Este vídeo estava reservado há tempos para servir de exemplo para um post. Mudei de ideia e achei que seria melhor utilizá-lo em outro. A verdade é que me apaixonei pela variação, pela música, pelo figurino, pela interpretação da bailarina e assisti mil vezes. Por essa razão, o vídeo ganhou um post só para ele.
Variação de Raymonda, ato I, “Raymonda”, Teatro alla Scala, Olesia Novikova, 2011.
Na página “Quem escreve“, há uma lista com as minhas preferências, mas ainda não havia feito um post com os vídeos das minhas variações preferidas. Se não me engano, todas já apareceram por aqui em posts de outros assuntos. Mas o legal de juntar todas em um só é a possibilidade de vocês também compartilharem as suas preferidas.
Na verdade, quando escolhemos as nossas variações do coração, nós queremos é dançá-las, não é? Eu quero dançar todas. Não só, assisto sempre e decorei partes das coreografias. Também faço determinados exercícios e treino alguns passos só por conta dessas variações.
E sabe o que é bacana? Perceber o que elas têm em comum. No meu caso, por exemplo, eu gosto mesmo é de um allegro. Adoro as camponesas. Saias rodadas me encantam. Piruetas en dedans aparecem volta e meia.
Aqui estão as minhas cinco variações, sem ordem de preferência:
Variação de Lise, La fille mal gardèe.
Essa variação é uma graça! É linda e sinto uma vontade imensa de sair dançando toda vez que a assisto. Mas ela é difícil…
Variação de Henriette, Raymonda, terceira variação.
Eu repito partes dessa coreografia volta e meia. Cantarolo a música por aí. Treino para o meu attitude devant chegar a essa altura. É a variação para deixar o meu dia mais alegre.
Variação de Giselle, Giselle, primeiro ato.
Quem acompanha o blog e a página no Facebook já notou que essa é a variação campeã de postagens. De várias companhias, com diversas bailarinas, provavelmente, é a minha preferida de todo o sempre.
Variação de Raymonda, Raymonda, quinta variação.
Tenho cá para mim que essa é a variação mais difícil do ballet clássico. E é lindíssima! Quero dançá-la um dia, quando eu tiver o mínimo de domínio técnico para isso.
Segunda variação Rio Nilo, A filha do faraó.
Durante bastante tempo, foi a minha variação preferida e continua sendo uma das mais queridas. Assisto sempre e não me canso dela nunca. Se duvidar, já sei a coreografia de cor.
Geralmente, nossa atenção se volta às protagonistas. É raro alguém se apaixonar pelas coadjuvantes. Não confundam, não estou falando das variações das solistas, mas dos papéis feitos pelas primeiras-bailarinas, mas que estão em segundo plano.
Selecionei algumas, as minhas preferidas.
Fada Lilás, A Bela Adormecida
Detentora da bênção mais poderosa, ela quem salva Aurora da morte, transformando o feitiço de Carabosse em sono profundo. Presente nos quatro atos do ballet, ela quem guia toda a história para um desfecho feliz. Para mim, Marianela Nuñez é a Fada Lilás perfeita.
Marianela Nuñez, Variação da Fada Lilás, A Bela Adormecida.
Mercedes, Dom Quixote
Noiva de Espada, líder dos toureiros. Ambos são amigos de Kitri e Basílio. Além de ter uma bela variação, Mercedes também dança na taberna. Ela comanda a cena!
Anastasia Lifentseva, Cena da Taberna, Dom Quixote.
Henriette, Raymonda
Amiga de Raymonda, dança tanto quanto a protagonista e está em cena boa parte do tempo. Dona de três variações, uma em cada ato, a minha preferida é a terceira. Quem quiser dançar uma variação a menos, ainda há o papel de Clemence, a outra amiga. Eu dançaria ambas.
Dorothée Gilbert, Variação de Henriette, terceiro ato, Raymonda.
Myrtha, Giselle
Alguém consegue imaginar o ballet Giselle sem ela? Responsável pelos momentos mais tensos, Myrtha é o ponto-chave do segundo ato. Mesmo sendo a personificação da vingança, temos de admitir: ela é incrível.
Marianela Nuñez, Entrance e Variação de Myrtha, Giselle.
Eu já comentei que tenho a Síndrome de Solista. Geralmente eu me apaixono pelos papéis secundários e não me importaria em dançá-los.
Porém, há duas protagonistas que são as minhas grandes paixões: Sylvia e Raymonda. Amo as duas perdidamente.
Em Sylvia, eu me emociono quando ela surge poderosa no pas d’action. Posso ver mil vezes, os meus olhos lacrimejam sempre. Gosto da coreografia, do figurino, da música. Há nessa personagem uma imensa força, muito distante das mocinhas chorosas de tantos ballets de repertório.
Em Raymonda, acho que ela sintetiza o lado divino do ballet clássico. Para mim, ela é “a” protagonista e a quinta variação não é para qualquer uma. É para bailarinas de verdade.