentes. Não apenas para analisar a técnica ou perceber as nuances, mas para notar as particularidades. O que faz a Odette da Marianela Nuñez tão diferente da Odette da Agnès Letestu?

Por isso, eu escolhi algumas versões da “Variação de Odette”, de O lago dos cisnes, com diferentes bailarinas. Todas incríveis, do jeito que são.

Maya Plisetskaya, Bolshoi Ballet

Marianela Nuñez, Royal Ballet

Agnès Letestu, Ópera de Paris

Gillian Murphy, American Ballet Theatre

Svetlana Zakharova, Bolshoi Ballet

Mesmo não sendo esta a intenção, é impossível não perguntar: Qual é a preferida de vocês? Não precisa ser alguém dessa lista.

A minha, duvido que alguém acertaria. Sou apaixonada pela Odette da Gillian Murphy. Por enquanto, nenhuma bailarina conseguiu me deixar tão emocionada quanto ela. Nenhuma.

Os 32 anos da bailarina

Em 2009, eu me dei de presente o Desafio de Kitri e a Variação de Dulcinea. No ano seguinte, foi a vez da Segunda Variação de Raymonda.

Este ano, o meu presente subverte uma série de coisas. Não sou fã de pas de deux. Em O lago dos cisnes, eu prefiro a Odette. Critiquei a obsessão pelos 32 fouettés. Então, por que eu escolhi o grand pas de deux do cisne negro?

Porque eu me permito mudar de ideia.

Brevemente, para vocês entenderem: a versão mais conhecida de O lago dos cisnes não é a original, ela foi modificada por Tchaikovsky ao longo do tempo. Em 1956, Vladimir Bourmeister resgatou a primeira versão e a coreografou. Daí veio este grand pas de deux.

Em maio, publiquei uma parte dele com a Evgenia Obraztsova. O meu amor começou a surgir ali… Quando assisti completo, com a Svetlana Zakharova e o Roberto Bolle, foi arrebatador.

Para mim, este é o grand pas de deux do cisne negro por excelência. Nele, vejo a Odile, a sedução, a derrocada do Siegfried, o triunfo de Rothbart.

Finalmente, eu encontrei um pas de deux para chamar de meu.

Grand pas de deux do cisne negro, de Bourmeister.

Hoje, no meu aniversário de 32 anos, não me dei um sonho, mas um objetivo. Bem-vinda, Odile. Podem contar com isto: ainda subirei ao palco para dançar o que vocês acabaram de assistir.

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Quem quiser saber mais sobre O lago dos cisnes e suas modificações ao longo do tempo, há um excelente texto no The Ballet Bag. Para ler, aqui.